"Ratis mortis, urubis pertis" , Safravus

 

Cataplum


Uma voz a mais, a menos.


Na hora de procurar a bio:
Ram Rajagopal


Ler e Ouvir

quarta-feira, abril 30, 2003

 
Bleargh 3
Reavaliando: realmente você não ganha nada lendo as coisas que escrevo aqui. Mentira, você pode (1) se sentir melhor por não ser eu (2) ter muita inveja de não ser assim bonito e charmoso (3)ter argumentos científicos para justificar qualquer pensamento inútil (4)aprender a técnica oriental do Espanta-Chato-Interectuaro né (5) Descobrir que sim, ainda existe vida inteligente na terra, em algum lugar longínquo nunca dantes explorado pelo homem (provavelmente The Great Reef na Austrália) (6) Aprender a respeitar o coração das lindinhas (7) Aprender o valor das amizades (8) Realizar que quem olha para frente não olha nem para a Esquerda nem para a Direita (9) Ter seus parcos comments junto com comentários de gente que vai ser muito famosa no Brasil, sem aparecer no BBB ou na Playboy (10) Se contentar em ser 25% da população leitora da publicação mais independente e menos coerente do planeta ... Putz, dez razões tá bom?

nóia do Ram em quarta-feira, abril 30, 2003/

 
Bleargh 2
Outro dia, um grande amigo, que omito, me disse de uma viagem de ônibus que pareceu novela das 6, aquela onde o protagonista está sempre cercado de mulheres lindas, sem muitas motivações advindas da trama, mas no fim acaba dispensando todas elas, para delírio da dona-de-casa ou dona-de-trabalho, que podem voltar a fantasiar uma estória de amor com o protagonista. Isso até a proxima novela. Na tal viagem de micro-ônibus, o protagonista foi sendo cercado por mulheres lindas, que se sentavam ao seu redor, num ônibus vazio.
Fiquei pensando nessa estória, porque como engenheiro estas coisas são complicadas de entender, afinal, não é possível completar um círculo com menos de três pontos, ou seja é impossível ser cercado com menos de três mulheres no pedaço, que era o caso na escola de engenharia.
E então o pesadelo, pós-medicação, que garantia ser non-drowsy: eu estava no micro-ônibus vazio, e fui sendo cercado por cópias dos professores que me dão aula aqui... Sahai senta do meu lado e ri sinistramente. Dr. Chandran entra no ônibus, senta no banco da frente e começa a rascunhar a prova final. Se vira e dá um sorriso cínico. Putz. Até o motorista, que é Dr. Ananth dirige o microônibus loucamente, se aproximando perigosamente da lateral da Niemeyer, e dando risadas. Sim, deve ser subconsciente reclamando do dia de vadiagem... Pombas, será que é tão difícil ter um pesadelo com as lindinhas que eu conheço? Hmmm, acho que impossível é ter um pesadelo com elas ...

nóia do Ram em quarta-feira, abril 30, 2003/

 
Bleargh
Ontem fiquei tão tonto na farmácia-supermercado, que acabei comprando três remédios iguais de marcas diferentes. Essa coisa de liberdade de consumo as vezes enche. A única vantagem foi que uma linda mexicana demorou os mesmos 40 minutos (!!!!) que levei encarando a prateleira para escolher o seu próprio remédio. Também estava gripada e com sinusite. Discuitmos as melhores opções para tratamento usando as pílulas disponíveis, e os beijos imagináveis (bom isso foi da minha parte). Tem horas que é bom estar doente. Cataplum !

Nota do autor: É realmente, não tenho que reclamar ter remédios fotocopiados, um até de uma marca de genérico... Agora mesmo, uma vizinha me pediu uma pilula (no bom sentido, pombas!) de Ibuprofen, que eu vim a descobrir ser o WalGreens Fever Pain Control Maximum Strength (and lots of love). Ela inclusive ficou super feliz porque só compra esta marca. Eu respondi que o destino antecipa ajuda para pessoas especiais ... Já marquei um chá para comemoramos o efeito da medicação. E com as várias marcas do mesmo remédio, acho que estou pronto para as outras vizinhas ... Alguém aí com gripe, alergia ou carência por um rapaz bonito e inteligente e hetero (sim, the qualifier applies.)?

nóia do Ram em quarta-feira, abril 30, 2003/

 
Blog!
Ao que parece Daniel voltou a escrever. Para completar o trato, só falta agora ele publicar seus contos e crônicas no blog!

nóia do Ram em quarta-feira, abril 30, 2003/

terça-feira, abril 29, 2003

 
Efeitos da proteção contra demissões
Um trabalho que revê algumas das falácias sobre a proteção contra demissões, e o efeito negativo dos altos custos de demissão, especialmente em épocas de depressão econômica (!). Trabalho feito por um pesquisador italiano que está em Berkeley, analisando o mercado europeu de trabalho (european labor markets). Leiam as 10 primeiras páginas que já apresentam uma análise e retrospectiva histórica. Se tiverem estômago, leiam a parte que aborda a modelagem téorica deste efeito econômico. Resumindo, o medo de não poder demitir freia mais as contratações, do que o medo de demitir impede o desemprego (vejam que desemprego e emprego não são antagônicos, um dos pontos revistos pelo artigo), explicando a fraca performance do mercado de trabalho europeu durante as décadas de 70 e 80.

nóia do Ram em terça-feira, abril 29, 2003/

 
F(e)riado
Em pleno verão, continua um frio de rachar aqui em Berkeley. Me disseram que a área da baía é assim mesmo. Ou seja, para mim que adora um calor, vai ser dose. Como estou com resfriado (isso, resfriado em pleno verão, usando dois casacos), fiquei assistindo filmes e lendo livros que pouco se relacionam ao meu curso. Sim, isso se chama vadiar em fim de semestre. Filmes: Memento e Hannibal, ambos filmes que não havia assistido. O primeiro é bom, o segundo vale a pena pelas cenas em Florença e pelo incansável Anthony Hopkins. Mas aviso já de cara, se forem assistir depois do jantar, como eu fiz, irão ficar de estômago virado. Memento, thriller ao contrário, é bem interessante, apesar de eu gostar mais de um outro filme no mesmo tom (de cinza): Insomnia. Ja o Hannibal, escatológico demais para o meu gosto (sem trocadilhos por favor). Gostei mais de ter lido o livro Red Dragon.

PS: Sim, e se tiverem um tempinho peçam ao Pablo Conejo para ver se ele faz parar de chover por aqui...

nóia do Ram em terça-feira, abril 29, 2003/

segunda-feira, abril 28, 2003

 
California Driver's Handbook
Don't Weave - stay in one traffic lane as much as possible. Before changing lanes, check your mirrors and turn your head to CHECK BESIDE YOUR VEHICLE for vehicles and motorcycles in your blind spot.

nóia do Ram em segunda-feira, abril 28, 2003/

 
Poesias
Existem poemas com frases, palavras, letras e estrofes. Existem poemas de amor e de catástrofe. E existem poemas. E existem. Isso, poemas. Viu? Não? Então dá uma porrada no vizinho. Está faltando poesia na vida dele.

nóia do Ram em segunda-feira, abril 28, 2003/

 
Precisão
Eu preciso de muita gente na minha vida, mas as vezes não deixo isso muito claro. Pois é, falta precisão. Acho que isso é plágio, mas não precisa precisar. PS: Pombas, será que é difícil intuir isso?

nóia do Ram em segunda-feira, abril 28, 2003/

 
Confissões

Eu confesso. Eu confesso estar vivendo sem motivo. Eu confesso ser incoerente. Eu confesso mudar ao sabor do vento. Eu confesso palavras que machucaram, mentiras que doeram. Eu confesso fazer tudo inconsequentemente. Eu confesso ser dor, e ser só dor. Eu confesso só pensar em mim mesmo, e pensar pouco nos outros. Eu confesso ser insatisfeito, insaciável. Eu confesso ser este eu imperfeito, improdutivo, infantil, infinitesimal. Mas eu confesso. Eu confesso que amo viver. Eu confesso que amo esperar. Eu confesso que amo o ato de amar. Eu confesso que minha respiração me ilude, me dá fé, me dá força. Eu confesso que sou viciado em sentir. Eu confesso que sou completo sendo infinitesimal. Eu confesso ser parte do todo, e ser satisfeito em ser mais uma parte. Eu confesso o êxtase da dor da partida, e da alegria da chegada. Eu confesso a necessidade da lágrima. Eu confesso que olhos me fascinam, que o mundo me absorve. Eu confesso que até nas confissões mais íntimas eu minto. Mas confesso também que nunca minto usando a palavra amor. E confesso, acima de tudo, acima de qualquer coisa, que amo estar vivendo. Estar tendo a oportunidade de ir sendo o que sou, e de no caminho encontrar mais motivos para confissões da alma. Confesso meu amor, ao meu amor, ao amor, o único e verdadeiro amor da alma.

nóia do Ram em segunda-feira, abril 28, 2003/

sábado, abril 26, 2003

 
Sim, sim, Salamim
Se o Garotinho acabar com a violência no estado, das duas uma: ou eu vou realmente acreditar que ele tem algum contrato divino, ou eu vou ter que acreditar que este governo tem algum contrato com o tráfico. Façam suas escolhas. Sugiro o princípio do Occam's Razor (a justificativa mais simples é mais provavelmente a verdadeira) para decidir.

nóia do Ram em sábado, abril 26, 2003/

 
Clichê
Sei que é clichê, mas aqui segue a minha listinha de search queries loucas que bateram por aqui: jequetinhonha, cantadas femininas, plagio musicas brasileiras, desenho porco jogando lixo, lutadoras solitarias, resumo de el cid, golberi, receita de mousse de provolone, mulher-na-europa, orgia republica estudantil, marrento qual o significado desta palavra,
grupos guerrilheiros da america latina, sugestao lista de musicas basicas festa, dentista berkeley, gamada girlfriend, esta correto dizer que iremos confabular ideias.


nóia do Ram em sábado, abril 26, 2003/

 
No Bus Today
Eu estava no 51 hoje (isso mesmo, o ônibus que me leva de casa para qualquer lugar afastado do campus é uma boa idéia), cantarolando, nem sei porque, já que as desgraças notórias de fim de semestre, chamadas notas, se aproximam, quando uma senhora se sentou ao meu lado. Eu olhei, ela disse oi. Respondi com um sorriso. Depois conversamos uns minutos sobre apartamentos em Berkeley, a universidade e o dia ensolarado (quente e lindo, como eu gosto !). Foi o tempo entre dois pontos de ônibus. No fim, ela se virou e me disse: "Good journey. You are a very sensitive boy. I will leave you to live your dreams" e desapareceu. Na hora fiquei bolado. Depois é que me dei conta: será que eu não estava dormindo na cadeira do 51?



nóia do Ram em sábado, abril 26, 2003/

 
Pieguice II
Somos todos a mesma coisa? Hmmm... Com exceção da Rosinha e do Garotinho ... Estes dois são dose.

nóia do Ram em sábado, abril 26, 2003/

 
Pieguice
Sei lá. Devo estar muito piegas hoje. Será que foi resultado de jantar no Hillel de Berkeley ontem? Acho que não, mas o jantar foi ótimo. O Hillel é o quartel general dos alunos judaicos aqui em Berkeley. Foi bem legal. Música, dança, piadas o tempo todo, e comida de graça. Quer algo melhor? Pois é, muitas judias lindas. Mas principalmente, o prazer de estar por algumas horas desligado de quem somos para ficar ligados em um outro universo. Sim, para mim aquele era um outro universo, que me pareceu tão familiar que as pessoas me perguntavam: "Você é judeu?". Eu sempre respondi: "Sou não. Mas acho que somos todos a mesma coisa."


nóia do Ram em sábado, abril 26, 2003/

 
Democracia hoje
Eu estava na Shattuck, esperando o ônibus para voltar, quando vi uma garotinha correndo e ela gritou "mamãe!". Isso em português mesmo. E de repente me caiu uma ficha. Não sei porque este momento fez a ficha cair. Talvez tenham sido as músicas que eu estava ouvindo. Não sei. Mas sei que caiu uma ficha sobre o mundo de hoje. O que chamamos de independência e liberdade se tornaram um escudo contra o envolvimento social, o envolvimento pessoal, o envolvimento familiar, e todo e qualquer envolvimento na massa viva do planeta. Sim, sou a favor de ambas as idéias, independência e liberdade. Me beneficiei delas. Mas acho que elas não justificam ser conivente com as coisas ruins que acontecem no mundo hoje. Sim, talvez a nossa ética pessoal seja errônea. Mas ainda assim, se conectar espiritualmente, extra-sensorialmente ao próximo é também parte da nossa essência. É parte da essência defender o que se crê ser correto. É parte da essência viver pelas nossas crenças, e defendê-las. Sabe porque? Porque todas idéias universais que forem boas idéias irão sobreviver a todo e qualquer distúrbio, inclusive aquele por ventura causados por mim ou você. Mas eu e você, se perdemos a crença na força de se fazer o que se acha correto, de acreditar no que se crê verdadeiro, se perdemos a vontade de emergir e nos mesclar ao caos vivo, estamos matando a nossa essência. Acredite no que quiser, mas chore pelo que você acredita. Vale a pena. E também grite, ria, chore pelos outros, pois somos todos partes íntimas de quem você é. Acredite em você. Acredite em você. Esta sim é a liberdade duradoura, verdadeira. A independência do intelecto e do espírito. O mundo se encarrega de descartar tudo que não tem futuro. Mas se você e eu não tentarmos, o que tem futuro também não aparece.

nóia do Ram em sábado, abril 26, 2003/

 
Drogas
Roubei um post do limaozinho:

DROGAS E CLICHÊS
Na boa e sem dramas. mas isso me fez chorar pra caramba ontem. Não cheguei a ler tudo porque me faltou estômago. Mais tarde tento de novo.Não falo mais pra evitar os clichês. e porque os fatos falam por si só.

Mas ao contrario da Aline, depois das lágrimas me veio um gosto de revolta na boca. Porque é tanta coisa que falta na sociedade, da orientação aos pais, ao tratamento eficaz de dependentes, a falta de empregos aos jovens, que arrasa um cara de 20 e poucos cheio de sonhos, a tolerância social ao traficante, ao passador... Só que acho uma coisa detestável é a tolerância as drogas. Não, não acho que ficar calado porque droga é uma escolha de cada um é o certo. Eu condeno as drogas. Inclusive quase fui espancado pelo meu vizinho, consumidor voraz de maconha, que começou com um cigarro por mês, e atualmente fuma a tarde toda, diariamente. Já experimentou cocaína. Me ofereceu vários tipos de drogas mais de uma vez. Sempre recusei, até que me perguntou porque recusava e me sentia mal. Eu disse para ele que acho que as drogas destroem a paz interior das pessoas e da sociedade. Que machucavam as pessoas.

Eu acho patético que digam que as pessoas tenham que se drogar para criar arte. Mentira. De Beethoven a Gauss, passando por Vasudeva, grandes livros, idéias e músicas foram feitas sem elas. Sim, sendo maniqueísta, a droga é má. Não a pessoa que a consome. Mas a droga em si. A pessoa é indefesa contra seus malefícios. Mas hoje, em nome de uma democracia que eu chamo de falta de amor ao outro - a democracia de ignorar o vizinho porque é o direito dele fazer o que ele quiser - vamos deixando a droga tomar conta da vida de muitas pessoas. Eu mesmo conheço pessoas que consomem assiduamente e estão sofrendo por causa da droga. Mas é difícil dizer qualquer coisa, porque em qualquer festa, em qualquer situação social, previnir o contato com as drogas é visto como atentado a liberdade da pessoa, como sendo retrógrado.

Pois sim, a droga mata a alma. O Filipe, que trabalhou num centro de reabilitação por alguns meses, disse para mim: "veja os olhos das pessoas. Eu sei quem usa pelos olhos". E o que vejo são olhos cansados, reflexo da batalha do corpo contra a dependência e da mente contra a ausência da energia vital necessária para o reequilibrio. Se estamos todos numa gangorra, perdendo o equilíbrio e se reequilibrando, a droga te desbalanceia, te tira do lugar. Sim, eu já usei drogas: o alcool. Já fiquei muitas vezes bêbado, já até bebi como fuga, apesar de não ser um alcolatra. A sensação no dia seguinte, depois de beber as turras, é de que a vida e falsa. Vazia. Oca. Deve ser porque quem somos acaba ficando em segundo plano, motivado por ingredientes químicos externos ao nosso corpo. Hoje sou um chato. Não bebo, não fumo, não me drogo, não me misturo com droga, e ainda me importuno com cigarro e não tolero ver alguém oferecendo drogas a outra pessoa. Sou equilibrado? Em paz? Não, ou talvez sim, sei lá. Mas estou vivo. Com vontade de viver. De tentar me equilibrar. E sinto um amor tão intenso pelas pessoas, pelo que elas são, com todos seus problemas e qualidades, que não sei explicar exatamente o que é. Mas me doí muito quando as pessoas sofrem. Não deveria. Mas dói assim mesmo. É da minha conta? É sim. Porque estas pessoas todas, são como eu, de certa forma, de uma maneira muito sutil, somos todos iguais, todos uma única coisa ... E quando nos ferimos, ferimos esta unicidade. Por isso, é que escrevi isso, e sei que as pessoas vão dizer que julgo os outros, que não sei do que estou falando, que sou atrasado, reacionário, direitista, que não entendo as pessoas e quero me meter na vida dos outros. Deve ser tudo verdade, mas assim mesmo, minha alma pede. Como pediu quando chorei ao ler a revista.

nóia do Ram em sábado, abril 26, 2003/

sexta-feira, abril 25, 2003

 
Dica de livros
Use o AddAll para encontrar livros baratos. Muito bom.

nóia do Ram em sexta-feira, abril 25, 2003/

 
Perguntinha
Estou com a mania de responder perguntinhas. "Ram, você não leva as coisas a sério neste blog!". Hoje vou responder como um dos meus professores:
1) Olhe a barrinha ao lado. Muita coisa séria. Como o LEM diz, não precisa ser sério para ser sisudo. Ou vice-versa.
2) Eu escrevo muitas coisas sérias. É só procurar. É tudo fruto de muitas horas pensando nas questões filosóficas mais profundas. Então, meu cérebro frita, e aí escrevo aqui.
3) Amor ao mundo se demonstra de várias formas, entre elas, o bom humor ! Senão, o mundo dá ataque cardíaco.
4) Pois é, o romance anda banalizado hoje em dia. Sentimentos andam banalizados. O humor anda banalizado e as crenças andam banalizadas. Nada melhor que um blog que gera banalidades.
5) Ao contrário do que muitos pensam, acredito que as melhores coisas da vida são aquelas que descobrimos aos poucos, sempre com bastante esforço. Então, tente descobrir sentido neste blog. Se você conseguir, vai ser uma das melhores coisas da vida. Senão, sei lá. De qualquer maneira, te visito lá no Dr. Phillipe Pinel (aka, Pinel de Botafogo).
E minha favorita: "É mesmo? Anapolina perdeu de 4x0".

nóia do Ram em sexta-feira, abril 25, 2003/

 
Livros do bom
Então tá, se você se interessa por ciência, e não se incomoda com batatas francesas, dê uma olhada em "The Discrepancy Method" the Chazzelle, livro excelente, que ensina que é possível maximizar desejos empiricamente, desde que você use pontos de teste de baixa discrepância (aka, mais uniformemente distribuídos que a "distribuição uniforme" de números aleatórios). Inclusive, os pontos de teste devem ser escolhidos de acordo com sequências pré-definidas, que costumam ter nomes como Halton, Sobol, etc.

Pois então, em termos de vida prática, antes de decidir o parceiro que maximiza a sua paz interior, escolha parceiros quase aleatoriamente, ou melhor de acordo com baixa discrepância. Ou seja, no universo de pessoas finito, o mais uniforme possível. Não só isso, todos os seus amigos podem escolher a mesma sequência de pessoas. E assim todos ficam felizes, porque a divergência na sequência maximizadora para cada um é limitada pela discrepância ... Entendeu? Nem eu. Mas fica de olho na gatinha ali ao lado, porque se tem namorado hoje, pode ser o seu próximo ponto de baixa discrepância... Cataplum !

nóia do Ram em sexta-feira, abril 25, 2003/

quarta-feira, abril 23, 2003

 
100 razões para ser eu mesmo
Repito 100 vezes que já aprendi a amar meus defeitos. Mentira, não aprendi não. Mas estou me apaixonando por eles. Será que isso conta?

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

 
Só doí quando é dos outros
Não que eu concorde com a economista, mas a história sempre guarda surpresas. Quem te viu, quem te vê .

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

 
Pinana da Semóia
"É porque eu já fui um artista. E quem foi um artista tem que sempre apreciar a arte." *
Um economista brasileiro aqui de Berkeley.
Ganhou o prêmio Tatu-Jabaculê da semana, com a seguinte inscrição: "Quem salsa muito sai rebolando sozinho."

* Em resposta a porque ele continuava secando mulheres, minutos depois de estar noivo.

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

 
Assim
Assim fica difícil levar as coisas a sério...

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

 
Politicamente Correto
Me perguntaram: "Mas você só fala lindinha para cá, lindinha para lá, isso é sexismo!". Pois é, desculpem mas sou completamente tendencioso neste sentido. Fora o conhecido disclaimer, eu realmente tenho a crença que todas as mulheres do mundo são lindas. Quando me refiro as lindinhas, me refiro a humanidade como um todo*, que para mim está encarnada no espírito de uma mulher inteligente, independente, batalhadora e de bem com a vida! Então, como sou um humanista, não posso deixar de amar e apreciar as lindinhas. Por isso, se você quiser estar sob a influência do entorpecente Cataplum, vai ter que gostar das lindinhas. Um beijo no coração para elas, e um alô alô alô, W-Brasil para eles.

*Sim, eca, me processem. As vezes até eu me surpreendo com o post-mortem.
**É bom lembrar que a maioria das grandes obras literárias tem uma mulher ou como protagonista, ou como sendo motivadora das ações do protagonista.

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

 
In another note (2)
Me dei conta agora que muitas vezes os ingredientes para o seu prato podem ser difícieis de encontrar, especialmente no Rio, onde é bem difícil encontrar especiarias indianas ou asiáticas, em geral. Apesar de encontrar os ingredientes ser parte da graça de se cozinhar (a "caça"), existem várias listinhas na internet que oferecem substitutos, como http://www.recipesource.com/misc/hints/substitions1.html ou http://www.recipesource.com/misc/hints/index4.html. No Rio, eu costumo encontrar muita coisa no fim de feira, em andanças pela Saara e no Zona Sul da Grande Gomes. Mas se nem a lista, nem a Saara tiverem as respostas, então você mesmo pode encontrar o substituto, outra ativdade divertida em se tratado de culinária. Minha experiência é que algo que tenha textura semelhante e cheiro parecido costuma funcionar bem. Não se preocupe, se ficar ruim, é Nouvelle Cousine, e basta servir bem pouquinho, acompanhado de molho inglês ou de pimenta, num prato branco cercado de alfaces e flores, com um pouco de essência de baunilha. Duvido que alguém vá questionar os méritos da sua nova receita...

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

 
In another note
Como estava pensativo, resolvi cozinhar. Se você gosta desta arte (podendo ser pós moderna, dependendo de como sai a comida), então uma sugestão para impressionar até aquela garota que você achou que nunca ia abrir a boca para falar com você: o site com receitas do NYT. Esta série de receitas tradicionais ensinadas por chefs de um instituto de culinária famoso aqui nos EUA e na Europa, se dedica a desmistificar vários pratos ditos complicados. Incluem-se aí os principais cânones das culinárias francesa (sim, isso começou antes do Villipin) e italiana. Em geral assistir ao video uma vez, e mais tarde tentar reproduzir na cozinha é a maior diversão (o prato, diga-se de passagem). Uma das melhores séries culinárias que já assisti. Recomendo as receitas de sufflé, tarte, omeletes e peixes. Quem sabe assim a lindinha não abre a boca?

PS: Eu sou afeito a experimentações culinárias, e vivo inventando receitas, por exemplo o sufflé queimado que não inchou vira gratinado au Vilipain, depois de ser devidamente triturado. Mas se você quer receitas, ou aprender estilos culinários multi-culturais, e depois inventar as suas, tente http://www.recipesource.com/, site que começou em Berkeley, e consiste de receitas enviadas organizadas por país, prato, etc. Então, para aquele amor da sua vida, você pode fazer um Kasha Knishe acompanhado de Hunkar Begendi, para provar a ela que se israelenses e palestinos se entendem na arte de comer, então tudo e possível na arte de amar (eca, eca, eca, me processem!).

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

 
Um de repente
De repente, um amigo de um amigo meu, que eu não conheço se suicidou. E de repente, vi este meu amigo, um rapaz destes muito inteligentes, talvez um dos mais inteligentes que eu conheço, chorar copiosamente ao tentar resolver um problema de Física Quântica. E foi assim que eu percebi que no fundo, no fundo, compartilhamos todas as dores, todos os amores e todas as vidas. E me doeu que uma pessoa tão carinhosa e generosa como ele, que é um daqueles sujeitos que acha que você saber tanto quanto ele é tão importante quanto ele saber, tenha que passar por tudo isso. Uma pena que eu não possa retribuir com a vida do seu amigo para as várias horas em que se dedicou a me explicar coisas que eu entendia mal e porcamente, sem pedir nada em troca. Ou talvez, só mesmo minha amizade. Então, de repente fiquei eu também muito triste com a morte do seu amigo. De repente mesmo. Pois é, de repente compartilhamos todas as dores, vidas e amores. Um abraço cara!

nóia do Ram em quarta-feira, abril 23, 2003/

terça-feira, abril 22, 2003

 
22/04/2003
Independência da Gomes.

@2003 Campanha Lindas e Inteligentes, Ministério da Cultura da Grande Gomes. 1o Primeiro Ministro da Cultura: R. Rajagopal.

nóia do Ram em terça-feira, abril 22, 2003/

 
22/04/2003
Descobrimento do Brasil?

@2003 Campanha Lindas e Inteligentes, Ministério da Cultura da Grande Gomes. 1o Primeiro Ministro da Cultura: R. Rajagopal.

nóia do Ram em terça-feira, abril 22, 2003/

 
A Gomes é um país!
A Gomes Carneiro em Ipanema se emancipou! Aproveitando a onda de ataques preemptivos, foi fundada hoje, data do descobrimento do Brasil, a Autocracia Parlamentar da Grande Gomes ou o nome em inglês, Big Gomes State of Ipanema. Seguindo o modelo brasileiro, a capital não fica no litoral, mas na esquina entre a Gomes e a Visconde de Pirajá. Num acordo inédito com as esferas muncipal, estadual e federal, os constituintes da Grande Gomes decidiram adotar o status de protetorado do Brasil (como Hong Kong foi da Inglaterra), evitando assim transtornos para os brasileiros que querem visitar os pontos turísticos do local. Ou seja, você, brasileiro morador da Grande Gomes continua sendo brasileiro, e você brasileiro, não Grande Gomense, pode visitar a Grande Gomes sem necessidade de levar seu passaporte. Numa decisão surpreendente, mas seguindo o precendente histórico da instauração da República no Brasil, os cidadãos Gomenses decidiram por unanimidade adotar o sistema político de Autocracia Parlamentar. Numa autocracia parlamentar só existem duas figuras legislativas, o Lorde Primeiro Ministro e o Presidente Vitalício Sem Poder de Veto. Tal sistema foi escolhido pelos Gomenses por razões econômicas e culturais, mas entre elas: 1) a inexistência de espaço para instaurar prédios de governo 2) o reconhecimento da inutilidade de um político 3)Economia de escala 4)Com a beleza natural da região, ninguém está nem aí para isso tudo 5) Muitas outras razões que ninguém mais lembra. O Presidente Vitalício Sem Poder de Veto Eleito é o Dr. Gomes, o guerreiro da Lapa. O sistema de partido único, já que dois partidos são perda de tempo, ideologia e dinheiro, já elegeu o 1o Lorde Primeiro Ministro da Grande Gomes, Ram Rajagopal, conhecido articulador político e fundador do Cataplum, o primeiro diário brasileiro sem tendências, exceto por mulheres bonitas.

Entre as primeiras medidas do novo governo, estão as negociações em fast track (ou street) com a região econômica Francisco Sá, que naturalmente tem muitas afinidades com a Grande Gomes. A redação do Cataplum foi expandida e reorganizada para formar o primeiro jornal diário local. A cobertura inter-protetoral (ou inter-rual) da Grande Gomes continuará com os enviados estrangeiros das redações Rio do Jornal do Brasil, O Globo, o Dia, e o Extra, entre outros. Numa atitude inédita, o Lorde Primeiro Ministro da Grande Gomes aceitou cortar o seu salário para zero, permitindo assim que os recursos da Grande Gomes sejam investidos em atividades mais economicamente viáveis, e invejaveis, como o concurso de miss da praia de Ipanema. Várias leis inovadoras e um sistema social criativo estarão entre as medidas do primeiro governo. No seu discurso de posse, Ram, como prefere ser chamado, disse enfáticamente: "A promulgação da Autocracia Parlamentar da Grande Gomes é o primeiro passo em direção a uma sociedade mais justa, e um futuro melhor para os Gomenses. Meu mandato não tem promessas. Prometo fazer nada, exceto exercer o poder a mim concedido com benevolência e simpatia para as mulheres. Já nesta semana eu e meu gabinete, que sou eu e o Dr. Gomes, Presidente Vitalício sem Poder de Veto, estaremos rascunhando as primeiras leis do protetorado. E seguindo desejo da nação, as leis serão menos de 7, e de fácil memorização. Olhemos para frente e para trás, porque dos lados não tem nada!". O conhecido filósofo Safrão foi escolhido como patrono do novo protetorado. Os dizeres do brazão do país leem: "Ratis Pertis Urubis Mortis, est ruas proximis Gomes incorporati". Dentre os primeiros convidados para visita internacional ao país, e a cerimônia de posse, com data a ser definida, estão o reconhecido autor Luis Eduardo Matta, que pretende escrever um romance passado na região, e o intelectual Rafael Lima, que pretende entender melhor as mulheres da região.
Acompanhem o Cataplum! e Cei Nada Não (CNN) para desdobramentos desta notícia surpreendente e mais análises sobre o que representa a fundação da Grande Gomes para a economia da região e para a economia brasileira, além das consequências culturais, sexuais e sobrenaturais deste evento sem precedentes.

nóia do Ram em terça-feira, abril 22, 2003/

 
Campanha Escreve Malaguti!
Pois é, um dos meus bons amigos, Daniel Malaguti, muito ocupado com a chegada da sua filha, está deixando de escrever. Pois bem, aqui vai um post para os meus quatro leitores mandarem e-mails pedindo que volte a escrever. Nem tanto sobre filosofia, que eu acho muito chato, mas contos despreocupados. Pois é, agora com filhos o Daniel está mais para cronista da vida cotidiana (algo que muito me interessa), do que para Derridá (algo que acho muito chato). Escreve Daniel!

@2003, Public Health Campaign. 3rd Big Gomes Health Secretary: R. Rajagopal. The Big Gomes State of Ipanema.

nóia do Ram em terça-feira, abril 22, 2003/

 
Coerência
Não é a toa que Schumacher é campeão. Tudo na sua vida é automobilismo. Inclusive o refúgio para uma das maiores dores que o ser humano pode ter.

nóia do Ram em terça-feira, abril 22, 2003/

segunda-feira, abril 21, 2003

 
Ataque ao pensamento único

Não, não somos todos iguais. Não, não pensamos igual. Não, não colocamos todos o mesmo esforço nos nossos empreendimentos. Não, não somos igualmente talentosos para todas as coisas. Resultado: sim, sempre existirão hierarquias e diferenças sociais. O que não pode existir é miséria, fome e falta de acesso a educação . A partir daí, o resto é responsabilidade de cada um. Os direitos básicos podem ser os mesmos, mas não podemos imaginar a existência de uma sociedade plana. Pois é, meu investimento em mim mesmo me fez conquistar certos benefícios, mas foi suor, esforço, sorte. Mas isto é ser humano.

Quem usa argumentos espirituais para equiparar as pessoas, esquece que mesmo ali, é o esforço do praticamente, daquele que busca a verdade, que determina o quanto ele irá progredir em relação a este objetivo. Mesmo no plano espiritual não somos iguais. Temos a mesma essência, mas o quanto estamos em contato com ela depende do esforço empreendido por cada um. E esforço empreendido é uma decisão pessoal.

Quando preferem abolir o acesso a educação de altíssimo nível com o argumento de que os outros não tem este acesso, estamos nivelando o jogo por baixo. É pior tanto para aquele que empreendeu esforço quanto para aqueles que não o fizeram ou estavam impossibilitados de faze-lo. Nos primeiros provoca a decepção da alma. Gera o ceticismo doloroso e o pessimismo crônico, doenças da sociedade atual. Nos últimos remove o que viria a ser um elemento motivador para a superação. Face a grandes dificuldades nos superamos se o ideal for maior ainda. As vezes é bom pensar no outro lado.

nóia do Ram em segunda-feira, abril 21, 2003/

 
InFidel
Agora que Tatuaçu é porco, ninguém quer comer toucinho. Sumiram todos eles. Como somem todos os neo-cons quando o assunto é o fomento de ditaduras por partidários desta crença. Mas tudo bem, ainda bem que a consciência deles ainda reside com eles. Deve doer muito. Se não na superfície, ao menos lá no fundo, do fundo, do fundo, do fundo. É como eu li uma vez: as pessoas preferem ignorar as atrocidades cometidas em nome de suas crenças. Especialmente aqueles que pregam o adesivo "pela humanidade", "pela sociedade", etc. E sendo mais específico, a maioria dos pensadores de esquerda, que mesmo depois da morte documentada de mais de 200 milhões de pessoas, ainda teimam em propor idéias que resvalam para o erro grosseiro da igualdade acima do direito de ações independentes.

nóia do Ram em segunda-feira, abril 21, 2003/

 
Mentiras
A mentira mais dolorosa é aquela dita em nome de alguma verdade. Dolorosa para aqueles que a ouvem. Para aqueles que tem crença na verdade e de coração aberto aceitam que uma mentira lhes seja imputada. A descoberta da mentira abala a crença na verdade, e destrói a capacidade de se creer em verdades e em nossos próprios julgamentos. Assim nasce o ceticismo ácido. Pensem nestas coisas quando forem dizer o que pensam.

nóia do Ram em segunda-feira, abril 21, 2003/

 
Por essas e outras

Think different
O blog “Raúl livre!” está recolhendo assinaturas contra a prisão de Raúl Rivero, condenado a passar 20 anos atrás das grades pelo crime inaceitável de pensar diferente em Cuba. A idéia dos criadores do blog é tentar que o governo brasileiro conceda asilo político ao jornalista e escritor. Duvido que consigam alguma coisa, já que o nosso governo, que ainda se acha de esquerda, não tem nada contra Fidel; mas não custa tentar. Afinal, estarmos contra Bush & Co. não significa dar apoio automático a arbitrariedades cometidas por outros ditadores. (Coluna da Cora Ronai, O GLobo, 21/04/03)


Think the same
Quando começam a confundir abacaxi com maçã é porque a confusão está grande. É por estas e outras que abomino os esquerdinhas brasileiros. A Cora não se inclui mas é. É mais uma daquelas pessoas que quer pensar como os franceses, sem se atentar para crimes contra a coerência e democracia. Quem acha que existe ditadura nos EUA, e olha que não gosto do Bush, ou está realmente sob efeitos de drogas alucinógenas ou prefere fingir que não sabe o que é uma ditadura. O que eu acho mais engraçado nesta estória é que agora todos os micos estão saindo da floresta ... Agora que o Fidel mandou fuzilar, e a credibilidade fica arranhada ... Mas ainda assim vejo pessoas que gostam do Saddam, por exemplo. 110 pessoas por dia foi o death toll do Dr. Hussein.

Mas a Cora se beneficia da democracia americana, que permite a expansão do conhecimento técnico, e a distribuição sem barreiras deste mesmo conhecimento. Ou será que um site como citeseer.nj.nec.com é uma invenção europeia? Ou será que os computadores terem se proliferado pelo planeta a contra prova do embarreiramento norte -americano? Ou será ainda a internacionalização de todos os campus universitários importantes dos EUA a prova cabal de que todos estrangeiros querem viver numa ditadura? Se ela acha mesmo que os EUA são uma ditadura, deveria dar esta opinião em visita as feiras de informática por aqui. Especialmente quando o governo americano pagou por sua partcipação, indiretamente através de benefícios concedidos a empresas (neste caso a Apple) que convidam e pagam estrangeiros para participarem de tais eventos. Mas ela nunca vai dizer uma boçalidade destas para os amigos dela da Apple. Ela perderia imediatamente a credibilidade com os americanos, orgulhosos e conscientes da sua democracia. Isso vale para os esquerdinhas modernosos do campus de Berkeley e vale para os falcões neo-con do Bush. Ainda assim, uma pessoa sincera aos seus ideais diria o que pensa, e aceitaria sofrer as consequências ... Mas o mundo moderno teima em ser hipócrita.

Outro detalhe, quando pessoas de verve comunista, hoje transfigurada como a social democracia, se expressam, sempre gostam de usar os verbos no coletivo. "Nos gostamos", "Nos pensamos", "Apesar de estarmos", são frases comuns em qualquer resenha de opinião destas pessoas. Não, nós não estamos Cora. Eu por exemplo, assinante do Globo, não estou concordando com sua opinião ou me alinhando automáticamente com qualquer opinião emitida por você, ou qualquer outra pessoa deste planeta. A sua crença de que todos pensamos como você é desrespeitosa ao meu direito de ter opiniões independentes . Afinal, de certa forma pago o seu salário, para ouvir o que você pensa (será mesmo?), mas não para você dizer o que eu tenho que pensar. Respeite a minha independência, e mais importante, tenha respeito pela democracia e liberdade dos outros. Porque senão podemos incluir mais uma ditadura na listinha: a sua ditadura intelectual.

nóia do Ram em segunda-feira, abril 21, 2003/

domingo, abril 20, 2003

 
Pensamentos de Esquerda
Que susto que tomei lendo isso aqui. Será que é impossível debater escrevendo português corretamente? Ou será que o marxismo vai abolir a gramática também... Deve ser uma espécie de religião. O neoliberalismo deve estar querendo simultâneamente globalizar o português. Aparentemente, numa coisa todos concordam: o fim da gramática. Pior que dizer que alguém merece morrer porque é contra os muçulmanos é ficar escrevendo isso com dois esses. Isto sim merece cadeia no 1o ano do 1o grau.

PS: Agora, sentimento político a parte, a maioria (aka não todos) dos esquerdistas escreve muito mal. Em português e em inglês. Bem pior que os neo-chatos que já li.

nóia do Ram em domingo, abril 20, 2003/

 
Dancing With Myself
Billy Idol é meio chatinho, mas tem uma música que me lembra punk rock life. Esta música me faz lembrar de Londres ou uma noite carioca por aqueles lugares dito alternativos, em dia de chuva. O mais engraçado é que uma vez fiquei pensando como seria morar em Londres e fazer parte da tal cena Britpop. Bom, certamente teria que ter os amigos clichês que aparecem nestas circunstâncias. Mas acho que minha vida em Londres, ou na night do Rio, ouvindo Billy Idol não poderia ser melhor do que na companhia dos amigos que já tenho. A bem da verdade acho a Inglaterra muito chata (gol do Ronaldo!). Valeu Rafael (incursões por todos os meios fashion-hippies), Zarthur (Bunker, mil vezes Bunker. Jana tá para você que adora viajar), Daniel (isso aí, Maurício Valadares na 8a série), LEM (Colombo é essencial! Chá com beijinho - delas), Aline (aham, textos, textos), Barreiro (lembra da noite na caravela?), Gaucho (Putz, britpop é muito chato!), Lak (É, Cozumel é chato mas é gostosa!), minhas lindinhas da night (poxa, sinto saudades de todas vocês, por isso é que ando com outras aqui - quem dera), Débora (caminhar por Botafogo de noite é certamente Britpop), André e Barp (sixth street and Exiter), Mohan (aha, indian movies are in-Lodon), César (uma coisa é uma coisa, mas gatinhas no Pub é sempre outra coisa), João Filipe (é, sempre tem que ter o artista, mas só nus artisticos femininos é coisa de português safado), FMG (futuro presidente do BC, mas atualmente incorpora Guiness on the blood, e na Mary), Rui Peter (o homem sério, Monty Phyton... Incoerente, né?), Sheilon (desiste, o conversível não cabe nas ruas de Londres), Farhad e Merhdad (yes, dancing seven veil dances is not dancing with myself - but you guys said be careful with your finger), Sarah (one day, one day, rich from punk rock. Handsome already!), Hansen (Everyone needs information - in theory - to survive in London), Sumitra, Dan and AC (no more EE20, only Anarchy!), Duke (every London story has a producer. No, it is not you! But you are eating quitely...), Alváro ("Someday I wanna be like you, thank you!". Mas não precisa não, porque em Londres pode tudo), LW (Math-me blondies), Maurício (Gaucho macho que passa por campinas, e são francisco só pode mesmo ir parar em Londres de cabelo pintado. E vê se não fica mostrando foto de londrinos pra Jô), James (com esse nome de inglês como é que foi ser carioca. É a safadeza...), Hector (já é tempo de ter Ramones Chicano guay in London), Christian e Ketan (oh yes, it is ok to be under 10 !), Robson (não, a Av. Atlântica não seria a mesma coisa ali perto da Senator's drive), Pedro (rapaz, música medieval? Punk rock and Billy Idol em 10 anos), Lele e Tati (não adianta ficar operando na mesa de Londres. O negócio é mesmo punk!), namoradas de amigos meus (adoro vocês, mas Londres is dangerous), namorados de amigas minhas (não se preocupem, elas são apaixonadas por mim, mas eu vou para Londres), Euclides (joga fora o CD dos Smiths e guarda as paulistas no coração, paulista é londrino por falta de opção), Anand, Kala, Jay, Puneet (no, I am not betraying the communist party. But only because I like to party!), Rahul (and who said one cannot learn from MDPs, POMDPs and the french), Milene (pode deixar que farmacologia tem outras aplicações na night de Londres), Adriana (cabelo laranja combina com London - e Diana também!), Carlinha (tarde demais, eu já estou maluco sem saber se P=NP), Lokesh and Sumi (Darth Father, please let us punk, let us punk...), Nik Welch (No, in London men can be women and vice-versa - be careful), Carmel (Forget about Micromechanical Electrical Machine Systems - MEMS - and stick with girls and ice cream - GREAM), Mishana (I didn't think you could read Machado in the Amazon, but you already did that, so living in London is just a natural step), Cristiano (Bastardo! Enviatti Tutti Carti para ai de Belle Ochi is not catholic, but well you will have to convert in England), Dr. G and Dr. D (someday, when I finish my Phd - after the London stint - I will be like you guys), Patricia (sim, não fosse pelo Aram - quase eu - já teria me convertido ao judaísmo. Agora vocês vão ter que ser o casal filósofico do Punk Rock!), Darren (no, no way, there is no Republican party in London, but there is lots of women), , Flávio (sim, existe lugar para MBA in Punk Rock, remember Sex Pistols?), Mônica (será que existe a possibilidade de você julgar o meu caso mais rápido? Tenho que ir para Londres), e finalmente, mom and dad (yes, without you both there wouldn't be Punk Rock done by me!) ... Deve estar faltando muita gente ainda, não porque não penso em vocês, mas porque tenho que ir estudar e só vou continuar a listinha mais tarde ... Uma coisa é certa, it is impossible to be dancing with myself in this lifetime! Valeu mesmo por terem paciência comigo. Amo todos vocês (you are my world, and I've danced with all of you, literally), bem piegas e anti-punk, e anti-rock e britpop. Ah, Gauss is Gaussian, Markov is Markovian, but amor é gostoso!

"When there's no-one else in sight/ In the crowded lonely night/ Well I wait so long/ For my love vibration/ And I'm dancing with myself
So let's sink another drink/ 'Cause it'll give me time to think/ If I had the chance/ I'd ask the world to dance/ And I'll be dancing with myself
Oh dancing with myself/ Oh dancing with myself/ If I had the chance/ I'd ask the world to dance/ If I had the chance/ I'd ask the world to dance"
(Billy Idol, 1769 during the Tea Party)

nóia do Ram em domingo, abril 20, 2003/

 
Máquinas Loucas
Lembram daquelas máquinas loucas de desenho animado, onde uma bolinha rola numa canaleta, e quando chega ao fim derruba um domino, o domino puxa um fio que vira um balde, e assim por diante? Este tipo de máquina tem um nome: sistema de Rube Goldberg, que é um cartunista que desenhou muitas máquinas assim. E a Honda comissionou um sistema assim para um comercial. Deêm uma olhada aqui. O mais impressionante: nada de efeitos especiais !

nóia do Ram em domingo, abril 20, 2003/

sábado, abril 19, 2003

 
Festa Legal
Acabei de voltar de uma festa legal: a graduação de alunos latinos do MBA aqui de Berkeley. Muita música (com bebidas de grátis! - mas não bebo) e dança, e no canto do pátio, uma tevê passando os melhores momentos de todos os jogos da Copa do ano passado. Me diverti muito assistindo a tudo na ótima companhia da lindinha Luiza, de olhos de amêndoa. Flamenguista fanática, ou seja tem ótimo gosto, se empolga com todas jogadas de ataque, e é apaixonada por música em português, especialmente samba. E adora nomes começando em R.

Detalhe: ela tem 3 anos e alguns meses. Filha de pai brasileiro, se apaixonou pelas cores do Fla, e porque o Ruan (Juan) e o Roma jogavam no time. Se recusa a tirar a camisa 10. Sabe de cor todas jogadas de ataque da seleção brasileira, inclusive apontando o posicionamento da trinca Ro-Ri-Ro. E o melhor, leva a vida a num bom humor de causar inveja. Riu um tempão com a estória do Rato Roeu a Roupa do Artilheiro Roma, Rei da Raça. E ao fim do dia fez dos comentários mais engraçados, quando o pai falou do futebol no passado: "Ram, tio, mas o Pelé brincava de bola?" "Ele jogou futebol sim. "Ih, mas eu só vejo ele falando.". Quem disse que não existem garotas lindas e inteligentes?

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

 
Regime Change
Será que ele se referiam a dieta da proteína?

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

 
E no país do BoiTatá
Pois é, no país do Boi-Tatá, o MST aumenta o número de invasões ilegais de propriedas em 40%. Inclusive, o pai do engenheiro André, da minha empresa, foi enxotado covardemente por membros armados deste grupo de pessoas. Segundo ele, o MST prefere atacar propriedades menores, que ainda assim são fazendas grandes, mesmo que estas propriedades menores sejam produtivas. Eles enviam um mensageiro que informa o seguinte: ou o senhor foge daqui ou morre amanhã. Eu pensei que fosse brincadeira. Não é não. Aquela parte do Brasil não tem lei, é selvagem, faroeste mesmo. Como várias partes do nordeste onde ainda existe escravidão. Então o André hoje não tem mais poupança: gastou o que tinha para comprar um pedacinho de terra no Paraná para os pais poderem viver, já que ao serem expulsos antes da primeira colheita, a conta do pai dele ficou zerada mesmo. 13 anos de poupança para comprar alqueires de terra, de onde foi corrido a bala. Pois é, como vamos resolver a situação? Tolerância zero para qualquer atitude que fere o direito das pessoas. Isso mesmo, bandido tem que ser posto na cadeia pela polícia. Isso inclui posseiros, infelizmente ou felizmente, dependendo da sua orientação política, altura e peso.

E porque estas coisas acontecem? Porque no país do BoiTatá só estamos preocupados com a classe dos marginalizados românticos. Não se preocupam com a classe mais marginalizada de todas: das pessoas que tem vontade, tesão, desejo por trabalhar, por fazer o que der para fazer. Estas são aquelas que deixamos no fundo do baú, porque, afinal, estão ocupadas demais para criar movimentos ou para fazer protestos ou ainda para ficar escrevendo ideologia barata, e assim não têm força política. Pois é, ainda bem que existem muitos assim, ainda. É só prestar atenção. *

PS: Quer ver, vai na livraria e procure por livros de autores que não ficam fazendo ruído na mídia. Siga depois para uma loja de cds e procure por aqueles músicos que se concentram exclusivamente em fazer música. E quando estiver cansado, siga para o seu trabalho e procure saber das pessoas que parecem sempre estar ocupadas, correndo de um lado para o outro, falando pouco. Pois é.

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

 
Me disseram
Me dizem que eu sei, eu sei, me prove, me demonstre, sustente, aceite, observe. Raramente me dizem, ame, goze, aproveite, sorria. E acho que quase nunca mesmo, ou nunca, pois é cara, que bom que você ainda acredita em todos nós!

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

 
Outro idéia no mesmo tema
De repente, poderiam criar um programa de computador para administrar politicamente um país. Ou melhor ainda, que tal colonizar um outro planeta. Neste outro planeta só podem ir todos que aceitarem o pacto de não interferência pessoal. Se interferir, um pequeno dispositivo faz a pessoa ser teleportada de volta para a terra, ou para o centro do sol. Acho que este outro planeta ia ser uma sociedade bem tranqüila. Se bem que provavelmente teremos que ter um planeta por habitante...

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

 
Craca-craca-craca
Que craca hein? Enquanto não desarmarem todas as culturas do planeta, e reduzirem tudo ao capital-plástico-democrático ou ao esquerdismo-facista, iremos sempre estar sendo importunados por grupos de pessoas que adoram mexer com a vida dos outros. É plebiscito para lá, reforma para cá, mais ou menos imposto, e mudanças na regra do jogo o tempo todo. Aí quando se está começando a entender o jogo, se tem CPI, eleições, discussões, impostos, ... Agora entendo a moral de ir para os Himalaias. Lá não chega sinal de teve ou rádio e muito menos se tem notícia de jornal diário. Eu sou a favor da adoção do Imposto Cala A Boca: se paga metade do salário em impostos para que todas entidades politizadas do planeta vivam de boca calada. Imagina só não ter que ouvir manifestantes ou generais, só na base do Cala A Boca? Me deixem ser feliz na placidez da ignorância !

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

 
Democracia
Estou cheio de ouvir as pessoas falando. Não das pessoas em si. Mas será que vocês poderiam de querer julgar os seus vizinhos por alguns minutos? Me deixem tentar atingir alguns minutos de paz!

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

 
Dúvida
Porque toda pessoa que tem opinião política quase sempre tem que ter um tom raivoso? Isso vale tanto para os "direitistas" como para os "esquerdistas". Eu chamo isso de ódio inercial... Mas é engraçado que tanto um lado quanto o outro, além de odiar uns aos outros, transformam qualquer situação ou notícia em fomento para suas crenças. E muitas vezes, simultaneamente, alimentam a fornalha de ódio incorporado... Acho que ainda está longe o dia em que aprenderemos a amar e respeitar o termo "vida" ao invés do "grupo de pessoas que pensam e/ou agem como nós". É por estas e outras que já não ligo uma televisão há 9 meses. E outro dia, quando passei em frente a teve aqui no hall de entrada, não contive as gargalhadas ao observar 3 minutos de um programa de debate... Está tudo no tom, tudo no tom. Quem briga o tempo todo pouco constroi. E proponho a quem está sempre convicto de suas opiniões que me informem como posso fazer quindim duas vezes e manter o mesmo sabor e consistência... Isso muito me interessa.

nóia do Ram em sábado, abril 19, 2003/

sexta-feira, abril 18, 2003

 
Falando no Blog(Blog(Blog(x)))
Pois é, se x era a informação inicial (os bits and bytes), podemos fazer uma modelagem para uma conclusão interessante. Imaginem que x é resultado da realidade. Então, o primeiro blog, ou jornal, publica x. Denotemos a publicação do texto em forma online pela função Blog. Então o primeiro post é Blog1(x). Se y=Blog1(x), então y é a nova informação depois da publicação. Depois vem um outro blogueiro ou jornalista, lê a informação y, e publica no seu blog, resultando em z=Blog2(y)=Blog2(Blog1(x)). Se este processo é repetido muitas vezes, podemos escrever a composição sN = BlogN(...Blog2(Blog1(x))...) como sendo a informação no Nésimo blog. Pois bem, a Data Processing Inequality garante que a informação mútua entre sN e x tende a zero. De fato, a lei dos grandes números garante que a informação sN, quando N for muuuuito grande, será somente ruído gaussiano. Isso é a matemática provando que ninguém pode falar sobre a realidade realisticamente. Pior, na verdade estamos todos comunicando ruído. Pois é, cataplum !

nóia do Ram em sexta-feira, abril 18, 2003/

 
Na cara de que Cara Pálida?
O blog Na Cara do Gol mudou de endereço. Dr. Lima, sei não, a página ficou meio pálida... Está meio difícil distinguir os links clicados dos não clicados ... E a URL: Mondo Exótica. Não sei não, dá margem a muita interpretação. Está tudo muito fashion. Fora isso, gostei.

nóia do Ram em sexta-feira, abril 18, 2003/

 
Cataplum SoP (Statement of Purpose)
Eu acho que um tempo atrás, já havia prevenido os meus 4 leitores num conhecido disclaimer. Mas vai aqui uma pergunta que recebi dia desses: "Poxa, porque você não escreve umas coisas que façam sentido?". Pois é, não falo de current affairs, além dos meus próprios, porque acho que existem vários outros muito melhores e com mais coisas a dizer do que eu. Basta dar uma olhada na barrinha de links aí do lado. Só emito opiniões quando me enchem o saco, e aí, please take a look at the disclaimer. E porque este bleargh existe? Sei lá. É a melhor resposta que encontrei. Encontrei duas no livro do Thomas and Cover, "Information Theory": (1) For any noisy channel, any information transmission rate R below capacity C is achievable (ie. information can be transmitted without error). Isso justifica, eu ficar falando minhas besteiras, desde que eu esteja transmitindo informação (na unidade de posts/minuto de ócio ou bits/segundo de ócio) numa taxa menor que sua capacidade de atura-las. (2) The best information transmission rate achievable for a given distortion is the minimum of the mutual information. Assim estão justificadas as minhas distorções e posts insossos, já que estou minimizando a transmissão de informação mutuamente conhecida (isto é, por mim e por você). Se quiser maximizar a tal informação mútua, leiam os blogs da barrinha do lado, o jornal o Globo, o New York Times, e Thomas and Cover. Cataploim !



nóia do Ram em sexta-feira, abril 18, 2003/

quarta-feira, abril 16, 2003

 
Modernoso Convertificator (com licença do Casseta)

"So cool man. Bling-bling, dasz is the pizza for smooth trancing. Band it together, let's eat it you see. Think about it, think about it. It's undercool, super moody. Bush sucks daling." Na série "coisas que temos que ouvir para comer pizza de graça".


nóia do Ram em quarta-feira, abril 16, 2003/

 
Ser DJ
Isso, aquele vizinho que toca Celo, ou finge que toca, mas incomoda assim mesmo, agora arrumou um amigo para dividir o quarto. Acreditem, é um destes perdidos que resolveu virar DJ. Devo ter sido muito sacana quando estava no Olimpo, pois se antes era a mesma música de Celo, arranhada, feito gato caindo n'água (ih, olha a contração, coisa do arco d'velha), a tarde inteira durante o fim de semana, agora é isso mais o novo dj tentando fazer scratch em cima do Celo.... Não sei, estou com medo de que isso vá causar esterlidade. Se bem que os dois estariam fazendo um favor para todos nós se isto os afetasse...

Acho que DJ é aquele indivíduo que estava pronto para ser operário de demolição mas não encontrou emprego na área. Aí resolveu promover demolições semanais dos poucos neurônios que funcionam nas pessoas. Já notaram como sempre tudo que está ao redor dos DJs tem que ter nomes "cool" "soft" "ice". Da namorada, ao nome de guerra, passando pelos tipos de sons que são mixados (ou michados, dependendo de quem for). Tudo tem também matching beats, counting skips, scratching in/south, loop, daz fun, e Germany is cool. Isso, Berlim, aquela cidade de arame e cimento, é a epítome dos DJs. Claro, se você for zoop, zamp, cabluft, vai preferir Londres. E se for poor mesmo e gostar de tomar banho, aí o negócio é Brasília.

Ontem de saco cheio, fui aqui no vizinho reclamar, e acabei sendo convidado para ser dj de umas mesas modernosas. Isso, qualquer coisa que eu fiz ali foi considerado música. Ah, o DJ é o tal que ofereceu cogumelos alucinógenos umas semanas atrás (e eu pensei que ele me oferecia Shitake as duas da manhã. Cataplum). Pois é, eu perguntei a ele o que ele tocava e ele respondeu assim: "DJ Nugroove plays NuJazz, downtempo slow jazz beats and bling bling coolz style". Cara, deve estar faltando muito cogumelo para eu entender o que ele disse. Ele me disse que eu tenho mesmo sangue brasileiro when he dasz the full beets, e que se eu conseguisse mesclar o downtempo no kick in e encontrasse os matching reels, o som ia ficar muito bling-bling. Isso. Zeus me perdoa tá. Já chega né...

nóia do Ram em quarta-feira, abril 16, 2003/

 
Pois é
Já notei que não tenho muito critério com as coisas que ando postando. A bem da verdade ficar escrevendo todo dia é algo mais do que difícil. Por isso, antecipando o meu futuro nobel literário, vou enfiando coisas novas e velhas, que para vocês vai parecer serem tudo coisas que apareceram recentemente. Só não garanto proteção das naúseas e enjoos. Se bem que, de repente, é para isto que estamos aqui. Para chegar a conclusão que na verdade, ad nauseum, viver é ir aprendendo, experimentando, e deixando as impressões boas e ruins gravadas na nossa cabeça. Pois é, alguém tem que produzir as impressões ruins né ...

nóia do Ram em quarta-feira, abril 16, 2003/

 
Transiência de Ponto de Ônibus

Esperei para ver os seus olhos. Ela estava de costas, e pude ver seus cabelos longos, cor de fogo, cheiro de verde, ou melhor perfume de um daqueles shampoos que nos fazem creer que a natureza pode ser colocada num vidrinho, mas que na verdade só dá certo mesmo se os cabelos forem como os dela.

Esperei para ver os seus olhos. Ela gesticulava muito, falando de tudo, falando de Deus e o mundo, de ir a escola no fim da tarde, de se sentir desolada com a falta de tempo para mudar a arrumação do quarto, de querer ser amada como sempre sonhou em ser. Os gestos iam desenhando no ar cada sentimento, noção, idéia e falta de. Pude ver suas mãos, esmalte claro tomando conta da ponta dos dedos. Dedos longos, afinados, rosados por estarem a mercê de seus gestos. Suas mãos me pareceram macias e coerentes com o perfume do cabelo. As vezes, pequenas incoerências podem ir se acumulando e tornam uma pessoa desagradável. Não era o caso.

Esperei mais um pouco para ver os seus olhos. Notei o decote nas suas costas. Discreto, mas suficiente para me levar a construir diversos cenários de estórias de amor em cada duna do seu corpo. Postura ereta, os cabelos em cachos escorrendo em um trançado que terminava no vale onde normalmente estaria o fim da espinha de qualquer outro. Nela, era onde ficava boa parte do meu desejo.

Nem me importei em esperar um pouco mais para ver seus olhos. Seu interlocutor caminhava de um lado para o outro, e me parecia não conseguir evitar olhar para o seu decote, provavelmente mais generoso que o que fui oferecido. Ela acompanhava, com movimentos suaves do pescoço, o ritmo do seu interlocutor. Uma vez pensei que ele estivesse me olhando. Me condenando por oportunisticamente me esconder para aprecia-la em estado natural, sem a interferência do meu ato de observar. Ou talvez compartilhando a estupefação pela série de coincidências fortuitas presente em um único ponto no tempo e espaço.

Enquanto esperava para ver seus olhos, divaguei por nós dois. Nossos sonhos em comum. A vontade de morar perto do mar. Voltar para casa e me deparar com as suas costas voltadas para mim, enquanto estivesse escrevendo a última nota de uma sonata. Sentir um abraço, com aquelas mãos macias escorrendo pelos meus cabelos. Em alguns momentos senti uma pontinha de dúvida se ela concordava com tudo isso, mas no fundo sempre tive certeza dos meus sonhos. E nesse caso, meu sonho era ela. Ela, e os sonhos dela.

Meus olhos esperavam pelos seus, por sua boca, pela surpresa de seu rosto. Na espera, enquanto descansava das divagações, ou de vagar pelo restante do seu corpo, notava sua roupa. Uma saia ajustada para insinuar a qualquer transeunte a impossiblidade física de contato com o desejo passageiro. Pequenas meias brancas acompanhadas de uma bota sapato de couro preto que lembrava os uniformes de colégio do meu ginasial. A camisa, sem gola, estampada com flores pequenas, da mesma cor de fogo, que apontava sem pudor para onde as atenções deveriam se voltar.

E de repente, enquanto eu estava absorto no seu ato de existir, ela terminou a conversa. Um daqueles pequenos empecilhos da vida - um ônibus chegando, a carona estacionado perto ou uma amiga chamando para almoçar - que teimam em encurtar os melhores momentos da vida. Ela se despediu dele, e ele de mim.
A nossa cumplicidade havia chegado ao fim. E então, de repente, com um movimento suave, inesperado, se virou e me viu. Ainda zonzo pela surpresa, eu ouvi ela dizendo: “Oi. Com licença”. E vi seu rosto. E seus olhos eram a manifestação das minhas divagações. E seu sorriso, discreto, charmoso, era familiar. Era ela, era ela. Só ela. Ela que eu já conhecia desde vidas passadas. E agora ela faz parte da minha coleção de momentos desta vida.

Post-mortem

Pois é, agora, muito tempo depois eu entendi. Ou melhor acho que entendi o que ela estava tentando me dizer: todos conhecemos uns aos outros melhor do que parece a primeira vista. E nos conhecemos muito menos do que imaginamos.


nóia do Ram em quarta-feira, abril 16, 2003/

 
Últimas do Nabucodonosor

(O Globo, 16/04/2003)
Já o deputado Paulo Delgado (PT-MG) foi mais cauteloso e disse que ele e o presidente do PT, José Genoíno, conversarão com o embaixador cubano (sic) sobre a situação:
— A posição do PT é de cautela. O PT é um partido amigo de Cuba. E é preciso ver o que é fato e o que é versão.

Fidel acabou de fuzilar 3 pessoas que tentavam fugir para os EUA. Disseram isso publicamente. Dizem que ninguém pode condena-los no campo de direitos humanos. E a resposta da nossa presidência? Se abster do voto condenando Cuba na ONU. Sim, dizem que irão apresentar justificativa de voto condenando as ações, mas se absterão do voto. O mais engraçado é que o PT pode ser amigo de Cuba, mas a nação brasileira é algo muito maior que o PT, com mais história que o PT, e mais importante que o PT. Enquanto este governo que aí está não entender isso, estará prestando um desserviço a presidência do país. Como bem disse o Serra, o Brasil não foi inventado pelo PT. O Brasil como o país mais influente da América Latina tem obrigação de zelar pelos direitos humanos na região. Agora o que eu não entendo é como o Lula condena publicamente e de forma ríspida o presidente americano pelas recentes ações no Iraque, mas deixa passar em branco as atrocidades do seu amigo múmia Fidel.
PS: Alguém me diz aí, porque um país que não tem passaporte precisa de embaixador? Deve ser para fazer embaixadinha (ai).

nóia do Ram em quarta-feira, abril 16, 2003/

domingo, abril 13, 2003

 
Me to myself: "It's nice people you know? It's nice people."

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
EUA
Pois é, realmente fizeram uma lavagem cerebral em mim depois que me mudei para cá. É tudo verdade. Sabe o que é, eles dizem assim para você: olha só, se você é bom no que faz, pode pensar o que você quiser que não mexemos com você. Não vou lhe alimentar ideologias babacas ou pacotes intelectuais pré-fabricados. Quando você quiser ir aprender alguma coisa, onde quer que seja, vai que pagamos. Agora também não fique pedindo para ser aceito, porque isso é para os outros. Você está aqui porque é bom em alguma coisa... Vai ter que viver a vida a seu jeito. Mas não vai morrer de fome...

É mole?


nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
E aos meus leitores habituais
Esperem que os 4 de sempre ainda deem uma passada por estas bandas largas.

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
Melhor camiseta do Dia (que me inspirou aos crimes de hoje)
Camisa vermelha, com a cara do Tchau. Na boina uma cruzinha Suiça (daquelas de canivete). E embaixo os dizeres: Swiss Revolution. Muito bom.

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
Erro do Stalin
Stalin cometeu um erro de cálculo. Ao invés de ter tentado converter o mundo ao comunismo usando franceses e cubanos, deveria ter investido logo nos americanos. Afinal, no quesito competência militar e personal marketing eles são craques. Por exemplo, Chuck Norris daria um ótimo revolucionário (compassionate conservative), e Arnold Schwarzenneger me parece o adido perfeito para controlar a Europa Vermelha. Um Robin Williams aqui, um Al Pacino ali, e o De Niro como secretário de alguma coisa quase me convenceriam de que o comunismo é boa coisa. O GWB daria um bom chefe da filial além mar da KGB, e intelectuais como FHC poderiam fazer a revisão histórica da retórica comunista. Para deixar o ambiente mais leve, que tal a Renee Zellwegger como espiã, e a Sharon Stone como adida cultural na China? And the cherry in the cake, Antonio Banderas como o ditador da capital das Americas: Havana. E a camponesa que seria minha vizinha nessa estória toda poderia ser a Penelope Cruz, a Salma Hayek, a Shakira, ...

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
Fora Tche?
(Warning: Proibido para menores. Ou, aqueles que se levam a sério. Ou, ainda aqueles que preferem morrer no paredão, a ter o direito de comer um Big Mac)

A primeira vez que ouvi o nome Tche, na minha juventude quase comunista, eu pensei que se tratava de uma Paquita nova, naquela época em que as Paquitas da Xuxa mudavam a cada dois meses (depois que elas iam aparecendo na Playboy). Depois é que eu vim a saber do grande mártir que era o guerrilheiro assassino Tchau Guevara. Uma espécie de Rambo latino americano, mas que de bom mesmo nada fez. Exceto ter criado uma geração de brasileiros que tem crise de meia idade pensando que o mundo é uma grande guerrilha esquerdista, e que um dia irão tomar chá com Mao e Stalin*.
Mas hoje, tomei uma aula de história sobre esta entidade que povoa a imaginação dos brasileiros. O Tche não era bom em nada. Não escrevia bem. Era péssimo político, e um guerrilheiro dos piores. Inclusive os generais bolivianos lamentaram profundamente a sua morte pois se tratava de um péssimo comandante. E o que ele fez? Foi Ministro da Fazenda do Fidel, provavelmente sem saber aritmética. Achou muito chato - porque afinal que economia? - e quis espalhar a "revolução" pela America Latina, como se controlar uma ilha menor que Itaparica desse credibilidade para tal feito. Morreu e virou mártir porque morreu como guerrilheiro.
Hoje em dia, é o maior vendedor de camisetas das zonas fashion do mundo inteiro. Vende mais que a camisa 10 do Fla ou da seleção. Muita gente não sabe de quem se trata, só que foi um coitado lutando por justiça num mundo cruel. Acho que é porque é melhor pensar assim do que imaginar que se trata de um guerrilheiro assassino. Sentimos falta de heróis, então as vezes é melhor fabricarmos um. Mad Max Guevara também inspirou muitos filmes, como Eu sei que Vou te Amar e outras pornochanchadas. Só que nos livros de história, o que ficou mesmo foi sua incompetência crônica. Os russos comemoram a sua morte, porque acreditavam que a revolução só iria prosperar com um Rambo competente. Mas, ainda hoje, no carnaval, as víuvas do argentino Tche, se lembram das botinadas do pequeno Comandante, que na verdade só estava nessa de revolução porque queria que a América do Sul se transformasse numa grande Argentina: dopada, quebrada, mas com um puta ego.

*(1) Isso porque como Deus não existe, então não tem problema passar uma temporada in Hell.
(2) Alguns encontraram a saída dos fundos que é dizer que são social-democratas, como se algo assim pudesse existir. Fogem da falta de lógica que povoa alguém que defende Stalin, mas acabam sendo covardes, pois o que defendem é uma geléia disforme, cujo único desejo é ser comunista sem matar tanta gente assim.

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
Para ser espancado
Alguém aí acha que guerrilheiro tem que ganhar indenização do governo? Guerrilheiro vai na guerrilha por opção, não tem que ganhar indenização do estado. Senão, quero estas mesmas pessoas indenizando soldados americanos, que lá no interior do Alabama receberam uma cartinha dizendo que iriam se martirizar no Iraque. O pior desta estória patética é que as famílias de guerrilheiros não indenizam as famílias de pessoas que estes mataram. E mais, a Anistia de Figueredo, anistiou os assassinos. Mas valeu para ambos os lados. Então porque indenizações? É tudo uma palhaçada. Pior é ficar ouvindo pessaos que foram para o exílio em Paris (oh, my god !), voltarem para coletarem da teta do governo. Lenin perde.

*Então tá: jogador de futebol merece indenização porque torceu o joelho jogando pela seleção, o aluno que tira zero também, afinal estudava para o país, a mulher do vizinho porque consumiram todas suas energias num ato de utilidade pública, o Zé padeiro, porque não é mole ser sacaneado por ser Vascaino, e especialmente, acima de tudo, todos os ex-presidentes deste nosso país, porque não deve ser fácil ser diretor de hospício coletivo (aka Brasília).

*FHC assinou portaria que prevê indenização no total de 1 bilhão de reais para pessoas envolvidas em "coisas da ditadura", incluindo ELE e o LULA. Isso tem nome: cara de pau.

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
Take on Me
Sempre que ouço esta música do A-Ha me lembro da ótimas época de 8a série/1o ano. Sim, uma amiga me disse que sou uma espécie de hommus horriblis por reviver coisas do passado. Mas achei uma resposta para ela, minha vida sempre parece mais gostosa depois que as coisas acontecem e eu olho para elas de cabeça fria. Bom, ótima época em termos, porque meu ginásio não foi muito tranqüilo. Mas me lembro que era uma época em que era mais fácil acreditar nas coisas. Ou quem não lembra de ter lido "Veias Abertas da America Latina" ou a "História da Riqueza do Homem" deitado no sofá da sala, e se convencido de que conseguriamos solucionar os grandes problemas da humanidade? Eu me lembro que muitos lugares que hoje parecem minúsculos, como danceterias, pareciam enormes, maiores do que eu poderia ter a expectativa de explorar em uma vida. Eu lembro do primeiro romance adulto que li, o "A Moreninha". Depois disso, foi um depois do outro da decrépita biblioteca do Colégio Andrews, que só tinha mesmo livros velhos de literatura brasileira. Me lembro que na época meus professores estavam entre meus grandes heróis. Hoje em dia, são mais como colegas, e vendo de perto as rachaduras no verniz, fica mais difícil aceitar piamente o que me ensinam. Talvez seja porque sou mais como eles, e ainda não virei o meu herói preferido... O que me leva a, sinceramente, o "Veias Abertas" é terrível... Fora Tche !

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
Mogadishu Vai com Tutu
Ontem teve Spring Fest aqui onde moro. Um dia de vistas a universidade, e uma feirinha organizada por alunos com gente de todo canto do mundo. Mas em uma coisa todos parecem ser muito parecidos: baderna e falta de educação.

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

 
Para se pensar
Ouvi isto de um doutorando em direito internacional e direitos humanos: "Os recursos naturais são patrimônio da humanidade, não podem ser posse de um país ou de pequenos grupos". Tudo bem, de cara isso gera um monte de protestos e críticas. Mas é uma idéia para se pensar. A idéia é essencial se queremos caminhar em direção a um planeta mais tolerante e justo. O que deveria ser mesmo das pessoas é o que elas produzem. Isto com certeza teria evitado a proliferação das republiquetas de petróleo, que se constituem nas sociedades mais injustas do planeta hoje. Porque? Ora porque o petróleo existe. Não há atividade humana em larga escala (ie. um percentual pequeno da população é necessario para extração e refinamento). Mas de certa forma, as riquezas daí geradas "travam" o crescimento do país, porque é tudo controlado por uma minoria. Mesmo no Brasil, acho que o país se beneficiaria de algo assim. A distribuição dos recursos naturais forçaria terras hoje paradas a serem produtivas e assim por diante... Sei lá, pode ser delirio de Urbis Americanis também.

nóia do Ram em domingo, abril 13, 2003/

sábado, abril 12, 2003

 
Proteção
Será que as pessoas não poderiam largar, uns 5 minutos por dia, a necessidade de se protegerem?

nóia do Ram em sábado, abril 12, 2003/

 
Português
"Ouvir bom português* já me fez ter vários orgasmos", uma prof. portuguesa de 70 anos aqui de Berkeley. Assino embaixo.
(*nota: no contexto, bem falado)

nóia do Ram em sábado, abril 12, 2003/

 
Ainda bem
Ainda bem que elas nos olham com os olhos. Vendo seus olhos, dispenso palavras, e fico no meu mundo de inventar as verdades que te compõem. Melhor mesmo só quando sem falar nada, ganho um beijo.

nóia do Ram em sábado, abril 12, 2003/

 
Pensamento idiota
A humanidade saiu de 1000 para 1 bilhão, porque acho que na idade da pedra, as carapuças eram poucas, e então sobrava mais tempo para fazer o que é gostoso.

nóia do Ram em sábado, abril 12, 2003/

 
Enquanto isso
Um pedido para elas: por favor, muito por favor mesmo, play hard to get, be firm and misterious. It is very sexy. Acho que quase qualquer coisa que voces fizerem é muito sexy, exceto expor tudo gratuitamente. Exceto se esconder atrás de carapuças que não lhes servem. Se quiserem uma sugestão, leiam qualquer romance taxado de clássico, dos modernos aos espirituais, de Ayn Rand a Machado, que lhes darão o gosto pelo romance suave e violento.



nóia do Ram em sábado, abril 12, 2003/

 
Ser espontâneo
Sentimentos são espontâneos. E os seus sentimentos espontâneos são os melhores que você poderia ter. É melhor não ficar fingindo, porque transforma uma obra prima em uma reprodução fotográfica barata, na contra capa da revista Moda.

nóia do Ram em sábado, abril 12, 2003/

 
Coisa chata
São muito chatas estas pessoas, em geral mulheres, que escrevem e-mails substituindo o qu pelo k. Além disso costumam usar contrações de palavras incomuns (bjks) e a letra u no fim de qualquer adjetivo (lindu). Isso tudo, quando o texto não é marcado com as cores rosa e verde, para que seus olhos ardam no mármore do inferno enquanto tentam decodificar o que foi enviado. O que é mais chato é a necessidade de ser bonitinhu e legalzinhu. Se tiverem tempo para jogar fora, procurem nos spams que vocês recebem quem originou a corrente. É tiro certu.

Eu fico imaginando onde estarão as Luisas do Primo Basilio e as Helenas de Machado, que sabem ser doces e sensuais sem serem oridinarias, e conseguem em poucas frases a proeza de produzir o orgasmo literário.



nóia do Ram em sábado, abril 12, 2003/

sexta-feira, abril 11, 2003

 
4/11/2003
1+1=2, 2+0+0+3=5, 5+2 = 7, 7+4 = 11. Cataplum.

nóia do Ram em sexta-feira, abril 11, 2003/

 
Patavina Filosófica na prática
Decisões corajosas são aquelas feitas na dor, na perda, e no sofrimento. Ter clarevidência ao fim da esperança, quando o bonde vai saindo do trilho, é verdadeiro. Porque? Ora, porque sentimos na carne as consequências de nossas decisões, sem paleativos. Sem anestésico.

nóia do Ram em sexta-feira, abril 11, 2003/

quinta-feira, abril 10, 2003

 
Vermelho
Pois é, nestes dias de festa brasileira é que me sinto um patriota. Com o samba quebrado no pé, pagando mico em público, num palco improvisado, com uma professora de dança brasileira ensinando os outros a sambarem comigo de cobaia. Vantagens? Pois é, as latinas ficam loucas quando descobrem que falo espanhol... Pero que si, pero que no. Isso eu aprendi na terrinha do titio Bush.

nóia do Ram em quinta-feira, abril 10, 2003/

 
Solução para o Sistema Universitário do Fundão (SiFu)

Uma boa idéia para resolver um dos grandes problemas da sociedade. Elizabeth Brown, Jaime Bianca e Chinmayi serão disputadas. Mas elas não precisam ficar chateadas, porque a solução é para vocês também.

nóia do Ram em quinta-feira, abril 10, 2003/

 
O medo de amar
Eu imagino o amor como o sentimento que vem crescendo devagarinho, de fora para dentro. Eu imagino o amor como tudo aquilo que eu gosto e desejo. Como suco de maracujá e hortelã, junto com sorvete e torta de maçã.


nóia do Ram em quinta-feira, abril 10, 2003/

 
Para acreditar em coincidências II: Red is greek for code

*Para quem desconfiar que o estilo de narrativa é um plágio descarado do filme Y Tu Mama Tambien, só digo: "É mesmo? Que bom que você sabe.".

Lembram daquela estória do Mondo Gelato, Lady Gwen e companhia? Fiquei devendo o famigerado day-after. Foi um day-after e tanto. Sexta-feira, aniversário de um amigo português, Rui Peter. Restaurante: Pormengranate (em bom português, Romã). A comida foi boazinha, e a sobremesa ótima. Eu que já estava estudando por 5 dias seguidos, mais de 5 horas por dia, aproveitei a oportunidade para descansar e comer a melhor torta de lama que já experimentei.

Quando imaginava que depois do jantar iríamos todos retornar para casa, fomos convidados de sopetão para uma festa na Arch street, na casa de alguém, que até hoje não sei direito quem é. Engraçado, conheço bem a casa dele, especialmente a cozinha, mas não sei de quem ele é. Muita gente diz que a nossa casa reflete a nossa personalidade, mas eu discordo. Meu quarto, por exemplo, é inabitável, mas eu sou uma pessoa ótima. Ou será que não? Seguimos seis para a festa, os suspeitos usuais (omitirei os nomes devido a possíveis conflitos em relacionamentos de longa distância), incluindo eu, César, um irlandês e a italiana que nos convidou. O irlandês, como em toda boa estória de fim de noite de sexta feira, terá um papel crucial na trama.

No caminho paramos para buscar um casal de amigos da italiana, que aproveitou e virou uma pessoa assim. Especialmente a meia. Mais tarde esta troca inusitada influirá nos desígnios do narrador da trama. Chegando ao local da festa, nos deparamos com uma fila na porta. E para meu estarrecimento, cada pessoa passava pelo crivo de uma comissão de 3 indivíduos relativamente bêbados para entrar na festa. Critério: tinha que estar usando roupas coloridas (era uma color-party!). Critério aplicado: tinha que estar usando roupa vermelha. Mas o meu estarrecimento maior, era porque a comissão incluía um notável: Dr. Papatudo. Premiadíssimo pesquisador da área de Ciência da Computação teórica, parecia mais um aluno bêbado local. O apelido de Dr. Papatudo, vai ter relação com um incidente na cozinha que conheci bem, e o subseqüente encontro entre o Dr. e uma aluna grega de outra área, minha vizinha em Berkeley. Entrei na festa com minha camisa verde (taxada de neo-liberal, pelo Dr. Papatudo, com camisa do Che) porque o suéter cinza contrastava com a tal camisa verde e com a minha cor de pele.

Na festa muita música ótima e bebida de graça. A partir de um determinado horário, como em toda boa festa de sexta, onde vai um irlandes, começaram a acontecer as loucuras. Primeiro, um encontro psicodélico com duas mulheres de peruca loira, e uma delas no fim da festa se disse chamar Clara, mas eu respondi que o chato era que ela fumava. Depois matei tempo observando a linda venezuelana, que um amigo apostou de pés juntos ser brasileira, porque durante todas as músicas brasileiras da festa ela tinha um gingado que so as nossas mulheres tem. Eu já sabia que as botas que faziam ela ficar assim pertenciam a una chiquita, porque como não sou bobo perguntei.

Daqui a pouco uma indiana e seu namorado começam a se beijar desesperadamente. Nunca vi nada assim não. É prenúncio de noite louca. E então, de repente, no espectro de uma música do Mano Negra, surge ela. Novamente. Ela, linda, toda, toda linda ela, toda beleza se reconhece nela. Pois é, Tequila, coca-cola e água, água, língua, mingua minha mágoa. Sim, pois é, ganhei US$ 20. Era Mia, a lady Gwen. Obviamente acompanhada do seu namorado romeno. Nestas horas é que detesto apreciar o time de futebol dos outros. O mesmo romeno que algumas horas depois confessa para a italiana que nos levou até a Arch street, que ele tinha uma dúvida cruel em sua vida, uma decisão que estava pesando. Um problemão. Bom, não sei qual era o problema, a italiana me disse que quando ouviu isso saiu correndo, mas ele tinha um jeitinho meio estranho.

Em meio ao choque, e a vontade de ver novamente aquele sorriso de anjo, me dirigi a cozinha. A cozinha era onde se concentravam todas as bebidas, por isso o movimento constante para lá. Chegando lá, me deparo com o Dr. Papatudo, que até aquele momento estava se esbaldando com as músicas brasileiras, e as louras de perucas estranhas. Não resisti, e como quem não sabe nada, perguntei: "Mas você não vai dançar mais não?". Ele, respondeu a seguinte pérola: "Cansei ! Cansei ! Vocês podem ficar com todas elas ! Todas elas! Eu desisto!". Imaginem, um homem nos seus 50, super reconhecido, tarimbadissimo, escreveu uns 4 livros, não só técnicos mas também romance. E me diz isso... É, certas coisas nunca mudam....

Daí, até o fim de festa, o Dr. Papa encontra uma grega, vizinha minha, que estava sendo simultaneamente caçada por um argentino, que não se toca que o Dr. Papa estava já abocanhando a salada a la grega, e paga uma vela e um mico. Depois, na chuva, retornamos para casa. E no caminho, o Irlandês, bebado, apronta uma para cima de um amigo comprometido, que se derrete pela bonequinha Emília. O Irlandês desfere um murro violento, quebra o guarda chuva e rosna: "no good party ends without a brawl!".

nóia do Ram em quinta-feira, abril 10, 2003/

 
Perdidaço
Pois é, andei desaparecido, mas voltei com as velhas estórias, e mais algumas boas novas.

nóia do Ram em quinta-feira, abril 10, 2003/

terça-feira, abril 08, 2003

 
Cambada de Mané
Pois é, 3 franceses, num jantar na casa de amigos brasileiros disseram que foram os franceses que inventaram a bossa nova. Que foi um músico frances, o nome me escapa agora, que sugeriu ao João Gilberto pegar o Jazz e toca-lo mais cadenciadamente. Tudo bem. Na hipótese esdrúxula disso ser verdade, so queria saber o seguinte: porque quando três pessoas chegam atrasadas a um jantar com vários brasileiros, na casa de uma brasileira, o primeiro comentário pós-introductions é este? É muita vontade de tirar onde. Como se diz por aqui: coisa de francês. Depois me perguntam porque acho que se trata do país mais hipócrita do universo... Liberté, Igualité, Fraternité, pero so para yo.



nóia do Ram em terça-feira, abril 08, 2003/

 
Preferências
Aos poucos estou descobrindo que só faço questão mesmo das pessoas próximas ao meu coração. E que sorte conhecer aquelas que conheço.

nóia do Ram em terça-feira, abril 08, 2003/

domingo, abril 06, 2003

 
Livrinhos
Ontem fui a um jantar de aniversário de um amigo que, por acaso, faz doutorado em Matemática. Como presente, foi o livro "Fabric of Reality" do físico David Deutsch, que discute algumas consequências do modelo para fenômenos naturais da Física Quântica. Por exemplo (isso é elocubração minha em cima do livro), que em cada ponto da vida em que tomamos decisões, na verdade não estamos fazendo escolhas. Naquele ponto criamos uma série de universos paralelos e em cada um deles tomamos uma decisão e as consequências desta se manifestam. Nossa "consiência" é nada mais do que a medição de um destes estados quânticos da matéria. De qualquer maneira, o meu amigo se emocionou porque o pai dele, matemático e físico no Brasil, havia falado insistentemente do livro. Num universo paralelo meu amigo deve ter ficado irritado porque não dei para ele o livro que pensei primeiro como presente, "Frontiers of Complexity" do Coveney e Highfield, que fala sobre a ciência da complexidade.

nóia do Ram em domingo, abril 06, 2003/

quinta-feira, abril 03, 2003

 
Sugestão para meus amigos que ainda não foram presos
Façam uma listinha com as lindinhas de olhos lindos. Ao menos assim, no dia da perpétua, todos temos um, você vai ter um argumento para continuar com uma teve só para você no quarto.

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Frase da Semana
"C, que C? Isso aí é um Tesão!".

Pergunta originária: "Mas professor, me explica se isso é A, aquele é B, de onde vem o C?". *

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Pinana da Semóia
"As plantas são inteligentes. O ópio está entre aquelas mais inteligentes."
Um surfista persa (!) aqui de Berkeley.
Ganhou o prêmio Tatu-Jabaculê da semana, com a seguinte inscrição: "Quem planta droga colhe pouca bobagem, quem fala bobagem planta o que não dá."

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Experimentação
Experimento pessoal que sugiro para vocês pensarem se ter idéias é algo mecânico (aka reproduzível por um computador) ou algo inerentemente "humano". Por uma semana ou um mês, sempre que realizarem uma atividade criativa procurem observar o processo de pensar. Uma espécie de esquizofrenia momentânea (pensar e observar o pensar). Depois, anotem dois princípios que vocês utilizaram para criar a idéia (exemplo: eu usei uma analogia entre dois textos, ou aproveitei uma inconsistência, etc). Tenho quase certeza que vocês devem encontrar no máximo 7 princípios. Será?

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Obstrução tétrica
Ele disse: "Pois é, eu quero ir para a America do Sul ter uma fazenda e plantar. Sabe como é, as plantas tem uma inteligência que não é apreciada.". Ela disse: "Eu dou a maior força mesmo. Fantástico.". Ele disse: "Poxa, obrigado. Sabe como é, veja que o trigo se desenvolveu em algo que o homem precisa para subsistir. Algumas plantas, como a que origina o ópio controlam o homem mais ainda". Ela disse: "Cara, é isso aí. Uma inteligência oculta. Precisamos respeitar as plantas.". Ele disse: "Vícios, vícios. Sabe como é né.". Ela, suspirando: "Imagino". Ele: "Loucura, assim meio como os olhos de mulheres persas. Isso, como os seus.". Ela: "Poxa, obrigada...". Ele: "É, quero mesmo ir plantar na Argentina.". E aí o amigo dele: "Pô, diz logo que você quer mesmo é colher maçã. E comer com os olhos.". Cataplum!

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Discursos Políticos
Acho melhor parar com eles pois é justamente contra ser levado a sério que escrevo por aqui... Uma espécie de insanidade particular exposta ao grande público.

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Opinião sobre a guerra
Conheci curdos hoje. Poxa, elas tem olhos lindos.

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Excesso de posts
Desculpem o excesso de posts (inclusive recomendo deixarem a leitura de lado e se dedicarem a algo mais interessante, que tal um sorvete?), mas muito flush semanal para os dias sem digitar nada ... E ainda esperem pela 2a parte da estória da lady Gwen (vejam Coincidencias I abaixo) ... E ah, vou continuar devendo minha opinião sobre o Tablet PC. Mas o meu feedback até agora (arquiteto português, doutorando em letras e engenheira iraniana) tem sido muito positivo - espanto e alegria de criança. Todos querem ficar com o brinquedinho. Cataplum !

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Porque será?
Porque será que quando é para malhar alguma coisa aparecem 10,000 mas quando é para construir alguma coisa aparecem menos de 10?

nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Retornando coisas construtivas
Se o deputado Chico Alencar (em quem já votei várias vezes, e agora voto nunca mais) criasse 100 empregos para cada passeata e demonstração contra os EUA que anda organizando, estaria com certeza contribuindo melhor para o famigerado programa de crescimento do PT. É melhor os governistas acordarem, porque utilizar a opinião de uma população manipulada pela mídia para ficar fazendo pontos é justamente coisa que o PT dizia jamais fazer em governos anteriores. Sim, porque toda opinião que é de ordem de 94% de entrevistados não é natural. É uma opinião não refletida. Talvez parte daquele profundo rancor que sentimos porque os EUA deram certo, apesar da impressão de ser o país de ignorantes comedores de milho. Voltando ao estimado Chico Alencar e seu projeto de despejo de Coca-Cola com pessoas famosas, será que aquela Coca toda não seria melhor investida numa campanha de conscientização da população sobre as vantagens de se educar, mesmo no Brasil? Será que esta Coca não poderia ser despejada contra a violência e repressão ao redor do mundo perpetuada por regimes com o de Fidel ou Saddam? Será que esta Coca não poderia ser contra a Coca importada das FARC da Colômbia?
Como fazem os chineses, antes de falar mal, fale mal das coisas certas. Dar tiro no pé é burrice. Enquanto isso, os americanos continuam a investir pesado na indústria nascente de software em São Paulo. Agora já são 7 empresas que foram adquiridas ou possuem investimentos de corporações norte-americanas. Os americanos ainda se assustam com os tributos fora da realidade cobrados até para empresas em solo brasileiro (Não estou aqui incluindo as taxas de importação e barreiras de mercado). Segundo um gerente da minha ex-empresa, é uma das razões porque um centro de desenvolvimento em São Paulo foi descartado. Imagino que isso deve estar aliado a desorganização crônica do governo do Estado que parece pouco empenhado em garantir o sucesso da população local, e mais empenhado em política.
Quando o Sr. Chico Alencar conseguir estimular um programa de combate ao desemprego, e uma política capaz de incorporar ao mercado formal de trabalho os 1.1 milhão de jovens que ingressam todo ano, talvez aí seja a hora de derramar Coca Cola. Porque ficar fazendo apologia do desperdício, com um dos poucos países que ainda se sente a vontade investindo no Brasil é simplesmente patético. Digo isso, porque os famigerados Franceses relutaram muito a por a Renault no Sul do país, e não investem nem proporcionalmente a sua partcipação na economia mundial. O maniqueismo enraizado na classe reinante brasileira é simplesmente de dar pena. Não aprendemos ainda como fazer para retornarmos a uma posição de destaque, saindo do cenário de economia asfixiada que caiu para a 15a posição (depois de ser a oitava) em termos de economia mundial. Eu acho que os americanos tem uma idéia muito correta, que deveria ser copiada pelo PT: é sempre melhor se concentrar em fazer o que é melhor para o povo que você governa. Os franceses, americanos, alemães, chineses, etc, são todos assim.
Antes de ficar metendo malho pessoalmente no Bush, valeria tentar negociar com uma mentalidade realista acordos de investimento para o país. Talvez valeria tentar aprender como o Vale do Silício veio a tona, e como poderiamso reproduzir este fenômeno no Brasil. Munidos deste conhecimento, três países se lançaram a frente na economia mundial: China, Índia e Irlanda. Agora a Alemanha se junta a eles com o seu programa nacional do software. E finalmente, o Chile começa a se mobilizar, mandando anualmente dezenas de chilenos para serem treinados nos programas de administração de empresas oferecidas pelo governo americano. Um aluno do MBA aqui, brasileiro, entrepreneur serial no Rio de Janeiro, me disse que é possível conseguir recursos para começar negócios no Brasil (BNDES), só que tem que conhecer muita gente. E o maiores problemas são que a mão de obra brasileira não está capacitada para a indústria de software, com uma defasagem de cerca de 10 anos de treinamento, e que não falamos inglês (e todo apoio técnico tem que saber inglês tanto para o mercado europeu quanto para o norte-americano). Talvez a Coca fosse bem gasta em protesto contra a falta de programas coerentes e realistas de educação no país. Sinceramente, acho que o fundador da famigerada Coca Cola já deu mais alegrias aos brasileiros do que o nosso estimadíssimo protestante.


nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Reflexos de La Mer
Então tá. Você pode ser um realista. Pode ser um brasileiro antenado ao social. Sim, você pode até ser uma daquelas raras pessoas que sabem muito, estudaram a fundo, e sabem bem do que estão falando. Mas será que não existe em você nem um pouco de fé de que tudo pode mudar? Me desculpe, porque se não existe, deve ser muito chato estar no seu lugar. Ainda mais sabendo de tudo. As opiniões não são problema, todos temos o direito de opinar. Agora critiquem o que eu amo, façam deboche, que irão ouvir resposta. Atualmente, muitos me consideram um reacionário de direita (mas os direitistas de Berkeley vivem me chamando de comunista). Parece que não tomar parte em ironização, e no massacre sistemático de qualquer possibilidade de olhar as coisas por um ângulo diferente, talvez mais construtivo, me coloca como sendo um arauto do neo-liberalismo, do ideal consumista, frente aos iluminados, tanto socialistas como os "sociais-democratas". Estes são a maioria entre nós que estamos na universidade.

Se acham que sou radical agora, vocês nem viram nada. Eu sou mesmo é um amante dos meus amores. E mais, acho completamente insuportável ouvir deboche sobre as coisas que amo. Eu aprendi nestes últimos tempos que é muito fácil ser bem humorado, e fazer média com os outros, malhando as coisas, marcando a realidade ao nosso redor com uma língua ácida. Tudo bem, em muitas coisas realmente é difícil manter a compostura. As vezes o caos parece que vai nos engolir, e não há Pablo Conejo que dê jeito. Agora estar sempre debochando, sempre fazendo pouco, sempre olhando o lado ruim das coisas, não é saudável. Pode até ser saudável para você. Não é saudável para mim, e nem para as coisas que amo. As coisas que eu amo precisam ser protegidas com carinho, para desabrocharem. Tudo no mundo, de idéias a pessoas, precisam daquela pausa, daquela tranquilidade surreal, para que possam se revelar por completo.

Eu também sei fazer o que você faz. Sei criar o mesmo número de questionamentos e dúvidas montadas para desmotivar o amadurecimento de uma idéia, de uma pessoa. Sei dizer para pessoas que preferem acreditar que tudo vai melhorar, que não, na verdade não há santo que de jeito. Sei dizer para aquele rapaz da minha sala de aula que num país como o nosso é impossível começar uma empresa, porque ele vai ser engolido pela injustiça. Sei até fazer alguem como você pensar que realmente é o fim do mundo, e a única solução é aceitar estar falido. Pior, sei como encontrar todos os possíveis defeitos em uma idéia não amadurecida sua, que você está começando a ter, e tem a coragem de me apresentar.

Mas sei que dentro de mim existe sempre uma sensação de alegria muito mais intensa quando ouço suas idéias. Isso começou a pouco tempo. Eu prefiro ir ouvindo o que você me conta. Desde que seja construtivo, criativo. Quero viajar junto com você, curtindo a carona de um espírito empreendor. Questionar e discutir podem ser importantes. Mas só questionar e só discutir podem matar grandes idéias. Já são poucos que acreditam em alguma coisa. Menos ainda aqueles que acreditam em coisas que vieram de suas próprias cabeças. Eu sei que as vezes é difícil resistir o impulso de desmontar uma idéia mal apresentada, que mal começou a respirar. Mas aprendi que vale esperar um pouco. Criticar algo que acabamos de ouvir é sempre prova de que não queremos ouvir. Afinal, levam algumas horas de reflexão para que aquele figmento de imaginação de outra alma se faça presente na sua.

Aprender é ótimo. Mas não significa que você sabe mais, ou menos. Se você reflete, vira uma idéia, se aceita ou rejeita sem refletir, vira discurso. Quando você me diz que tudo na vida se reduz a busca por gratificações imediatas, sem o menor nexo, ainda assim isso não te dá o direito de derrubar outros que acreditam em coisas diferentes. Só para concluir, mesmo que a vide seja La Mer, talvez fosse bem melhor se nos tornássemos jardineiros das nossas idéias e da idéia dos outros. Por isso, de agora em diante, quando quiserem comentar alguma idéia minha evitem as seguintes expressões sem conteúdo: "Não vai dar certo", "Mas, ..., não, ... porque já ...", "Mas você sabe, isso e aquilo estão péssimos", aquele outro e fulano, vocês viram, pois é assim mesmo, é tudo hipocrisia ", ... Como eu disse, na verdade, o que eu gosto mesmo é de ver o brilho nos olhos das pessoas quando elas me contam seus sonhos. Me contem os seus.

PS: Eu me recuso a dizer que acreditar em coisas construtivas fazem alguém criar ou se tornar mais feliz.



nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

 
Para acreditar em coincidências I: Começo do início

Fui com um amigo, o César, aluno do doutorado em letras, para a festa de aniversário do Elan no restaurante brasileiro Nino's. Para quem estiver de passagem por Berkeley, e quiser ir a um restaurante brasileiro (sei lá porque fariam isso), este é o melhorzinho. Perguntem pela Iamara, apesar de ela ter encontrado um amor made in USA. Coisas boas do jantar:
-conhecer um professor brasileiro de letras, mineiro, que se empolga com a conversa e diz assim: Tá vendo César, é isso mesmo, temos que trabalhar mais como os engenheiros, e ai sim, podemos relativizar o modernismo e abandonar o telefone celular!
- ter o apoio dos russos e americanos ao elogiar o Rio de Janeiro, mesmo enfrentando a ironia de outros "brasileiros" ali. Só para voces terem uma ideia de como estava a coisa, antes de eu elogiar o Rio, alguns brasileiros (eximo Mr. Cesar), que sairam cedo do Brasil, estavam cantando o hino nacional em tom de deboche. * Vejam Reflexos de la mer*

Mas isto foi detour, porque o melhor vem agora. Depois do jantar, eu e o César decidimos dar uma passadinha na tradicional Mondo Gelato para tomar o agora habitué sorvete. Pois neste dia, encontrei Milady Gwen. Na fila, esperando as bolas de sabores Ferrero Rocher e castanhas. Não sei o que me atraiu nela. Talvez o olhar penetrante, calmo. Talvez o fato dela ter ido sozinha a uma sorveteria em plena quinta-feira. Os longos cabelos, o sobretudo marrom, a saia longa, o lenço de seda no pescoço e os olhos castanhos ajudaram também. E com certeza, uma sensação de paz, de elegância contida e uma certa dose de moderação que pareciam transmitir confiança me chamaram a atenção. Sei lá, pode ter sido o fato dela ser bonita mesmo. De qualquer maneira, depois de diversas trocas de olhares tímidos da parte dela, e escancarados da minha parte, acabei desistindo da idéia de conversar com ela. Não me perguntem porque. O resultado foi que, como os últimos lugares dentro da sorveteria foram ocupados pelo Cesar e por mim, ela decidiu ir tomar o sorvete do lado de fora, após contemplar a mesa ao lado da nossa por alguns segundos. Um outro grupo de amigos também estava na sorveteria e nos juntamos a eles.

Tudo teria acabado em mais uma estorinha sem razão de existir, não fossem pelos minutos seguintes e pela sexta-feira seguinte, por isso peço paciência a vocês para que eu cuidadosamente associe os eventos. Como não resisti o meu súbito interesse, decidi ir do lado de fora averiguar o que havia acontecido com ela. Me pus no patético papel de fingir que iria fazer uma ligação no orelhão e sai da sorveteria sozinho. Estava chuviscando. Ela, sentada no capô de um carro, com a luz da rua iluminando o rosto, tomando o sorvete placidamente. Uma certa aura a cercava. Naquele minuto me ocorreu que ela poderia ser Milady Guinevere, aquela que acabou com o mago Merlin. Pois sim, toda mulher, se é capaz de despertar sonhos e paixões intensos, também é capaz de te prender em sua magia. As gotas de chuva, o friozinho característico de Berkeley, e os pequenos sopros de vento frio e cortante funcionaram quase como uma moldura para aquela cena. E o melhor de tudo, o carro era um desses cadillac's velhos, meio enferrujados, parado bem em frente ao local onde outra lady conhecida, Miss Janis, foi presa.

Como a inspiração para conversa insistiu em não aparecer, deixei como sendo uma daquelas vontades do destino, e me encaminhei para um orelhão próximo para completar o meu teatrinho. No caminho a observei mais de perto, e na volta, acreditem, ela me viu, eu a vi, e desta vez ela sorriu. Terminou o sorvete e se mexeu como quem fosse descer do carro. Eu praticamente sai correndo. Confio nas minhas intuições. Dentro da sorveteria, comentei com o Sr. César sobre a situação. "César, uma das garotas marcantes que conheci esse semestre", "Fala sério. Mas realmente ela era meio diferente", "Mais um pouco e eu me apaixonava pela Milady Gwen", "Milady Gwen? Mas você também é um romântico fora da realidade. Por acaso você sabe o nome dela?", "Não.", "Você tem alguma idéia do que ela faz? Falou com ela?", "Não", "Ao menos notou qual era o carro dela?", "Não, so notei os olhos, o sorriso. Sorriu quando me viu lá fora.", "Viu só. Fala sério. Você nunca mais vai ver esta mulher. E ela ainda sorri. Fala sério. Deveria ter falado.", "Não César, é destino, é o universo. Não era para eu falar com ela. E aposto que encontro ela de novo.", "Como? Vai ficar vindo aqui no Mondo Gelato todo dia? Tá maluco?", "Talvez. Mas acho que encontro ela logo.", "Improvável. Ela pode morar em outras partes da Bay Área, e estar só de passagem. Ela podem nem estudar em Berkeley", "Encontro ela antes do fim do semestre", "Impossível. Delírio", "Quer apostar? Intuição do universo.", "Quanto?", "US$ 20, até o fim do semestre", "Se você quiser até pode esperar o fim do seu PhD que você não encontra ela.", e eu respondi "Apostado"...



nóia do Ram em quinta-feira, abril 03, 2003/

terça-feira, abril 01, 2003

 
Colocando em dia
Pois bem, de volta a Berkelei, a terra sem lei.

 

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