Uma voz a mais, a menos.
Na hora de procurar a bio:
Ram Rajagopal
Ler e Ouvir
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sábado, maio 31, 2003
Matrix Reloaded
Woo-hoo, acabei de voltar do Metreon, e como já fui esperando um filme menos surpreendente que o primeiro, me diverti a beça. Só duas coisas chatas. Primeiro, fui tarde no filme, e estava muito cansado, portanto não acompanhei bem a estória. Segundo, poxa, algumas cenas desnecessárias (como a tal dança) poderiam ter sido cortadas. No geral foi bom. E não sei não, mas acho que a realidade no filme, é também outra matriz, ou como é que o Neo para aquelas criaturas a base de distúrbios no fábrico da realidade? Bizarro.
PS: O cinema estava cheio de lindas mulheres, por algum motivo que foge do meu conhecimento. Será outra matriz?
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
Um trechinho
As primeiras cinco páginas de Moon and Six Pence são bem engraçadas. Um trecho, assim:
"Dr. Weitbrecht-Rotholz belongs to that school of historians which believes that human nature is not only about as bad as it can be, but a great deal worse; and certainly the reader is safer of entertainment in their hands than in those of the writers who take a malicious pleasure in representing the great figures of romance as patterns of the domestic virtues. For my part, I should be sorry to think taht there was nothing between Antony and Cleopatra but an economic situation; and it will require a great deal more evidence than is ever likely to be available, thank God, to persuade me that Tiberius was as blameless a monarch as King George V."
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
(NCL VI)
There is the hidden face of men: he tolerates, I am. But now, no more. Light the stage and let me sing some more !
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
(NCL V)
Deep inside, inside your eyes, you are what you are. Just you. Funny, like I am just me. So be free !
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
(NCL IV)
Smiles are meant to be just that.
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
(NCL III)
It is funny, artists eat, feed, breathe. They are just humans, or maybe not. Just a moment of aprehension, mysticism or skepticism?
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
Trojans ( NCL II )
Be loyal to who you are ! To no one else, not even to your other selves.
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
Entrepreneurship and Life (NCL I)
These are the impressions of a young man as an artist: bleach, color, die. its science, stupid !
So the student asked the master: "What is the essence?"
"Essence of what?"
"Essence of life, of art, of art"
"My boy, the essence of art is just that, that which is in your heart"
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
Notas de canto de livro (NCL)
Estas são frases que estão aparecendo no canto da minha cópia de "Moon and Six Pence" (Sommerset Maugham, um dos meus autores preferidos) a medida que estou lendo o livro. Engraçado como algumas frases mesclaram com outras que já estavam lá na minha cópia usada. Para não ficar um daqueles posts descabelados que costumo escrever, leiam os posts anteriores ou posteriores, e divirtam-se.
nóia do Ram em sábado, maio 31, 2003/
sexta-feira, maio 30, 2003
Orgulho 2
Acreditem se quiser, consegui questionar com dois dos líderes do movimento underground de São Francisco e arredores, o conceito do que é ser alternativo, e se a comercialização era uma perda para o artista. No meu ponto de vista, o artista faz o que ele quiser, e se ele optou por se comercializar, talvez este seja mesmo o seu "path-to-the-palace". E também acho que tanto quanto o artista que se comercializa excessivamente, quanto aquele excessivamente preocupado em ser "original" e "alternativo", estão ferindo a qualidade de seus trabalhos... Tais comentários e mais outros valeram a seguinte resposta: "Cara, você é o primeiro engenheiro que conheci que não é chato... E você é muito eclético". Ah sim, e ganhei convite para aula grátis de Surfe nas gélidas águas de Santa Cruz.
nóia do Ram em sexta-feira, maio 30, 2003/
Orgulho
Fico orgulhoso com coisas bestas. Como, por exemplo, ter tido o meu nome mencionado no show da Noé, e a tal estorinha do encontro com a Morte sendo dedicada ao nosso encontro no BART. Pensando bem, seria melhor se fosse uma outra estória.... Ah sim, para mostrar que ela já tem potencial de diva (aquelas artistas que reconhecem o próprio poder de encantamento e persuasão), ela diz assim: "Ram você tá aí? Sim, no dia do BART eu pude praticar com ele a única frase que sei em português: Orfeu é meu mestre. De um filme que adoro: Orfeu Negro". Cataplum !
nóia do Ram em sexta-feira, maio 30, 2003/
Show
Pois é, fui ao show da Noé Venable. Além de ótima cantora e letrista, ela tem uma presença de palco incrível. Mas tem explicação. Ela me disse que tinha estudado teatro na faculdade, antes de largar (durante uma mononucleose, em que não conseguia escrever mais do que cinco minutos sem ficar cansada). O show na verdade foi a inauguração de um selo alternativo de música, cinema e livros e além de shows de várias bandas, ainda teve alguns poetas apresentando suas peças. Mas voltando ao show, se puderem peçam a Noé para contar a estória do encontro com a Dona Morte no corredor de cosméticos de uma loja de conveniência. Hilário. Senão, ouçam o CD Boots ou o Down Easy. Muito bons.
nóia do Ram em sexta-feira, maio 30, 2003/
Dois em dois
Dois amigos meus são pais de duas lindíssimas meninas! Além de comprovar a minha teoria de que pessoas inteligentes acabam tendo filhas, serve para lembrar a mágica da vida... Bem piegas não? Mas não é nada disso. Ainda me lembro das nossas quedas na Alienation, e fico imaginando agora as filhas dos meus amigos em alguns anos a irem para estes lugares. Se bobear, eu sou um daqueles carecas anacrônicos que sempre aparecem nestes locais, e vou ser chamado de tio por elas. Hmmm, bem acho que não. Vou é com certeza estar comemorando, no barzinho da esquina, mais uma vitória na vida destes dois grandes amigos meus, Daniel e Pedro. PS: Se quiserem ver como a paternidade acaba mudando o tom dos pais, sugiro uma leitura no blog do Daniel (veja barrinha ai ao lado).
nóia do Ram em sexta-feira, maio 30, 2003/
Quem te viu, quem tevê
Até cinco meses atrás, ter editorial no New York Times elogiando a política econômica nacional era prova definitiva da subserviência a banca internacional. Agora é prova definitiva da competência do governo... Putz.
nóia do Ram em sexta-feira, maio 30, 2003/
quinta-feira, maio 29, 2003
Tem da Preta e tem da Branca (É cocada!)
Olha só, uma corrente para uma amiga que se recupera de uma faringite estilo sogra portuguesa, aquela que quando você acha que foi embora até o fim do ano, sempre volta no feriado prolongado... Então ta dito, vou aqui no jardim respirar e torcer um pouco !
nóia do Ram em quinta-feira, maio 29, 2003/
Sem acento na empolgação, empolgado e com emoção. Oxente !
nóia do Ram em quinta-feira, maio 29, 2003/
Semana de Fortes Emocoes - o Retorno
Oba, oba, oba, acabei de receber funding (ou seja, bolsa) para o semestre que vem ! Ja tenho orientador. Agora respiro mais aliviado.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 29, 2003/
terça-feira, maio 27, 2003
Como ficou combinado, eu mandei um texto para mais uma alma que conheci pela minha vida. Ainda bem que estas coisas são recorrentes.
Finding Budhas
To a special magical someone I stumbled upon
“Some people are looking for Budha in this world. For enlightment, detachment and nirvana. They are looking into experiencing the magic of this universe. Look no further than at an arms length is my advice.”, Anonymous.
You told me people have forgotten the magic. Children have forgotten to play. Birds have forgotten to fly and the moon has forgotten to shine. Yet all these things happen. But why do we forget?
Sometimes, in the midst of living, we forget about ourselves. We forget that every detail of our life was carefully crafted by the universe to let us again and again experience the forgotten magic. That in every smile, there is love and sorrow, that for every happy moment to exist, there is a sad moment to make it complete. But in all these moments of happiness, sorrow and both, there is magic.
The eyes of a person are a window to their soul said a great guru once. Eyes carry tears said a sad mother once. Eyes are just eyes and are beautiful said a little boy. And in our eyes is the burning desire not to just live life, not to just leave a mark, not to just enjoy, but to love. To be part.
Part? But aren’t we the whole?, asked a student. Maybe. But yet, it is our part on this play with many alternative endings and a few different beginnings to experience love. It is our part to find repeated moments where we can experience intense love. This unlimited love the universe insists in offering to every single one of us. Of this love, we are part and whole.
There is love in the early waking hours of the morning, when the sun once more shines. There is love in the late evening, in seeing that you, me and him, the little boy sleeping on the street, experience happiness, sorrow and love in the same way. That, as Budha said, this thin thread connects us all, and it vibrates in a melody, a song called universe.
Sometimes, I forget. Sometimes you forget. Sometimes, he, that kid, forgets. But for all of us, there are lucid moments, moments where we create, experience, give ourselves away, when once again love floods our life. That love, like the first time I saw the ocean and knew she was there for me, you and him. That love from listening to familiar songs in a Sunday night concert. That love from meeting unexpected people. That love from seing someone learn or someone teach. That love from being in love for the first time or making love to a loved one.
In those moments filled with enlightenment, we find Budha. He walks to us and smiles, and we, imperfect, but only as much as the universe, are in perfect peace. Perfect love. There are tears and smiles. There is the satisfaction, of once again, finding a Budha. And he is in no high mountain, or deep sea, he is in no appalling achievement or in a burdening sacrifice. He is just where he is. The same place the universe is. The same place our friends, acquaintances and lovers are. The place we now and then forget to look for things: our heart, our soul’s heart.
nóia do Ram em terça-feira, maio 27, 2003/
Semana de fortes emoções IV
Estávamos na estação do BART esperando o trem para Richmond, sentados em um banco. Eu, empolgadíssimo, cantarolando, suado, e meus amigos, de saco cheio, pedindo obviamente para eu parar de pagar mico. Uma garota de olhos bonitos, com presença muito distinta, veio e se sentou virada para o outro lado. Ela ia na direção contrária. Eu a vi, olhei, e ela abriu um daqueles sorrisos sinceros que me fazem entender porque gosto das pessoas. Ela abre um livro, "Finding Budhas", e começa a ler. Eu viro para meus amigos: vou ali do outro lado conversar com ela. Me sentei do lado dela do outro lado do banco, e emendei a pergunta: "Você está procurando Budhas?". Daí a conversa passou por Siddartha (isso, do Hesse), por Razors Edge (do Maugham), pelo fato de que ela era uma música que cantava folk com eletrônica e tocava piano, para o fato de que as pessoas esquecem a magia, por eu ter nascido em 13/05 e ela em 20/04 do mesmo ano, terminando com um vamos nos escrever e tal, quero ir ao seu show, sou engenheiro. Ela era uma pessoa diferente, um tanto simples e sincera, curiosa. Como todas pessoas que conheço. Devo ter muita sorte nessa vida.
Me deu um cartão com o website dela, e eu esqueci de insistir no e-mail. Então tá. Hoje fui no website, e se trata de Noe Venable, uma das novas sensações do Folk, premiada no CMAs (California Music Awards), e que já abriu para um monte de bandas conhecidas. Está estourando nas paradas alternativas de Berkeley (como sou ignorante). Engraçado, talvez não nos falemos mais. Só que me lembro bem dos 45 min do segundo tempo da conversa, quando eu emendei com "O que você está buscando?", depois que ela disse que "todos buscamos alguma coisa". Ela respondeu, com os olhos cabisbaixos, e uma voz melancólica e calma: "Aquele momento de ouvir que alguém gostou de uma música minha.". Pois é, eu respondi, "amor da alma".
nóia do Ram em terça-feira, maio 27, 2003/
Semana de fortes emoções III
Quando estava meio para baixo no Domingo, depois da mudança, me convidam para o show do Ilê Aiyê. Foi demais. As músicas, com ritmos tradicionais da África, e recheadas de sons brasileiros e aquele sabor distintivamente nosso, me empolgaram. Cantei pra caramba. Dancei pra caramba. Foram quase 3 horas sem parar e bicas e bicas de suor. Meu orgulho: um grupo de afro-americanos/brasileiros (aka negros, porque quem dera eu tivesse o espírito deles, ou será que não tenho?) me disse que eu devo ter espírito de Oxum. E uma delas me disse que se casava comigo, se eu conseguisse abaixar daquele jeito 17 vezes seguidas. Obviamente fugi. Mas me diverti como nunca. E na saída fiquei cantarolando alto, de Sob o Sol (música do Clone) a Chico, passando por Smashing Pumpkins.
nóia do Ram em terça-feira, maio 27, 2003/
Semana de fortes emoções II
Como estou sem internet no meu novo lar, só fui checar o meu e-mail ontem a noite, e recebi uma das mensagens mais emocionantes dos últimos tempos. Valeu cara ! (E eu acho que ele sabe quem é). Não é todo dia que leio as palavras amigo, sabedoria, percepção e sinistro casca grossa numa mensagem só. Pois é, sr. Lima, acho que não sou nada disso, mas com certeza absoluta sou seu amigo. Um abraço.
nóia do Ram em terça-feira, maio 27, 2003/
Semana de fortes emoções I
Foi uma semana de fortes emoções. A minha mudança da casa internacional (uma espécie de pensão para alunos do mundo inteiro) para o meu novo lar na Euclid 1561 foi acompanhada de várias lágrimas no processo. Nunca pensei que em um ano, tivesse feito amizades tão profundas que doeu quando fomos todos partindo, cada um para o seu lado. Ainda bem que doeu. Sei que o mundo continua tocando a sua música, e aparentemente, continuo ouvindo ela, apesar de minhas tentativas em acreditar no contrário. No meu novo lar, estou morando perto do FMG, e com uma bay-view e um jardim lindíssimo. Estou gostando. Mas, como sempre ainda falta de terminar de comprar a mobília para o meu quarto, que por enquanto tem um saco de dormir e uma pequena mesinha onde passo as tardes trabalhando em meu projeto para o professor daqui.
nóia do Ram em terça-feira, maio 27, 2003/
sexta-feira, maio 23, 2003
Visão de um olho só
Todas verdades absolutistas deveriam vir com um disclaimer (uma advertência): "Tudo o que eu disse só pode se aplicar as coisas que já experimentei. Para o resto é mera especulação e inferência, que podem ser afetadas pelo meu estado de humor". Antes de proferir verdades, informe isso a você e aos outros. Talvez acabe influenciando alguma decisão importante da sua vida.
nóia do Ram em sexta-feira, maio 23, 2003/
Ética de professor
Que me desculpem os professores, mas infelizmente eles tem que se adequar a um padrão ético diferente. Como os monges. Porque? Porque o professor influencia muito não só intelectualmente, mas também no comportamento dos seus alunos. Professores que admirei me levaram a ler certos livros, acreditar em certas premissas e até desenvolver alguns padrões de comportamento. Um exemplo banal: comprar livros científicos, que muitas vezes leio no máximo um capítulo. Coisa de um ex-professor. E me ajudou muito. Por outro lado, fico muito triste ao constatar que são poucos os professores que compreendem a dimensão da influência que tem sobre os alunos. São poucos os que compreendem o papel do professor. Vale lembrar que até no século passado, os matemáticos alemães hospedavam os alunos em suas casas. Era como o sistema indiano de gurukula, onde o aluno vai morar com seus professores para aprender de forma completa, da ciência a ética que é necessária para se entender ciência e se fazer ciência. Hoje, ainda tenho a sorte de ter alguns professores assim. Não que no passado houvessem mais. Só que hoje, a vasta quantidade de informação e a extrema liberdade social oferecida ao professor, aumenta a obrigação de seguir estes princípios.
Querem exemplos de professores que ferem esta ética? Quantos não preparam aulas? Quantos oferecem informações erradas? Quantos distorcem verdades para sustentar suas ideologias? Quantos são omissos em relação aos alunos? (Sim, é obrigação do professor, do guru, que seu pupilo esteja bem. Ensinar é também alimentar o espírito.).
Não estou aqui dizendo que eles devem se tornar pais dos seus alunos, mas com certeza tem a obrigação associada ao parentesco intelectual e quase espiritual. A tradução literal da palavra para orientador em alemão é Pai Dr (ou como diz meu ex-orientador, Dr. Father). E a maior obrigação do professor é ser um mensageiro da sua ética científica, profissional e pessoal. Esta ética faz parte da informação transmitida aos alunos, e é ela que permite o aprendizado contínuo. Para todos que leem, notem que ler regularmente ou estudar é algo que exige disciplina e curiosidade. E ambos podem sim, resultar de pessoas que nos sirvam de exemplo. Portanto, que nossos mestres se lembrem, se são Mestres, é porque nós somos seus pupilos. E com isso, com este maravilhoso direito de ser um mestre, um professor, também vem uma série de obrigações que talvez possam parecerem menores mas afetam de maneiras incalculáveis a vida dos seus pupilos.
nóia do Ram em sexta-feira, maio 23, 2003/
Do it and make it
Meu vizinho, aquele matemático DJ, que me apresentou a diversas drogas, que infelizmente não tive o espírito para experimentar, está de volta. Sim, nestas duas semanas já aconteceram muitas coisas. Entre elas, o DJ Matemático foi internado, devido a um distúrbio bipolar. Antes que os que condenam as drogas se manifestem, não, não foi provocado por drogas. É uma doença genética, que pode se manifestar dos 18-29 anos. O excesso de drogas, no caso, foi um catalizador da manifestação. Depois de ser internado, ele fugiu do hospital e ganhou o direito numa audiência, contra a sua família e o hospital, o direito de ir e vir (ou seja sair quando quisesse, que ele já exerceu), porque segundo a lei, para você ser autonômo basta saber cuidar da propria alimentação e ter discernimento sobre a moradia própria. Ele me disse que não vai parar de tomar os vários remédios para cuidar do seu problema. Ontem, já voltou aos velhos tempos, com uma festa de arromba no quarto e uma adocicada cannabis.
Só me espantei mesmo com a decisão do juiz, que no fim do julgamento disse que apesar de dar a ele o direito de sair do hospital, mesmo sem autorização médica ou dos pais, ele não estava sancionado o comportamento do rapaz. E mais que ele não está bem e deveria se cuidar. Segundo o médico do hospital, os remédios que ele toma levam 8 dias para fazer efeito, e ele se dar conta que muitas coisas que anda falando são realmente alucinações. O problema é que na semana retrasada, em menos de uma semana, ele torrou milhares de dólares fazendo compras de coisas que faziam parte de suas alucinações (construir um micro-laser MEMS e um disco voador, por exemplo). Seus pais ficaram de mãos atadas, e ainda bem para o rapaz, a muito custo convencerem ele a passar uma semana em casa (o custo foi terem levado a carteira dele). Acho que as vezes a justiça se torna rígida e burocrática. Se o juiz sabe que o tal garoto (isso, ele tem 20 anos) não está bem, e que 4 dias a mais num hospital irão fazer bem, porque não ajudicar de acordo? Vocês irão argumentar que é impossível saber, que é arbitrário, etc. Deve ser, mas sei lá. No caso do Scott, faria bem para ele. E no fim das contas bem para todos e inclusive para o judiciário que talvez não precissasse lidar mais com ele.
Na situação atual, a sorte do rapaz é que sua família se preocupa. Veio levar ele de volta para casa. De aluno que tirou A+ em álgebra e análise ao rapaz que abusa das drogas, e teve um colapso nervoso, foi uma viagem e tanto. Outro gosto amargo na boca: será que poderia ter feito alguma coisa? (se bem que fiz, eu sou um dos poucos que consegue conversar com ele atualmente) Será que aquele professor de literatura que apresentou o moleque ao mundo da maconha, quando ele tinha 19 não deveria também ser responsável? Será que quando nos omitimos da vida das pessoas ou quando procuramos "preserva-las" não estamos na verdade causando um dano ainda maior? Coisa para se pensar.
PS: Sim, ele já voltou a praticar as músicas de DJ...
nóia do Ram em sexta-feira, maio 23, 2003/
Quando IT2B2
Information Theory acabou, mas as idéias ficaram. De posse desta teoria, já estou encontrando explicação para muito fenômeno anteriormente misterioso. Por exemplo, comunicação não linear. Pois é, se seu canal e não linear, ruído não é mais ruído, é informação, e portanto pode ser usado para enviar informação a taxas ainda maiores. Tá explicado. Por isso que aqueles quadros idiotas de um quadrado com um círculo no meio são excepcionais. É não linear. A taxa de transmissão de informação entre o quadro e o incauto que pagou para vê-lo, é alta para a quantidade de informação presente no quadro. Por exemplo, muitos soltam vários expletivos após se dar conta que gastaram nada menos que 10 dólares par ver um quadro (isso foi no Guggenheim de Las Vegas, que agora não existe mais).
nóia do Ram em sexta-feira, maio 23, 2003/
Fim de Festa
Se vocês ainda acreditam que não existem atos de cidadania, considerem que ontem fui (isto é, fomos) expulsos da casa de um colega, por fazer festa na quinta feira a noite, fim de semestre. O vizinho não gostou. A cumbia estava tocando alto demais. A policia apareceu e gentilmente tratou de esvaziar a baderna. Como lembrança da noite, três minor events: Um americano, destes que gosta de baseball, disse que se apaixonou por feijoada, e agora está fascinado com a idéia de comer feijoada num morro carioca; 3 mulheres sentadas num colchonete, em fim de festa, com quem tive uma das *conversas mais surreais dos últimos tempos e um estouro de champagne para comemorar a chegada da policia.
*Conversa surreal:
"Vocês são daqui de Berkeley?", "Não, nós moramos aqui mesmo.", "Legal, dividem a casa?", "Não, moramos neste colchonete mesmo", "Ah sim, decidiram seguir o planejamento urbano de Tokio", "Isso mesmo. Legal né", "E onde fica a sala?", "Ali (apontando para uma planta no canto)", "Sim, noto que vocês são bem ecológicas", "E o quarto de hóspede?", "Aqui (apontando para um espaço entre elas)", "Aqui? (Apontando para o colo de uma delas). Se for aqui, não vou mais embora...", "Ah, mas só hospedamos conhecidos", "Eu só digo uma coisa: seis graus de separação". Obviamente fui expulso do local.
nóia do Ram em sexta-feira, maio 23, 2003/
Oba, fim de semestre !
Pois é, cheguei ao fim de semestre aqui em Berkeley, com 48 horas sem dormir. Já ia me sentindo privilegiado por tal feito pródigo, digno dos heróis gregos, aqueles que vão contra o Zeus, mas no fim acabam sendo aceitos no Olimpo, quando a dura realidade se manifestou no Soda Hall. Desmaiei no sofá, e quando acordo um ex-aluno meu aparece por ali. Menciono as 48 horas sem dormir. E ele me responde: "Ah, então foi um ótimo fim de semestre! Me lembra do meu primeiro ano, a última vez que fiquei 48 horas". Eu: "Ahn?". Ele: "Essa semana mesmo, totalizando tudo dormi 17 horas". É rapaz, não é mole não... Viver no Olimpo deve ser um saco. Cataplum !
nóia do Ram em sexta-feira, maio 23, 2003/
terça-feira, maio 20, 2003
Contagem Regressiva
Só faltam 2 dias para o meu fim de semestre...
nóia do Ram em terça-feira, maio 20, 2003/
segunda-feira, maio 19, 2003
Surreal
Só no Brasil, só no Brasil. Assistam ao video. É das coisas mais engraçadas que já ouvi num noticiário...
nóia do Ram em segunda-feira, maio 19, 2003/
domingo, maio 18, 2003
Alô, Carlinhos?
Um abraço para uma lindinha que sempre lê o blog, e está atrás de pistas sobre a estória do 51 (risos). Viu só !
nóia do Ram em domingo, maio 18, 2003/
sábado, maio 17, 2003
Falando sério
Falando sério, há um cheiro de felicidade no ar :-). Acho que é o sol de verão que tá de volta ! Ufa, finalmente.
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
Diálogos prontos
Vou começar a fazer uma coleção lexicográfica (?!) de diálogos prontos. Afinal não temos livrinhos com frases feitas, e sequência de diálogos em outras línguas? Daquelas assim, o que dizer em Francês quando você está na fila do aeroporto (Merci, J'ai déjà pris le bain) ou na Itália quando chega no hotel (Non desidero mangiare la mamma). Atualmente, já existem até pequenos aparelhos de bolso que falams as respectivas frases. Pois então, imagina como deve ser conveniente ter um aparelho destes com sequências de frases prontas para todas situações sociais... Afinal, estamos sempre dizendo as mesmas coisas, na mesma ordem, sobre quase sempre os mesmos assuntos. "Oi.", "Oi.", "Você já conhecia este lugar?", "Não, é a primeira vez que venho aqui, qual o seu nome?", "Einsten. E o seu?", "Marie Curie.", "Nome diferente.", "É de origem francesa", "Ah, eu tenho origem alemã", "Legal. E o que você faz?","Eu sou um físico nuclear em Princeton, e você?", "Atualmente trabalho com raios-x !", "E você gosta de ler?", "Adoro", "Um livro que te marcou?", "X-Rays: a modern approach do Gastler. Mudou minha vida", "Ainda não li. Mas vou anotar. Aceita mais uma bebida?", "Claro", .etc.
Outro diálogo típico. "Com licença, você sabe se o 51 passa aqui?", "Hmmm, ah sim, passa daqui a 30 minutos", "30 minutos...", "Você vai para onde?", "Para Pimba de Pitinirimba. Tem outro ônibus?", "Hmmm, acho que não", "E você, vai para onde?", "Tonga-Tonga", "Ah, logo antes de Pimba. Posso saber seu nome?", "Marie Curie", "Prazer, Albert, mas pode
me chamar de Eisie, ou Einstein", "Prazer", "Você gosta de ler?", "Adoro", "Está lendo X-Rays: a modern approach, do Gastler?", "É, meu livro preferido", "Vou anotar no caderninho", "Um livro que te marcou?", "Hmmm, Patents: a modern approach to poetry do Manilow", etc.
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
Dance Introspection
Introspecção em dance, quando não provocada por Depeeche Mode ou New Order/Joy Division, sempre tem que involver as palavras sky, why, life, love, soul e goodbye. Pode verificar. Tá, as vezes substituem duas delas por beautiful e dreams. Mas é raro. É reconfortante saber que por US$ 17 ou um pouco de paciência em Kazaa, qualquer uma pode ter acesso a um psicanalista...
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
Dance Introspection
Ouvir música dance introspectiva é como ir a carnaval em Olinda para tomar injeção. Euforia e cabrum, reflexões existencialistas que deveriam ter sido esquecidas no bagageiro do ônibus. Mais esquisito é ouvir mulher de látex preto, corpo perfeito, com voz artificialmente cristalina, cantando estas impropriedades. Leva a um certo catatonismo. Ou será que Paulina Rubio ou Kelly Key se metendo a levar alguem para recantos escuros, da alma, não do quarto, não provocam curto circuito? Por estas e outras, que entrei em choque quando ouvi: "Do you ever question your life/ Do you ever wonder why/Do you ever see in your dreams/ All the castles in the sky/Oh tell me why, do we build castles in the sky/Oh tell me why,
all the castles way up high". Mais tocante foi ouvir meu vizinho filosofando em cima... É, vida de doutorando não é fácil.
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
Por esses dias III
Devo estar regredindo. Me empolguei com o jogo San Antonio vs. Lakers, e depois fui tomar sorvete de Nutella do Mondo Gelato, já viciei uns 5 nisso. Terminei dever de casa (aham), lista de exercícios e depois fui ajudar um amigo a escolher músicas para compor um cd. No fim da tarde, fui tomar um café, e fiquei observando as lindinhas de Berkeley, e imaginando em qual estória de quadrinhos cada uma se encaixaria. Ah sim, para confirmar minhas suspeitas, depois do jantar do meu aniversário, fui convidado para assistir X-men 2, por um físico e matemático (profissões de criança), com a seguinte frase: "Cara, vamos lá assistir ao Wolvie e os Mutantes, porque eu acho que desta vez eles estão em apuros". Vida de doutorando não é fácil não.
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
Por esses dias II
Ah, sim, na missiva sobre a verdade, as palavras que a maioria profere poucas vezes reflete o seu estado de espírito. Observação experimental: quanto mais velho, menos reflete. Uma amiga chama isso de camadas, escamas. Um amigo já me avisou que se expor é besteira. Minha família já me disse que tenho que pensar só em mim mesmo quando tomo minhas decisões, ou mesmo quando estou fazendo um projeto. Meu ex-orientador já avisou que a idéia é mais importante que o homem. Porque será que não aprendo? Deve ser karma. Devo ter seguido bem estes conselhos quando fui o Imperador de Roma, e agora estou sendo os cristãos ... Para quem não captou, a última frase foi dita num arroubo de bom humor !
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
Por esses dias
Por esses dias aprendi uma lição de vida, daquelas que chamam de amadurecimento, e que muitas pessoas já vinham me avisando: é, realmente, 1) sou um cara muito crédulo 2) são poucas as pessoas inclinadas a dizerem toda a verdade e menos ainda as pessoas que pensam nos outros. Lição aprendida, anotada no caderninho. O chato é que isso vai me tornando mais um destes cínicos que não conseguem confiar em ninguém, e na levada das coisas acabam tomando as mesmas atitudes que temem. Por outro lado, o mundo não cansa de me surpreender.
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
Ninguem é perfeito
Mas as vezes dá uma vontade imensa de chutar o balde, e mandar tudo às favas...
nóia do Ram em sábado, maio 17, 2003/
sexta-feira, maio 16, 2003
Brasil
É isso que acontece com o gangsta no Brasil ... Tá vendo, para quem diz que Rio vai virar a Nova Iorque gangster...
nóia do Ram em sexta-feira, maio 16, 2003/
terça-feira, maio 13, 2003
Falta blog??
Desapareci porque estou em semana de provas finais aqui em Berkelei, a terra sem lei. Volto com várias estórias, inclusive a festa da saia, drugs and' rock, o love boat, geeky sites, e meu novo locau de moradia, com vista para San FranFran.
nóia do Ram em terça-feira, maio 13, 2003/
19 anos
É bom fazer 27 anos !!! Viva meu aniversário! Qualquer pessoa que escreve blog seriamente não pode se apegar a coisas pequeninas como o próprio aniversário ... E feliz dia da libertação dos escravos pra todos ! Melhores coisas do aniversário: 1) almoço e jantar grátis 2)receber postais pelo e-1/2, ainda mais de lindinhas que não me escreviam a séculos,
mas queriam verificar se ainda existo 3)ir a casa dos jesuítas e comer baba-ganoush, conversando sobre lisboa e casamentos 4) ficar enchendo o saco de todo mundo para acomodar seus abusos, já que é dia do seu aniversário ~!
nóia do Ram em terça-feira, maio 13, 2003/
Mercado
Acreditem se quiser, agora que já terminamos a faculdade de engenharia, tudo virou parte do mercado.
nóia do Ram em terça-feira, maio 13, 2003/
quinta-feira, maio 08, 2003
Advertência
Ah sim, para aqueles que irão ler estes posts aí embaixo, e pensarem assim: "quem é você para dizer isso ou aquilo, para dizer que sabe isso ou aquilo", o ministério do semancol adverte: "Eu sou eu. Ler o que penso é decisão pessoal, e só aprovado para maiores. Pense por conta própria, que não faz mal a saúde."
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Uma mensagem para quem anda sendo sincero
Olha só, as vezes é assim mesmo, ser sincero, ser fiel, ser honesto, ser correto, estas coisas que muita gente acha chata e anâcronica, é escolher dos caminhos mais díficeis para seguir na vida. Eu li hoje que quem é livre no coração, segue o caminho da solidão. Sim, pois no fim das contas, a vida é cheia de opções e escolhas, e ser livre inclui refletir sobre nossas opções e escolhas. Sim, aquela coisa chata da consciência. Já aviso logo que a minha conjectura, não verificada, é que não existe recompensa no fim do caminho e provavelmente não existe nem fim, nem caminho. Só que também não existe isenção dos impostos da consciência. E, sim, por menos que se queira admitir, existe uma consciência universal também, uma certa herança genética, subconsciente, que compartilhamos. Naquele um momento de memórias de todas as nossas vidas vividas, sabemos exatamente que somos todos iguais, mas também somos diferentes. Iluminação é estar em paz negociada com a consciência, a própria, e a universal. E a experiência do amor verdadeiro, intenso, não condicional, só vem quando estamos em paz.
Então tá, isso pode ser tudo conjectura, loucura. Mas para vocês que decidiram ser sinceros, fieis, honestos, corretos, e capazes de placidamente olhar para a própria vida na paz de espírito, rir dela, curtir, e ama-la, bom, se ajudar, amo vocês. É isso aí, sinceramente. Amo vocês. Então podem continuar sendo assim. Nem precisam da minha aprovação. Mas saibam que sim, ainda existem pessoas anacrônicas que acreditam nessas coisas. Ah sim, e podem ter certeza que estes adjetivos todos - fiel,honesto,correto, sincero - serão sempre questionados, sempre irão existir pessoas para relativizar as coisas. Mas lembrem-se, no fundo, somos todos iguais, exceto que alguns reconhecem uma certa unicidade no universo. Uma certa sensação de que tudo está conectado, tudo é muito claro. Deve ser coisa da tal herança genética e espiritual. Pois então, amem a sua alma!
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Faroeste Barroco
Hoje acho que não estou para brincadeira. Se liguem aí, porque a barca tá passando por tempestade. Ainda bem que para os meus 4 heróis, ler isso aqui é uma forma de apagar seus carmas do passado... "E não protego general de 3 estrelas que fica com o cú na mão/.../você perdeu a sua vida meu irmão/ você perdeu sua vida meu irmão/Essas palavras vão entrar no coração/Eu vou sofrer as consequências como um cão".
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Na questão da maleabilidade
Depois declamam poesias, declamam heresisas. Ainda hoje, vi um bom amigo brasileiro, enviando mensagens para sua namorada no Rio, seu caso em São Paulo - aquela coisa do passado que teima em voltar, e se engraçando com uma local. Depois de fazer tudo isso, veio me dizer que acha rídiculo homem que abusa das mulheres. Concordo. Mas, como ando num dia daqueles, retruquei, veja você, as pessoas preferem as máscaras, mesmo que sejam abusivas. Preferem aqueles que são superficiais no coração, mas profundos nas letras. Ele me contou então da idéia da ética maleável. Ainda bem que não diz estas coisas para as lindinhas por aqui... Senão até elas iam achar difícil se enganarem.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Maleabilidade
Um amigo me disse, indiretamente diga-se de passagem, que ética é maleável. Minha resposta, simples e direta: não é não. Sendo simples e direto, quem faz o que quer fazer passando por cima da sua própria ética pessoal, aquela usada nas avaliações rotineiras da consciência, está se enganando. Sim, eu sou muito chato com estas coisas. Devo ser um anacronismo vivo. Mas tudo bem, ainda acho mais díficil mudar o que acho correto, do que mudar minhas atitudes.
Ah sim, e não há vantagem nisso. Exceto, acreditar num idealismo muito profundo, que me diz que amar a vida, amar os outros, amar a si próprio, é também ser coerente com a nossa ética pessoal. Oferecer aos outros o que queremos para nós mesmos.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Comentário
Comentário que ouvi hoje, "homem é tudo cafajeste." Porque? "'Me traiu, já tinha namorada. E eu indo atrás dele." Ah, sim. Eu, por exemplo, não sou cafajeste não. "É?" Só que acho que não é isso que as pessoas procuram. "É verdade."
Conversa surreal né? Mas verdadeira.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Facilidades
Como é fácil enganar as pessoas. Quer dizer, colocar as máscaras que elas preferem ver, e assim fazer parte dos seus círculos. Ser agradável faz carreira de muita gente. É coisa perigosa. As pessoas preferem construir relações movediças, se enganarem, entregar o que tem de mais precioso - a confiança - e depois lamentar que não podem confiar em ninguém, e mais uma vez retornar ao ciclo. Pois então, podem confiar sim. Só que é bom tentar olhar através dos olhos das pessoas. Valorize quem valoriza o amor a vida. E não só o amor a própria vida.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Panacéia desvairada
É de um samba a estrofe, "Fazer Poemas, e Cantar minha emoção/Quero a arte pro meu povo/Ser feliz de novo/E flutuar nas asas da ilusão". Pois é, eu também quero, só que nos meus termos. Deve ser esta abordagem rigorosa que faz ser difícil encontrar uma prova para a conjectura. Mas tudo bem, toda conjectura, falsa ou verdadeira, é um teorema.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Remédio contra solidão
Para quem acha que solidão tem remédio. Tem não. Sabe por que? Porque não é doença.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Revelações
Talvez me revele pouco ao mundo. Tenho muitos segredos esquisitos. Muitos sonhos meus. Muita vida, muita vontade de viver. Muitas vontades. Só que ainda quero ouvir um dia, uma coisa que nunca ouvi, sem acessórios, sem pre-condições, sem necessidade de fazer média: "Taí, eu te amo.". Mentira, já ouvi algumas vezes, só que quero ouvir de novo agora, neste instante, ouvindo essa música, nestas últimas semanas no meu quarto (sim, estou me mudando !). Quero ouvir, e continuar acordando ao som desta frase. Agora entendo algumas letras do Renato Russo. Bateu aquele momento de iluminação.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
I still believe
Estava ouvindo uma letra de música agora a pouco, ao invés de fazer os meus dois últimos deveres de casa (mentira, nerd planeja as resposta, e fazer o dever é só escrever...), e ela diz: "I Still Believe in Your Eyes, I just don't care what you have done in your life, I will always be here by your side". De vez em quando é bom ouvir estas coisas. Eu sou uma criança cheia de planos, de escrever um livro a dar aulas numa escola aqui perto, passando por revolucionar o mundo... Mas por algum motivo, as coisas nunca acontecem da maneira como penso que irão acontecer. Talvez seja muito desejo, e pouca atitude. Ou talvez muita atitude. Sei lá. De qualquer maneira, queria me sentir aconchegado. Aconchegado na minha vida do jeito que ela é. E queria talvez ouvir um pouco, as letras dessa música aí em cima. Eu acredito muito nessas coisas.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
Cansaço
As vezes tentar cansa. Só isso. E bater com a cabeça na parede também. Devo estar na minha maré carmica pessoal... Ainda bem que sou otimista.
nóia do Ram em quinta-feira, maio 08, 2003/
terça-feira, maio 06, 2003
Link Falho
Notei que o link para Economia liberal ai embaixo está quebrado... Segue o texto, que foi publicado no jornal português Publico Online. Notem a a formidável aplicação da teoria econômica no último parágrafo. Grifos nossos. E o texto é sério.
Mães de Bragança
Por EDUARDO PRADO COELHO
Sexta-feira, 02 de Maio de 2003
Segundo uma jornalista da Lusa, Helena Fidalgo, as "mães de Bragança" estão em polvorosa. E por isso assinaram um manifesto, da autoria de quatro mães, mas que se supõe que sejam representativas do sentir mais profundo das populações. De que se queixam? De que, por causa de uma invasão de imigrantes brasileiras, "uma onda de loucura" invadiu a cidade. O que elas pretendem é colaborar com as autoridades para "salvar" a cidade. Daí o apelo (desesperado) às polícias, ao governador civil e à Câmara de Bragança.
Segundo as autoras de tão pungente manifesto, "sabemos que desde o início dos tempos sempre houve prostituição, mas o que está a acontecer em Bragança é uma autêntica onda de loucura que tem de ser combatida e travada", uma vez que os lares estão a ser desfeitos pelo "flagelo da prostituição que assola a cidade": "Somos agora invadidas e fustigadas por dezenas de prostitutas aquarteladas em boites, mesmo durante o dia, em bairros residenciais, em todo o canto e esquina da cidade." São as profissionais do sexo brasileiras que "deram a volta à cabeça dos maridos". Parece que as brasileiras praticam actividades indignas (infelizmente não especificadas), e que vários homens já deixaram as famílias para se juntarem a elas. Pensam as autoras do texto que "com a ajuda das forças vivas e responsáveis da terra" poderão "contribuir para um mundo mais justo, uma sociedade mais saudável e feliz".
Este episódio - que lembra irresistivelmente uma telenovela brasileira - poderá suscitar vários comentários. O primeiro tem a ver com estas "mães" que se queixam dos "maridos" como se estes não fossem "pais". Reivindicando a qualidade de mães, procuram assegurar o máximo de respeitabilidade cívica, mas não parecem dar-se conta de que perdem imenso em termos de capacidade de atracção libidinal . Supõe-se que é precisamente porque os maridos apenas as vêem como "mães" que se voltam para estas brasileiras fogosas e imaginativas que surgem claramente com o estatuto de "mulheres". Não deixa de ser curioso que se faça este apelo ao Estado quando se esperaria que elas procurassem combater "o flagelo" no seu próprio terreno, isto é, na área específica onda a questão se coloca, que é a da sexualidade.
Estas mães de Bragança não se deram conta de que estamos numa sociedade livre de mercado. E que, portanto, as regras da sã concorrência também funcionam neste plano. Estas mães de Bragança não tomaram consciência de que, se os maridos deixam de dormir em casa e alguns querem mesmo ir viver com as brasileiras que invadiram a cidade, é porque estas brasileiras vieram satisfazer expectativas no mercado libidinal que as mulheres de Bragança (dada a fraca capacidade inovadora do tecido empresarial português) se revelavam incapazes de satisfazer. Pretender o proteccionismo do Estado é uma medida claramente retrógrada que vai contra o espírito económico da Europa mais avançada (veja-se Amesterdão, onde se acaba de criar uma escola para prostitutas, numa arrojada iniciativa que pretende melhorar a formação da mão-de-obra). A cabeça perdida dos homens de Bragança só pode ter uma solução liberal: que as mulheres de Bragança dêem uma volta sobre si mesmas.
nóia do Ram em terça-feira, maio 06, 2003/
domingo, maio 04, 2003
Tá explicado
(Ancelmo Gois, Domingo 04/05/03)
Dostoievsky
Ronaldinho está lendo “Crime e castigo”, de Dostoievsky, por indicação do pai, seu Nélio. Diz que já chegou à metade do livro (embora haja controvérsias). De todo modo, confessa que não está entendendo xongas. Levou o clássico para a concentração da seleção no México.
PS: Tá explicado porque não anda jogando nada pela seleção... Crime, ele lendo livro na concentração, castigo do pai dele... Putz!
nóia do Ram em domingo, maio 04, 2003/
sábado, maio 03, 2003
Economia Liberal
Economia liberal é isso aí
nóia do Ram em sábado, maio 03, 2003/
quinta-feira, maio 01, 2003
Raiva do Google???
Andei notando que está surgindo no Brasil e em Berkeley, o movimento de aversão ao Google. Agora, depois que a empresa comprou a micro-empresa que fazia o Blogger (sim, eram 5 pessoas), as pessoas começaram a fantasiar uma instabilidade maior no sistema. O sistema do blogger já era semi-amador e sujeito a bugs, nada a ver com a compra do Google, que a meu ver é uma das grandes empresas que veio desta onda de .coms. Acho que poucas pessoas se deram ao trabalho de ler como a empresa surgiu, de ler o website sobre a empresa e seus princípios, de suas idéias básicas tanto técnicas quanto em termos de organização do trabalho, da ética econômica por trás da máquina de busca, etc ... Uma das poucas empresas que além de inovar absurdamente, de patrocinar alunos para doutorado a torto e a direito, de contratar pessoas de backgrounds dos mais variados, ainda se preocupar em ter um statement de ética corporativa dos mais modernos ("Don't be evil !"). Leiam o post acima sobre a tal empresa, não que ela precise de minha bandeira, mas sinceramente, é uma das poucas empresas cujo modelo me agrada. E como tem gente para falar mal, aqui vai uma pessoa para falar bem.
PS: Essa mania esquerdista de que tudo que tem sucesso econômico é necessariamente "mau" é um saco! Isso parece coisa de Cora, ou militante intelectual que não tolera sucesso. Sim, não adianta negar, sucesso econômico pode ser consequência de boas idéias, trabalho duro e princípios éticos. Cito aí duas empresas, Google e National Instruments, cujos fundadores ainda mantem laços profundos ao empreendimento, e pelo que conheço de ambas (bem de pertinho), não usam mesquinharias para conseguir trocados... Ao contrário de muitos ideologos modernos...
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