Uma voz a mais, a menos.
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Ram Rajagopal
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sexta-feira, outubro 31, 2003
MEDITAÇÃO
Para quem não acredita, eu atesto... Meditação é a maior viagem... Strongly recommended.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 31, 2003/
LO DIA DE LOS MUERTOS
A maior parte da américa latina está comemorando desde ontem o Dia de los muertos. Neste dia, as pessoas seguem a tradição indígena de montar um altar para honrar seus antepassados e todos aqueles que morreram. Grupos de alunos montam altares para seus amigos ou para vítimas de massacres ou acidentes. Ontem fui participar da festa do dia dos mortos.
O evento envolvendo centenas de estudantes do campus, começou com os vários grupos de estudantes organizando pequenos altares, e colocando doces e salgados variados em suas mesas. Os indios acreditam que os espíritos dos mortos convivem consoco, e que o dia dos mortos é uma espécie de dia de aniversário deles, quando esperam por uma festa recheada de doces e salgados. O altar sempre tem muitas flores amarelas, e em especial a flor do sol, o Marigold (uma flor de regiões temperadas). Além de estar ornamentada com flores, um círculo é feito no chão, onde as pessoas podem sentar e meditar.
No início da cerimônia, um artista de Oaxaca, que recebeu de seu avô, através da tradição oral, o conhecimento milenar dos rituais e músicas do dia dos mortos se apresentou. O ritual que se faz é uma forma de tomar 30 minutos da sua vida (hoje em dia, na época eram dias), e meditar sobre o mundo presente em si e fora de si. É como esquecer o ego por alguns minutos para enteder que a vida é temporal, e que no fim, o que deixaremos são as memórias e o que levaremos é tudo o que decidimos ser e sentir.
Na tradição indígena a morte não é ruim. É compreendida como ó processo de renovação para dar a oportunidade para outros se deliciarem com o universo da mesma forma que nós fizemos. É a dança do Shiva, que ao mesmo tempo que destrói, traz êxtase e fertiliza a criação. O ritual é a oferenda do fogo, dos cheiros (pois se queimam galhos de árvores), de frutas e sons a todos espíritos. O dia dos mortos é a preparação para a própria morte. Ë aceitar a própria morte, e encarar como um momento tão doce e emocionante como o nascimento.
No México e em vários outros países - Equador, Peru, etc- a comemoração nas capitais já se mesclou com as tradições católicas, se transformando no dia de todos os santos. Minha opinião é que em muitos lugares, ela também perdeu a conexão com a terra, com os elementos primordiais, que nos trazem a tranquilidade para meditar e pensar sobre algo tão forte como a morte. Ouvir as conchas criando sons, os tambores, sentir o cheiro de galhos aromáticos queimando, constrói o ambiente necessário para nos despirmos do ego por alguns minutos e visitarmos nossos espíritos. Você deixa de ser só você para se mesclar ao que emana da terra e do sol, como dizem os indígenas.
Adorei o festival, apesar de ter ido embora um pouco depois do ritual. Tenho muita sorte mesmo nesta vida. De vez em quando, a vida me apresenta momentos, emoções, sensações que me fazem enteder que existe algo muito além, muito maior, muito mais bonito que as coisas que me preocupo no dia a dia. E o mais engraçado é que estas coisas estão no meu dia-a-dia. O tudo é agora.
E quanto ao dia dos mortos, no momento de meditação, o sol me mandou uma mensagem: o dia dos mortos é comemorar o amor. É entender a importância de algo tão imaterial quanto o amor por tudo que vive. Neste caso representado pelo amor a pessoas que você mal conheceu e pelo amor a memória daqueles que você conheceu. O amor ao ciclo natural das coisas. Eu li ontem, coincidentemente, num livrinho de pequenas filosofias que tenho aqui em casa, que o amor existe em vários sabores. Mas o amor ecstático, orgásmico, é amor sem ego. É simplesmente o amor pelo amor, por ser, sentir. Bom... Deixo para vocês destrincharem, porque eu ainda estou tentando entender...
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 31, 2003/
DOCES RECADOS
"A diferença entre o criador e o torpe, é que o criador cria e o torpe consome. O criador defende, e o torpe pega carona. No dia do juízo, o criador ao menos tem ao seu favor o fato da idéia ter sido sua. O torpe, só mesmo a desculpa de que não é responsável pelos seus atos." - iluminação espontânea de um brasileiro desconhecido em café de Berkeley.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 31, 2003/
CADE O RESPEITO?
Pior do que o presidente do Brasil chamar todos ex-presidentes de covardes, é não encontrar sequer um dos comentaristas políticos do jornal mixuruca que eu leio ter feito comentário a respeito disto. É melhor o Lula respeitar a história do Brasil, com seus altos e baixos. Como dizemos em engenharia, é facil saber o design que deveriamos ter utilizado depois que o projeto está terminado.
O que é covardia? Covardia é falar mal de quem não tem como responder. É aproveitar a ignorância do brasileiro médio para desconstruir tudo que aconteceu nestes últimos 114 anos no Brasil. A verdade é que um homem iluminado nunca procura na história os escombros para construir sua glória pessoal, mas sim os exemplos para construir novos sucessos e evitar erros recorrentes.
Tudo bem. Vocês podem dizer o que quiserem. Mas amor, conhecimento e respeito são coisas que andam juntas. Na Índia se diz que o prema, jnana, e dharma* são a representação das três forças que movem o universo da sua criação ao seu fim, num ciclo infinito. Então se alguem te diz que te ama, mas é ignorante, ou alguem diz que sabe tudo mas não ama, ou que ama, sabe mas não respeita, ele não está sendo um homem completo. E quando isto vem do governante do seu país, é sinal que a sociedade que ele está construindo terá uma estrutura capenga, fragilidade exposta.
*dharma é respeito as nossas obrigações, ao passado e ao futuro. Respeito pelo caminho que cada um trilhou.
Enquanto ele chama os presidentes brasileiros de covarde, o sistema político americano de ditadura, e denuncia a classe média brasileira, o nosso atual presidente do Brasil continua defendendo a desordem civil, ditaduras sanguinárias desde que demagogas, e traficantes de drogas, desde que aparentem ser uma guerrilha contra governos legítimos. Acho que ele ainda não se deu conta de que não é mais um companheiro, mas sim que deveria ser um líder, com todos os doces direitos que isso traz e com as pesadas, e muitas obrigações, que vem de brinde. Inclusive, um respeito extremo pela história do país que lidera.
"Se o Lula militante-operário dissesse que os presidentes são covardes é uma coisa, se o Lula-candidato dissesse algo assim é outra coisa, se o Lula-presidente diz isso, aí é uma coisa radicalmente diferente: falta de respeito".
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 31, 2003/
quarta-feira, outubro 29, 2003
ARAPONGAS
E o Lulinha paz e amor apronta mais uma das suas ... Se fosse o outro viajante, o anterior, acho que iriamos ter quebradeira. Como o Lulinha é bonzinho, fica tudo por isso mesmo. É piada né. Mas não se pode esperar muito de uma equipe que tem como assessor um convidado especial de Cuba... Quem sabe um dia, uma espécie de justiça não efêmera reconcilie a verdade com a imagem ... Chega de FARCatruas.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 29, 2003/
CHAMADA DE COMERCIAIS
Um minuto de propaganda para a minha ferramenta predileta. Para que ter intuição se temos isso aqui...
PS: Quando alguma coisa não aparecer, experimentem colocar tudo entre aspas.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 29, 2003/
DO AMOR E OUTROS PANDEMÔNIOS
Depois eu conto essa estória... Me cobrem.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 29, 2003/
CITAÇÕES II
Bom, nosso ego só dura mesmo uns 70, 80 anos. Depois disso, que diferença faz? Que diferença faz, saber se foi Romeu ou Shakespeare ou Valmiki quem colocou ela no papel. Ela, hoje em dia, anda vivendo muitas e muitas gerações. E cada uma aprende uma coisa diferente com ela. De uma maneira diferente. Enquanto isso, o ego, este já se perdeu no limbo da história.
Talvez, só um pouquinho de talvez, ela ficou porque é linda, ou guerreira, ou sobrevivente. Mas isso não tem nada a ver com quem a concebeu. Give credit where credit is due diz o velho ditado anglo-saxão. Tudo bem, no fim ela vive no universo. E talvez este ente coletivo seja o maior responsável por tudo. Suas mudanças, seus humores, cheiros e cores é que abrem os sentidos para o momento da concepção... Give credit where credit is due.
Enquanto isso, Boltzmann passou. Sofreu em vida e passou. Sua filha ficou, linda, decidida, com um brilho característico de quem é destinado ao sucesso. Shakespeare se foi. Romeu ficou. Alguém se lembra do Panchatantra? Do Mahabharata? Quem os escreveu? Na Índia se diz que elas nasceram das vozes dos ventos, que sempre cantam os hinos da história de Bharat, a terra do homem.
Não escolhemos quem conhecemos nessa vida. Simplesmente acontece. A conhecemos. E ela pode nos marcar. Imaginem, para uma pessoa, um minuto atrás, as lágrimas de Madri abriram as pétalas da percepção, para outra, a precisão de Strickland lhe quebrará a espinha daqui a alguns minutos. Será que são escolhas? Elas é que nos escolhem. Sempre.
No fim das contas, tudo isso foi só para contar que ela veio me dizer que no fim das contas, viver é o que importa. Não há nada além. Nada melhor. Nada a mais. Não existe memória. Existe viver, exprimir, sentir, ser. Abrir o jogo com elas. Se entregar ao mundo. Quem faz isso vive como elas vivem. Quem faz outras coisas vive fugindo do profundo desejo de fazer isso.
Enquanto isso, no baú de cinzas navegando o Ganges, indo de encontro a boca de Shiva, estão os restos de alguém que um dia foi ou poderia ter sido um pai. Junto com ele, como com todos aqueles faraós, seguem jóias, ego, estilo, cor, cabelo e perfume. Ficam suas filhas. Ao menos uma. Justamente a maior de todas idéias que um homem pode ter tido: o amor.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 29, 2003/
PERDONES
Queridos amigos perdões pelo mau português. Mas foi a correria de ir ao consulado, pedir novo passaporte, ver que ainda existe contorno em burocracia inútil, e tudo mais ... Consertei meus posts anteriores ... Quer dizer na medida do possível... Ninguém aqui, deste lado do terminal, tem qualquer pretensão literária... Se bem que ... :-) -> Meu primeiro smiley este ano. Sabem que o smiley representa a falta absoluta da vontade de usar palavras para construir o sentimento em quem le ... Se chama de preguiça literária com caracter.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 29, 2003/
NUM DIA DE CITAÇÕES
"O estilo é o homem".
Pois é. Talvez. Mas será que é o estilo que é a idéia? Eu ja me entulhei de estilo. E acho que no fim, sempre fico, sempre prefiro, a idéia. Isso está impalpável demais né. Mas pensem no seguinte, eu prefiro chamar ela pelo nome. Enquanto isso, num mundo cheio de estilo, se aprende teoria da medida para falar de probabilidade com estilo. Mas a probabilidade mesmo, esta é a grande idéia. E para boa parte dos navegantes, a idéia se perde no estilo... Cuidado com o estilo. Quer dizer, cuidado com pensar em estilo.
E quanto a reconhecer Shakespeare, ainda há quem apareça dizendo que ele copiou ou nem existiu. Ou seja, o estilo não é tão inconfundível. A idéia, com certeza sim. Vide o meu guru-guia Dostoievski, que não costuma ter muito estilo. E o pouco que tem se perde em traduções...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 29, 2003/
terça-feira, outubro 28, 2003
CITAÇÕES
Pensei numa coisa agora. Acho que a melhor citação é aquela em que não qualificamos o autor. Porque? Porque assim não se muda o autor. O ego dele. Fica tudo igual ao que estava antes. E a idéia, a filha posta prematuramente ao mundo, recebe o carinho que ela nasceu pedindo, a atenção ininterrupta que ela tenta conquistar com olhos hipnóticos.
E se o autor é o mesmo, ele tem outra filha. E mais outra. E mais outra. E são todas filhas de parto natural. Escrever talvez seja uma forma de propagar o código genético.
Talvez o ato de escrever seja tão desestruturante, tão parte de nós mesmos, que precise ser cuidado com muita atenção, como as orquídeas do meu roommate. Se você colocar água nas horas erradas elas morrem. Se colocar água demais na hora certa elas morrem. Tem que colocar um pouco de água na hora certa, e em dez anos você tem uma linda flor que dura perenes dois meses.
E como nos referir então as filhas que nasceram? Talvez devessmos ter um cadastro civil de todas elas. Certidão de nascimento para cada uma delas. Cada uma com o seu nome, sobrenome, cor dos olhos e de pele, e data de nascimento. A filiação consta do cadastro. Mas no dia-a-dia, elas são sempre chamadas pelo nome.
Mas e se não houverem tantos nomes quanto idéias? Neste caso, podemos nos referir a elas por apelidos carinhosos, e em última instância como "queridinha do fulano". Assim ela, ela que nasceu, respira e vive sozinha, recebe o amor de alma que sempre quis. Amor insaciável. E como todas as filhas, um dia elas deixam o colo dos pais para ir viver suas paixões.
E o pai? Ele vive com a memória da filha linda que teve. Para todo pai isso basta. Basta lembrar o sorriso na boca ao ver a filha balbuciando as suas primeiras palavras, ou aprendendo a caminhar sozinha. Basta lembrar a gargalhada doce que a filha lhe deu quando ele chegou em casa depois de uma longa ausência. Bastam as recordações das discussões e discussões que são sempre o sinal de amor entre pais e filhos. Basta saber que a filha existe. Basta lhe saber que ama algo que concebeu, que não é seu, que não é si próprio, mas o ama mais do que a si próprio.
nóia do Ram em terça-feira, outubro 28, 2003/
GENTE SUBLIME
Conheço gente sublime. Olha o que li hoje:
"é amor isso que une os cacos do mosaico."
Pois é, me lembrou do tal pedacinho de tapete em Servidão Humana. E me lembrou de muita coisa que andei pensando. Como por exemplo, que o que mais gosto de fazer é unir cacos de mosaico. Tão simples né.
Sim, vocês vão ter que descobrir por conta própria de onde veio este fragmento. E para quem escreveu, eu deixo um pedaço dos meus cacos por aqui. Quem sabe se juntarmos os cacos de todo mundo, não se forma o mundo?
nóia do Ram em terça-feira, outubro 28, 2003/
segunda-feira, outubro 27, 2003
LULA NA INTERNACIONAL SOCIALISTA
" - Nossa soberania foi e é ameaçada. Em nome de uma integração necessária do Brasil no mundo, governantes tornaram nosso país extremamente vulnerável ao movimento do capital especulativo e às pressões das forças políticas que o sustentam - afirmou o presidente. "
"O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse nesta segunda-feira que é mais fácil negociar com a União Européia do que com a Área de Livre Comércio das Américas (Alca)."
Tá, vamos ver o quanto o país com os maiores subsídios agrícolas do mundo está disposto a encarar tratores fechando as avenidas de Paris. Num jogo de gato e rato, os europeus já estão usando táticas econômicas famosas, usadas por outrem, e criando o tal "inimigo comum".
Falando nisso, eu nem sabia que ainda existia uma internacional socialista. Deprimente.
nóia do Ram em segunda-feira, outubro 27, 2003/
domingo, outubro 26, 2003
OPS - 2, DIWALI
Ontem fui ao Diwali no I-house, a festa de ano novo indiana. Senti falta de como era o festival das luzes no templo de Austin, mas assim mesmo foi legal. Se bem que a festa se resumiu a ser festa, e quaisquer referências a auto-reflexão e conexão com o universo, que estas datas deveriam proporcionar, foram removidas. E na festa que resolveu ser só festa, e ficou capenga, aconteceram várias coisas dignas de nota.
Primeiro, uma brasileira revelou sua insatisfação com o dedicado namorado. De forma indireta, óbvio, ao defender uma senhorita que veio fazer o mestrado aqui, e em 5 dias já se encontrava nos braços de um inglês ao mesmo tempo que telefonava para o seu amor texano. Mas o chocante é que o tal namorado dedicado, que veio do Canadá, esteve aqui faz uma semana, e o casal está junto faz mais de 8 anos. Me revelou algo sobre as pessoas. O ego é a maior maldição do homem. Pois sim, esta mesma brasileira fala muito mal de homens agressivos, descarados e sem compromisso, como vários que se encontram no I-House. Só que sempre que vou para o coffee hour adora estar cercada por eles. E agora se lamenta em dúvida. Lembram do filme advogado do diabo?
Segundo, eu, Guilherme e César passamos horas conversando sobre doutorado, estudos, artigos, professores engraçados e molecagens de infância. Bem divertido. De alguma maneira, estas conversas me envolvem bem mais que os jogos pessoais que muitos aparentam jogar, com debates recheados de uma importância falsa, ou conversas maria mole para conquistar as desamparadas. QUe por sinal, era o que você conseguia ao quilo ontem na festa. Sei lá, acho que estou meio fora de sincronia com o resto do universo.
Terceiro, dancei muito, mas muito, e muito. Foi muito bom. Voltei para casa, dormi 4 horinhas, ajeitei o horário de verão e já estou fazendo homework do Aldous. Dançar recupera. Assim como nadar e andar de bicicleta. Coisas que pretendo fazer ou fiz esporádicamente semana passada.
Quarto, vi o corpo de bombeiros em ação carregando um cara em coma alcólico. Sensacional. Parecia Hollywood.
nóia do Ram em domingo, outubro 26, 2003/
OPS, FILME
Bom, como na sexta todo mundo que não tinha ido antes foi ver Intolerable Cruelty, acabei indo ver o único outro filme no mesmo horário, no mesmo cinema: The returner. É um filme japa, sobre uma menina que volta no tempo para impedir a invasão de alienígenas. O filme tem momentos engraçados e algumas cenas de tiroteio divertidas. O vilão da estória é uma caricatura. Como ninguém na sessão estava levando o filme muito a sério, até porque me pareceu ser esta a intenção do diretor, alguns indivíduos da platéia riam alto, e faziam comentários engraçados no decorrer do percurso até os letreiros finais...
O final do filme, no entanto, é meio tocante. Não vou contar aqui para não estragar a estória. Mas, o que me deixou um pouco desconcertado foi que a maioria das pessoas continuou o tal sarcasmo até mesmo no fim do filme. Sei lá, as vezes parece que a maioria das pessoas já desistiu de sonhar. Será que é tão difícil ter emoções sinceras hoje em dia? Será que o diretor fez o final de propósito transformando o filme num jogo que desmascara quem somos? Tudo bem, não é de bom costume discutir filosofia com base em sessão de filme japa, mas assim mesmo, será que sou eu que estou me iludindo? Uma boa pergunta... Quem sabe com a maquininha do tempo...
nóia do Ram em domingo, outubro 26, 2003/
sexta-feira, outubro 24, 2003
INTOLERABLE CRUELTY 2
É ter aula de probabilidade amanhã, acompanhada de fritas e coca-cola...
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 24, 2003/
FALEM DIRETO COM A FIGURA
Querem aprender como se morde uma maçã? Falem com este moço aqui.
PS: Vale o sarcasmo nada sutil para cima do sr. Dell e do windows ...
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 24, 2003/
quarta-feira, outubro 22, 2003
FINA IRONIA
Acabei de descobrir que tive meu título de eleitor cancelado por não comparecimento às últimas três eleições. Quando contactei o consulado a respeito, me disseram que por residir no exterior não precisava mesmo comparecer, a não ser que houvesse urna na minha cidade (no caso era Austin), e isso para eleições para presidente. Quando mencionei o cancelamento, disseram que deveria me registrar no consulado da minha cidade. Quando disse que não havia um, me disseram que então a minha situação era regular, pois há um artigo de lei que prevê o direito a não comparecer, caso não haja registro 'na cidade de residência. Bom, agora vou pagar uma multa, não sei bem porque, mas segundo me disseram "por falta de mecanismo". A Fina Ironia é que ainda acompanho atentamente todas as eleições brasileiras ... Fala sério ...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 22, 2003/
QUEM RI POR ÚLTIMO II
Em matéria de mega-lançamentos, quem anda rindo por último é este senhor aqui.
Enquanto isso, os darlings da mídia, e representates da sociedade na cabeça das pessoas, andam dançando a dança das cadeiras, fazendo festinha no politburo.
PS: Como na velha tradição socialista, aqueles que falam não partcipam. Enquanto o gavião anda doando dinheiro infinitamente, a Apple ainda se recusa até a oferecer computadores mais baratos para Berkeley. Na hora da bafunfa vemos quem é do povo...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 22, 2003/
QUEM RI POR ÚLTIMO
"À primeira vista, a plutofilia de Lula faz parte do pesadelo do ajuste fiscal. Talvez não. Um sábio que entende de números e de políticas públicas resume seu medo: “Você pode muito bem ter um país com o 1% mais rico feliz com os rendimentos do capital e os 40% mais pobres encantados com os plásticos do Bolsa Escola.” Quem estiver no meio, tomará bala petista.", Globo, Elio Gaspari.
Leiam aqui a ótima coluna do Gaspari. A classe média não passou anos assumindo o sentimento de culpa pela falência do estado? You wanted the pain, now stay sane...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 22, 2003/
segunda-feira, outubro 20, 2003
NOTICIÁRIO DE CIÊNCIA
Olhem só esta reportagem. Eu não entendi nadinha. Quer dizer, faltou conteúdo. Faltou explicar o que é o papel inteligente. E de onde vieram as cores? O papel inteligente é colorido ou impressoras a cores se tornarão comuns? Eu creio que o noticiário sobre tecnologia e ciência precisa de gente que goste de tecnologia e ciência, e gaste o seu tempo tentando entender as idéias, e não os pontos de marketing dos slides apresentados em um tradeshow. Já pensei várias vezes escrever sobre ciência e tecnologia... Esbarro sempre na falta de tempo para montar um site legal, e saber que o (árduo) trabalho de explicar e fazer exemplos (pois é, não ia ser legal se você pudesse fazer um download de um programa que simulasse como funciona o tal papel eletrônico?) será lido ... Bom, estou na fase de coleta de idéias. Mas hoje, vou voltar para "The Discrepancy Method and Applications to Machine Learning", um artigo para uma aula daqui de Berkilei...
PS: Este site contém videos demonstrando o que é o tal smart paper, e como funciona. Se quiserem evitar o download dos videos, o flash aqui resume a idéia.
nóia do Ram em segunda-feira, outubro 20, 2003/
sábado, outubro 18, 2003
ESTUDAR EM BERKELEY É ...
Abrir a caixa postal eecs.berkeley.edu e se deparar com isto. Pura lavagem.
nóia do Ram em sábado, outubro 18, 2003/
MELHORAR O SISTEMA
Estão precisando melhorar a catequese de oitava série. Olha só a busca que veio parar aqui: "sangue nas veias da america latina". Não sei se foi pelo meu excesso de referências ao premier Castro. Ah, para quem não lembra, "Veias abertas da América Latina" é leitura mandatória para quem passou por 8a série ou primeiro ano de colégio da zona sul carioca. Quer dizer, ao menos para aqueles que gostavam de história. O livro é obra do Duda Mendonça intelectual.
nóia do Ram em sábado, outubro 18, 2003/
CINEMA
Fui ver o novo dos irmão Cohen, Intolerable Cruelty. Bem engraçado. Mas evitem ir se a sua relação com a namorada anda abalada. Vai ser motivo para muita discussão pos-letreiros, como vi na saída do cinema... E não, não é um Fargo, apesar do George Clooney estar ótimo no seu papel tradicional de canastrão bem-intencionado.
nóia do Ram em sábado, outubro 18, 2003/
SACRIFÍCIO?
"...O sacrifício do homem por si mesmo..."
Sacrifício é palavra usada correntemente para qualificar coisas que você faz que não o beneficiam diretamente e imediatamente. Viver é uma forma de sacrifício também, segundo os sastras indianos. Um forma de sacrífico que identificamos facilmente são de pessoas que dedicam a vida a atividades sem fins lucrativos. Outra, que temos uma dificuldade muito grande em aceitar, são as das pessoas que vivem em nome de suas idéias e empreendedorismo. Um cientista faz sacríficios enormes para poder acumular o conhecimento que lhe permite explorar novas avenidas. Um Bill Gates faz sacrifícios enormes para permanecer no lugar que conquistou através de muito suor e sacrifício. Em todas grandes batalhas da vida caminhamos sozinhos. Quanto mais próximos de sonhos e aspirações, o sacrifício humano necessário para chegar lá é maior.
Mas será que todos nós nos beneficiamos do sacrifício dos outros? No caso das atividades sem fins lucrativos, aceitamos sem questionamento que sim. No segundo caso, a propensão é dizer não, afinal uma laurea ou o retorno financeiro são vistos como o pagamento da sociedade pelo sacrifício do indivíduo. Em ambos os casos se perpetua uma confusão de valores.
O sacrifício não está na chegada, mas está na ida. Não está na entrega, mas na decisão de se entregar. Sacrifício é aceitar enfrentar a dor e o medo, uma proposição muito difícil para aqueles que já tentaram, para a entrega da mente aos nossos sonhos verdadeiros. É fazer sem medir consequências. E enfrentar o nosso próprio eu, em busca do que se acredita. Já conheci muitos ativistas que são ativistas por conveniência, porque é uma forma de viver com menor esforço, e em lua de mel com parte do seu meio. Já conheci muitos cientistas e empreendedores que verdadeiramente sacrificaram todo seu suor por suas idéias. Claro que já conheci ativistas que sacrificaram tudo em nome de seus ideais, mas estes são tão raros quanto aceitamos que é raro o empreendedor que se sacrifica. Da mesma forma que já conheci cientistas e empreendedores que não conseguem quebrar as amarras do status-quo para mergulhar em idéias verdadeiras, mas estes são tão raros quanto achamos serem raros os ativistas mesquinhos.
Então pensem nisso. O que estes homens fizeram é ser um modelo dos limites em se ser humano. O sacrifício deles é para o bem estar da inspiração da alma. Do viver ativo, ao invés do viver passivo. Viver ativo é enfrentar medos e sonhos. É se entregar, sem saber o resultado. É deixar tudo por algo além do material. Para todos estes grandes homens, o prazer que lhes resta não é o do sucesso, mas sim saber que existem mais sacrifícios a serem realizados. E para os outros, nos resta apreciar as pequenas lições de seus modelos de vida, e a luz para que sigamos adiante em prol do nosso sacrifício para nós mesmos.
nóia do Ram em sábado, outubro 18, 2003/
APARTHEID INTELECTUAL
Já aviso, azia para quem gosta de contar feijão.
Me mandaram isso pela net. Um bom reflexo da ausência do debate na mídia nacional. Não da parte do exagerado Olavo de Carvalho, mas de todos os outros que parecem dançar uma valsa de baixar a cabeça e concordar. Só encontro alguma dissônancia nas colunas do próprio Olavo de Carvalho, do Gaspari, bem de vez em quando, e vários blogs por aí.
Agora, enquanto existem muitos críticos, existem poucos que propõem alternativas. Porque é isso que o Brasil anda precisando. Talvez o mundo também. A valsa das ideologias está nos tornando áridos. A confusão de princípios e valores, está fazendo o homem esquecer o ser homem, o ser indivíduo. Infelizmente, vivemos hoje numa sociedade em que se você diz algo que vai contra a corrente ideológica estabelecida, que é sim uma forma de marxismo desencanado (ou vocês acham que a Revlon ia vender tanta maquiagem se não houvesse uniformização?), o autor é automaticamente excluído do debate.
No Brasil, achamos que a dança do Tchan é a vitória da liberdade social. Achamos que propalar palavrões e baixarias na televisão é uma forma de direito de escolha. Que admirar desconhecimento e ignorância é elevação espiritual. Achamos que abandonar crenças e esperanças é elevação intelectual. Um país, onde ambição é considerado crime, e sucesso resultado de associações impróprias e sorte, exceto quando é um artista que começou na favela. Um país onde as pessoas detestam admitir que existem pessoas mais e menos talentosas. Que não é só talento que determina quem cria e quem destrói, mas principalmente, esforço e persistência. Que talento é resultado de muito esforço e concentração. Onde, nunca, mas quase nunca mesmo, um amigo elogia e apoia o outro por algum sucesso com a frase: "pô, cara, você mereceu mesmo." E quanto a idéia de que a probabilidade de sucesso deve estar ao lado daqueles que não só tem mais conhecimento, mas também o utiliza para algo além de propaganda idelógica? A meritocracia é considerada nazismo social. Vive-se num país onde ainda é vergonha dizer que grandes idéias podem vir de uma cabeça só. Onde a onda é achar que todos os homens são iguais. Mas na prática somos diferentes porque um é intelectual que faz a cabeça das massas universitárias, e outro é modelo e faz a cabeça dos academicistas. Só que na realidade, a diferença deveria vir daquilo que se construiu, do talento em evidência.
Aliados a este verdadeiro apartheid intelectual, onde nunca somos expostos a qualquer forma de opção de pensamento, está um grupo de pessoas que continuamente se beneficia do estado atual de coisas. O Guilherme estar feliz estudando estatística em Berkeley, ciente que seu trabalho no Brasil se resumiria a infrutíferas excursões no mercado financeiro ou a longas batalhas explanativas para justificar o que faz, é sinal de uma sociedade em decadência. Pois é. Chegamos a isto, o Brasil, que todos acham que irá retomar o caminho do crescimento, é intelectualmente e socialmente decadente. Não pela pobreza econômica, porque ela é temporal, tem solução. Mas pela pobreza social e intelectual. Porque aos poucos nos tornamos uma sociedade incapaz de prestigiar grandeza e sucesso. Porque só reclamamos de quem controla, mas nunca, nunca mesmo formamos as alianças para exercer o controle, e tomar as rédeas do nosso destino.
Sempre, e podem escrever isto, sempre iremos promover e sustentar quaqluer pessoa que se baseie em palavras agradáveis aos nossos ouvidos, e apresente ideologias de momento. Sejam elas convicções de direita ou de esquerda, ou de centro. Pró ou contra. Mas, raramente, ou quase nunca, iremos promover e sustentar pessoas ambiciosas e construtivas. A nossa sociedade é destrutiva, porque associa sonhos e sucesso ao mal burgues, a alguma forma de doença. Se sacrificar no Brasil é fazer algo sem receber nada em trocar. Melhor ainda se for o propalado sacrifício social, que é aceitar a condição atual, até que aqueles que nem podem ter o que você tem cheguem ao seu nível. Isto é indolência.
São coisas a se pensar. A verdadeira beleza da vida é inextingüivel. Morte espiritual é viver afastado dela, se envolvendo em uma fantasia de carne e crime, na demagogia de que não agir é melhor que agir porque no estado atual de coisas não temos direito a nada. O espírito do homem sempre busca. Viver, ao menos para mim, não é uma função social. É coisa da alma. É encarar sonhos e desafios. É reconhecer aqueles que encararam sonhos e desafios, e construiram algo como sendo modelos de vida. É ir além de palavras e ideologias, e das desculpas usuais para permanecer encostado na parede... Viver não é fácil. No Brasil, então, temos muito pela frente. Mas se querem viver melhor, é melhor deixar de coadunar com o apartheid intelectual e social que se tornou moeda corrente no país.
nóia do Ram em sábado, outubro 18, 2003/
quinta-feira, outubro 16, 2003
TAKE THE PLAN
Take the plan, spin it sideways. Instant correlation sucks and breeds a pack of lies. Os carinhas do placebo resumiram em uma música abusos populistas e estatísticos na política. E olha que acho que nem estavam pensando nisso.
Repitam o mantra: Correlação não é causalidade! Palavras não são verdade! Correlação não é causalidade! Palavras não são verdade!
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 16, 2003/
quarta-feira, outubro 15, 2003
THE ACADEMIC DIVIDE (2)
Mas porque falei do assunto aí embaixo? Ontem estive na biblioteca e dei uma olhada num livro que era a publicação parcial dos cadernos de Gauss, um dos grandes matemáticos de todos os tempos. Após ver os cadernos, ficou ainda mais claro para mim que ele é um mestre na arte de conjugar teoria e prática. Ele fazia muita conta, muito desenho, experimentava numericamente com pequenos modelos, antes de construir qualquer argumento téorico. E o melhor, algumas de suas teorias mais relevantes vieram de tentar resolver problemas práticos. Geometria diferencial resultou da tentativa de Gauss de resolver um problema da cartografia da época: como construir mapas precisos de navegação e territórios onde qualquer distância entre dois pontos fosse proporcional a distância real, de tal maneira que a proporção fosse constante. Ele mostrou que é impossível se construir tais mapas, devido a diferenças intrínsecas entra a geometria do plano e da esfera.
Querem algum exemplo melhor para ilustrar a arte da teoria com prática ou vice-versa?
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 15, 2003/
THE ACADEMIC DIVIDE
A diferença que está sendo criada entre nações ricas e pobres devido a tecnologia é chamada de "divisão digital". Pois é, pois tenho observado o renascimento no meio acadêmico-industrial de um famoso divide: o academic divide. O que é o academic divide? Em várias áreas, mas não em todas diga-se de passagem, os acadêmicos acreditam que "os aplicados" são práticos em excesso, e "os aplicados" acham que os acadêmicos se dedicam a teorização fútil. Essa ruptura entre conhecimento e aplicação do conhecimento, que para na prática é uma forma de conhecimento, vinha se reduzindo na última década, impulsionada principalmente por algumas áreas de engenharia (incluindo informática) e economia.
Comunicações é um bom exemplo dos benefícios da ausência do academic divide. A maioria das inovações em comunicações utilizadas hoje em dia são resultado direto de um ciclo de pesquisas iniciado por empresas telefonicas. Elas se focavam em desenvolver tecnologias. Academicos vieram e formalizaram várias noções e descobriram novas possibilidades. Em Stanford, um professor inventou o DSL. Vários acadêmicos levaram estas idéias que misturavam teoria e prática de volta para a indústria. A própria indústria criou laboratórios de pesquisa, onde pesquisadores podem se focar até em problemas puramente teóricos (grupo de matemática e comunicações do Bell Labs). Esse ciclo de conhecimento gerou uma espécie de crescimento exponencial da tecnologia, e das técnicas de engenharia, resultando até em novas áreas do conhecimento teórico como Teoria da Informação, que hoje é usada entre outras coisas para explicar o DNA ou analisar modelos de decisão política e social.
Pois bem. Se esperaria que este modelo de colaboração frutífera levasse a uma relação transparente entre "os aplicados" e os "teóricos". Mas o que eu vejo é que somente em algumas áreas isto é verdade. Mesmo em Berkeley, uma universidade preocupada em conduzir pesquisas de alto risco mas alta relevância, começa a se notar na maioria das áreas um retorno ao Academic Divide. A promessa do novo mundo do do-it-yourself ainda existe. Mas não está tão obvia na cabeça das pessoas quanto a 5 anos atrás, quando até teóricos sociais acreditavam que a grande rede mundial iria ser uma espécie de catalista prático de suas idéias.
Mas, boas idéias teóricas precisam de talentosos homens práticos para serem catalizadas. O grande problema é que o treinamento de uma pessoa com talentos para a prática de uma discplina raramente acontece no meio acadêmico, ou intelectual, simplesmente porque este tipo de treinamento é obtido através de experiência. Só se aprende a prática de uma área, praticando. Bastante óbvio, mas de pouco valor na cabeça das pessoas. Quantas pessoas quando diante de duas ofertas, escolher aquela que lhes perimitirá uma gama maior de experiências e um acumulo de conhecimento prático? Para a maioria, o conhecimento foi "adquirido" nos estudos.
E qual a consequência de um academic divide? Para o meio acadêmico é a produção de pesquisas teóricas irrelevantes. Ao invés da teoria da informação, resultante do interesse de Shannon por modelar o telégrafo, ficamos com uma massa de conhecimento irrelevante, pois os modelos considerados não tem conexão alguma com a realidade. Para a indústria é a perda da criatividade. Em pintura, os grandes gênios são aqueles que não só pintam muito bem, mas expõe uma estrutrua téorica para os apreciadores. Em ciência, construir projetos técnicos baseados só em faro, sem se aproveitar da vasta gama de teorias que embasem as suas idéias, resulta em idéias práticas burocráticas e limitadas. Como aquelas pinturas de cenários perfeitos, mas de pouco valor.
Aposto que muitos já tiveram este mesmo sentimento, não só em engenharia ou física, que são de natureza mais prática, mas também depois de estudar matemática, ciências sociais, filosofia, direito etc. O conhecimento é uma unidade integrada de prática e teoria. Quando menosprezamos um ou outro, ambos acabam mais pobres.
Como lutar contra esta divisão? Aí entram em ação os meus três princípios que uso para aprender (e diga-se de passagem sou uma dessas pessoas entre teoria e prática):
1) Todo conhecimento teórico pode ser usado em algum lugar. Sim, até aquela teoria do contrato social, que foi incorporada em game theory que agora é usada para decidir a qualidade do seu serviço de internet.
2) Evitar a prática baseada na discriminação da teoria. Ou seja, não existe teoria para explicar isso. Ou ainda, prefiro fazer isso na munheca do que aprender o que está por tras disso. Os ganhos de eficiência quando usamos a teoria para construir as coisas na prática são enormes. Se algo dá errado no futuro, existe um método que foi utilizado na construção do resultado prático, e só isso já indica as possíveis fraquezas do que você fez.
3) Evitar a teoria masturbatória. Ou seja, evitar teoria simplesmente por querer teorizar. Se for para fazer teoria, que sejam problemas relevantes e os resultados sejam simples e intuitivos. Uma boa regra é tentar atacar pequenos problemas, em que as premissas são claras. É reduzir seu problema a uma essência, até com perda de generalidade, para se focar em uma idéia apenas. A teoria do tudo de uma vez só é masturbatória, porque raramente fornece alguma intuição fundamental sobre o problema estudado. Então, ao invés do Shannon que como resultado da sua teoria deu ao engenheiro de comunicação uma medida para medir a eficiência da sua internet, teremos um daqueles teorizadores, cujo único resultado é a egolatria resultante do exercício acadêmico do conhecimento de sua área.
Estes três princípios me ajudam muito quando quero escolher em que vou trabalhar, aonde vou trabalhar ou o que vou estudar. E também não me sinto mal por não ser um teórico hardcore ou um prático estrito-senso. Tenho prazer de curtir um pouco de cada...
PS: Eu acredito que a aplicação destes princípios vale não só para engenharia, mas até para filosofia, onde certamente a experiência de viver, ao menos dentro do possível, de acordo com os principios de sua teoria de filosofia é tão fundamental quanto a própria filosofia. A experiência aumenta a precisão do pensamento téorico e leva a modelos relevantes...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 15, 2003/
terça-feira, outubro 14, 2003
PROGRAMAÇÃO NORMAL
Agora, voltamos a programação normal. Algo fantástico ocorreu, estou quase terminando o dever de casa de stat 205A, antes das duas da manhã de hoje! Então, quem sabe, vou ao cinema hoje a noite, assisti ao novo dos irmãos Cohen?
nóia do Ram em terça-feira, outubro 14, 2003/
SINCERIDADE (N)
Dedicado para aqueles que insistem em passar por cima. E para aqueles que acham que passaram.
Mais uma vez. Não, eu não sou gentil por questão de educação. Não, eu não sou sincero por motivação politico-social. Sim, você pode achar que está tomando partido, ou passando por cima, ou se dando bem, mas se eu não grito não é porque eu seja medroso, ou seja tapado. Até talvez fosse melhor assim. Mas não é. Eu observo tudo. A verdade é que eu não ando gritando quando passam por cima porque acho que não faz a menor diferença. Porque se você não entendeu o meu amor - e não é amor por uma mulher, ou paixão passageira - e minha natureza, então o que eu posso fazer? Sim, você ganhou. Sim, você se deu bem. E daí? E daí? Colocando as coisas em contexto, o que eu tenho, o que eu sou, o que eu desejo, tudo isso não tem relação com se dar bem. Se você não sabe apreciar o que oferço, amor e fidelidade acima de qualquer suspeita, então é melhor mesmo passar por cima. Porque, o meu néctar são estas coisas. Meus anseios são para ser verdadeiro, como uma folha no chão do jardim, que você pega, cheira, sabe que é folha, e sabe até de que árvore veio.
Mas que uma coisa fique clara. Eu percebi tudo. Eu sei de tudo o que se passa a minha volta. Sou um garoto muito alerta. Poderia responder, revidar, lutar. Só que já decidi lutar pelo que eu quero, pelo que vale a pena. E para mim, o que vale a pena não inclui quem decidiu que amor, sinceridade e fidelidade não são importantes. Mais do que importantes, são para mim a minha essência. Não faço mais ataques preemptivos. Não piso em calos por maldade. Nem rasgo a carne e exponho a alma dos outros em praça pública. Sem ser pretensioso: eu vejo através de você, e poderia fazer isso. Mas, como eu sou mais do que imperfeito, pretérito mais que imperfeito, vez por outra vocalizo o que estou sentindo. Escrevo em praça pública. Então, uma banana para todos vocês que não aproveitaram o néctar, que jogaram o vidrinho no chão ou no ralo da pia. O meu néctar é infinito. Minha alegria também. Mas eles só são para aqueles que eu escolho. E como não sou santo, nem guru, nem Budha, escolho aqueles que estão no meu coração, e que respeitam ele.
Só isso. Simples, fácil de entender não é? E ah sim, eu poderia espernear, revidar, retroceder, ser como um banqueiro astuto* - pois já fui um-, ou como um guerreiro - ainda sou um, mas não faço isso. Minha luta, pois guerreiros lutam, é por descobrir. E isso, o universo me oferece aos montes. Estou sempre descobrindo alguém, alguma coisa, coisa sentimento, coisa lugar, coisa tempo, coisa tristeza e alegria. E esta coleção de coisas existe no meu mundo em doses equilibradas pra mim. Sim, passo por desafios desproporcionais para experimentar viver. É assim que eu vivo. E vou viver. E vou ser quem sou. E ser cada vez mais próximo de mim, completo em mim mesmo.
*Banqueiros astutos nunca perdem dinheiro, nem deixam barato.
PS: Um frase que estou começando a entender: "Who sees my feet covered with flowers doesn't see the thorns they walked thru to get there"-guru Nitayananda.
PS2: As vezes sou frágil. Todos somos. Mas eu me deixo revelar. E cada vez que pego meus pedaços e os coloco inteiros novamente, fica mais difícil me estilhaçar. Então, sou frágil, mas não sou vencido nem perdido. Talvez, como uma amiga querida disse uma vez, eu esteja pegando uma casca... Mas tudo bem, eu evito ficar com a casca muito grossa, porque prefiro a gangorra do sentir que o modorrento "viver escondido de meus próprios sentimentos".
PS3: Um sorriso para todos. E um beijão para elas. Estou morrendo de saudades :-).
nóia do Ram em terça-feira, outubro 14, 2003/
domingo, outubro 12, 2003
PLEASE
Entrevista do Globo com a Ganhadora do Nobel da Paz:
O que a senhora conhece do Brasil? Já ouviu falar em Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do país?
SHIRIN: Não conheço muito o Brasil, nem o presidente. Mas conheço a Floresta Amazônica.
Saiba mais sobre a advogada
Agora Lula e referencia? Nunca vi este tipo de pergunta com o FHC ....
nóia do Ram em domingo, outubro 12, 2003/
PARA PRESENTE
Então, para vocês aquecerem seus neurônios matemágicos-probabilisticos, uma pergunta, valendo um livrinho de minha escolha pelo correio, para as perguntas: (1) qual a fórmula para o valor esperado do comprimento do loop (em número de fios) no problema anterior? (2) Qual a probabilidade de obter um loop de comprimento exatamente 3 fios em função de N? Respondam para o meu e-mail rambr@yahoo.com, até o próximo domingo, e caso acertem, entro em contato para enviar o tal livro.
nóia do Ram em domingo, outubro 12, 2003/
EM RESPOSTA ATRASADA- porque milagrosamente os meus posts antigos reapareceram
A Adriana, faz uns tempos atrás, pediu a resposta para:
Bruce Lee decides to take a break from fighting high profile Hong Kong criminals, and goes to have noodles at his mom’s. To practice his concentration and finger dexterity he always performs the following ritual before starting to eat: he closes his eyes and picks two ends of any strand in the bowl and ties them together. He is careful not to pick ends that are already tied together. Once he is done tying all ends, he counts the number of loops formed. His mom is a good cook *. Calculate the expected number of loops in Bruce Lee’s bowl. Make any necessary assumptions.
1) O asterisco acrescentava que o evento "his mom is a good cook" significa "his mom cooks noodles portions of size N always".
2) A resposta é assim: Eu tenho N fios de macarrão no início do problema. Ou seja, eu tenho 2*N pontas. Eu escolho a primeira ponta. A probabilidade de formar um loop é 1/(2*N-1), pois para formar o loop tenho que escolher a outra ponta do mesmo fio. Como tenho probabilidade uniforme de pegar qualquer um dos fios (1/N), e tenho N fios, a probabilidade total de fazer um loop na primeira rodada é sum(N*1/N*1/(2*N-1))= 1/(2*N-1). Então tenho 1 loop com probabilidade m=1/(2*N-1) e zero loops com probabilidade 1-m. Agora, eu amarrei duas pontas, portanto é exatamente equivalente a remover um fio de macarrão da estória (com ou sem fazer o loop, se fizer o loop um fio some, se não fizer o loop, quatro fios são reduzidos a dois fios). Agora estamos na mesma situação da primeira rodada, só que com N-1 fios. Logo, o valor esperado do número de loops é:
E[Numero de Loops] = 1/(2*N-1)+1/(2*(N-1)-1)+ ... +1/7+1/3+1
nóia do Ram em domingo, outubro 12, 2003/
EM ALTA, EM BAIXA
Em alta: "Quando penso no futuro, não esqueço o meu passado" (Paulinho da Viola)
Em baixa: Pintar o cabelo.
Correlação?
nóia do Ram em domingo, outubro 12, 2003/
FILMEZINHO
Ontem fui assistir ao novo dos irmãos Cohen, estava lotado, e acabei assistindo ao Duplex, do Danny De Vito. Vejam no video, apesar de duas cenas antológicas, que tem a ver com computador e batismo... Bem engraçadas.
nóia do Ram em domingo, outubro 12, 2003/
sábado, outubro 11, 2003
EX-TERMINATOR DO GAROTINHATOR
Em uma matéria exclusiva, o intrépido repórter Ram R. (RR), ex-agente da CIA-KGB-FGV-PF, que trabalhou sob as cobertas (undercover) de muitas texanas, entrevista o primeiro candidato oficial para as próximas eleições do Governo do Estado do Rio de Janeiro: o líder do grupo de extermínio verde Marqueenhos "JF" Palmeira. JF, conhecido em Ipanema e redondezas, por atender muito forró, e estar envolvido em atividades i-legais, decidiu sair candidato por sugestão de outro político famoso da região, o Gabeira. Na entrevista ele revela seus gostos, um pouco do passado e as razões que o levaram a concorrer ao governo, em uma campanha independente, encarando de frente a famiglia Garotinho.
RR: Marqueenhos, boa tarde. Antes de mais nada o que significa o "JF" no seu nome?
JF: Beleza de tarde. Pô, "JF", gente fina, sacou rapeize? Pode me chamar de jotinha.
RR: Jotinha, porque ser candidato ao governo do estado?
JF: Depois de ver o pessoal lá da Califa, os verdinho todos, dizendo que para governar não precisa saber porra nenhuma de governar, eu vi... Né, sou o candidataço. A governadora atual tá por fora das coisas... Precisamos agitar e mudar tudo, tudo, tudo. É pó, fala aé garoteeenho, falá sério rapá. Meu.
RR: Mudança, quais você propõe?
JF: Pra começo de conversa, essa coisa dos prédios do governo serem, sa'com'é, tudo certinho, com hora certinha, tá por fora. Fala sério, rapá. O negócio é colocar uns bafunfuos aqui, fazer umas ravis, e deixa a coisa rolar...
RR: Mas, e em termos de educação e saúde?
JF: Saúde, precisa mermo e viver sadio, puxando umzinho no fim da tarde, ali em Ipá. Educação, eu só fui pra escola matar aula. Eu vou colocar pro pessoal aé, uma coisa de institituitcionalizar a matança de aula, sem matança na escola... Começar o Marquenhão.
RR: Marquenhão?
JF: É, umas escolas em Ipá, ali pela orla, com aulas todo dia, 5 tempo de matar aula, recreio, e um tapinha de graça...
RR: Porque você se diz membro de um grupo de extermínio verde?
JF: Verde, rapá, vim mora aqui só faz uns três anos. Sou Palmeiras... E tô exterminando as mina do pedaço. E agora, se for eleito governador, não nem precisar trabalhar mais...
RR: Mas você não é carioca? E porque o sotaque carioca?
JF: Aé, sacolé? É aquela coisa, de tá aqui, tá ali, Maresias, Ipá... É tudo uma comuna...
RR: Eu ouvi dizer que você está sendo orientado pelo Gabeira. Como é isso de trabalhar com um político relevante como ele?
JF: O Manguera é gente fina... Sempre tá puxando um ali em Ipá, e patolamos juntos... Aprendi com ele com o meio e tão importante quanto o ambiente, e que falta isso no Rio...
RR: Isso, o que?
JF: A coisa de meio, de ambiente... Tá tudo meio esculachado... O ambiente tá carregado ... Mas pó, coloca umas luz aqui e ali, uns holofote, forrozinho ou ravi... beleza.
RR: E vocês discutem planos de campanha?
JF: O Gabeira disse que viu umas coisas que ele escreveu mas tinha esquecido, por dar tapa demais, e quer fazer isso... Eu disse aé que tá tudo de bom. Mas o negócio é que estou me preparando para fazer um filme, e tal..
RR: Filme?
JF: Ah, o Mangabera me disse que a coisa da imagem do candidato tem que ser boa... Vê ae, o Garotinho, e o ex-Garotinho, tem uma imagem muito linda, um astral positivo... O Conan também, apesar daquela coisssaaaa meio violenta. Aí, pô, imagem é filme né.
RR: Será que não quis dizer imagem pública?
JF: Vou bater um tapinha com ele hoje a noite, aí pergunto aé... Mas já to assasinando com a Globo. Eu vou também faze umas coluna com o pessoal do PT, que tá sempre puxando um tapinha comigo ali em Ipá... Se quise aparecer, hoje a noite, vai ter peixe e caviar.
RR: Obrigado pelo convite. E para terminar, você poderia dar mais detalhes da campanha, e se tem algum plano de governo?
JF: Olha aé, tô é verde. Vou terminar com esse pessoal que roubou o chinelinho havaianas do pessoal mais carente. Um forrózinho vai bem também. Mas a campanha é mermo ir na Bunker, dançar na ravi, e ver aé né... Pô, famoso no pedaço eu ja só ... Sem educação também... E ainda dô tapinha de graça pro pessoal todo aé... E que nem o Lula, eu trabalhei faz uns vinte anos atrás... E não so que nem Garotinho não, eu sei bem aé o papo das boca do Rio, do Cidade de Deus ... Aquela coisa do pessoal dos sacolé. Sacolé? Valeu aé.
nóia do Ram em sábado, outubro 11, 2003/
PRONUNCIAMENTO OFICIAL
Boa tarde. Como Primeiro Ministro Vitalício da Grande Gomes, sempre busco aquilo que é o melhor para os cidadãos gomenses. A mudança no cenário internacional, e os grandes movimentos de ação social orquestrados hoje no nosso país protetor, o Brasil, me levaram a propor a primeira grande aliança internacional para a Grande Gomes: o Ato de Ouro, ou Golden Act. Em cerimônia particular, a ser celebrada nos próximos anos, a Grande Gomes preemptivamente se engaja em um acordo unilateral com o novo governo eleito da California, a Golden State americana. O acordo, nascido das sinergias mútuas entre os acadêmicos* gomenses e o marombeiro Governator, prevê entre outras coisas:
*Descontos de até 15% para alguéis de filmes do ex-Conan o Bárbaro, em videolocadoras seletas
*Transferência do know how de implantes de Silício e Silicone, com alta tecnologia para os gomenses mais necessitados
*Isenção de visto para Californianos que queiram visitar a Grande Gomes
*Fast Star Trek para acordos unilaterais com o governo Schwarzenneger e o dr. Spock
*Aulas gratuítas de defesa pessoal dadas na orla por Pit Boys que viram muito o Conan, o Bárbaro
*Fundação da secretaria para assuntos aleatórios específicos a California relevantes a Gomes (SAAECRA), com LEM, o escritor visitante, como Ministro sem poderes especiais ou de veto
*Estabelecimento das relações loira-loira entre Californianos e Gomenses, para preservação e estudo das culturas regionais de âmbito comum
O Ato de Ouro, a ser aprovado em votação unitária extraordinária durante o almoço, entra em vigor desde já. Espero que este ato represente o desejo da maioria dos acadêmicos (frequentadores de academia) Gomenses, de ter aqui a cultura pop-regional que é uma das raízes do nosso protetorado. Um abraço a todos, e um beijo para elas.
nóia do Ram em sábado, outubro 11, 2003/
NOTA
Andei notando que meus textos sempre acabam ficando longos... E acho que a maioria do meu público leitor não deve ter a paciência de ler até o fim... Ser sucinto, é leviandade com o fluxo de pensamento. Pois é, fui descobrir ontem, ao léu, que fluxo de pensamento é forma recomendada no curso de creative writing de Berkilei, a ex-terra sem lei. Em prol do meu público e-leitor, vou tentar, mas sei que é impossível, reduzir meus textos... O maior problema é que no processo vocês podem perder o meu 1% de 1% de inspiração ...
nóia do Ram em sábado, outubro 11, 2003/
sexta-feira, outubro 10, 2003
O FIM DE UMA ERA
Vou ter que encontrar outra fuga de stat205A, porque ele se foi. Ainda vou ficar a espreita, porque anda faltando bom humor por aqui, ou por aí, dependendo do tempo-espaço. Valeu rapaz!
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
SOMETHING THAT APPLIES?
Is the Spirit Here (Noe Venable)
"...
swollen bellies hungry souls
swollen cities hungry nation
their opinions are a crutch
for a dead imagination
empty eyes and broken homes
and I wonder, have I joined them?
well at least I’m not alone
is the spirit here?
definitely no
like a flatline, without pain
like a doctor who keeps talking
catch a bottle full of rain
like a robot I went walking
then the roof came flying off
like a border open wide
like a flower where you died
like a sinister banister slide
into the minds
of the houses you’ve abandoned
through a sea of shattered lives
like a swan without my pride
like a monster in a dress
near forgotten left a mess
like the only one you can’t impress
is the spirit here?
YES"
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
CUIDADO
Quando um presidente e o seu maior mensageiro político questionam a validade das instituições independentes de um país, é hora de ligar o pisca-alerta. Abram os olhos, porque quem sabe, talvez o problema do Brasil esteja mesmo no judiciário independente, na constituição, no sistema político democrático... Pode parecer meio alarmista, mas isso é para alguém que está vendo tudo do lado de fora... A própria má vontade do atual governo com todas as politicas existentes, é um claro indicador que se pudessem iam todos para Cuba. Só não o fazem, porque o Putin hoje não tem dinheiro e não pode vir trabalhar na KGB brasileira. E para que fique claro, você não precisa ter um estado militarizado ou mesmo o fim da constituição para promover o arresto democrático de uma sociedade inteira. Basta doses contínuas de hipocrisia, apoio a toda sorte de idéias contra as leis existentes no país, e alavancagem do sentimento de derrota e perda do brasileiro médio. Basta sedar a sociedade, tornando a incapaz de reagir a perda contínua dos direitos constituicionais. A constituição é só um calhamaço de papel, que mesmo existindo, só vale se houver um sistema de atribuição de responsabilidades. Eu acho que nunca no Brasil, iremos processar o Lula por ser cúmplice do canal de drogas colombiano ou das ilegalidades do MST. Porque? Porque ele defende os pobres... É a MTV do PT.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
EXTRA, EXTRA : GRAVE DENÚNCIA
Finalmente, o governo de Cuba denunciou o Brasil por "Torturar e Violar os Direitos Humanos". Viva a La Revolucion! O secretário de Cuba, El Companero José Dirceu, em visita oficial, de 4 anos, disse que o Brasil não deve tapar o sol com a peneira, depois que se verificou que o sol não é um complô capitalista, apesar de ser um astro que brilha sozinho. "há torturas, há assassinatos e há violações dos direitos humanos no Brasil." - disse Dirceu.
El Companero, um especialista em violação de direitos humanos e tortura, está em sua primeira longa residência no Brasil. Acompanhado de Lula, o ex-operário (40 anos atrás), ex-sindicalista (20 anos atrás) e ex-comunista (8 meses atrás), Dirceu demonstrou ser um profundo conhecedor do tema tortura, propondo diversas medidas para o nosso presidente. Em conversa reservada, Dirceu disse a Lula que as ditas instituições democráticas e independendentes, como o judiciário, são o maior perigo para a democracia, porque toleram a diferença de opinião. E como já é universalmente aceito pelos estudiosos brasileiros, diferença de opinião é reacionário e facista, coisa do século passado.
Enquanto isso, em Cuba, o premier Castro, vai implantando a primeira verdadeira democracia com direitos livres. Após converter dezenas de fiéis, e exterminar os inFideis, digo, negociar com os inFideis, Cuba se tornou o primeiro verdadeiro exemplo de uma sociedade hegemônica e democrática. Hoje, todos os membros do Politburo tem os seus direitos de Torturar os Direitos Humanos garantidos por lei. Com sua proposta de espalhar a (noção de...) Violação dos Direitos Humanos por todo continente, o secretário José Dirceu, já vai exibindo o talento que o consagrou como um dos grandes pensadores cubanos da década. El Companero tem uma trajetória inspiradora, que deve servir de exemplo para todos os políticos que desejam chegar ao poder, e partcipar no processo de democratização das institutições anti-democráticas brasileiras.
Dirceu, árduo defensor dos direitos humanos da FARC, do Fidel e dos guerrilheiros sem Terra (GST), já disse que pretende estender sua visita ao território brasileiro por mais 6 anos, para retribuir o apoio brasileiro pelo processo de democratização cubano. Enquanto isso, ao comentar as diferenças entre o planalto e o judiciário brasileiro, Dirceu disse que todos deveriam se submeter ao tribunal do povo, e que Cuba estaria disposta a ceder alguns membros do Politburo especialistas em ser-do-povo.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
SOBREVIVENCIANDO
Daniel, não atualiza mais o blog? Em termos de opinões distintas, é uma das que ainda me interesso em ler. Colunista de jornal de hoje em dia, me resumo ao Gaspari e ao Krugman, para comentários políticos. O Kristoff do NYT também é uma boa opção, para quem gosta de ouvir estórias sobre como comunidades estão superando as mazelas que encaram. E para uma leitura ideologicamente equilibrada, volta e meia a coluna Op-Ed do NYT tem colunas de pessoas que escrevem bem, e tem algo a dizer, de todos as direções do espectro. O Safire aparece com agulhas aqui e ali.
Para quem gosta de torcida organizada, Veríssimo, Panorama Esportivo e a coluna econômica da Miriam Leitão. Mas, fora o Panorama, não tenho lido muito. O Jabor está precisando trocar o disco. AO que parece, os blogs estão se tornando opções melhores de opinão do que a mídia. Mas mesmo nos blogs, a maioria do pensamento é repetitivo e reciclado, como o do meu blog aqui. Sempre batendo nas mesmas teclinhas. Mas, ao menos, eu rio a beça vendo o mundo acontecer.
Uma coisa que eu aprendi é a ler coisas diferentes do que penso, sem querer ficar respondendo. Isso leva tempo. Mas acho que é muito melhor tentar encontrar o porque de certas idéias, inclusive as suas próprias, do que virar contador de feijão.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
VOLTANDO AO NORMAL (3) ...
Descobri um monte de gente que odeia o Lula por aqui e por aí... Leiam a seção opinião do Globo sobre a escolha Nobel da paz. Será que a LuladeMel já acabou? Ah que nada. Enquanto tiverem fazendo o caixa 2 da CEF do programa de casa própria (isto é, invada seu próprio apartamento), ainda teremos demagogia o suficiente para comprar votos. Porque o fenômeno da inversão ideológica já aconteceu no Brasil.... O que é isso? Ora, as pessoas educadas preferem fingir-se de ignorantes e aceitam a culpa por mazelas sociais, as que não tem acesso a educação acham que as mazelas são consequências da lei, da ordem atuais, que são construídas pelas pessoas educadas. O imediatismo vai se tornando modus vivendi. Enquanto isso, a única promessa do governo Lula que saiu do papel foi trambicar a aposentadoria do meu pai. Não sei por mais quanto tempo ele vai se animar a morar no Brasil, já que poderia ter vindo para cá. Mas tudo bem, como diz um sábio da futura ekipeconômica: "No Brasil quem precisa de engenheiros? Precisamos é de luta contra pobreza, de estudos sobre a pobreza e pesquisa sobre a cultura". Eu acrescentaria: "No Brasil, quem precisa de equipe econômica, ou do PT ou do PMDB, ou do PSDB, ou do PFL, ou do... ? O que precisamos é. etc, etc, etc". Ao menos o FHC me pareceu mais coerente com suas demagogias.
Ainda espero que um dia, carisma e "intelectual binning" não vençam eleições. Sei que é quase impossível. O ser humano parece ter se torando uma máquina de classificar feijão, colocado nos potinhos de cor certa. Coisa que minha vó fazia na Índia uns vinte anos atrás, porque os indianos se alimentam de muitos feijões diferentes, e se você planta o próprio feijão, coloca para secar e tal, e ele se mistura... E quanto aquelas pessoas que imaginam que eu não tenho consciência social, um recadinho: é, vocês estão completamente certos. Especialmente se ter consciência social é (1) ser do contra (2) ser do contra (3) desmantelar qualquer coisa que possa ser ideologicamente diferente de você (4)sofrer comendo caviar. Eu até como caviar, mas não vou fingir que sofro. Eu sofro por ser homem, ser humano, mas aí a coisa é diferente. É coisa de gente que vive.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
VOLTANDO AO NORMAL (2) ...
Depois de terminar um projeto (ufa!), fiquei com o fim do dia livre, e fui ouvir um pouquinho de Bjork. Faz bem. Como não sou de ferro, estou estudando os capítulos de uma matéria que (1) não fui a nenhuma aula do semestre, por estar atulhado com Stat205A, (2) fiz os "homeworks" às cegas, na base do "hmmm, está parecido, vai" e (3) em tese tem a ver com minha área de pesquisa.... Tentando ler, entendo porque não estudei o tal livro. É muito chatinho, e repetitivo. Kirov now !
Estou usando um monte de palavras em inglês só para irritar aquelas pessoas que acham que como brasileiro, escrevendo em português, e amante da pátria, deveria me restringir ao uso das belas palavras da nossa língua. Mas estou seguindo o exemplo globalizado do nosso presidente, que além de fazer discursos entediantes, está usando muitas palavras em espanhol e em vermelho-tosco.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
VOLTANDO AO NORMAL...
Depois de ir assistir ao Ballet de Kirov anteontem, parece que as coisas estão voltando ao normal. A apresentação foi simplesmente sensacional, e valeu até porque comprei um ingresso de última hora, bem baratinho, isso já na porta, e me sentei bem próximo ao palco. Foram três peças, a abstrata Chopiniana, que é uma coleção de temas de Chopin e dança bem clássica, Sherazade, um conto sobre um sultão e sua mulher que trai e Vaga-Lume, um conto russo. Além da técnica espetacular, mostrada nos temas de Chopin, a companhia surpreendeu com figurinos maravilhosos e uma apresentação bem inspirada. Para nós, acostumados com toda sorte de peripécias, ser surpreendido por algo simples, é um grande feito. A melhor prova de que a emoção, a inspiração, e a vontade da alma não se compra com ingressou ou se ganha por diploma ou palavras, mas sim fazendo aquilo que se ama. Eu simplesmente adorei.
Ontem fui a Oktoberfest dos alunos de pós de Berkeley, mas antes disso fui ao Starbucks, e acabei sentando ao lado de uma mesa onde um homem de marketing, ex-Sony, estava fazendo um "pitch" (aka vendendo o seu peixe) para um dos sócios da Mohr-Davidow, uma das grandes firmas de capital de empreendimento americanas. E realmente a situação parecia ter saída de livro. O cara que estava fazendo o pitch, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento de marketing do PlayStation, e estava trabalhando com o Jerry Yang, responsável pelo Transmeta, que conhecia um monte de nomes famosos... A idéia que ele estava vendendo: entretenimento on-demand a partir da sua conexão a cabo. De jogos, passando por compra e venda de produtos e serviços, tudo pela Net, por exemplo. A parte inteligente: é a maneira de vender software na China, onde é impossível vender qualquer coisa numa loja, porque a pirataria é total, e atinge o setor industrial em cheio (que é o foco da maioria das empresas) . Empresas como sega, sony, ms e etc, tem dificuldades de fazer qualquer dinheiro vendendo jogos, etc... Mas sei lá foi meio surreal ver a coisa toda se desenrolando num café, as 10 da manhã.
Oktoberfest: Veggie Brotwurst. Preciso dizer algo mais? Só em Berkeley para termos tanto a famosa salsicha alemã, quanto uma opção vegetariana para a mini-oktoberfest organizada por alunos de pós. Claro que em termos de cerveja não chega nem perto das verdadeiras Oktoberfests das comunidades aalemãs... Mas pera lá... São alunos de pós-graduação ... Rings a bell?
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 10, 2003/
terça-feira, outubro 07, 2003
AOS PESSIMISTAS DE PLANTÃO
Me digam aí, ja existe alguma decisão, envolvendo algo mais que palavras ou documentos - aka action, que vocês acharam que poderia resultar num mundo melhor? Ou só mesmo aquelas coisinhas de papel? Pois é, os grandes vilões da humanidade, incluindo aí os EUA, o Bill Gates, etc, parecem estar contribuindo de forma direta para um mundo melhor, com seus erros e acertos... Alguem se aventura a dar uma explicação?
PS: Um poster que li estampado na vizinhança... "Fight for a cause: Grow Up!".
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
EXTRA! EXTRA!
Bush e Schwarzenneger já assinaram contrato para o Exterminador da Independência IV: O Fim da Razão. Uma espécie de continuação do Independence Day, o filme é aguardado pelo público e pela autocrítica. Para um resumo da trama, 5 estrelas, leia a seguir, mas cuidado, se trata de um spoiler.
Estamos em 2005. Em sua nova missão, o T-4 (codinome Ardolf) se torna governador da California para tentar garantir o futuro da indústria de silício, que constitui a base da sociedade em 2100, onde todos tem corpos perfeitos - devido a redescoberta do anaBol-I-Zante - e cérebros de microchip - bem pequenos para consumir pouca potência.
Depois de defender a Terra(inha) do ataque dos marcianos, o Presidente ouve de seus acessores-sucessores que um novo futuro nasceu na Califórnia, onde um robô republicano, ou melhor, o T-4 (codinome Ardolf) está definindo as bases de uma nova sociedade anabolizada.
O presidente decide então ir a Sacramento, para se encontrar com o T-4. Logo se tornam amigos inseparáveis, porque dentre outras coisas, ambos sabem espanhol. Juntos criam a Superliga Para HomeWorld Security and Trading. Juntos, prometem lutar contra todos insetos que ameaçam o novo mundo, incluíndo alienígenas, ambientalistas e abolicionistas, mesmo que não haja Razão para isto, afinal a luta entre o Bem e o Mao não tem hora nem lugar nem anabolizante.
Logo encontram o primeiro desafio, ao se depararem com as nuvens negras que se espalham sobre o Oriente Médio. Desesperados, o senador do Oriente Médio, Choron, se encontra com os membros do governo terráqueo para pedir a intervenção na região. Sabendo que Han Solo e Luke Skywalker estão na missão de desarmamento da Coréia do Surquizstão, em Marte, o planeta vermelho, Bush e T-4 (codinome Ardolf) decidem tomar conta da situação.
Depois de uma sangrenta batalha no senado, pedindo trilhões de bilhões em recursos para desenvolver uma nova arma secreta de um botão só, nossos heróis concluem que é impossível combater os invasores da maneira convencional. Eles decidem então utilizar os últimos recursos da humanidade: o perfume francês e a máquina do tempo. Armados de Eau de Toillete, Bush e T-4 (Codinome Ardolf) retornam para 1789 em Paris. Decididos, eles sabem a origem do mal da sociedade: a revolta dos locais da época porque não aguentavam mais o fedor da nobreza.Para acabar com o conflito entre homens e homens, Ardolf, no momento da queda da Bastilha, diz "Hasta la shower, baby. No shower? Paaarrffffummmeeee". Bush, propõe a todos os revoltados um corte no imposto da corte real, mantendo seu amigo Luis Inácio Socialista da Silva no poder e garantido a paz do futuro com o fim dos ideais de liberdade, igualdade, e banho.
Retornando para 2005, nossos heróis agora se deparam com uma rebelião dos escravos alienígenas e planetas do terceiro mundo, onde um novo líder demagogo se instaura com a promessa de acabar com o império, e trazer de volta todos os Fidéis e fiéis. T-4 sabe o que deve ser feito, pois ele teve acesso aos documentos confidenciais da Casa Branca do futuro. Ele propõe ao ex-presidente e agora líder do Império das Repúblicas Independentes, retornar para 2000 e resolver a grande charada. Chegando a um palanque em 2000, eles encontram dois candidatos debatendo. Um candidato se apresenta como o criador da iternet e o outro pergunta o que é internet. Neste momento T-4 entrega o estopim francês trazido de 1789 (e que não é detectável pelos modernos sistemas de segurança de 2000) e diz para o superherói Bush: "You HAAAAVEE Two BALLLETS TO DEFINEEE A BETTERRR FUTURRREE"...
No fim, em off, vemos o T4 viajando pelo tempo e exterminando todos os elementos auxiliares do Mao, incluindo senadores, deputados, governadores, presidentes e outros políticos acessores do Hipocrita (fílosofo grego que originou o Mao), promovendo um mundo melhor de gel e silicone. Numa confraternização, o T-4 (Codinonme Ardolf), Han Solo, Luke Skywalker, a gostosa princesa Léa e a mais gostosa ainda Luana Piovani, os membros do Fight Club, o Rodrigo Santoro, os dois MIB, o Saci Pererê, um membro do sindicato dos bancários e da CUT, o Ronaldinho, o Luxemburgo, o Schumacher, o desconhecido corajoso francês (inventor do perfume), e a Carla Perez brindam para um futuro melhor.
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
AVE CASTRO 2
Na teoria da "certitude total" o AHHHHNOLD é uma espécie de compensação para um estado onde a maioria das coisas deram certo... Acreditem o tal austríaco vai gerir uma economia maior do que a do Brasil e que a França... Hmmm, ou talvez não. Quem sabe, agora com um francezinho no poder (pois é, o Ahhnold fala francês), as coisas não ficam melhor por aqui.
Já estou me preparando para trabalhar um dia a menos por semana...
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
AVE CASTRO
Não, antes que achem que se tratava daquilo, é para tratar disso. Já notaram como o frango está entrando na moda? Por aqui só vejo o pessoal pedindo frango disso e frango daquilo. O bife, ao que parece, está sendo relegado ao segundo plano. Eu acho que é por motivos de saúde para a maioria das pessoas. Ou melhor, por motivos de ESSSSTILLLLOOOO. Porque, me diz aí, quem é que (fora o LEM) ainda consegue pedir um bifezinho sem aquele sentimento de culpa e olhares estarrecidos?
Isso ilustra a minha teoria de que bem ou mal, as coisas vão mudando para melhor (neste caso para o mais saudável, mesmo indo contra todos amantes de bife, aceitem é menos saudável... Eu sou amante de chocolate, e sei das consequências). Então talvez, o universo seja um complô, onde na verdade as coisas que dão errado são feitas para no fim "o bojo maior" dar certo. Ou seja, você imagina uma sequência de coisas dando certo, para culminar em um clímax de "certitude total"... Ao invés disso, a maioria dá errado, para que você não precise de uma sequência exata ... Assim você chega com robustez a "certitude total". Que viagem... Só espero que a "certitude total" esteja num horizonte próximo...
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
SÓ PARA OS ÍNTIMOS
Eu tenho uma perguntinha para o senhor Choron: pois é, se você acha que os outros são terroristas, porque anda agindo como um? A verdade é que se Israel começar a se comportar como o Hamas fazendo a velha idéia do olho por olho, então fica difícil distingüir entre os dois agentes políticos. Isso apesar de Israel ser uma democracia, em que a maioria da população não quer o olho por olho... O que é compreensível, dado o alto nível de educação da maioria da população (aka nós temos um futuro melhor). Ainda me espanta que o Choron faça o que quer ... Não, não me espanta. Na verdade a arena política virou palco para interesses próprios, sem nem mesmo aquela cara de pau de fazer alguma coisa pelo país.
Que o diga Fidelius.
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
OU NÃO
Adolf Schwarzenneger pode não ser eleito e vou ficar aturando mais uns 8 meses de confusão, com cartões perfurados. Mas ainda acho isso melhor do que Adolf ser eleito e ficar aturando 2 anos de austrianês: "I WELLL QWELLL THE DEFICIT and WHATA BOOBS!". Mas isso é um pouco melhor do que aturar dois anos de amizades hipócritas. Que o diga o Pill Blimpton.
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
T-1
Eu preferia a T-3... Sim, o Schwazenada vai ser eleito aqui... Incrível. Parece Alice no país de Hollywood... Denorex.
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
ESTÁ ESCRITO, ESTÁ DITO
Para quem usa e abusa o direito dos outros, a maior maldição: the curse of no self... Porque quando se perde o caráter, se joga o pouco que vale a pena no lixo. Cuidado, quem sabe, isso pode ser mais umas 245 vidas como cachorrinho do Latino. Au, au.
nóia do Ram em terça-feira, outubro 07, 2003/
segunda-feira, outubro 06, 2003
DE UM POETA LOCAL
O preço de sinceridade e inocência: solidão.
nóia do Ram em segunda-feira, outubro 06, 2003/
domingo, outubro 05, 2003
COMPREENSÃO
Tem gente que ainda não entendeu que lealdade não é mercadoria. Que honestidade não é fraqueza. Que carinho não é propaganda. São coisas dispendiosas e preciosas. E para quem não entendeu isso, eu me reservo ao direito de proibir a exportação. Só para quem não sacou ainda, estas coisas são ouro pra mim.
Gente e mais gente e mais gente.
nóia do Ram em domingo, outubro 05, 2003/
ONDE ESTÁ O PODER DE REAÇÃO?
Será que a sociedade está sedada? Onde está o poder de reação? Será que estamos todos aceitando tudo a nossa volta, como falsos Budas, satisfeitos com o inevitável? Isso não é liberação, é sim acomodação. Onde foram todos os apócrifos de um mundo melhor? Os mesmos que se calam com os absurdos carnais, sexuais e materiais de uma sociedade sob efeito de morfina... Os ideais se calam diante de pessoas que se calam. Não existem, nunca existiram idealistas. Existem, e sempre existiram, pessoas que agem em função de ideais. E onde foram os ideais?
Será que o homem se satisfaz em ser um resumo do estado corrente das coisas? Hipocrisia virou modus operandi. Hipocrisia em diversos níveis e sabores. Não, não é só na política. Hipocrisia social. Hipocrisia pessoal. Será que viver estará se tornando somente um processo de categorização, de "fitting-in"? De ajuste e aceitação para uma liberdade forjada? De um lado, as misérias econômicas de um mundo meio surtado. Do outro, o mais perigoso, a miséria da ação. Inatividade não é sinônimo de auto-realização. Não é resposta. Pode ser fuga. Mas será que fugir é mecanismo?
Notícias de jornal fragmentadas. Jogador de futebol sem time. Políticos interesseiros. Intelectuais meliantes. Falso liberalismo. Conservadorismo atrasado, arcaico. Será libertinagem, a resposta da sociedade para o desejo por liberdade? Comentário político não é resposta. Revolta, revolta não tem em si o germe da manifestação. Revolta é resposta desmedida, sem futuro. Mas ao menos é resposta. Viver em função de hipocrisias, certamente não é revolta, nem resposta, nem vida.
Como vocês aceitam desmantelar o que somos? Onde foi o senso de humanismo verdadeiro. Humanismo não é poder comer alguém no fim de festa, ou beber a vontade e votar no dia seguinte. Ou dizer palavras e palavras e palavras, e depois pedir desculpas por palavras mal-ditas. Humanismo é essência de ser. É encarar tudo de frente. É rebeldia, rebelião, mas não em piercing, em roupa, em riqueza ou pobreza, em raiva ou protesto. Humanismo é ser maior que o presente, menor que o futuro. Humanismo é ainda poder sonhar, sem estar amarrado ao hoje. É simplesmente ser humano. Não é ser máquina, gente, política, sentimento, momento, prazer, intelectualéia, jogador de futebol. Isso tudo é causal. É efeito-causa...
Enquanto isso, cadê aqueles que aceitam verdades acima de suas próprias fraquezas? Pois sim, acreditar em coisas que são ideais utópicos até para si próprio é proibido... Aceitar que existe grandeza, atrasado. Aceitar que existe um ser, um estar, um poder, um continuar sendo e estando assim mesmo, mesmo que a verdade doa. Impossível. Porque hoje, o viver é amarrado a mesquinhez de ser, mas ser só agora, só neste exato minuto. No minuto seguinte o minuto anterior é doloroso. É passado, portanto esquecido.
Nunca mais vejo aquele tipo de gente que faz o que diz. Vejo aqui e ali. Mas costumam ser exonerados do nosso presente. Basta refletir em quando foi a última vez que cada um acreditou em algo que já não fizemos? Dor e prazer, são estados espirituais de ser. É sair da morfina. Mas dor e prazer, não instantâneos, não fotográficos, mas rios, contínuos e volumosos, só quando aceitamos dor e prazer. Enquanto isso, todos se enganam por aí. E acham que isso não afeta os outros. Mentira. Isso corrói a liberdade de todos. Ninguém é livre, ou quer ser livre, quando o preço da liberdade é ter que mudar a si próprio, é ter que se encarar de frente.
Enquanto nos escondemos atrás de armários de madeira podre, a sociedade fica sem caráter. Porque sociedade não é uma coleção de indivíduos. Esse foi o peixe vendido para exonerar a responsabilidade de existir, de escolhas ideológicas. Sociedade é uma coleção de ideologias pessoais. Sociedade não é só carne. É uma coleção de sentimentos, de causalidades, de consequências. Responsabilidade social não é morfina de classe média. Não é sentir pena de pobre, e culpa por riqueza. Estas coisas são fáceis. Responsabilidade é acordar de manhã, se olhar no espelho, respirar fundo e se perguntar, porque faço o que faço? Onde estão meus direitos e deveres? Quem eu sou? O que quero ser? Porque quero ser? Porque sou?
Responsabilidade social é responder o porque da alma. É deixar a hipocrisia e a morfina de lado por um minuto. Enquanto se anestesia a dor, o tempo passa. Será que viver está se resumindo a sedativos? Mentiras televisivas. Ordenamentos sociais, de grandes e pequenos grupos. Quem vive em grupo, time, classe, credo, cor, está terminado como pessoa. Quem esquece credo, cor, time,classe, não quer ter noção da sua realidade.
Não é a droga que mata. É a ignorância. Ideologia é mercadoria de feira política. Mas ideologia é a lógica das idéias pessoais. É decidir os caminhos que iremos tomar, sem medo de estar certo ou errado, mas refletindo sobre as decisões. Comportamento animal não é justificativa para não refletir. Escolhas são difíceis. O peso de ser esmaga o ego. Mas ainda assim, assim, somente assim é que se é. Ser ambivalente, ajustável, aceitável, inserido, agradável, acomodado, é pior do que o peso de ser. Porque esmaga a alma.
Cade aqueles que ainda acreditam em virtudes? Cade aqueles que preferem ideais verdadeiros, não auto-motivados? Estamos todos sedados.. Será?
Onde está o poder de reação?
O poder de reação está em cada um. A palavra sacrifício, descartada do dicionário, não é sacrificar coisas materiais por bem estar social. Não é sacrificar um pouco do hoje por um pouco mais do amanhã. Mas é sacrificar o ego para compreender quem somos. É sacrificar o instantâneo, para o que dura para sempre. É sacrificar os medos para ser verdadeiro. É sacrificar a hipocrisia, para aceitar encarar o estado de coisas. Fugir não é sacrifício, é desgaste burocrático. Então, cade o poder de reação? É melhor encontrarmos logo, antes que não haja mais tempo e beleza para distinguir entre mentiras e verdades...
nóia do Ram em domingo, outubro 05, 2003/
sábado, outubro 04, 2003
AJUDEM ESTE ALUNO
EM nome da Honoris Causa Nobris Vivis, por favor contribuam enviando sugestões de projeto para uma aula cuja denominação é Machine Learning ... Até queria perguntar ao professor, mas se é Machine Learning, porque preciso aprender?
nóia do Ram em sábado, outubro 04, 2003/
ENQUANTO ISSO NAVEGAM
Enquanto isso, as barcas navegam. Ando estudando com um amigo fascinado por orientais. Pelas orientais. Então até que fica uma coisa legal. Essa coisa de compatibilidade de mercado. Uma espécie de Alca transnacional na apreciação de lindinhas berklianas. O mais incrível é que como ele gosta de Proabilidade, no meio do projeto de apreciação, vou aprendendo de álgebras de Lie, de eventos certos e coisas assim.
Mas porque estou falando disso? Ora, porque as seguintes teorias emergiram de profundas discussoes filosoficas a respeito.
Teorema 1: (O predestino delas) Toda lindinha esta ira conhecer voce, se voce nao se mexer.
Prova: Se a vida e uma caminhada aleatoria, com altos e baixos, entao, prova-se pela convergencia de um processo de Markov, que qualquer posicao espacial e visitada infinitas vezes.
Teorema 2: (A ruina da paixao) Se voce aposta que ira conquistar aquela lindinha, entao sera arruinado.
Prova: Dado que ela tem probabilidade de gostar de voce de 50%, como o custo de investimento dela e zero, no longo prazo a situacao e exatemente a do Gamblers Ruin, onde um apostador aposta contra uma banca (que tem muito mais grana). E, e provado que ele esta arruinado.
Teorema 3: (Lei Zero-Um) Sempre vale a pena tentar um papo com as próximas lindinhas. Ou você definitivamente se dá bem, ou nunca ira se dar bem.
Prova: A famosa Lei Zero-Um do Kolmogorov diz que em todos eventos do futuro, excluindo o passado, a probabilidade de um deles ocorrer é ou zero ou um. CQD.
Teorema 4: (Convergência Uniforme) A beleza converge uniformemente para a média.
Prova: Cada pessoa é bonita independente das outras no mesmo espaço amostral. Assim, a soma de variáveis independentes converge para a média. CQD.
E finalmente o Teorema 5.
Teorema 5: (Probabilidade de Eventos Raros) Para toda lindinha, uma delas tem no seu destino ficar com você.
Prova: É óbvio a partir da definição e usando a estimativa de probabilidade de eventos raros para caudas gordas.
Para elas, não tomem como insulto. SImplesmente substituam lindinhas por lindinhos e os teoremas valem sem perda de generalidade.
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