Uma voz a mais, a menos.
Na hora de procurar a bio:
Ram Rajagopal
Ler e Ouvir
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quarta-feira, junho 25, 2003
MATROES E MATRONAS
Vou ser forçado a desaparecer de amanhã ate o dia 7. Porque? Pois bem, estarei na Floresta Amazônica. Isso mesmo. Não, não é Niterói. Não, não é Zona Franca. Estarei disponível neste hotel aqui. Antes que vocês cheguem a conclusão que enlouqueci completamente, um amigo me ofereceu 9 dias de graça no hotel, incluindo todas refeições cozinhadas por 3 cozinheiros de Bombaim, tudo por conta de um encontro que ele está organizando. E de graça, até injeção na testa, ou quase. Ah sim, e o encontro é para uma apresentação ao vivo do Ramayana por um dos grandes contadores de estórias indiano.
Assim, minha rota é a seguinte, para os caçadores de autógrafos: SF-SP-Manaus-Rio-LA-SF. Ou seja, não repito nenhuma cidade mais de uma vez. E para os meus compatriotas gomenses e as lindinhas do Rio, estarei por aí no dia 7, caso sobreviva a floresta selvagem. Do dia 7-14 estarei passando novas resoluções e leis para a República da Big Gomes, e depois volto para administração a distância. O retorno para o Rio, para a minha estadia habitual está prevista para 22 de Dezembro. Bom, mãos a obra, que ainda tenho que ir para uma palestra, e entregar dois projetos !
nóia do Ram em quarta-feira, junho 25, 2003/
terça-feira, junho 24, 2003
ECA
Pois é, eca. Infelizmente estes meus posts estão muito pegajosos. Mas tudo bem. Estas coisas ficam melhor quando saem da cabeça. Preciso de mais espaço para incluir mais informações Markovianaasss.
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
ELE
Plácido e sério. Coisa de irmão de 3 anos. Não mexam com ele.
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
ELA
De novo, ela era linda. Descontraída, risonha, inocente. Toca tudo como quem está tocando pela primeira vez. Sensível. Gosta do meu casaco verde. Como não se apaixonar por uma lindinha assim? Nome de deusa, Mila. Pena que estava com a mãe, e seja de umas duas gerações depois da minha. Mas é impossível não se apaixonar por esta lindinha de 8 meses. E ainda fica batendo a colher no copo quando falamos palavras em português. Viu só, amor pela nossa língua brasilis é coisa que se começa cedo, até em crianças da europa oriental.
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
ESTUDAR EM CAFÉS
Tudo bem. Tem sua vantagem. Depois de passar 9 horas enfurnado na biblioteca com ear plugs, e silêncio avassalador (você começa ouvir a própria respiração por causa do plug), o cérebro só relaxa mesmo tomando um café latte (aka café com leite para mineiro unhip ou uncool). No café é possível resolver exercícios ou ficar discutindo idéias. Pois saibam que foi no Strada que se resolveu a proposição de Tanayama-Shimura, essencialmente provando a veracidade do último teorema de Fermat.
Será que eu vou ter um último teorema com o meu nome? Conjectura: não. Só faço mesmo questão de prédios e ruas com o meu nome. Quero estar naquele catálogo da Riotur com a explicação dos nomes de ruas.
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
RETORNANDO AO ASSUNTO PREDILETO
My baby is here ! Woo-hooo. Adoro meu carrinho. Que coisa patética. Agora que estou de carro, estou descobrindo cafés em locais mais remotos. A começar pelo Roma Café na College e Ashby, aqui em Berkeley. Apareçam lá depois das 8 da noite, em qualquer dia da semana. O local estará cheio. Point berkliano. E sim, ninguém vai lá exatamente para estudar. Quem quer estudar, como eu, vai para a biblioteca e ainda coloca plug de ouvido.
Vão lá para que? Bater papo, olhar pessoas, se sentir cool, se sentir hip, e vadiar sem pensar que está se vadiando. Tudo bem, as lindinhas do local (availability dependent on day of the week) são sempre uma fonte de inspiração. E como o café está cheio você vai ser forçado a dividir mesa com alguém. Então, sendo astuto, pode sentar com o seu laptop ali ao lado da tomada, e de frente para a loirinha que está buscando informações sobre Burma.
E antes que digam que eu só falo nestas coisas, eu fui para lá com um amigo, e ficamos na discussão de se a Pseudo Dimensão da classe de funções F pode ser modificada pela composição com uma função bijetiva g. Inspirado, eu rascunhei uma prova. Depois, com ear plug, descobri estar errada. Agora corrigi. O witness vector estava errado... Isso que dá ficar witnessing inspiration...
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
MUDANDO DE ASSUNTO
Cozinhei após longo prazo de reclusão culinária. Estrogonofe de Palmito e Mussarela de Bufala, frango ao manjericão empanado, batatas ao curry e arroz ao alho poró. Para sobremesa pavê. Ah sim, antes que digam que deixei de ser vegetariano, o frango foi para meus amigos que passaram para jantar por aqui. Modéstia a parte, não sobrou nada. Mandando a modéstia para o espaço, acho que sou um bom cozinheiro. Deve ter a ver com ser auto-reflexivo. Quem reflete sobre si mesmo e os outros, acaba cozinhando bem. Sabe, pensar dá fome. Até mesmo quando só se pensa besteira.
Truquezinho: para fazer batatas ao curry, prato especialíssimo, e que cai bem com pãozinho e hummus (aquele molho árabe) é rapidinho. Cozinhe as batatas com casca, e descasque quando elas estiverem quentes, deixando a água fria escorrer por cima. Depois acrescente os condimentos numa frigideira (alho, curry, cuminho, cebola, sementes de mostarda e mais tarde cilantro, limão, e tomates) junto com óleo de azeite. Deixe tudo dourar, com bastante especiarias e junte a batata. Sal, só no fim. Se você fez a quantidade certa de condimento, a batata fica amarelinha e com uma camada de especiaria. Uma delícia. Melhor ainda no dia seguinte depois dos condimentos serem absorvidos pela batata.
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
PLENA CONSCIÊNCIA
Este fim de semana foi de plena consciência. Estudar, estudar, estudar, e para descansar um pouco de programação. Pois é, estou me esmerando para desenvolver o sistema de leilões para o Kazaa. Irgh. Eu sou um porco capitalista. Talvez. Mas tenho bom coração. Não vou ganhar dinheiro com a idéia.
Se você não gosta de leilões, mude de idéia rapidinho. Sabia que o formato de leilão de envelope fechado onde o vencedor paga o segundo maior preço oferecido necessariamente força a todos os partcipantes a revelarem seus preços verdadeiros (ou seja o preço que você realmente deseja pagar pelo produto)? Esta forma de leilão, conhecida por Vickrey Auction (ou VCG, e o criador ganhou um Nobel por isso), é reveladora da verdade (truth revealing) e maximiza o bem estar social (social welfare).
Então, agora, está claro: quando você encontrar aquele amor da sua vida, e aquela outra pessoa que é somente legal e você gosta como amigo (a), fique com o amor da sua vida mas só ofereca o amor que você sente pelo amigo (a). Social Welfare. Social Welfare.
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
ANIMATRIX
Animatrix is the vector. Sim, querem me ajudar com isto? Se não quiserem, saibam que cada um tem que preparar questões no material para todo domingo. Para encher o saco de vocês, esta foi uma das questões que eu preparei:
Bruce Lee decides to take a break from fighting high profile Hong Kong criminals, and goes to have noodles at his mom’s. To practice his concentration and finger dexterity he always performs the following ritual before starting to eat: he closes his eyes and picks two ends of any strand in the bowl and ties them together. He is careful not to pick ends that are already tied together. Once he is done tying all ends, he counts the number of loops formed. His mom is a good cook *. Calculate the expected number of loops in Bruce Lee’s bowl. Make any necessary assumptions.
You are the one, Neo... Count the Noodles Morpheus !
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
MATEODEIXEO
Pois é, sempre me emociono ao ler notícias como esta:
Meu rei (Ancelmo Gois, O Globo)
O ministro Gilberto Gil, de visita ontem à PUC do Rio, ouviu de alunos queixas contra a acústica do auditório.
Aí, Gil, que é boa-praça, pegou a rapaziada pela mão, levou ao reitor e, baianamente, disse: “Faz aí a acústica dos meninos que eu venho fazer um show de graça.”
O Brasil vai ser um país melhor ainda quando o ministro da cultura se oferecer para fazer um show em troca de compra de livros para as bibliotecas de escolas e universidades... Ou até com um pouco menos de generosidade, quando o mesmo amor que se tem por música se espalhe por outras formas de conhecimento.
nóia do Ram em terça-feira, junho 24, 2003/
domingo, junho 22, 2003
COMEMORATIVAS
Feliz aniversário Lalá!
nóia do Ram em domingo, junho 22, 2003/
sábado, junho 21, 2003
E ANTES QUE EU ME ESQUEÇA
Sim, antes que eu me esqueça, vou lá me divertir um pouco.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
INCONSISTÊNCIAS
O bolo saiu inconsistente. Aparentemente vai ser jogado no lixo. Que chato. Pena que isso não acontece no plano político-ideológico. Acho que deveríamos todos passar um tempo maior fazendo culinária. Ensina muita coisa.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
CUSTO DE ATENÇÃO
Isso mesmo. Infelizmente, para eu prestar atenção é porque você se esforçou muito. Não para mim não, porque ainda não sou onipotente, apesar de quase lá. Mas para a vida. Para viver. Para respirar, caminhar. Para pensar, e existir. Sim, são todos que se esforçam. É verdade. Só que a ferida de uns é mais clara, mais profunda, porque não aprenderam a voar direito quando nasceram. Então, presta atenção rapaz!
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
FALTA DE ATENÇÃO
Tá, tudo bem que sentimentos costumam ser piegas quando expressos. Mas não é razão para embarreirar. Ou é? Eu ainda não aprendi como é que se faz para colocar uns vidros fumês nas janelas do meu corpo. Eu acho que é porque gosto de ser assim mesmo do jeito que sou. Exposto. Fazer o quê?
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
AUSÊNCIAS
Estou sentindo falta de ter desejos. Acabei de ler que se você quer mesmo entender a verdade, vai ter que deixar que seus desejos naturalmente desapareçam das suas vistas. As vezes acho que é porque já tentei de tudo um pouco. Nada melhor para acabar com desejo do que ir atrás deles. Se bem que, se bem que, desejo agora uma coisa: que todo mundo ficasse quieto uns 37 minutos. Meu vizinho aqui de cima está que está. Deve ser estafante trabalhar na CIA.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
VEROSSIMILHANÇA
Ainda bem que tudo é verossímil. Até as coisas que me cercam, porque as vezes, muitas vezes, eu não sou. Acredite no intangível. Acredite nisso, naquilo. A presença. O fluxo. O que vai além do sentido. O que vai além da emoção. O que vai além da verdade. Isso, além do microcosmo da alma. Como, se o que sou está dentro de mim? Se o que doí é não ser assim como se diz, menos crente. É melhor ser pastor de uma ovelha, do que cordeiro num rebanho. É melhor ser a ovelha só. Ovelha com olhos de tigre, se possível. E já que é para pensar sobre coisas verossimeis, pode acrescentar ai, correr como um Jaguar. 2003.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
SAZONALIDADE
Olha, tudo bem, é tudo sazonal. Uns tempos está em alta, outros em baixa. Mas nem por isso, nem por isso é de graça.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
SENSIBILIDADE
A válvula de escape é deixar a sensibilidade impressa em outros lugares da vida, longe dos olhos dos outros, e próximo ao coração do universo. Ele sim, te entende.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
DEDICATÓRIAS
Um amigo meu ficou chateado porque acabou errando na dedicatória de um livro da Virginia Woolf (To The Lighthouse, que segundo ele é o primeiro clássico dela a ser lido) que queria dar de presente. Pois não. Mas será que a dedicatória é passível de erros? Pois algumas coisas que já vi acontecendo:
* Mr. J., que vou omitir o nome para não pegar mal, compra o livro no sebo. Abre a capa para escrever a dedicatória, mas já tem uma esperando por ele lá. Não se faz de rogado, risca o nome, e escreve J. ao lado. Quando a presenteada se manifesta, uns dois meses depois, para vocês verem a atenção dispensada a dedicatória, ele diz: foi o fluxo do universo que trouxe o livro perfeito. Veja você a dedicatória fez todo sentido... E sim, a dedicatória começava querida jovenzinha...
*Mr. R. está sem imaginação para fazer uma dedicatória e decide seguir o conselho intuitivo aprendido em EE226A, que diz que num grande número de visitas, uma cadeia de Markov acaba convergindo para um estado estacionário. Pois então, abre um livro aleatoriamente na livraria, escolhe uma frase, não está boa, a seguinte, e mais a seguinte, e a cadeia de Markov converge. Vira dedicatória. Assim olha, "Some people like to say that when one exerts a torque on a gyroscope, it turns and it precesses, and that the torque produces the precession. It is very strange that when one suddenly lets go of a gyroscope, it does not fall under the action of gravity, but moves sideways instead! I say, Happy birthday ! "
*Miss M. não sabe o que escrever como dedicatoria para o rapaz S. Claro, o rapaz S. interessa a ela. Alguém (s), Mr. J. e Mr. R., sugere que a dedicatória seja "Para ouvir sua dedicatória, disque xxx-xxxxx". E o pior, ela faz. E o melhor, o rapaz S. altamente impressionável, estava agora a pouco tentando empurrar uma dedicatória assim para uma rapariga desconhecida em um café daqui.
*Mr. R. esquece de colocar a dedicatória no livro. Mr. C. ganha o livro. Não há dedicatória. Mas, por coincidência do destino, a dedicatória do autor do livro é "To Laurie and C.". Sem se fazer de rogado, Mr R. comenta: poxa nem coloquei dedicatória... Ia só manchar a obra do autor ...
*Mr. P. erra na dedicatória. Não lembra da citação. Inventa uma e atribuí a "comentário anônimo sobre xxxxx". E na cara de pau, coloca o número 1935 entre parênteses.
*Mr F., de saco cheio por absoluta falta de imaginação para escrever tal dedicatória, se levanta e diz: só faço dedicatória na minha lápide! Nisso, Mr. P. que tem olho vivo responde: Ah sim, bem que você estava meio pálido.
*Finalmente, Mr. R. se depara no sebo com a seguinte dedicatória: "To myself. Happy birthday. If you were a girl I would be in love. Love you anyway". Infelizmente o livro era caro, mas valia pela dedicatória. Ainda se encontra na sessão de filosofia da Moe's.
O que comprova que dedicatória não tem erro. Mas, caso você erre, pense o seguinte, não há maneira melhor de se lembrar de alguém que escolher um livro que você acha que ela gostaria de ler... Este tipo de intimidade é a maior dedicatória. E a dedicatória em si, assim como o gol, é um mero detalhe.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
PODEM DIZER QUE EU NÃO FALEI
Eu não falei. O Lula está se divertindo com Big Bush. É isso aí companheiros. No fim das contas, os seres humanos sempre se reduzem a homo sapiens.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
AGENTE LARANJA?
Hoje na rua me dei conta, tentando formular o problema de como criar um sistema justo de utilização para o Kazaa, que no fim das contas vai transformar tudo em coisa comercial (não, horrível, sou um monstro, ainda bem que não deverá ser adotado. Mas alguém vai inventar algo que vai), que as coisas andam muito laranja em Berkeley. Cones laranjas. Frutas laranjas. Cabelos laranja. Carros laranja. Marcador laranja. Flores laranjas. E pasmem, adivinhem a cor da série de exercícios para preparação para o meu exame em Agosto? Argh, não é vermelho...
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
ENQUANTO ISSO
Enquanto eu perdia tempo sentindo, o mundo continou sendo. Sendo oferecido, entregue, generoso e fiel. Ao mesmo tempo, cruel e ríspido. Mas tudo bem. Enquanto eu continuar tendo a sorte de comprar um saco de laranjas em algum canto de uma rua empoeirada de Oakland, e acabar viciado no suco doce desta pequena surpresa, ainda acho que tenho algum jeito. Pois é, estou a taxa de umas 4 laranjas por dia. Minha dieta.
nóia do Ram em sábado, junho 21, 2003/
quarta-feira, junho 18, 2003
LA DAMNATION DE FAUST
Saindo de BART, noite fria. Menina de olhos bonitos no trem, chorando. Esqueci meu isqueiro. Não fumo. Não tenho isqueiro. Gostaria de ter, para justificar o meu nervoso movimento da mão buscando algo que não existe no bolso interno do casaco. Pensei em lhe oferecer algo, talvez o Fausto. Não, o Fausto era para mim. Pensei em cantar várias músicas. Cantei algumas. BART é lugar bom para ser cantor ruim. O ruído do trem abafa qualquer som. E a maioria das pessoas está usando um walkman. Ainda assim, já vieram me perguntar o que estava cantando, ou me insultar por estar cantando. Ela não se deu conta. Simplesmente desceu em Oakland, talvez para esperar pelo Fausto.
Saindo do BART, luzes iluminando prédios gregos. Ainda fazem prédios gregos porque achamos que estamos vivendo um romance grego, com ideais míticos. Meu cupom do BART não funcionou. Gosto de acreditar em coincidências de vez em quando, por isso não tomei isto como pretexto para abandonar o Fausto. Escapei, sai, corri, entrei, titubiei, e encontrei.
***
Encontrei a casa de ópera. Saltos altos. Gente bem vestida. Eu e meu casaco de couro, sapatos até novos, camisa e calça sociais, nos sentimos deslocados, externos, observadores de uma realidade que era uma fantasia de poucos. Fausto observava de fora os camponeses cantando na neve. A vida é cruel com quem observa diz o seu olhar. Porque quem observa não partcipa, ou será que não? Mulheres bonitas, charmosas. Cordiais, sorrindo, comendo apertivos e não mastigando salgados. Homens distintos, quase imponentes. Decisivos. Definitivamente, o espírito do mármore vermelho refletindo castiçais dourados, exagerados em qualquer lugar menos em uma casa grega, refletia nos olhos destas pessoas.
Fausto desejava ser parte. Ele queria ser alguém que participa e não quem observa. "Let the poison relieve me or enlighten me!". E então, olhares atentos, ohhs, ahhhs, palmas, e Fausto encontra o paraíso: "What pure delight it was to wander in the meadows in the sunlight". O paraíso não lhe basta. A fé tem que ser roubada. Testada. Assim é a emoção de Fausto. Como em toda grande peça, o maior vilão é sempre o melhor ator, ou o contrário como preferirem. Não poderia ser diferente aqui. E ele, o demônio, devil, Lúcifer, inferno, "the infernal guide to guide me now", tenta Fausto.
As tentações são apresentadas uma a uma num palco diferente, onde cantores líricos cercam a moldura do palco, assim como sempre a nossa vida é lembrada somente com boas molduras. A primeira tentação é abandonar todos príncipios, e se entregar a esbórnia. Para Fausto, o lirismo das vozes dos tenores da esbórnia, é somente cru. "Crude, its crude.". "So Faust, does not suit your taste?". E então, todos aplaudem. Uma mulher mais velha ri com sorriso maquiavélico. Todos riem. Há sempre a última tentação, achar que estamos imunes ao que consideramos ser imundo. As roupas e gestos, uma fantasia. Talvez haja lugar na fantasia para a pureza e inocência de Margherite. Mas ainda não é ela.
E sim, ele, o guia infernal que apresenta a tentação natural, o amor e a carne. Amor carnal. O palco se transforma numa orgia. Corpos nus, se movimentando pelo palco, vozes se degladiando. É lírico. As variações amorosas, as posíções inusitadas, e assim mesmo cru, é lírico. Talvez por isso a nudez dos anjos é perdoada: eles cantam. Ninguém ali se dá conta da nudez. Talvez o velho a minha frente sim. Olhar fixo nos binóculos. Todos riem mais. É engraçado, apresentado como é, o sexo, uma orgia, é simplesmente engraçada. É uma ação qualquer. Como fazer polichinelo. Uma orgia é como marchar num quartel. O tudo é permitido é tão sufocante quanto o nada é permitido. O prazer de Fausto reside na antecipação. Não no momento. E ele descobre o amor viriginal. Todos se silenciam.
O amor virgem. Pureza. Parece pureza. Mas é Lúcifer quem traz o amor. Uma amarra. E conquista Fausto. Fausto comete seu pecado. A bela Margherite espera por ele. A filha de um velho senhor chora uma lágrima. Um rapaz ri no minuto seguinte. Para Lúcifer somos todos fracos e inconsistentes. Por isso merecemos ele. Amamos ele. E Margherite morreria num recanto escuro abandonada na prisão do seu amor passional. Mas então vem o espírito de Fausto. Ele finalmente, se entrega. Vende sua alma. Uma senhora do meu lado vira o rosto. O olhar demonstra complacência. Sim, pois vender a alma ao demônio é justificado pelo amor. Porque não? Será a tal incoerência do homem? Amor pode ser pureza, pode ser egoismo. É sentimento sem forma diz Fausto.
Mas ele não vende sua alma por amor. A erupção lírica, os sons ressoando em meus ouvidos deixam claros o sentimento. Ele se vende por orgulho. Não poderia conviver com a consequência dos seus atos. De ter usado a paixão da carne. É o ego. O ego, aquele lugar que o homem sempre perde seu pudor. Aceitar o fluxo e aceitar ser observador dói. Participar, participar, participar. E esta foi la damnation de Faust. Nunca Margherite, nem Lúcifer, nem o cru, nem a carne, nem o pudor, nem a iluminação, nem o pecado, nem Deus, nem homem. Si mesmo. Sua existência. Sua necessidade da alma de consumir a si próprio: ego, consciência, o que for o nome. Um rapaz jovem, com sua jaqueta parece se dar conta disso. Se levanta, ajusta sua jaqueta e parece contente em abandonar o olhar carnal para a menina a minha frente. Sua acompanhante, também entende a mensagem. Estamos todos na mão dele.
Volto no BART. Noite fria. Gotas de chuvisco. Sento na cadeira do trem. E o ciclo se completa. Algo me ocorre. Lembram da garota chorando? Quase vendi minha alma, se é que já não fiz antes. Porque? Minha consciência. Eu fui Fausto. De observador, quis ser participante. As vezes, é melhor aceitar o fluxo do universo. E agora, entendo a lágrima dela, e a música que fiquei cantando. Entendo além da carne, além dos sentidos instintivos. "Eu vivia isolado do mundo..."
nóia do Ram em quarta-feira, junho 18, 2003/
ÓPERA
Ontem ganhei um ingresso para ir assistir a Fausto, de Berlioz, na ópera de São Francisco. Foi maravilhoso. A última ópera que assisti foi a montagem de Carmina Burana na praia do Rio de Janeiro. Já devem fazer uns 8 anos. Ópera não é arte que agrada a todos. Com certeza agrada a mim, até porque o exagero cômico e drámatico desta arte se casa bem com a minha personalidade. Então gostei de ir a ópera, tanto pela experiência de ir a uma ópera em São Francisco, como pela montagem e apresentação da peça. Se tiverem a oportunidade de ir ver a companhia de SanFran ou no Teatro Municipal do Rio, vale o investimento.
Como um adendo, vocês sabiam que foi o Teatro Municipal que teve a idéia genial de colocar letreiros eletrônicos discretos ao lado do palco, traduzindo as árias que vão sendo cantadas? Hoje quase todas grandes casas tem. Mas foi improviso de brasileiros que gostam de entender o que ouvem.
nóia do Ram em quarta-feira, junho 18, 2003/
terça-feira, junho 17, 2003
CELEUMA
"Outra tendência é o uso cada vez menor do corpo. A maior parte das invenções, automóveis, elevadores, controles remotos etc. visa basicamente isso. Um futuro tipo matrix, com pessoas dentro de bolhas, não é de todo improvável. Mas vai ser gostosinho.
Tom-B, web designer brasileiro (não o DJ homônimo em Washington DC)
Tudo bem, enquanto site de cassino online for considerado forma de arte, até aceito que os meus serviços de pesquisa sejam considerados gostosinhos. É até bom ouvir estas coisas. Só que hei de discordar do que foi dito. Tudo bem, não sou iluminado, nem modernoso, não sou sábio nem uma mente insanamenta criativa, não sou artista nem produtor. Mas sei que existem caminhos que não percorri por inteiro, porque ainda não está na hora, tudo na vida tem hora, que me mostraram que na verdade o mais gostosinho é explorar a máquina dentro de nós.
A maioria das invenções tecnológicas foram necessidades pragmáticas para atender a anseios de uma vida material melhor. Para que? A meu ver, para que no fim das contas, desprovidos dos desejos mais elementares, nos envolvéssemos com a busca por nossa própria identidade, nossa própria verdade. Isto não reside em máquinas. Elas podem até um dia criar e descobrir verdades, só que serão sempre as verdades delas.
Também não acho que o caminho que o Jabor descreve em coluna hoje no Globo seja algo assustador. Na realidade o mundo que nos cerca irá sempre mudar, sempre se adequar aos anseios daqueles que vivem o momento. Só que me parece que o mundo que nós vemos, que nós percebemos está mesmo delineado em nossa mente, é uma projeção de quem somos. Neste quesito ninguém pode nos controlar. É uma questão de prioridades. Você pode dizer, e a desinformação? E a trash culture? E os outros? Eu acho que a resposta é que todos estes aspectos relacionados ao nosso cotidiano não alteram a nossa verdade, a nossa percepção intuitiva de quem somos e do nosso lugar, e de nossa direção, se é que você quer ter alguma.
Discordo que o que as pessoas chamam de desapego seja resignação. Desapego é a capacidade de lutar mesmo ferido pelas flechas da não concretização das nossas expectativas sobre o resultado de nossas ações. Um homem desapegado é capaz de agir mais do que o homem apegado, afinal para ele as consequências não são importantes. O próprio agir é tão somente sua obrigação, assim como respirar. Tal homem caminha cada vez mais para o refinamento da experiência que é ser um homem. Este espírito é essencialmente humano, não é tecnológico. Não existe tecnologia suficiente, nem mesmo drogas, que sejam capazes de substituir o prazer infinito gerado pelo nosso intelecto e espírito. Só que como um maratonista, temos que nos submeter a alguma espécie de treinamento para fazermos a nossa máquina existente funcionar de maneira ótima para esta experiência.
Meu avô, tio avô, uma vez me disse uma coisa, quando eu estava maravilhado pela web: "Ram, pois não estávamos todos conectados? Para você é esse negócio aí, para meu filho foi o telefone, e para mim foram os rádios. Pois é, agora no final da vida, percebi que no fundo, no fundo, estamos sempre fascinados por nós mesmos."
PS: Para quem lê isso pode parecer que eu estou cheio de razão, ou que já abandonei toda forma de anseios materiais, e tudo mais. Nada mais errôneo. Só que para mim existe um sentido intuitivo nestas idéias. Até hoje ainda não descobri de onde elas vem. Parecem estar gravadas no meu código genético. E já desisti de tentar viver contradizendo elas...
nóia do Ram em terça-feira, junho 17, 2003/
segunda-feira, junho 16, 2003
DEBOCHE
Ficam dizendo que sou muito debochado... Mas não sou não. Só não quero interferir com o projeto Darwiniano. Aquela coisa da seleção natural. Apontar arbitrariedades é parte. Para não dizerem que sou debochado, vejamos alguns clichês que eu gosto:
- FIM DO MUNDO: já estão anunciando há 12 mil anos aproximadamente. Acho que a diferença é que está cada vez mais sofisticado. Antes era um raio, agora é falta de petróleo. Mas acho que sobrevivemos a tudo. Afinal, não sobrevivemos ao ano em que a rádio do rock tocou Leandro e Leonardo? E ao ano em que a vó dançou o Tchan? E ainda ao ano em mais-uma-ex-de-piloto se tornou entrevistadora? Mas este é um clichê que eu gosto, porque ir dormir é sempre uma experiência inusitada. Penso comigo mesmo: quem sabe, o fim do mundo não é amanhã?
- EU NÃO LIGO PARA ISTO: Podem escrever. Quando alguém diz, eu não ligo para xxxxxx, o xxxxx é fundamental, essencial, mas é melhor fingir que não liga. Eu não ligo para nota, eu não ligo para beleza, eu não ligo para coisas materiais, etc. O que gosto neste clichê é que na verdade a pessoa não liga para que os outros saibam aquilo que é mais importante para ela. É só uma questão de processar dados corretamente.
- SOU ESCRITOR: Hoje em dia quase todo mundo é escritor. Me espantei ao descobrir que boa parte dos meus ex-alunos do departamento de elétrica se animam a escrever, de raps a discursos científicos passando por contos metafóricos. O espantoso é que as pessoas resolvem adotar os tais escritores de acordo com preferências não literárias. Em geral o SOU ESCRITOR se casa com o EU NÃO LIGO PARA ISTO. Depois que passei a jogar palavras ao vento no Catplum!, entendi na pele a diferença entre carimbar palavras no papel e ser escritor. Por isso gosto deste clichê. Isso sem falar que me rende ótimas conversas.
Ah sim, já notaram a profusão de cooltypes? Deveria virar comercial de balinha de hortelã.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 16, 2003/
IVAN RALEN
Vieram me ensinar sobre música pop-rock. Pior do que ficar fingindo que estou prestando atenção, é ter que responder a perguntas sobre aquilo que você acabou de ignorar solenemente. Sim, porque não entendo ainda a relação entre Chiclete-com-banana Ivan Ralen...
nóia do Ram em segunda-feira, junho 16, 2003/
PÉ - DE - MOLEQUE
Estou com vontade de comer paçoca e pé de moleque. Isto sempre acontece quando estou de dieta. Ainda bem que tenho que pegar um avião para fazer isto. Hmmm. Talvez por isso é que acabei de receber um e-mail confirmando uma possível data de ida para o Brasil ... Será, será?
Mas o pé de moleque light é o meu atual pedantismo cultural-pseudo-pop. Achei ótimo ficar espalhando um monte de informativos por aqui, apesar de saber que os meus parcos leitores não dão a mínima para a programação cultural da capital mais alegre dos estados americanos. Ainda assim, utilizo-os de cúmplices de minhas atividades extra-curriculares. E se você está com inveja da minha vida fantástica como escravo de professor-de-Berkeley-que-ganha-salário-mínimo, então reconsidere sua vida. Acorde de manhã, se olhe no espelho, e vá correndo para o Rio de Janeiro. Por lá, uma tarde LEMniana, ou um show na companhia do NaCaraDoGol é diversão garantida...
nóia do Ram em segunda-feira, junho 16, 2003/
17 SAMURAIS
Agora os samurais estão por todos os cantos. A começar pelo poster risível do Tom Cruise na refilmagem do Último Samurai. Realmente, os samurais devem estar de ressaca ou a economia Japonesa em deflação para que o missionário da igreja da Scientologia (?) e ex-Top Gun seja qualificado para cometer um harakiri. Não que eu não goste de Tom Kiddin Me Cruise - vejam, Magnolia é um dos meus filmes preferidos - mas mr. Jerry Mc Guire bradando espada é coisa para turista americano perdido em Okinawa. Daniel Sam.
Já contei 17 posters em menos de três quadras, aqui na cidade socialista de Berkeley. Deve ter algum significado místico no Dao.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 16, 2003/
COMPLICAÇÕES
Se é complicado no basquete imagina no resto. Eu detestava os Spurs, que eram adorados em Austin, que era onde morava. Eu detestava os Lakers, que são adorados em Berkeley, que é onde moro. Aí os Spurs ganharam dos Lakers, e eu que detestava os Spurs e o Lakers, passei a gostar do Sacramento, mas com simpatia pelos Spurs. Então o Sacramento perdeu, e Berkeley que adorava os Lakers, mas detesta o Texas se apaixonou pelo Nets. E eu, que então tinha simpatia pelos Spurs, me apaixonei pelos Spurs, e passei a detestar o Nets, e por tabela os Californianos que amavam o Nets. E então o Spurs ganhou. Os californianos que gostavam do Nets porque detestavam o Texas e o Spurs, já que eliminou o Lakers e Sacramento caiu sozinho, tinham mais um motivo para gostarem do Nets e se lamentarem: Jason Kidd. Jason Kidd, que estudou em Berkeley, e adorava o Nets e ama Berkeley, agora diz que gosta dos Spurs. Eu também. Somos xarás... Ai, ai, como amar e odiar é complicado e volátil.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 16, 2003/
DILEMA DO DIALETO
Estou entre alemão e hindi, alguém se arrisca?
nóia do Ram em segunda-feira, junho 16, 2003/
HIDDEN SOURCES
Verão aqui na área da Baía é sempre a maior diversão. Berkeley vira uma cidade quase fantasma, porque todos alunos de graduação saem de férias. Mas o número de shows e eventos aumenta exponencialmente. Uma conspiração para impedir que alunos de pos-graduação das diversas universidades da região se ocupem de seus afazeres importantes, como agradar o orientador para garantir mais um semestrezinho de apoio financeiro. O melhor do verão é que como a região da Baia esvazia um pouco, os preços dos eventos ficam mais baratos.
Então, para começar, o verão abre com o retorno da temporada de ópera de São Francisco, e este ano é com Fausto. Se vocês quiserem assistir, vale a pena chegar uma hora antes, mostrar prova de que são alunos aqui ou no Brasil, e comprar o que eles chamam de rush tickets. São ingressos a 15 dólares, para lugares que por ventura ainda estejam disponíveis logo antes do show (1 hora antes). Só para alunos. E em geral os lugares disponíveis são aqueles mais caros. Ou seja, festa !
Continuando o verão, começa o Stern Groove festival , sempre as duas da tarde no Stern Groove park. Basta pegar o MUNI (transporte público de Sanfran) e descer na St. Francis Circle para seguir para o parque onde acontece este festival gratuito. Isso mesmo, peças de teatro e shows de música gratuitos. Cheguem cedo, e levem um cobertor para forrar o chão e curtir a tarde como os Californianos gostam de fazer. Levem comida e, principalmente, bebida.
E assim, de mansinho, começa a temporada de visita das vinículas e parques nacionais aqui da região. A vantagem do verão é que costumam ter preços especiais para ingressos, e também sessões de comes e bebes para comemorar a chegada desta estação, que por aqui não muda muita coisa. Se você tiver um carro, pode ir para Carmel ou Monterrey Beach e aproveitar as festas locais. Se prefere ficar em SanFran ou em Berkeley, aproveite as poetry slam sessions no Starry Plough e também as noites temáticas dos clubs da city. Vários restaurantes oferecem cardápio especial, e a preços convenientes, especialmente para o almoço. Para gastar pouco, basta andar na região entre a O'Farrell e a Post, começando na Van Ness e descendo em direção aos bairros um pouco mais barra pesada. Durante o verão, é costume encontrar graduate fellowmen nestes locais, curtindo o fato de que aparentemente não tem que fazer nada, mas na verdade estão resolvendo problemas científicos e culturais em suas mentes. O ambiente fica ótimo.
Se você ainda tiver pique, e tempo, o verão é boa oportunidade para aprender a velejar na Baía, com diversos cursos oferecidos em SanFran. Mas uma boa dica é procurar a associação de vela de qualquer universidade, pois terão preços bem módicos especialmente para o verão, e você vai poder aprender na companhia de pessoas jovens e inteligentes. Talvez. O mesmo vale para surfe, windsurfe, e outros esportes radicais (montanhismo, rafting, ...) , todos com cursos oferecidos pelas respectivas associações estudantis. '
Terça e Quinta é dia de museu a meia entrada. Só no verão. Assim como cafés com mesas do lado de fora, e jazz da melhor qualidade. Vale uma ida na Mission ou em Berkeley, Solano, que é mais pertinho da minha casa e por isso de minha preferência. O verão também é oportunidade para ir as summer sales da Ikea, comprar móveis para casa, e socializar com outras pessoas que tem dificuldades para montar seus movéis. Ah sim, sua compra de movéis, neste Carrefour dos movéis, é regrada a música Jazz ao vivo por bandas locais. Se preferir música folk ou country, a cidade de Berkeley promove concertos grátis periodicamente na Martin Luther King park e no Berkeley Anfitheather.
Se quiser gastar dindim com música, então o Fillmore, o Great American Music Hall e o Café at the Bay abrem suas temporadas no verão também. Shows uma ou duas vezes por semana. Ingressos para shows populares costumam ser disputados, e dentre as tres casas de show, a única com ingressos a menos de 40 dólares é a Great American. Como por aqui também habitam vários escritores perdidos e que passaram a década de 70 experimentando LSD, acontecem vários eventos literários e psicodélicos. A conferência para alternative experiences acontece sempre em fins de maio, e discute abertamente a experiência de diversas drogas. É de graça, mas tem fila na porta. Cheguem cedo. Acontece no I-House Auditorium em Berkeley. Coffee hours e discussões de livros com autores acontecem regularmente na Barnes and Noble (Emmeryville), np Moe's, na City Lights e em outras pequenas livrarias do local. Mantenham se informados através do San Francisco Chronicle, e o East Bay express, dois jornaizinhos culturais gratuitos com programação da semana. Por exemplo, semana passada apareceu por aqui o presidente do Peru para oferecer uma palestra sobre seu país.
Além disso, a coqueluche deste verão são as house music concerts ("shows" e jam sessions na casa de alguém) e as vernissages de verão. Acontecem esporadicamente e são sempre gratuitas com bebida e comida a la vonte. O grande lance é descobrir aonde acontecem, mas a maioria não exige convites e não tem lista de convidados, portanto é só aparecer e entrar. Boa dica é seguir este site aqui.
Já que não queremos ser só ociosos e talvez queiramos aprender alguma coisa, em meados de Maio. começam os cursos do Berkeley Extension. Cursos ótimos, dos mais variados, com duração de 3 ou 4 semanas. Durante o verão são 4 sessões, e assim você tem a oportunidade de fazer vários cursos diferentes. Diversão garantida e mais uma oportunidade de encontrar loucos do mundo inteiro. Se você quer uma vida mais tranquila, mais cara, e mais próxima dos ricos e famosos, Stanford também oferece cursos de extensão, mas já estão avisados, são mais caros e morar por lá é mais caro.
Ah sim, para descansar o corpo de guerreiro só conheço dois locais adequados. Os cafés da Shattuck em Berkeley (o Strada saiu da minha listinha, para entrar o café que fica na Shattuck com a Hearst), e as piscinas aquecidas da universidade, que a noite, sempre fria por aqui, são como mergulhar direto no Olimpo. Então aproveitem a temporada, e quanto menos dinheiro mais divertido ! Se estiverem perdidos por aqui, costumamos ter um jantar caseiro na casa de algum brasileiro toda sexta. Enviem um e-mail e aparecam !
PS: Esqueci outro passatempo predileto dos Californianos, swimming in the holes, que é basicamente encontrar locais onde Rios ou lagos da região formam buracos profundos para mergulho e natação. Uma busca no google é suficiente para encontrar um monte destes locais. Eu particularmente prefiro ir a parques nacionais, aqui perto.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 16, 2003/
domingo, junho 15, 2003
LET THE JUICES FLOW
Quando estiverem de passagem pela California, bebam muito suco das marcas Nantucket Nectar (leiam sobre a história por trás desta marca) e da Odwalla (oferece vitaminas também). São baratos (especialmente o primeiro), sem nenhuma espécie de sabor artificial e corante, e o mais importante, deliciosos.
Evitem, a todo custo, inclusive preferindo beber água da Baía, os sucos da marca OceanSpray. O nome sugere algum tipo de insceticida, e realmente o suco tem potencial para isso... Reagentes químicos com pedacinhos de plástico que imitam frutas de verdade. É difícil terminar uma garrafa, se você está acostumado com sucos com gosto natural.
So baby just let the juices flow !
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
DIFICULDADE - FAIR WARNING: Momento Sentimental
É difícil permanecer deprimido (poxa, estou tentando fazer uma certa imagem para gravar o meu cd ou escrever aquele livro) quando as pessoas oferecem tanto apoio mesmo a distância. Sempre temos que viver para nós mesmos, algo que estou aprendendo, mas de certa forma vivemos através de nossas amizades. Vou deixar um agradecimento pessoal ao Daniel, Rafael e Débora. Embora não costume expressar estas coisas, porque acho que pode tirar um pouco da energia espiritual da coisa, as palavras de carinho e apoio dão muita força nessas horas. Acho que apoio incondicional, sem tentar entender muito o que se passa com o outro ou oferecer soluções mágicas, é a melhor forma de ajudar alguém, pois é natural e tranquilo.
Tá bem, um abraço mesmo. E agora, chega ao fim o momento sentimental deste blog. Este sentimentalismo é algo que não deve ser cultivado por alguém que quer um PhD de Berkeley ... Não pega bem, e não assusta os futuros alunos.
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
HYPER BALLAD
Uma das minhas músicas favoritas da Bjork, que foi relembrada hoje pelo Sr. Phillips. Relembrada porque meus cds residem em caixas de mudança desde Junho do ano passado. Música que tem um pouco a ver com o meu momento.
Hyper Ballad
We live on a mountain
Right at the top
There's a beautiful view
From the top of the mountain
Every morning I walk towards the edge
And throw little things off
Like car-parts, bottles and cutlery
Or whatever I find lying around
It's become a habit
A way to start the day
[REF]
I go through all this
Before you wake up
So I can feel happier
To be safe up here with you
It's real early morning
No-one is awake
I'm back at my cliff
Still throwing things off
I listen to the sounds they make
On their way down
I follow with my eyes 'til they crash
Imagine what my body would sound like
Slamming against those rocks
When it lands
Will my eyes
Be closed or open?
[REF] x 2
Safe up ( here with you ) ...
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
SHOW HOJE EM SANFRA
Fui a um show hoje em São Francisco, para descansar um pouco. Aproveitei e estrei dirigir pela Golden Gate bridge durante o por-do-sol. Isso ouvindo uma fita abandonada no meu carro por um brasileiro de austin, que contém preciosidades do pop-rock brasileiro (isso exclui meus prediletos TItãs, Legião ou qualquer coisa mais séria), como esta música e esta. No momento brega da semana, e o mais brega de toda a minha curta estada em Berkeley, atravessei a ponte de Golden Gate ouvindo isto.
O show foi do Glen Phillips, no anfiteatro mais bonito onde já assisti a um show de rock ou pop, o Great American Music Hall. Todo construído em estilo barroco, era uma antiga casa de ópera e teatro popular. Certamente vale a visita se você for fazer turismo por aquelas bandas.
Quanto ao show. Fui intimado a assistir o show, já que uma amiga estava se apresentando no show de abertura, e me enviou um e-mail solicitando a presença. Tá bem, parece melhor do que foi, já que um grande grupo de pessoas foi intimado a ir. O show de abertura foi bom, com destaque para o baixista Todd Sickafoose, que é um daqueles vizinhos bacanas do seu prédio que você não dá a mínima porque parece ser um cara apagado, mas é super gente boa. Surpresa, além disso parece ser ótimo músico.
O show principal foi surpreendente e ótimo. O Glen Phillips era o líder da banda Toad and The Wet Sprocket, grupo de rock alternativo que no ínicio dos anos 90 virou "cult" por estas bandas. Eu, particularmente não acho o som deste grupo lá estas coisas. Mas a banda acabou em 98, e Glen Phillips, que tem um dom especial para escrever ótimas letras de música, seguiu em carreira "sem-rumo-solo-com-amigos" como disse um amigo meu. Depois de 2 anos na estrada, gravou um cd solo , e aproveitando a fase de mudanças, escolheu um esquema fora de estúdio e com produção independente, apesar de ainda ser parte do selo de uma gravadora.
O CD é legal, alguns acham ótimo, e eu acho legal. O som é bem diferente do Toad, e está mais para folk, e música acústica.
O show foi muito bom. O cara tem presença de palco e de espírito. Além de contar algumas pequenas estórias sobre os anos de estrada, ainda faz tiradas muito engraçadas. E, odeio admitir estas coisas, o cara é simpático e de boa aparência. Num momento do show, acontece o seguinte diálogo:
"Lately, I have been reading a lot of books about food. You know, unlike listening to false starts (ele havia acabado de errar o início de uma música), reading books on food has something good, something nice. Books about food are recomforting."
"Food is tasty !", diz o baterista que acompanha o cara.
"After this profound and healthy remark by our musician, I guess we have to eat it up and start soon. Wow, day by day, you never cease to surprise me. Could be the drum noise..."
Isso tudo não foi planejado. Claro, show com um certo gosto de amador, mas por menos de 15 dólares, mais do que valeu o ingresso. No set, além de composições próprias, ele tocou uma música da Bjork, e outra do James Brown. Muito bom.
PS: No Great American Music Hall, até o LEM iria a um show de rock. Até porque existem balcões no segundo andar com mesas de jantar, que é servido até meia hora antes dos shows começarem .... Chique, não?
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
MÚSICA PARA CHURRASCO
Com a massificação até da música dita alternativa, que vai dos gurus do tequino reverenciados por grandes gravadoras, a bandas de alt-rock que estão em selos como a Matador, da Virgin, foi ficando mais difícil encontrar locais para apresentar novas idéias e até mesmo novas bandas, com conceitos mais novos. Porque? Porque agora, os grandes selos também incluem bandas que tocam por cachês mais baixos, e por isso conseguem que a maioria dos festivais que eram reservados a bandas novas, se tornassem vitrines de gravadoras (existem honrosas exceções como o South by Southwest).
Então como resposta a este movimento, e ao interesse das pessoas (pois em última instância é o interesse do ouvinte que vale), hoje na Bay Area, existe um circuito alternativo ao alternativo. Ele começa por recitais em casas de várias pessoas (em churrascos, em geral), onde diversos músicos se reunem e fazem jam sessions ou apresentam material novo, e termina em pequenos teatros comunitários como o Oakland Blackbox theater. É um alento ir a qualquer um destes eventos, pois os músicos que se apresentam tem aquele vigor de principante, coisa de quem ainda ama a própria música. Música para churrasco agora é coisa séria.
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
IMPESSOAL
Estes posts estão pessoais em demasia. Parece diário de adolescente. Tudo bem. Como compensação, sugiro que comprem os CDs da Noe Venable, Jethro Jeremiah, Glen Phillips e Jerry Hannan. Não poderia esquecer o Big Ego.
O que eles tem a oferecer? Música folk de muita qualidade. E de quebra, todos fugiram do esquema das grandes gravadoras, inicialmente porque foram forçados e depois com o amplo reconhecimento nos circuitos musicais americanos, se mantiveram por opção. Quase todos tem sua própria gravadora (na garagem ou na sala) e usam canais de distribuição não convencionais para vender seus cds, assim como o Lobão está fazendo no Brasil. Apesar do baixo orçamento, os CDs são caprichados, e a qualidade das gravações na maioria dos casos é ótima. E quase todos fazem música por amor, e topam até tocar em churrasco.
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
PRIMEIRA CORRIDINHA (AQUELE TIPO DE POST IRRELEVANTE)
Oba, ontem começei meu programa de exercícios pela 4a vez. Isso mesmo, estou sempre começando. So que corri por 45 min, com ritmo, subindo montanhas e indo ao campus da universidade, passando por riachos dentro do campus e pela famosa praça da liberdade. Só consegui fazer isso porque boa parte da corrida foi na descendente, e com o meu walkman ao ritmo de Cidade Negra. Isso mesmo. Impossível desanimar com este reaggae... Ah sim, como não poderia deixar de ser, ao fim de tudo, voltei andando, subindo montanha, e acabei parando para repor as calorias perdidas.
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
ONTEM, SEXTA 13 - NADA A DECLARAR
Ontem foi sexta feira 13, e eu nem lhes conto como o meu dia foi ótimo. Ao contrário da crença popular, a sexta-feira 13 é minha coincidência da sorte. Pois bem, nesta que ainda teve lua cheia, milagrosamente consegui trocar a placa do meu carro para placa da California em apenas um dia.
Sim, porque aqui também tem um Detran, chamado DMV, que além de extremamente burocrático, está povoado por funcionários mal humorados e mal educados. Tudo bem, nada como o Detran carioca ainda, onde eu já ouvi palavrões da boca de alguns atendentes. Como exemplo de atendimento, vale citar que na inspeção para verificação do número do chassi do meu automóvel, que consiste em abrir o capô do carro e ler um número em auto-relevo, e verificar se ele coincide com os documentos originais, eu tive que esperar 15 minutos e era o único na fila. Porque? Porque a inspetora estava animadamente conversando com uma outra funcionária, esta que deveria estar indo conduzir um teste de direção de uma outra pessoa que estava esperando mais de 15 minutos.
Depois de inspeções e formulários, pelas leis do estado do sol você é obrigado a levar ao carro para testar a qualidade do ar que sai pelo exaustor. O nome do procedimento é Smog Check. Estou lá esperando pelos resultados do meu carro, que passou o teste com louvor (20 vezes menos que o nível de poluentes exigido, estou orgulhoso do meu baby), aparecem dois caras com um caminhão. O caminhão está emitindo 10 vezes mais que o nível máximo de poluentes. O cara que conduz e cobra pelo teste balança a cabeça e diz: "Meu amigo nem se eu trocar o carburador... Só resta mesmo vir aqui de manhã, pois o ar é mais húmido,e você tem tempo de ajustar o motor para passar no teste... Faz funcionar por 10 minutos...". Sim, isso parece conversa de posto no Rio né?
E no final de tudo isso, qual foi o resultado? Bom, quando tinha placas do Texas, os Californianos me respeitavam na auto-estrada. Aqui vai-se para todos lugares de auto-estrada (como na Barra). Deixavam pelo menos uns dois carros de espaço atrás e dois na frente. Talvez por medo de eu estar armado ou algo assim. Mal troquei as placas, fui cortado umas cinco vezes, e agora os caras me seguem a menos de meio carro de distância, isso viajando a 80 Km/h. Oba, sou local !
Terminei o tal dia indo a um jantar de despedida de um colega mexicano. Apesar da forte presença feminina, incluindo aí uma peruana de Los Angeles (isso mesmo), que ficou me atazanando sobre governo FHC e outros assuntos chatos. Acabei conversando com um cara coreano que leu Lao Tszu e teve uma epifania. Estava me contando sobre como não conseguia se encontrar na vida e tal. Lá pela 3 cerveja dele, e primeira coca minha, eu disse uma frase que ele ficou repetindo a exaustão: "Freedom is more constraining than not being free."... Depois veio com umas estórias sobre como se condicionar para correr mais de 20 Km. Algo que não pretendo fazer nesta incarnação.
nóia do Ram em domingo, junho 15, 2003/
sábado, junho 14, 2003
Os acentos voltaram
Sentem-se, os acentos voltaram. É leite com pão !
nóia do Ram em sábado, junho 14, 2003/
SEMPRE FÁCIL
O gosto amargo deste tipo de not?cia é que sabemos que hoje a polícia s? age mesmo na coibição do mais fraco. Enquanto isso, traficantes e intermedi?rios continuam livres, leves, soltos e fazendo festinha com as autoridades p?blicas.
De qualquer maneira, eu n?o sou a favor do uso indiscriminado de drogas, e aposto que nesta festa uma parte das pessoas estava dirigindo... Como um cara cheirado que quase bateu no meu carro ontem, isso na contram?o... Depois, com os olhos esbugalhados ficou gritando. Sa? de fininho :-). Mas também n?o sou a favor do estardalhaço que se faz na pris?o de usu?rios.
nóia do Ram em sábado, junho 14, 2003/
quinta-feira, junho 12, 2003
GRITO DE GUERRA
Minha estrela guia brilha la no ceu. E a verde e branco de Padre Miguel !
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
PRODUTO INOVADOR
Caso voce nao tenha namorado (a), mas esta de saco cheio de ser motivo de chacota e fofoca dos vizinhos, entao o Automated Namoradetor e para voce. O Automated Namoradetor e um sistema inteligente que funciona a partir da web e substitui o seu amor pessoal. O Automated Namoradetor pode ser aquele namorado (a) distante, mas que mora fora, e serve basicamente para impressionar seus vizinhos, e diminuir o seu estado de estresse emocional devido a desbalancos hormonais.
O Automated Namoradetor utiliza avancadas tecnicas de inteligencia artificial para oferecer o melhor substituto de namorado (a) do mercado. O sistema de AI do Automated Namoradetor utiliza informacoes da sua conta corrente, cartao de credito, ultimo contra cheque, chamadas efetuadas a partir do seu telefone e web pages visitadas, para ajustar o Brain Centrifugator de acordo com a sua personalidade. Assim, voce tera um namorado (a) crivel, inteligente e muito bonito (a).
Com o Automated Namoradetor voce recebera flores no dia 12, com um cartao personalizado, escolhido pelo sistema inteligente. O Automated Namoradetor efetuara ligacoes para o seu celular toda sexta feira a noite, de acordo com os horarios que voce costuma estar no barzinho ou naquela saida com amigos. O Automated Namoradetor ira tambem efetuar debitos elevados e esporadicos no seu cartao de credito, e assim voce podera mostrar para vizinhos e amigos os danos no cartao por ter um namorado (a). E o mais incrivel, o Automated Namoradetor ira esquecer datas importantes para ela ou lembrar datas desimportantes a exaustao para ele. Com o Automated Namoradetor, sua conta corrente vai parecer a conta corrente de alguem que esta amando.
E agora, junto com o Brain Centrifugator, incluimos o Brain Call Center, que permite a comunicacao entre diferentes Automated Namoradetors. Assim, se seu amigo (a) tambem tiver um Automated Namoradetor, eles irao trocar informacoes, e gerar boatos realistas. O Brain Call Center permite a grupos de Automated Namoradetors a gerar redes neurais de paranoia, que fazem com que cada Automated Namoradetor funcione no High Level Activity, aumentando em 12 vezes a quantidade de atividades e despesas, assim como acontecem em relacionamentos normais.
E mais. Com o Automated Namoradetor, voce recebe o ICQ - Fornicator, que permite a simulacao de relacoes prazeirosas atraves do telefone e do ICQ, que voce podera gravar e compartilhar com amigos e familiares como mais uma prova do seu amor. E melhor ainda, o Automated Namoradetor agora inclui um Gerador Aleatorio, que faz com que o Namoradetor tome decisoes aleatorias e sem nenhum sentindo periodicamente, de acordo com a sua conveniencia. E imperdivel. Incrivel. Desenvolvemos, especialmente para este dia dos namorados, o Corno Simulator, que faz com que o seu Automated Namoradetor inclua m?dulos para trair voce com outros usuarios da rede e para se comportar como um namorado (a) traido por voce. Voce podera agora ser o chifrudo ou chifrado junto aos seus amigos e porteiros do seu predio.
Chega de ser motivo de chacota. Chega de estar andando cabisbaixo, e sem moral. Chega de ir para festas e se sentir como a unica pessoa sem relacionamentos. Ter um Automated Namoradetor significa que voce vai ter mais seguranca para se aproximar daquela mulher simpatica no bar ou daquele homem bonito na praia. Ter um Automated Namoradetor significa que voce ja vai estar preparado para ter um namorado (a). Com o Automated Namoradetor voce vai poder ter discussoes no celular em bares ou festas de amigos. Auto estima nao tem preco. E por modicos 12 dolares por mes, custa menos do que aquele CD de bossa nova para afastar depressao. Automated Namoradetor o seu namorado (a) personalizado. Produto exclusivo da PhD-Replacements.com.
Depoimentos nao pagos por usuarios satisfeitos
"O Automated Namoradetor foi essencial para fazer eu conseguir uma vaga na garagem do meu predio. Ele me deu auto estima e respeito no meu edificio. Agora estou em um relacionamento a quatro com meu vizinho. Obrigado PhD-Replacements."
"Assim que e o celular tocou no barzinho da boate eu sabia que ter comprado o Automated Namoradetor valeu a pena. Um bate boca simulado gerado pelo Brain Centrifugator, e varios homens apareceram para me consolar. Agora tenho varios namorados de verdade. Estou apaixonada pelo meu Automated Namoradetor, nao poderia ser melhor. "
"Eu achava que queria uma namorada. Agora sou um monge na ordem dos Franciscanos. Tudo gracas a Automated Namoradetor. Ele me colocou de volta no caminho do celibato. Deus lhe page PhD-Replacements.com"
"Eu sempre me sentia como a unica mulher do meu grupo que nao era traida. O Corno Simulator recuperou minha auto-estima e reputacao com minhas amigas. Agora tenho horas de assunto para conversar com elas. Isso nao tem preco. "
"Meu Automated Namoradetor comecou a me trair com o Automated Namoradetor da minha professora de ginastica. Agora nos estamos juntos. De vez em quando nos traimos com nossos respectivos Automated Namoradetors. E fantastico. Obrigado PhD-Replacements.com"
"PhD-REplacements.com, voces mudaram o meu ano ! Pela primeira vez recebi o buque de rosas que sempre sonhei, e o cartao com ursinhos no meu dia dos namorados. Nao troco o meu Automated Namoradetor por nada. E melhor ate que meus ultimos tres namorados !"
"Eu configurei meu Automated Namoradetor para ser minha amante durante o carnaval. Minha mulher descobriu por uma ligacao de celular realizada pelo Gerador Aleatorio. Nos divorciamos. E agora nos encontramos clandestinamente, eu e ela, traindo os nossos Automated Namoradetors. Nossa vida mudou para melhor. Obrigado PhD-Replacements, voces sao geniais!"
"Eu era o unico entre meus amigos que nao tinha barriga de chopp, nem dor de cabeca por causa de conta de cartao de credito ou gastos esporadicos elevados. Fui perdendo meus amigos. Agora, com o Automated Namoradetor, posso novamente me reunir com eles no bar ou na praia e conversar sobre nossos problemas. E um produto fora de serie. Obrigado !"
Usuarios satisfeitos nao sao garantia que voce tera uma experiencia semelhante com o Automated Namoradetor. Mas PhD-Replacements oferece o Automated Namoradetor de graca por 5 dias, exceto em feriados e fins de semana. Tente, relaxe e aproveite. Automated Namoradetor, sua auto-estima e nosso melhor cliente !
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
MINHA CONTRIBUIÇÃO PARA O DIA 12
Aparentemente há uma onda de poesias para comemorar o dia 12 de Junho. Como este blog segue todas as tendências que por ventura possam trazer fama e reconhecimento para o autor, acompanhado de muitas lindinhas, aqui vai o meu poema de dia 12, sobre aquilo que une as grandes paixoes do presente e do passado ...
Com Dinheiro, Tudo Bem (Bezerra da Silva)
Olha aí
Com dinheiro tudo bem sem dinheiro tudo mal
O dinheiro nesta vida é peça fundamental
Quando eu estou com dinheiro
Sou o melhor homem do mundo
Mas se eu não tenho trocado
Não presto sou vagabundo
E com dinheiro tudo bem sem dinheiro tudo mal
O dinheiro nesta vida é peça fundamental
Com dinheiro eu sou um grande sujeito
Ninguém vê nenhum defeito, eu sou gente sim senhor
Sem dinheiro tô distante, não sou nada
Sou figura apagada, objeto sem valor
Mas com dinheiro tudo bem sem dinheiro tudo mal
O dinheiro nesta vida é peça fundamental
Com dinheiro sou um cara esclarecido
Sempre sou bem recebido em todo lugar que vou
Sem dinheiro sou humano e farrapo
Só conheço um maltrato, resta o que o mundo deixou
Mas com dinheiro tudo bem sem dinheiro tudo mal
O dinheiro nesta vida é peça fundamental
Com dinheiro sou bonito sou gostoso
Sou jovem sou carinhoso todas querem me ganhar
Sem dinheiro sou um velho sem vergonha
Só quero garota nova não conheço meu lugar
Mas com dinheiro tudo bem sem dinheiro tudo mal
O dinheiro nesta vida é peça fundamental
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
SENSIBILIDADE
Até o Maluf pode ser sensível.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
RETALIACAO
Aparentemente o governo Bush retaliou os comentarios do Lula, removendo os acentos do Blogger. Sacanagem.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
PEDRO, O BARRAQUEIRO
Ele vende sanduíches, e acaba te impressionando pela alegria, e por aquele copinho a mais de suco, para não jogar fora. Fala umas verdades, que devem ter vindas de muita mediação em cima de sanduíche.
"Ram (daquele jeito que brasileiro fala), sabe do que mais. Tá vendo sanduíche de Ricota. Você imagina, ricota é mais barata que o Frango, sanduíche é mais barato. Mas não. É porque a ricota é mais bonita, mais rica. Que nem aquelas madames de bairro. "
Pedro, o barraqueiro.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
BELEZA
Hoje eu ouvi de um dono de barraquinha brasileira, uma frase que fizeram correr lágrimas quase imediatamente. Tudo bem, sou sentimental, mas vale assim mesmo (afinal, n?o é que ser 'sentimental' est? na moda? ).
"Acreditar que o sol vai nascer, depois que o sol já nasceu é facil. O difícil é acreditar quando se cai num buraco escuro, e você não se sabe se vai ver de novo a luz do dia. "
Pedro, barraqueiro. Perdeu tudo duas vezes, e fez de novo.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
PARA QUEM SE ANIMA
Texto de terapia contra depressão. Quatro páginas que escrevi sobre meus sentimentos, em inglês.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
RICK, A PESTE
Temos um vizinho pestilento, que mora no andar de cima. Além de movimentar seus m?veis as 4 da manh?, e se recusar a estacionar o seu carro corretamente na garagem, afirma estar trabalhando como estagi?rio da CIA. Sim, no escrit?rio aqui em Berkeley Hills... Isso é coisa séria. Ele vive no hor?rio de Taiwan, com video link ao vivo 24 hs para sua casa lá... Pois é, Rick é a peste.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 12, 2003/
quarta-feira, junho 11, 2003
NOTÍCIA
Estou passando por uma das fases mais difícies da minha vida. Provavelmente estou diagnosticado com depressão, e portanto terei que me regular bastante pelos próximos meses. Excesso de atividades :-). Como eu não tenho muita cara de contar isso para todo mundo ao vivo e a cores, acho que por aqui por escrito, já vai ser tarde quando eu me arrepender.
Como forma de combater esta doença, alem de recorrer a ajuda médica, estarei praticando esportes regularmente, se quiserem passar por aqui. Estou entre Ioga e Capoeira para relaxamento, e a tradicional corrida para manter a forma. Ainda não sei direito de que direção veio o caminhão, mas segundo o conselheiro daqui, é comum dada a carga excessiva de tarefas, e o ambiente de Berkeley (hiperativo). Desejem me sorte ! (E delas, quem sabe um beijinho carinhoso) ;-)
PS: E um abraço especial para a Dona Aline e minha mommy por darem esta força !
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
SOBRE O PHILIP K. DICK
O Lisandro Gartner (fica melhor com o sobrenome imponente), me perguntou quais livros dele eu havia lido, estava lendo. Atualmente estou lendo uma enorme coletânea de seus contos, organizadas por ano. Alguns contos viraram filmes conhecidos, o mais famoso sendo Minority Report. Mas já está na minha listinha o Valis.
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
Ricaço?
Acho que resolvi um dos problemas do milênio (clay problems). Será que P=NP? Quase óbvio. Solução trivial: P=0 ou N=0. Solução única: N= 1. E estes cientistas da computação que ficam complicando tudo. Quero o meu milhão. Cataplum !
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
NAVIER STOKES
Cá, nada. Isso aí, jamais diga aos canadeses que o Canadá é a mesma coisa que os EUA. Jamais diga que não, são diferentes porque o Canadá é menor. Pior ainda se você fizer a observação que o Canadá é um daqueles países enormes meio irrelevantes, tipo aquele moleque de escola gigantesco e bobo. Mas o pior de tudo, o pior mesmo é você dizer que o fluxo de lá pra cá é bem menor que o fluxo de cá pra lá. Porque? Porque lá, nada. Isso foi dito numa discussão com uma praticante da astro física, que esta estudando o formato de certos buracos negros. E tudo no bom sentido.
PS: Se quiserem irritar algum romeno chato, falem da Romênia como sendo "That country of gipsies. The beautiful gipsy culture that is the heart of Romenia".
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
FAUSTO COM INDIANA
Tem um alemão muito esperto atacando escancaradamente todas as indianas que coexistem em nosso meio. Eu pergunto a ele porque, e ele me responde, na maior face of wood: "sabe como é, minha ex, la da Alemanha tem ascendência indiana, e agora não quero perder o contato com a cultura". Speak seriously. Inacreditível. Não é a toa que Goethe pensou no Fausto.
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
SANATÓRIO GERAL
Isso tudo ai embaixo foi num dia só, ontem. Maquiavélico. Buahahahahahaha !
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
ISTO É BERKELEY (5)
Discurso da paz: "Lets beat the hell out of the system!"
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
ISTO É BERKELEY (4)
"Aquele? Aquele ali não é o aluno não. É o professor. Tem 20 e pouquinhos. Do MIT".
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
ISTO É BERKELEY (3)
"Agora vou relaxar um pouco estudando na Law Library."
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
ISTO É BERKELEY (2)
Homem deitado no chão, olhando para cima. "Estou vendo os negativos da natureza".
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
ISTO É BERKELEY
Café com leite quente e massas.
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
SPUR OF THE MOMENT
Não é que o Tim Duncan é a cara do Topo Giggio?
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
CRUZACA DO FLAMENGO
Eu nunca ouvi falar da tática do técnico do Flamengo, que acha que a vantagem maior é jogar fora de casa. Deve estar com problemas no casamento...
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
DIA DE AZAR
Tem certos dias que é melhor não acordar. De ontem para hoje, por exemplo. O meu relógio soltou uma argola, fui tentar consertar e caiu dentro da privada, e foi pela descarga (não me pergunte como). Estava com o celular no bolso, fui me sentar, quebrou a antena. Peguei a antena para consertar, pronto, caiu no carpete. E sim a antena é cinza, o carpete é cinza, e o meu quarto está com caixas espalhadas por todos os cantos. E finalmente, quando tudo parecia indo bem recebo e-mails com péssimas notícias profissionais. É bem por aí, para este dia ser bom, só se a Diana vier bater na minha porta ...
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
CHUTANDO O BALDE
As vezes, depois de certos acontecimentos, dá uma vontade enorme de chutar o balde. Chutei. Só que o balde tava cheio de cimento. Agora fiquei com o pé quebrado. Cataplum !
nóia do Ram em quarta-feira, junho 11, 2003/
segunda-feira, junho 09, 2003
BLARING DISCONTINUITY
Foi o que um amigo me disse sobre o limite de uma função. E sim, infelizmente, só escrevo sobre coisas pessoais. Chato né? Se não quiser aturar o Safrão e companhia (eu), clique aqui e se divirta, porque o universo tem 10^9 zeros (googol).
nóia do Ram em segunda-feira, junho 09, 2003/
WARNING
Posts muito chatos a seguir. Siga com caução, senão volte pela contramão.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 09, 2003/
AINDA NA FÉ
Me espanta que as pessoas ainda acreditem que razão e religião são antagônicos. Isto é uma disparidade propalada pela Igreja, para manter o seu poder político e intelectual, e pelo noticiário popular, para vender jornal no século passado. Basta ler a biografia de grandes filósofos e cientistas, como Nieztsche, Einstein, Gauss, Euler e Newton, para constatar a forte conexão deles com a sua própria espiritualidade. A força de espírito é necessária em qualquer grande empreitada, senão, a mente acaba se ocupando demasiadamente com problemas mundanos e perde o foco. Porque uma idéia espiritual provê foco? Talvez porque a fé inteligente tira de nós a responsabilidade por tudo o que é imprevisível. Junto com a responsabilidade, vai também o medo do ocaso, da falta de próposito. Descobrir requer coragem. Descobrir qualquer coisa, de uma idéia literária, a uma idéia científica, a auto-realização, ou mesmo algo para nós mesmos (será que sou capaz de escrever?). E uma mente sem foco, sem claridade, perdida em pensamentos circulares ou presa a desejos do dia-a-dia (como eu e meu sorvete), precisa de muito mais energia para tal empreitada que uma mente focada.
Não acredite em ninguém que te diga COMO pensar. Dê valor a pessoas e idéias que te motivem a pensar. E verifique empiricamente. O debate pelo debate é muito pouco eficaz. Senão Einstein estaria sentado até hoje debatendo sobre as razões das incoerências nas medidas do fóton. Ao invés de debater ele construiu uma idéia alternativa, e tentou verifica-la empiricamente. Talvez seja a receita para o progresso, não só científico, como também pessoal.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 09, 2003/
O GURU
Ainda falando sobre religião, me parece que hoje em dia condenamos autoritariamente todas as figuras religiosas. Tudo bem, vários deles abusam o código religioso, e a sua influência ao orientar pessoas, para benefício político e econômico. Muitos políticos fazem isso, mas não é o suficiente para questionarmos a nossa fé na democracia, nos direitos humanos (igualdade) ou mesmo na idéia de um sistema de gerenciamento para país, estado, cidade.
Como somos inteligentes, devemos sempre saber aprender com inteligência. Mesmo dos nossos professores da escola, não aprendemos tudo o que eles apresentaram, como eles apresentaram. O aprendizado é algo individual, um caminho próprio. O professor é um guia, fornece a motivação. Senão, o nosso conhecimento estaria sempre limitado por aquele dos nossos professores. Eu lembro que uma das razões porque fui atraído desde cedo por matemática foi porque eu era capaz de brincar com as idéias e descobrir coisas "novas", idéias conhecidas que eu não havia visto.
O professor inteligente e eficaz é aquele que induz seus alunos a redescobrirem as idéias que ele tenta ensinar. O que descobrimos por conta própria é sempre mais palátavel e duradouro. Da mesma forma, os gurus, padres, conselheiros espirituais devem ser encarados como professores. Podemos e devemos questionar as idéias que eles nos apresentam, mas com a mesma índole e humildade de um aluno, e o mais importante, devemos assimilar de forma inteligente o conhecimento que possuem. Todos, inclusive eles, tem seus defeitos. O que não desqualifica algum conhecimento que por ventura venham a apresentar.
Não esperamos que o nosso professor de matemática seja Gauss. Da mesma forma que não podemos esperar que um padre seja Deus. Ou que a experiência pessoal sobre o que é Deus seja igual para todos. Se sinceramente desejamos aprender ou mesmo questionar a matemática ou o cristianismo, devemos absorver o que o professor e o padre nos oferecem, e de poder deste conhecimento tentar descobrir novas idéias ou mesmo verificar o que foi apresentado empiricamente. Me parece um caminho mais prazeiroso e produtivo do que a condenação a priori de alguma idéia...
nóia do Ram em segunda-feira, junho 09, 2003/
DIFERENÇA DE FÉ
Religião é uma destas palavras para a qual não temos um sentido claro. O que é religião? Um grupo de pessoas que seguem uma crença comum? Nesta categoria, poderíamos incluir os Físicos e Matemáticos, já que sendo parte deste grupo, sei que em muita coisa simplesmente acreditamos ("cremos"), afinal é praticamente impossível para TODOS os que aceitam a idéia reproduzirem o experimento. Muitas vezes, uma idéia nestas áreas cai por terra após muitas décadas, talvez o suficiente para as pessoas que estavam vivas no momento da concepção original, não o estarem mais.
E se religião for a entidade política da igreja, com todos os pregadores e mentores? Assim, acabariamos por incluir em grupos religiosos, vários movimentos políticos. Seguir cartilha para conseguir poder ou até mesmo induzir mudanças não é exclusividade do cristianismo ou do paganismo.
Fé é a crença em uma idéia que não é possível se verificar por conta própria, empiricamente. Se você não verificou os modelos de Newton, então tem fé na corretidão deles. Se não verificou os atos de um amigo, então ao acreditar nele tem fé em suas palavras. Será então que fé é completamente desprovida de inteligência e intuição? Obviamente, a fé não é algo que pode ser facilmente racionalizado, entretanto, a verdadeira fé é aquela baseada em inteligência e intuição. É uma crença que a todo momento, quando possível, tentamos constatar empiricamente. Esta sugestão está presente em quase todas as linhas de pensamento religiosas, quando estudadas cuidadosamente. Sem fé, mesmo em nós mesmos ou em nossos semelhantes, acabamos perdendo a nossa capacidade de contemplar, produzir e criticar idéias, e assim perdemos a nossa capacidade de pensamento racional.
Talvez o radicalismo de várias organizações religiosas no século passado, e o comportamento de vários dito líderes religiosos tenha minado a credibilidade das várias formas de pensamento espirituais. Se por um lado, o Cristianismo condenou a ciência, relegando-a a um segundo plano perante a Deus, por outro, vários dos princípios presentes na bíblia, quando estudados cuidadosamente, são a fundação de idéias extremamente modernas, como os direitos humanos. Na verdade, vários movimentos religiosos abandonaram a função de embasar a fé com inteligência, induzindo o questionamento e a verificação empirica das várias idéias propostas. Este questionamento só torna a fé mais forte.
É natural questionar qualquer um que proponha que Física e Filosofia, ou mesmo Física e Matemática, sejam antagônicos, apesar de um lidar essencialmente com o concreto, com o observável, e o outro lidar com o abstrato. A razão porque acreditamos na solidez de todas estas ciências é porque elas são apresentadas ungidas de argumentos inteligentes, e quando possível, observações empíricas. Além disso, todas ciências são passíveis de questionamento. Apesar de na prática, os grupos de pessoas que participam ativamente de atividades nesta área se comportarem muitas vezes como fanáticos religiosos. O fanatismo já matou vários cientistas famosos que tiveram idéias corretas relegadas ao segundo plano por fanatismo, como por exemplo Boltzman (físico). Até mesmo em tempos recentes, as correntes que apoiam e criticam a teoria quântica da matéria, que apesar das aparências, não é completamente aceita como modelo da realidade física, se degladiam em congressos com argumentos quase religiosos. Em outra área, a teoria das cordas propõe um modelo detalhado da matéria que é praticamente impossível de se verificar empiricamente. Wolfram, questionado físico de Caltech, também propõe um modelo para universo, que ele mesmo admite ser impossível de se verificar empiricamente. Ainda assim estas idéias são consideradas providas de razão.
A construção intelectual da fé religiosa é possível, e defendida na maioria dos escritos religiosos que já li. Inclusive, a verificação empírica das idéias apresentadas é ardorosamente defendida tanto nos Upanishads, quanto no Torah e no Corão. Hoje, a maioria de nós só está exposta a uma face do poder da religião: como instrumento de controle das massas. Em verdade, a busca pela verdade, inclusive a verdade espiritual através da religião, é sempre uma jornada solitária e individual. E é aí que reside a proposta da maioria dos preceitos religiosos. Quem lê a bíblia em busca de padrões de comportamento ou regras para julgar os outros, perde a sua essência, afinal, a iluminação proposta por Jesus só é possível trilhando o caminho, questionando a fé com inteligência, e verificando empiricamente as idéias propostas.
Neste ponto, gosto muito dos Upanishads, que dizem que em realidade, a razão do homem é também um atributo divino. Que nunca devemos abandonar a nossas faculdades racionais para se acreditar em algo cegamente. Mesmo a crença em Deus (e o que é Deus?) é passível de verificação empírica, desde que este seja o objetivo da busca. Os caminhos para a auto-realização (a observação da realidade além de nossas faculdades correntes) são múltiplos. Mas a busca é inerentemente solitária, e para trilhar o caminho que se abre adiante são necessários muita inteligência, perseverança e questionamento. Os próprios códigos religiosos se tornam obsoletos pois o caminho a ser trilhado é individual e as descobertas são para nós mesmos. Nisto, não existe diferença entre religião e qualquer forma de pensamento humano. As grandes descobertas do homem, tanto aquelas que são públicas quanto aquelas que são individuais, próprias, são sempre dele para ele mesmo. São internas.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 09, 2003/
domingo, junho 08, 2003
MERGULHO
Prefiro continuar distante. Uma miragem. Um mergulho em águas claras. O sol queimando a cara. Meu corpo, meu corpo. Dourado. Lindo. Olhos cerrados. Respiração ofegante, minutos casuais, alegria sem cautela. A lua, noite adentro. Espero alguns instantes, por aquele momento, por este momento. O desejo, sempre o mesmo desejo. Sempre fui a mesma pessoa, desde que me conheço. Mergulho de novo. Vento gelado, vento frio. Vento de verão. Um instante de paz para sempre. Que tudo é, isso nós todos já estamos certos. Já combinamos com o universo, com o resto. Só porque eu sou, porque eu estou, porque viver parece ser angústia é que não tem explicação. Pedaços demais para um quebra cabeça só. Por isso, só por isso, espero pelo vento. Pela água quente refrescando o meu corpo novamente. E com um grito de alegria, alívio, vitória, deixo meu espírito, aceito viver de novo. E o vento, sempre o vento, resolve tudo, a onda, meu sentimento, e a fé dentro do meu peito. E fico só. Contemplando o tempo, o vento, a água e o momento.
nóia do Ram em domingo, junho 08, 2003/
LEITURA
Por favor, façam um favor para mim e leiam Philip K. Dick, e confirmem comigo se ele é realmente tão bom quanto estou achando que ele é. Acho que estou ficando muito presunçoso... But lil'phil rocks at 60 miles an hour.
nóia do Ram em domingo, junho 08, 2003/
PRETENSÃO CYBERPUNK
Luzes metálicas, ácidas, madeira vermelha, cheiro de orvalho. Respiração pulsante. Respiração. O último refúgio. Luzes vermelhas, verdes. Faíscas. Frio. Gelado. Térmico. Muito frio. Olhos cerrados. Amor, ódio. Sensações. Latéx. Cyberpunk. Sugar makes me complete. But diet please, diet please.
nóia do Ram em domingo, junho 08, 2003/
PINANA DA SEMÓIA
O prêmio Tatu-Jabaculê da semana vai para um indivíduo que me disse: "Não sou egoísta não, só que sabe como é, as coisas nunca acontecem como eu quero.", em referência a rejeição de uma oferta de relacionamento para uma francesa (chata diga-se de passagem). O prêmio foi oferecido com a seguinte inscrição: Tatu tá zonzo, Tu tá sozinho.
nóia do Ram em domingo, junho 08, 2003/
PROGRAMAÇÃO CULTURAL
Semana que vem, começa uma semana de atividades mil. Trabalho de bolsa, apresentação de produto, montagem de curso, Fausto na ópera, show da Noé, e sim, a atividade condenável do fim de semana, pois todo bom fim de semana tem uma, show grátis da Daniela Mercury no Golden Gate Park em São Francisco. Vou fingir que estou indo lá para reencontrar alguns conhecidos brasileiros, e para apresentar algumas lindinhas a música popular brasileira. Cataplum!
nóia do Ram em domingo, junho 08, 2003/
FALTA DE LÓGICA
Falta de lógica: não se explica porque alguém é fascinado por assistir um esporte. Simplesmente não tem o menor cabimento, a menor explicação. Vai ver que é condicionamento pavloviano. Ou será que é porque você se sente parte de alguma coisa? Ser um campeão ou um derrotado, jogando um campeonato para o qual você não foi convocado, mas escolheu partcipar. Talvez, ser parte de algo maior que nós mesmos é um desejo secreto de todo ser humano. E o esporte oferece essa possibilidade, ou pelo menos a promessa desta possibilidade.
nóia do Ram em domingo, junho 08, 2003/
RAÇA FLA
Olhei pela janela, vislumbrei uma trovoada, e ouvi claramente: agora vai sair o gol mesmo. Um raio já havia anunciado o primeiro, mas não foi aceito pelo destino. E foi gol, gol do Fabio Baiano aos 48 minutos do segundo tempo. Num jogo em que se tivesse jogado como jogou nos últimos quinze minutos, teria ganho com méritos. Mas foi empate. Dei um pulo da cadeira em pleno café, e acabei tendo que dar diversas explicações. Mas Fla, é Fla.
Nada mal, porque acordei cedo, vesti minha camisa do Flamengo e segui para o Pizza Man, que tem uma teve captando o sinal da Globo internacional. Obviamente, com aquela sorte característica de dia de decisão, a antena estava quebrada. Acabei indo parar num café com internet, e acabei ouvindo o jogo pela internet, numa rádio de Minas, que obviamente torceu descaradamente pelo Cruzeiro. Só que não contavam com a colaboração da minha quase invicta camisa do Fla (uma derrota em mais de cem jogos - desde 1991).
Só é chato ouvir no fim do jogo, o abominável Wanderley reclamando do juiz, que marcou faltas e anulou um gol do Fla no maraca. Pera aí, de índole ruim, e cheio de segundas intenções, é mesmo sabemos quem... Agora, é seguir com raça para ganhar no Minerão !
nóia do Ram em domingo, junho 08, 2003/
sábado, junho 07, 2003
MEXI NO TEMPLATE
Como estava achando aquele amarelo todo meio cansativo, apesar de ser minha cor predileta, me livrei dela na área principal. Como eu sei muito pouco de HTMLê, a minha mexida resultou no novo visual. Não me perguntem como o branco foi parar onde foi. Infelizmente, especialmente para o LEM, tive que remover a gif com as pedrinhas, já que o esperto que preparou a figura incluiu bordas pretas como sendo parte da imagem. Espero que gostem do novo visual. Ah sim, roubei idéias do blog da Aline (o título em maiúscula), do Daniel (remover as bordas) e do Lima (fundo branco).
Como brasão do blog, a frase do famoso filósofo Safrão. Ah sim, deixem alguma indicação da legibilidade do novo formato. No meu micro parece que tudo esta bem. Se bem que creio que a ilegibilidade talvez seja uma benção... E para matar saudades, seguem as pedrinhas:

nóia do Ram em sábado, junho 07, 2003/
CALCANHAR DE AQUILES
Um americano me disse semana passada, que viu coisas ótimas enquanto morou no Brasil (dois anos). Mas que o calcanhar de Aquiles do brasileiro, e uma das razões porque muitos projetos dão errado (ele trabalha com análise e desenvolvimento de projetos gerenciais) é porque o brasileiro é "muito invejoso e vaidoso no trabalho". Eu: "O que?", pois o português dele era mais ou menos bom.
Pois é. Nas palavras dele. No Brasil, melhor o projeto dar errado, do que eu estar fora dele. No Brasil, meus amigos vem primeiro. No Brasil, antes encontro os problemas e defeitos do que busco otimizar as soluções. No Brasil, sucesso e reconhecimento são a condenação das pessoas. No Brasil, antes tiro o que ele tem do que conquisto o que é meu.No Brasil, é melhor "jogar para eles" do que "fazer para mim". No Brasil, muito mais duvide, critique, do que aplauda, tolere, dê apoio. No Brasil, a imagem importa mais do que o resultado. No Brasil, existe maior preferência por torcida do que por opinião.
Ele falou estas coisas todas no contexto da análise de projetos que não deram certo, e também de planos de organização falhos. Segundo ele, estas foram peculiaridades que ele percebeu na America Latina, especialmente no Brasil. Como a coisa foi surreal ouvi tudo e fui pensar depois. Muitas verdades, e outras generalizações desnecessárias. Mas tem lá suas verdades ...
nóia do Ram em sábado, junho 07, 2003/
PERDA DE SENSIBILIDADE
Acho que o excesso de violência no Brasil, e a falta de mudanças crônica vai fazendo o brasileiro perder as referências. Acabei de ler isto, e depois li os comentários. Não entendi como as pessoas podem aceitar naturalmente, independentemente de porque aconteceu, que uma pessoa seja esquartejada e torturada em plena luz do dia. Não existe vaidade que justifique a morte de alguém. Será que estamos perdendo as noções básicas de direitos humanos? Como deixei no comment por lá, uma coisa é ser morto por bala perdida numa guerra, e outra é ser esquartejado porque o poder público simplesmente não tem controle da situação. E mesmo sendo diferentes, em ambos os casos será que estar indignado é errado? Ao invés de se buscar culpados, porque não exigir soluções? O Brasil está se tornando um país onde não é possível a garantia de direitos básicos, como propriedade privada (sim, invasões), o direito a vida e expressão e educação e saúde... O pior é briga por vaidade no meio disto...
PS: E não fica um cheiro suspeito no ar, quando outro jornalista, não tão popular, se mete a discutir vaidades? Para dizer o mínimo... Ainda bem que ninguém é santo.
nóia do Ram em sábado, junho 07, 2003/
sexta-feira, junho 06, 2003
FELICIDADE NÃO SE COMPRA EM BAR
É genética (ah, fala sério. É, ainda bem que não sou feliz, sou só eu! )
nóia do Ram em sexta-feira, junho 06, 2003/
SENHAS DA LUA E SEIS CENTAVOS
(para eu me lembrar depois)
"Why do nice women marry dull men?"
"Because intelligent men won't marry nice women."
"It is always distressing when outraged morality does not possess the strength of arm to administer direct chastisement on the sinner".
"I was prepared to be persuasive, touching, and hortatory, admonitory and expostulating, if need be vituperative even, indignant and sarcastic; but what the devil does a mentor do when the sinner makes no bones about confessing his sin?"
"It is not difficult to be unconventional in the eyes of the world when your unconventionality is but the convention of your set. It affords you then an inordinate amount of self-esteem. You have the self-satisfaction of courage without the inconvenience of danger."
"It is not true that suffering ennobles the character; happiness does that sometimes, but suffering, for the most part, makes men petty and vindictive."
"... and it was as absurd to blame him for not feeling them (compassion, gratitude) as for blaming the tiger because he is fierce and cruel."
The Moon and Six Pence , W. Sommerset Maugham
nóia do Ram em sexta-feira, junho 06, 2003/
Anotações de canto de livro (9)
More than anything I love my loneliness. It defines me. My eyes are me. I am scared of my eyes sometimes.
nóia do Ram em sexta-feira, junho 06, 2003/
Anotações de canto de livro (8)
Lust does not justify love.
nóia do Ram em sexta-feira, junho 06, 2003/
Sem se dar conta
Sem me dar conta, eu estava sentindo falta do meu carrinho... Agora com ele parado do outro lado da rua, sinto como se um velho amigo estivesse de volta. Já estou planejando uma ida ao Vale do Napa e a San Diego com ele, e com mais algumas outras personalidades não automobilísticas. E eu que pensava que não me apegava as coisas... Ainda bem que ele é japonês e portanto pode ficar comigo por uns 10 anos mais.
nóia do Ram em sexta-feira, junho 06, 2003/
Livraço
Bateu fundo, "Moon and Six Pence" (Maugham). Não é para quem tem estômago fraco, e tendência a levar filosofias de romance a sério.
nóia do Ram em sexta-feira, junho 06, 2003/
quinta-feira, junho 05, 2003
Vegetariano, que saco !
Pois é, porque alguém "se torna" vegetariano. Conheço pessoas que nunca comeram carne, e portanto o organismo rejeita a carne, por não produzir as enzimas necessárias para a digestão de proteína animal. Mas este não é o meu caso, então porque?
Um monte de gente me pergunta porque abandonei os prazeres da carne vermelha, branca, amarela e rosa, (mas mantive meus prazeres carnais diga-se de passagem), e em geral a resposta é que não pensei muito nisso. Além de querer ser o desmancha prazeres da maioria dos jantares e festas, ser vegetariano, especialmente entre brasileiros, faz as pessoas sentirem simpatia por você (ah tadinho, não tem nada para ele. Hmm, que tal um beijinho?). Se isso não fosse razão suficiente, em algum ponto do tempo cheguei a conclusão que não queria mais comer carne, que não precisava e iria tentar viver sem ela. Como me senti melhor, ao menos quando aliado a prática de meditação e yoga, adotei. O resultado é que o organismo aos poucos "desacostuma" ao sabor e cheiro da carne, e passa aos poucos a rejeita-la, já que é uma forma de alimento pesada. Uma vantagem é que reduzi consideravelmente a quantidade de sono que necessito, de 8 para 5 a 6 horas diárias. E o meu custo de alimentação é consideravelmente mais baixo, exceto em restaurantes afeitos a modismos.
Mas cuidado. Não comer carne significa que você deve monitar constantemente, inclusive com acompanhamento médico, os níveis dos diversos nutrientes no seu organismo. Em geral, a redução em proteína tem que ser compensada utilizando substitutos como leite de soja e feijões variados (que são muito comuns em refeições indianas, por exemplo). Mas ao contrário da crença geral, a quantidade de proteína animal, que na verdade é ofericida por soja e feijão também, necessária para o nosso organismo equivale a comer dois peitos de frango pequenos a cada 7 dias. Ou seja, com cuidado podemos continuar a ser saudáveis comendo bem menos carne do que a maioria ingere, sem radicalizar para o vegetarianismo. Mas me sinto mais feliz em saber que existe uma forma de alimentação barata que pode vir a auxiliar no combate da fome, e que esta fonte é o suficiente para me manter vivo e funcionando bem. Se eu me animar, talvez um dia volte a comer carne. Talvez não. Carne vermelha, provavelmente nunca mais, já que não como fazem 7 anos, e nao me apetece o paladar.
PS: Um nutricionista me disse que a maioria das pessoas, vegetarianas ou não come muito mal e de forma desbalanceada. O ideal, segundo ela, é que um teste nutricional seja realizado a cada ano ou ano e meio.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 05, 2003/
Pratos Vegetarianos
A maioria das pessoas imagina que pratos vegetarianos sejam legumes cozidos com alface de acompanhamento. Felizmente, para pessoas que preferem não comer carne, como eu, a comida vegetariana é bem variada. Uma boa refeição vegetariana é aquela que não te deixa com a sensação de que a carne andou em falta. Pois bem, para induzir uma boa experiência vegetariana eu sugiro um bom restaurante italiano, que em geral tem opções de pasta maravilhosas, ou um restaurante com tons asiáticos, especialmente comida chinesa ou indiana. Depois gradualmente, pode se incluir comida da Malásia, comida mexicana, e pasmem, sushis e sashimis vegetarianos. Mas acho que isto deve ser uma exceção de Berkeley. No Rio, um dos melhores pratos vegetarianos disponíveis é a comida caseira do meu lar, na Grande Gomes, ou no restaurante Pé na Tábua em Vargem Grande. O centro e Botafogo também oferecem ótimas opções. Se quiserem receitas, sugiro este site.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 05, 2003/
Fusão
Hoje a fusão entre MPB e drum'n'bass já é quase lugar comum. Pois bem, os argentinos obviamente não poderiam ficar para trás. Confiram neste site, o projeto Gotan, um grupo que faz a fusão de Tango com música eletrônica (gotan é tango com as sílabas invertidas). Isso mesmo, tango. Vale uma olhada nos vídeos com performances ao vivo, que são bem elaboradas e além do típico telão, só que passando filmes dos anos 50, incluem parceiros de tango. Estarãm em SanFran em julho, a conferir.
nóia do Ram em quinta-feira, junho 05, 2003/
quarta-feira, junho 04, 2003
Oba !
Acabei de receber minha carteira da California. O exame de leis de trânsito foi tranquilo, mas me impressionou que se você reprova - erra 6 multipla-escolhas em 36 - você faz o exame de novo ali mesmo na hora. E ah sim, é a mesma prova. Sem contar que me deram a prova para levar para casa, logo se eu fosse esperto vendia as respostas... Como não sou, guardei para algum amigo que venha a repetir o exame duas vezes (só pode 3...).
nóia do Ram em quarta-feira, junho 04, 2003/
Piadas de informata-cult
Mais cult em inglês:
Why there can only be 3? Because there is only the matrix, the vector and the scalar.
Why the singularity is near? Because the matrix is not invertible.
Why the matrix is positive? Because it has non zero spectral values.
Why the matrix modulus is infinte? Because it has no finite trace.
What is your rank Neo? It is the dimension less the size of the null space of the matrix.
E finalmente, the ultimate-geekeness,
-What is the matrix Neo?
-It is what it is morpheus, it is:
[0 42 42
0 69 42
0 0 69]
-And you see, that is not the identity. The singularity is near.
-Yes. There is a zero eigenvalue. But two are at 69.
-It is a message from the matrix, neo. It is a message from the matrix. And the matrix is not toeplitz.
PS: Se você não fez álgebra linear, acho que é meio fora de propósito entender as piadas acima. Mas podem ficar certos que 42 é a resposta.
nóia do Ram em quarta-feira, junho 04, 2003/
Where are you going to go Neo?
Esta parece ser a pergunta que reina na cabeça de Neo, o nerd-engenheiro-programador (parecido com vejamos quem?), protagonista da Matriz. Pois é, acordei hoje, quando deveria estar lendo o meu livrinho de trânsito, e me dei conta que esta é minha pergunta também. Por enquanto descobri que tenho que ir para 501 85th Ave. em Oakland. Mas e depois? Jack London square para um café talvez. Ou talvez, na realidade, viver é não saber para onde se vai. Ainda bem que ainda não descobri que sou o um, o dois ou o três, afinal depois disso começam a se esgotar as desculpas para responder a perguntinha da alma... So, back to the matrix !
nóia do Ram em quarta-feira, junho 04, 2003/
Esperanças
Estou lendo agora a minha cópia do livirnho de trânsito porque tenho que transferir a minha carteira de motorista do Texas para Califórnia. A capa tem um campo de flores laranjas, que estão por todos os cantos da Califórnia. Num momento de lirismo, imaginei com minha carteira californiana, dirigir nas highways de LA, em meio a loucos e lunáticos (que é como dirigem por aqui), observando flores... Ai, ai.
nóia do Ram em quarta-feira, junho 04, 2003/
Universidade pública
É doloroso ouvir propostas rídiculas de cobrança de 2% ou 3% do salário de pessoas que atenderam a universidade pública, com o argumento de que "riquinho tem que pagar". Cobrem mensalidade. Não imposto. Sejam decentes uma vez na vida com as pessoas que trabalham. Porque não cobrar 5% do ladrão de merenda e dos brinque-bancos? Pior é saber que se eu vou bem no meu país, eu pago. Por outro lado, se estivesse num banco, ou sendo empresário inescrupuloso, o pior que pode acontecer é que se eu fizesse palhaçada e acabasse com meus negócios (coisa difícil com rentabilidade de 32% sem criar empregos ou mover uma palha), o governo vem me ajudar...
Enquanto isso, no país do Bush, que é "mau", ninguém é forçado a contribuir para as universidades, exceto o que se paga pela mensalidade universitária. Em Berkeley, isso equivale a US$ 16,000 por um curso de 4 anos e um diploma que garante um salário mínimo várias vezes maior que este número. Ah sim, isso sem contar bolsas e ajudas de custo, ou empréstimo educacional a juros zero. E ah sim, isso sem contar educação pública de qualidade durante 13 anos (porque segundo grau aqui são 4). Igualzinho ao Brasil né?
PS: E deveriam acabar com ilusões. 70% da renda de Berkeley e 60% das rendas do MIT e Stanford (particulares) vem da teta do governo. Educação é assim. Você paga esse dinheiro, e com a máquina engrenada, as pessoas produzem riqueza o suficiente para mais do que compensar isto.
nóia do Ram em quarta-feira, junho 04, 2003/
Para quem acusa os americanos...
Não é engraçado que a aprovação do Lula esteja em 70%, apesar de ele conduzir uma política idêntica a do FHC, ou até pior, porque mentiu? Não é engraçado que este grupo de pessoas apresente propostas copiadas letra a letra de propostas do governo anterior, as mesmas que rejeitavam veementemente (previdência)? Não é engraçado que os bastiões da igualdade, volte e meia criticam a independência do judiciário, especialmente quando apertam o cerco contra deputado vermelho? Não é engraçado que o PT expulse os "radicais" do partido que "questionam" a política de juros altos e definhamento da classe média (o único lugar de onde se pode tirar dinheiro na fonte)? Não é engraçado que o atual presidente e vice-presidentes apoiam governos condenados por crimes contra humanidade ou contra direitos humanos só porque é de seu interesse? Não é engraçado que os jornais, todos abarrotados de colunistas e repórteres de esquerda, publicam notícias com um viés claro? Não é engraçado que a CPI do narcotráfico de São Paulo que envolve três prefeituras petistas, incluindo duas onde seus respectivos prefeitos foram assassinados, tenha morrido na praia? Não é engraçado que o PT use artimanhas de marketing para anunciar políticas e resultados que são realmente insignificantes, os mesmos métodos que criticavam nos antecessores? Não é engraçado que o atual Ministro da Fazenda é acusado de desviar verbas da sua prefeitura para favorecer amigos na merenda escolar, mas isso é solenemente ignorado pela mídia? Não é engraçado que qualquer um que critique o governo, ou suas políticas recheadas de maldade e mentira, pois ferem as promessas de campanha, na maior hipocrisia coletiva da nossa história (pois se elegeram na esperança de um povo que raramente tem esperança)? O mais engraçado é que até um ano e meio atrás os mesmos políticos que eram radicalmente contra este tipo de coisa, agora abusam e usam, jogando futebol num campo iluminado pela viúva, com churrasqueira projetada pelo Niemeyer e casinha de cachorro paga pelos impostos do meu pai. Isso enquanto me acusam de ser riquinho...
Antigamente, um ano atrás, todas estas atitudes eram coisa de neoliberal, monstro comedor de crianças, que quer fomentar a miséria do nordeste e prender a mulher negra e favelada. Coisa de americano, Bush e tucano... Só se diz: quem te viu quem tevê. E só para ficar claro, sim, ter vontade de mudar, e querer que as coisas sejam melhores no MEU país, também significa ficar de olhos abertos e denunciar hipocrisias e comportamentos sórdidos. Isto é cidadania. Se você quer ver aonde a mentira leva, leia o que o Fidel escreve sobre Cuba e visite Cuba...
nóia do Ram em quarta-feira, junho 04, 2003/
segunda-feira, junho 02, 2003
Festival da criança
Ontem fui a um show todo montado por crianças. Faz parte do projeto "Say it Thru song" de um ginásio público aqui de Berkeley, que consiste em levar músicos profissionais para compor músicas com os alunos da 5a série. No fim gravam um cd, e o dinheiro arrecadado com a venda vai para patrocinar a gravação do cd seguinte. A intenção de tudo isso, é ensinar para as diversas comunidades pouco privilegiadas (isso mesmo, carente é termo forte demais para o que vejo aqui) que elas podem se expressar utilizando palavras. Além disso, o projeto também quer aumentar a eficiência do ensino da língua para as crianças.
O CD é muito bacana, com encarte de boa qualidade, e músicas ótimas, até porque os músicos, todos voluntários, foram escolhidos a dedo. O show que eles fizeram foi ótimo, e por 15 dólares ganhei um cd, e pizza com coca-cola de graça e a vontade, além da música ao vivo. Uma das coisas que me entusiasmou no show foi perceber o grau de envolvimento das crianças com as suas músicas. Uma demonstração prática de que todos temos alma de artista, de músico, pintor, cientista (isso mesmo, cientista é artista !). Ah sim, como fui parar lá? Essa eu deixo para adivinhação.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 02, 2003/
Pedaços de titica
Li, novamente no Limãozinho, que o ser humano está cheio de titica de galinha na cabeça. Eu, que não tenho nada ver com isso, só digo que as pessoas escolhem com quem elas se metem. Se você quiser, evita a titica, que na verdade não é titica. É relativismo. O que é titica para uns, é manjar para outros. Eu, de minha parte, que já não agüenta mais ficar observando falhas e defeitos, procuro ficar perto da mesa do que considero manjar. Assim, olho para a titica de longe, e num momento de cumplicidade, acaba me parecendo um daqueles pratos exóticos, que quem sabe um dia vou acabar experimentando.
nóia do Ram em segunda-feira, junho 02, 2003/
Pênalti
Sabe o que é um pênalti? É aquela falta dentro da área. Em geral, aos 30 e poucos do segundo tempo, quando o time que sofre o pênalti provavelmente não vai ter tempo de reagir, de se recompor, caso sofra o gol. O pênalti sempre acontece quando o jogo está difícil, e se trata de alguma espécie de decisão, do rebaixamento ao título do campeonato. E numa grande ironia, o mundo se aglutina na figura de dois jogadores, o que cobra e o que defende. Ambos os times podem se destruir, caso o jogador que cobre perca o penal, ou caso o jogador que defende aceite o gol. Um cataclisma instantâneo. Torcidas em silêncio. E, aí acontece o gol, ou ele não acontece. Ambos eventos comemorados por uma ou outra torcida. Mas o mais engraçado, é que os torcedores de ambas torcidas se unem. Uns na tristeza, outros na alegria. No fim do jogo, comemoração, mas também em cada torcedor aquele sentimento amargo do penal, pois afinal, poxa, vencer ou deixar de vencer por causa do pênalti é coisa da imprevisibilidade do destino, controlada por um cara de roupa preta, que todos desgotam, o verdadeiro Deus da raça dos gramados, o sr. Eustáquio da Costa, apitador da FIFA.
Agora vejam vocês, isso não é igual a viver? Depois me contem. Eu agora vou lá me preparar para cobrar pênaltis.
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