Uma voz a mais, a menos.
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Ram Rajagopal
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domingo, outubro 31, 2004
BUSH VS KERRY NA RETA FINAL
Pois é, eleições na reta final. Green Bay Packers ganharam o jogo, portanto os esperançosos por uma presidência "democrata" tem mais um indicador. Por outro lado, alguns números são positivos para Wyah (o Bush), como o fato que aparentemente 50% dos indecisos estão inclinados a votar nele (o padrão histórico é 70-80%), e as últimas pesquisas registraram avanços de sua candidatura em estados chave. Por outro lado, em todos estados chave, ele tem menos de 50%, o que em geral sinaliza desastre para quem busca reeleição.
Ou seja, estamos em terra de ninguém nesta eleição, e ninugém sabe quem ganha. E já em andamento ataques de ambos os partidos contra a integridade do processo eleitoral... Mas só para terminar, muita gente me perguntou o que penso desta eleição, quem apoio, para quem estou torcendo e tudo mais.
Apesar da minha falta de simpatia pelo jeito grosso e muitas vezes perturbador do Bush, não ponho muita fé no Kerry não. O mundo, com Bush ou com Kerry estará igualmente servido por um presidente preocupado em acabar urgentemente com uma situação delicada (Iraque), e em recuperar a economia aqui.
Só tenho certeza de uma coisa: Bush ganhando, este país vai ter menos impostos ainda (oba!), e menos mecanismos de proteção social - que não sei que efeito terão na sociedade, pois como sabemos a maioria aqui não parece preocupada com isso mesmo hoje quando tem pouco. Por outro lado, para o Brasil, a presidência Bush me parece bem mais promissora do que a Kerry, que está completamente amarrada as famosas frentes sindicais. E haja aço, laranja, camarão, e avião para competir com as barreiras fiscais americanas...
Por outro lado, Kerry na presidência vai escolher 3 juízes da Suprema Corte dos EUA, que num tempo em que o mundo parece dar uma guinada para o conservadorismo cego, pode definir muito do que virá a ser a nossa cultura da tolerância. Pois não se enganem, os padrões de liberdade e tolerância do mundo estão muito ligados aos praticados aqui (não digo completamente, mas são muito afetados). Se 3 juízes conservadores linha dura forem postos na Suprema Corte, praticamente todas decisões - inclusive a possível revisão do caso do aborto - serão nesta direção...
Portanto, toda esta ladainha para dizer que a dúvida é meio cruel. Só digo que é impossível ter simpatia pelo Bush, mesmo com toda mentira do Kerry. Não tanto pela persona do Bush, mas mais pela inclinação um pouco exagerada de satisfazer os conservadores religiosos. E olha que sou um cara conservador e religioso... Mas sei que o limite da minha prática religiosa termina na porta do meu quarto, pois o mundo é um lugar de tolerância e não um lugar onde devemos adestrar os outros com a nossa fé. A fé é natural. E deve ser usada como guia na conduta pessoal, e mesmo para agir na sociedade, por aqueles que a tem... Isso é muito diferente, de misturar imposto com fé.
Finalmente, os democratas também ja me encheram o saco. Na verdade, os Democratas tiveram vários presidentes criativos, mas Kerry não me parece um deles... Vamos ver no que dá. Daqui do meu quartinho em Nova Iorque, diria que se fosse votar na terça feira, colocaria meu voto na coluna dos democratas - até pelo fato do Congresso ser republicano. Mas não me incomoda muito o fato do eleito ser o Sr. Bush. Na verdade, até é bom, para ficar zoando os radicais esquerdinhas de Berkeley, que são tão religosos quanto a maioria dos cristãos radicais.
nóia do Ram em domingo, outubro 31, 2004/
sábado, outubro 30, 2004
QUIROMANCIA?
Para quem acredita que quiromancia é balela, dê uma olhada aqui e descubra se você tem tendência a depressão e/ou abilidades musicais. Segundo professores e alguns amigos que trabalham na área de medicina, esta é uma das áreas mais quentes de pesquisa atualmente: encontrar indicadores de alerta para estados graves de saúde, baseados nas consequências das ações hormonais pré-natal. E aparentemente, a mão contem muitas indicações de tais ações...
Um outro indicador interessante, é que nas últimas 15 eleições para presidentes aqui nos EUA, o resultado do jogo de futebol americano Washington Redskins vs. Green Bay Packers preveu corretamente o resultado. Se o Redskins ganha, o candidato a reeleição ganha, e se o Redskins perde, o candidato perde. Só para ter uma idéia, a chance deste evento acontecer - se acreditamos ser obra do acaso - é de menos de uma em um bilhão (isso aí...)Na verdade, quando o Washington Redskins era Boston Redskins, a tal correlação ainda é valida, extendendo esta idéia para 18 eleições para presidente. Vejam e confiram o resultado do jogo hoje, e da eleição quando sair.
Obviamente, como o Red Soxs, que não ganhava títulos há exatos 86 anos, ganhou virando uma série de jogos contra os Yankees (para quem sempre perdiam com os infortúnios mais ridículos, inclusive uma escorregada no último segundo de jogo ano passado), e ganhou a final numa noite de eclipse da lua. Além disto, foi o primeiro time a ganhar 8 jogos seguidos em uma final, e o primeiro a virar um 3-0 numa série final... Com isso, tudo pode acontecer... Vamos ver.
nóia do Ram em sábado, outubro 30, 2004/
REGRAS QUE NÃO EXISTEM
Uma coisa só que aprendi, nestes meus poucos (e imaturos) anos de vida: ninguém impede você de ser você.
É isso aí, seja quem você é, o é assim por escolha própria. Não existem ordem superior, pressão social, e tudo mais que parece um empecilho para impedir o seu jeito de ser. Houveram tempos de maior dificuldade no passado, devido a condição política, mas mesmo isso era só um pequeno impedimento. Hoje, talvez sua família lhe force a alguma coisa, mas se você quer ser você, ninguém irá lhe parar.
É engraçado como a maioria das coisas que leio por aí, são como desculpas ou razões porque as pessoas não são elas mesmas... Ou será que não são? É melhor amar todo mundo do jeito que eles são agora, do que mudar tudo, e querer mudar de novo, e de novo, e de novo, pois afinal, a única coisa que é para sempre, é imútavel, e é o mais importante (roubando da filosofia oriental...)
PS: Essa única coisa é o sorriso lindo das lindinhas de todos os países... Nada de orientalismo nisso não é?
nóia do Ram em sábado, outubro 30, 2004/
ÓTIMA FRASE
David Brooks, New York Times, em sua coluna: "We are revealed by what we hate."
Pois é, ainda bem que nem todos pensam assim... Que eu me lembre, a educação e amor que ganhei em casa sempre me disseram o contrário: você se revela pelo que ama, então ame tudo, pois o que não merece amor?
PS: Claro, vamos descontar o que o Sr. Brooks disse, afinal ele fez a tal frase no ardor de uma campanha partidária, e a 3 dias da eleição, novamente pensando na questão do reducionismo presidencial americano.
nóia do Ram em sábado, outubro 30, 2004/
ATRAÇÃO
Uma das coisas mais atraentes é o contraste. Em tudo. Seja na pesquisa, seja numa mulher. Numa mulher, é só observar com atenção. As vezes o contraste entre a aparência e a personalidade, o sorriso e a boca, o jeito de falar e os gestos, o silêncio e a intensidade.
Claro que estes mesmos contrastes podem ser causas daqueles problemas sem solução, como uma mulher muito elegante e com aparência felina, que desanda a falar sem parar como um cachorrinho descuidado ou ri como uma hiena.
Portanto, contraste com elegância. É a mesma sugestão do Hilbert e do Gauss para provas matemáticas... Duas de minhas paixões se encontram nesta idéia. Cataplum!
nóia do Ram em sábado, outubro 30, 2004/
SUGESTÃO PARA ELAS
Usem todos os tipos de jóias e bijouterias que tenham azul, especialmente aquela pedra azul coral, e/ou lapis lazuli. Fica lindo no outono, combinando com o amarelo das flores, e contrastando com cabelos ou olhos pretos e castanhos.
É uma coisa que já reparei: mulheres com cabelos, peles ou olhos escuros ficam mais bonitas ainda no outono. Como se as diversas cores claras das folhas e árvores, e o clima esfriando com pessoas usando roupas mais escuras, encontrassem um contraste perfeito.
Outra sugestão, para outono, são cabelos presos ou trançados, que se tornam uma necessidade no frio Nova Iorquino, caso queiram evitar as famosas pontas quebradiças. Para mim, se tornam mais um acessório lindo, e que torna caminhar pela rua um prazer maior. Especialmente acompanhadas das lindas e bordadas saias de inverno.
Bom, não sou muito entendido da moda, mas sou bem entendido no assunto beleza. Podem confiar... Depois me escrevam dizendo quantos fãs cada uma de vocês conquistou seguindo uma destas dicas, afinal vocês todas merecem!
nóia do Ram em sábado, outubro 30, 2004/
FATOR FOXLADEN
A verdade desta eleição é que o canal mais popular da América está torcendo descaradamente pelo Bush: a Fox, e seus noticiários. Que Ruppert Murdoch é abertamente republicano todos sabemos. Só nunca tinha visto algo tão espetacularmente enviesado como este canal.
Quando as bombas sumiram no Iraque, a fox tentou vender uma estória que a própria CIA ou Saddam Hussein haviam destruído elas pouco antes ou pouco depois da invasão. Quando apareceram fotos com as bombas no local ainda, muitos meses depois da invasão, o assunto sumiu do noticiário.
O Presidente foi convidado para uma entrevista de 1 hora durante a quinta feira, onde a única coisa que fez foram piadas sobre seu concorrente, numa clara tentativa de arraigar os indecisos que gostam de "se sentir em casa, e beber um cervejinha com o prez".
Na sexta-feira, de repente, aparece a tal gravação do Bin Laden. Obviamente, ele deve estar nervoso porque se o Kerry entrar no poder, as guerras podem continuar, mas o componente obviamente apelativo as forças espirituais vai sair da conversa... É o pior que poderia acontecer para a Al Qaeda. E todos sabemos da alegria do Bush, pois nessa eleição, como todas suas medidas econômicas foram um grande desastre - e trabalho aqui com várias empresas que estão com pulgas atrás das orelhas, o terror é sua chave para um segundo mandato.
Nas últimas três semanas, Bush assinou quatro cortes de impostos, um direcionado a classe média das áreas rurais, e três aos grandes empresários. Com estes cortes, as empresas americanas estão efetivamente pagando impostos negativos, mas foi necessário por aquela pulga que falei antes... Parece que até empresários estão começando a notar que os cortes de impostos podem dar um pequeno crescimento presente, mas não os grandes ganhos do passado, porque estes dependem mais de investimentos de risco, que em geral são feitos com dinheiro público (internet? saúde? biotecnologia? silício? transistores?bombas? Hmmm, parece que quem custeou 85% destes avanços foi o governo, segundo o DOD).
Boa sorte presidente, e concorrente. Só espero que este país não se torne um reduto dos fanáticos de direita, fora isso não tenho nada contra o Bush. Na verdade sinto que ele é melhor para o Brasil. Mas o reducionismo cristão acaba com uma das bases de pensamento mais importantes desta democracia: a força da coesão, das idéias e do trabalho revertendo preconceitos desnecessários... Enquanto isso, ainda leio que tem gente que defende que o criacionismo seja ensinado na escola. Então, quero a versão hindu, a versão budista, a versão mohamediana, a versão Zoroastra também... Ou as escolas são só para os cristãos da América?
nóia do Ram em sábado, outubro 30, 2004/
quinta-feira, outubro 28, 2004
MAU-BOM HUMOR II
Já que o sarcasmo anda em alta hoje, por dificuldades automobilísticas, vamos logo enviar mais uma opinião daquelas que raramente aparecem por aqui... Opa, virei europeu (hipo-crisia).
Simplesmente, generalizando totalmente, poucos jovens brasileiros que escrevem (inclusive eu), querem agir diferente. Cansei disso. Na verdade, é deprimente notar que as pessoas, com notáveis exeções - que tenho sorte de conhecer, LEM, Suzana, Daniel e outros- parecem mais preocupadas em escrever sobre fantasias.
Me expliquem com clareza: como é que falar de um intelectual morto do século passado está contribuindo para transfomarmos o país? Ou melhor, se você tem algo original a dizer sobre o intelectual morto, ótimo. Mas a maioria não tem. A maioria gosta de fazer grupos de idolatria alimentados por estes intelectuais...
Eu li, e concordo plenamente, esta frase na contracapa de um livro que estou usando para usar Statistical Learning num projeto: "Invention is the best way to solve problems". Vocês tem plena razão de eu ser ninguém para julgar. Mas as vezes, não seria bom formar um grupo para agir? Não seria legal estarmos juntos para sermos amigos e companheiros? Ou será que pessoas que sabem não conseguem ir um milímetro além da sua egolatria? Será que é impossível viver num mundo com mais camaradagem e menos competição? Eu sempre tenho a impressão que as pessoas mais geniais e ativas que conheci são muito companheiras... Mas pode ser impressão.
Estas perguntas estão me incomodando bastante... Tem horas que o Cataplum pensa em parar de existir. Ele já sobrevive em UTI, porque nunca escrevo quando tenho vontade, mas só quando uma voz diz: escreve isso aí que não é seu! (mentira, vocês sabem quando um - a vontade - ou outro - a ordem de sei lá quem - acontecem)... Tem horas que até penso em largar de escrever artigos científicos.
Não quero assistir ao que mais amo, pessoas, sofrendo, de braços cruzados! Não é minha obrigação, mas sei lá... Bom, vamos caminhando devagar. A minha resposta por enquanto são coisas na minha cabeça, que talvez saiam do papel. Além de ignorar o bando de empulhação que existe por aí, e chamam de criar.
"Muitos sobrevivem, poucos vivem.
Poucos criam, mas criar é viver.
São poucos os que criam, e sobrevivem.
O caminho da criação tem um demônio em cada esquina
Quem cria e acha que criou, perde sua criação
Quem cria e se orgulha do que cria, cai na tentação
E assim, quem sobrevive a todos estes feitiços
Sozinho, só então, encontra a verdade:
Todos criam, e todos são a Criação"
---- Jonathan Henry
(Tradução livre de texto achado na rua de Manhattan).
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 28, 2004/
ENGRAÇADO
Eu acho mesmo hilário que o presidente americano atual não ouviria a opinião de nenhum dos carrega panelas brasileiros que escrevem sobre a eleição de lá (incluindo o Cataplum). Tão pouco o Kerry. Um ignora com "decisão", e o outro com elegância.
Mas como sabemos no Brasil, os carrega panelas são muito sensíveis, e só conseguem partcipar em grupos que concordem com tudo que eles dizem. O brasileiro odeia saber a verdade verdadeira se esta for contrariar o que pensa. Ele prefere a hipocrisia européia. Isto se aplica a 99.8% da população do Brasil (Suzana, deixei 0.2% ...).
Então vamos continuar a nossa novelinha, mas a realidade jamais será afetada pelo nosso panelaço.
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 28, 2004/
quarta-feira, outubro 27, 2004
CHANDRA MANGAL
Ou paixão pela lua cheia... O nascimento deste rapaz aconteceu poucos momentos antes da lua cheia, numa estrela que é a favorita da lua cheia... Como se não fosse coincidência suficiente, Shiva, ou Chandra, é a deidade para qual a família reza há várias gerações. E como se faltasse coincidência, Krishna, ou Chandra-moham (rosto da lua), é sua personalidade predileta...
Pois, hoje, aconteceu um eclipse. Um eclipse! A olho nu. Nem estava sabendo. Quando vi, a lua, que coincidência, ainda bem que olho para ela todo dia, estava desaparecendo... E o que acontece nas ruas de Manhattan, num momento destes?
-Os cachorros começaram a latir, sem parar, os donos não conseguiam controlá-los
-Algumas pessoas pararam para olhar o céu, e seguraram o fôlego por um instante, e na Índia este instante é chamado de visão da iluminação
-Outras pessoas não mudaram sua rotina de andar falando no celular, mas estranhavam as pessoas olhando para cima, mas o eclipse é um momento para todos
-Estranhos perguntavam para estranhos se precisavam de ajuda ou uma coberta neste frio de rachar
-A lua sumiu, sumiu, sumiu! Como é que pode perguntavam as crianças. E amantes se beijavam vendo um eclipse
-A natureza é nossa casa, nosso Deus. Temos muita sorte nesta vida de presenciar eclipses a olho nu, um dos momentos celestiais mais espetaculares.
-Eu fui no meu jardim mais querido daqui, ao lado da Catedral, onde uma estátua em homenagem a loucura da lua, fica acesa a noite. Vagalumes voando perto das lâmpadas e piscando, a sombra das estátuas na catedral, e o eclipse. Brisas frescas e frias faziam carinho nas árvores, que deixavam suas flores de outono cair. Um espetáculo de mais de duas horas, que emocionou muitas pessoas. Coisa para não esquecer porque estamos vivos...
Pois então, a lua é a paixão da nossa mente. No eclipse, pedimos para que a nossa mente se ilumine, e tome paixão pelo mundo. E a lua retorna, quem sabe, ninguém sabe, esplendorosa. O eclipse também satisfaz a mágoa de todos que por ódio a Shiva pediram que ele fosse embora. E como ele ama a todos que pensam nele, em sua eterna compaixão ele desaparece por um instante. E a paz que isso traz é indescritível. E no momento seguinte, toda nossa mente é contaminada pela dança côsmica do universo, por visões de estrelas, do céu, de brisas, pelos sons das folhas se mexendo nas árvores, pela dança do Nataraja (ou Shiva).
Ficamos, pois fomos muitas pessoas juntas, neste noite em que até nos cafés as pessoas estavam loucas, contando piadas, pedindo licensa, sorrindo de graça, a maioria sem saber do eclipse, mas sendo afetado por ele, estas e especialmente as muitas pessoas que passaram várias horas assistindo ao eclipse, se senitram loucas, unidas e completamente incapazes de falar por algumas horas... Caí na cama quando cheguei em casa de elação, estava gritando loucamente na rua, eu e vários outros, e rindo, gargalhando. Que noite... Que noite. Logo quando estava começando a esquecer a beleza do universo, uma noite destas.
PS: Quem nasce sob a lua cheia, em geral é louco. Pelo menos instável. Assim diz o mito.
PS: Sei que minha descrição não fica nem um átomo perto da experiência... Mas queria muito compartilhar com vocês todos, porque soube que o eclipse não pôde ser visto a olho nu no Brasil... Não se preocupem não, inclui o nome de todo mundo que me lembrei durante a minha prece pelo retorno do Deus dançarino.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 27, 2004/
ELEIÇÃO PARA DONO DO MUNDO
Direto de Nova Iorque, observações para a eleição norte-americana para dono do mundo, imperador da verdade, lúcifer capitalista, e muitas outras alegorias imaginadas por radicais de direita, esquerdinhas, e mezzo-mezzo ao redor do globo:
*A qualidade da pizza continua sendo assunto mais importante da eleição, pois na pizzaria ao lado do meu prédio, onde uma fatia de cheese custa US$2,00, o dono, que chama todo mundo de "boss", respondeu a pergunta do cliente sobre a eleição com "hey boss, all these are the same story, and I am still in the mill", com a qual o cliente respondeu "rich-playboys and man, my mill is broken", "Boss, i get you".
*Red Sox ganhou 3 seguidas? Isso está deixando mais gente em cabelo em pé, do que o fato que Kerry é um flip-flap-flopper, até em matéria de beisball onde foi dar uma de entendido e criou um jogador misturando o primeiro nome de um, com o sobrenome de outro. Red sox ganhou 3 seguidas! Isto está deixando mais gente em pé do que o Man are from Mars, truth is from Venus do Bush em campanha pelo Globo afora (isto é, centro-agrário americano)
*A gasolina está começando a incomodar. Ontem, porque estava 10 cents mais barato, todos os postos estavam entupidos. Gente nervosa... Por outo lado, Nova Iorquino está sempre nervoso, por isso não tomem isto como barômetro firme da situação.
*As pessoas falam da eleição, mas a impressão é sempre daquele interesse que todo mundo tem em saber resultado de loteria. Você até dá uma olhada nos números, ouve o nome de quem ganhou, e continua a vida no dia seguinte, justificando que um pobre coitado merece ter mais sorte que você, que nem apostou. E em geral comenta com algum amigo que o cara certamente vai queimar o dinheiro rápidinho...
*A melhor análise política que eu li, foi a da New York Press, passando o malho em todos os colunistas políticos americanos em uma espécie de competição para descobrir o pior deles, em todo intervalo de Lebesgue ([0,1], com medida uniforme). Coisa que me fez gargalhar alto enquanto andava para o metrô...
* Se o Bush ganhar, quem ganha é o Kerry, que não vai ter que se estressar com os republicanos que mandam e desmandam no senado. Se o Kerry ganhar, quem ganha é o Bush que vai poder retornar para o centro da terra (no centro dos EUA), e curtir suas férias na fazenda, promovendo as reformas verdadeiras que ele tanto põe fé.
*A coisa que mais as pessoas comentam são os outdors preparados por um grupo de empresas de moda e estilo, e por artistas especialmente do meio pop-rap, que convidam você - o jovem- a votar. É uma associação "bipartisan", ou seja que nem o Lula. O outdoor a caminho do trabalho lê: "Our search for intelligent life continues. It's called an election. More 100 million voters made a huge impact on the last election. They didn't vote.", com uma mulher gostosa mostrando os peitos através de uma camisa de setim.
*A eleição virou mais uma questão de estilo do que qualquer outra coisa. Muita gente comprando camisetas com slogans convidando a votar, ou apoiando um candidato direta ou indiretamente. A minha preferida, que também foi feita pelo grupo associado a rappers (e também sem afiliação política) Summit Action Network's Hip Hop Team Vote que diz:
"Vote or Die". Um involuntário resumo da eleição atual, já que o Arbusto parece estar planejando uma convocação de reservistas na berlinda...
*Eu particularmente nem vou trabalhar no dia da eleição, apesar de não ser feriado aqui. Engarrafamentos, republicanos paranóicos e democratas exaltados, ataques terroristas, e muitas coisas mais conspiram para minha opção... Obviamente a melhor delas, uma desculpa para ficar em casa lendo "Tropical Mathematics", um artigo em polinômios, e o livro do Kreiszig.
E finalmente, ganhe o arbusto, ganhe o cara de madeira, tudo vai continuar na mesma. A verdade é que até que seria interessante o Bush ganhar e colocar todos os juízes afinados com Deus e anti-aborto na Suprema Corte. Assim, posso ver como é ter pessoas super autoritárias que gostam de controlar os mínimos detalhes da vida dos outros, de acordo com suas crenças abstratas e fundadas em bla-bla-bla... Mas pera aí, isso parece ser o Brasil?!!! O que se precisa tanto nos EUA, quanto no Brasil é o retorno do Império, e o fim desta coisa chamada de eleição... Dêm um feriado a mais todo ano, e acabem com os políticos. o mundo vai melhorar bastante.
PS: Eu estava aqui pensando, o Bush não parece aquele menino chato do colégio que sempre quer ser o Luke Skywalker, e pode porque tem todos os brinquedos que o pai comprou de uma vez? E o Kerry não parece aquele menino chato do colégio que não quer brincar com ninguém porque só tira 10, e a mãe acha que o filho é gênio, e por isso mima ele com idas anuais aos alpes - não a Disney? Alguém têm dúvida que o Kerry nunca brincou de verdade?
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 27, 2004/
SHOW DA ANA CAROLINA
Definição de cantora bêbada: mal consegue ajustar e segurar a própria guitarra, precisando da intervenção de um assistente.
O show foi bom, o lugar foi a cidade mais perigosa dos EUA, que por coincidência é uma das com maior densidade de brasileiros (Newark, NJ) - a razão é que pela violência, as casas são baratas -, e no lugar do show além de uma longa fila para deixar o seu casaco, haviam grandes números de mulheres que viraram a casaca.
Mas, como nada é de ferro, várias prostitutas também estavam na platéia e arrumaram clientes. No fim do show, a Ana Carolina permitiu a entrada de 5 garotas de mini-saia no camarim, que apareceram cerca de uma hora depois sorrindo muito. Todos esperamos uma hora, porque a confusão na fila do casaco era grande, ninguém sabia de quem era o casaco, ou quem era a casaca de quem.
Estou mesmo ansioso para voltar ao verão carioca, e rever meus amigos e amigas brasileiros. É muito estranho ser um estranho no ninho, quando a multidão é do seu país. Mas tudo bem, na saída do show, Ana Carolina tropeçou, e só não caiu porque estava bebâda demais para isso e acabou esbarrando no assistente.
PS: porque fui lá? Nada para fazer em noite de frio do sábado, e muita vontade de ir para show... Valeu a pena? A diversão foi garantida... Até conheci uma galera metro-gay-lésbica brasileira de Minas, que é amiga de Bebel Gilberto (cheirada e assanhada), umas socialites cariocas que esqueço o nome, e o estilista mais popular de Nova Iorque, um cara de Juiz de Fora (como a Ana Carolina), que agora é estilista-chefe da Calvin Klein... Ah sim, eles conhecem a Luana Piovani, a Gisele Bundchen com quem entornaram martinis e tem fotos, e assim por diante... O highlight da tal socialite foi quando ela pediu a menina que mora de favor em seu apartamento nova iorquino, para comprar 20 garrafinhas de um perfume que estava saindo de linha... Conta para lá de 2000 dólares só em perfume...
Depois de ouvir as várias estórias, descobri que realmente não tenho como ficar amigo de gente muito famosa. Não tenho estilo, sou meio chato, e gosto muito de coisas simples, e pessoas alegres. Mas tá certo, essa galera metro-gay-lésbica é muito alegre. Inclusive, ofereceram a me arrumar de graça uma camisa da Calvin Klein. Mas quando disse que não me interesso tanto pela amarela sem botões no pescoço, me acharam muito careta. Só gostaram quando disse que Minas tem mulheres lindas, e que o pessoal tinha bom gosto na hora de decorar o apartamento: só quadros bonitos, livros famosos que ninguém lê, e detalhes combinando em verde e amarelo.
Também aprendi que vários trabalham, mas também ganham muitos favores destas pessoas famosas. Na verdade descobri que gente famosa conta por uns 10 apêndices, que se apoiam na grana e no conforto delas. Em troca oferecem consolo emocional, obediência acima de qualquer suspeita, e a tradição oral da fofoca... Também aprendi muitos detalhes sobre as namoradas da Zélia Duncan, sobre as fraquezas da Bundchen - mas nem adianta, não conto -, sobre onde a Luana gosta de ser beijada, e outras leis fundamentais da anatomia e física nacional. Se alguém se interessar, também tenho contato para venda de roupas de moda - Calvin Klein, Gucci - com 60% de desconto, moda chique (para todos os direitinhas enrustidos), gay ou lésbica. Ah sim, depois do desconto a roupa sai por volta de umas 400 pilas (o valor do meu carro em Nova Iorque).
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 27, 2004/
CERTEZAS DO TALVEZ
Sempre que alguém diz no jornal, que talvez tenha cheirado cocaína, pode ter certeza que a figura cheirou e muito...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 27, 2004/
PIADA DA SEMANA
Qual será que foi a piada da semana? Martha Suplicy suplicando? Bush querendo fazer a dança do Michael Jackson - o spin- ao comentar que na verdade os explosivos já foram perdidos há muito tempo, por isso pode ter sido até movidos pela CIA, só que esqueceram onde colocaram? Kerry mentindo que gosta de baiseball e comentando na maravilhosa partcipação de um jogador que não existe?
Ou será que foi mesmo eu ter visto o caminhão de lixo buzinando atrás de um carro que estava parado na rua, até que num arroubo de raiva, um lixeiro jogou um saco de lixo no chão e literalmente começou a fazer "trash talk"?
Acho que pode ter sido o processo por assédio sexual, com detalhes minuciosos, que está sendo promovido contra Bill O'Rielley. o radical de direita e comentarista da Fox News (se me disserem que esta organização não apoia o Bush... Teve entrevista com ele hoje, as 2 da matina aqui, ou seja a tempo de sair no noticiário de amanhã de manhã ao redor do globo... Teve spin do spin, dizendo que na verdade Saddam destruíu os 370 kilos de bomba antes da guerra, por isso "sumiram"...). Sempre me pareceu que estas pessoas obecadas em garantir a pureza sexual dos outros, e exterminar todos os males da sociedade, através de posições moralistas adequadas a coloca-los no topo da cadeia alimentar, são bastante inclinados a estas coisas mesmo... Bill O'Reilley já disse ser "o motor da mídia para manter a decência no nosso país", isso logo depois de uma entrevista com meninas fotos de capa de revista sexy, onde perguntou detalhes sobre a sordidez do trabalho...
Mas como sempre, a grande piada fica mesmo por conta do Vasco. Um tal de cabrito marcou o gol da vitória no Maraca, e os vascaínos já vieram me zoar por e-mail... Mal eles sabem que isto foi um favor do Flamengo... Afinal, não queremos atormentar os pobres jogadores da segunda divisão com cheiro de bacalhau podre... O Flamengo hoje em dia só joga em jogo da seleção.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 27, 2004/
RESERVISTAS DAS FORÇAS AMERICANAS
Em caso de retorno do draft, eu posso ser chamado por ter sido honesto e me afiliado ao exército, apesar de ter recebido o green card a menos de 3 meses da idade máxima que força você a se alistar como reservista aqui nos EUA...
Nada a reclamar, mas só acho que preferia que me dessem logo o passaporte americano, se eu tiver que ir ao Iraque ou a Síria. Além de facilitar a minha entrada, em caso de retorno ao país, também poderia votar no babaca que decidisse me mandar ou me manter no exército. Como nada é perfeito, isso não vai acontecer...
Mas tudo bem, com a minha boa sorte, quem sabe eu não sou enviado para o Irã? Lá eu vou poder passar dias admirando os olhos maravilhosos das lindinhas persas... E também os longos cabelos pretos, e o sorriso de derreter o coração. Tudo tem seu lado bom.
Também não seria show ter o carimbo no passaporte dizendo "Axis of Evil"? Acho que eles poderiam colocar um desenhozinho bem sinistro, todo em preto, gótico, realçando os olhos da entidade do mal com olhos em vermelho... Eu iria dar entrevistas para o New York Times dizendo que acredito na liderança dos EUA, que o importante é fazer o certo e trazer a liberdade para o eixo do mal, apesar do eixo do tanque quebrar de vez em quando... Iria dizer também que estou com saudades de todas as lindinhas na Califórnia, no Texas, em Nova Iorque e no Brasil e na Índia, mas para elas não se preocuparem porque as forças de coalizão já estão "coalizionando"
com as lindas persas...
Finalmente, na volta eu ganharia uma medalha de valor, por ter salvo o Peru de sair queimado quando o presidente KerBush ou Busherry visitassem os pobre coitados durante o dia de ação de graça (pois acreditem o exército paga muito mal aqui também)... Com a minha Turkey Medal, eu poderia me tornar digno de escrever colunas no NYT, ou se puxasse saco o suficente, ser o substituto do Collin Powell, pois afinal não é só ele que sabe fazer imitação de Darth Vader e contar mentira para agradar o chefe... Imaginem só uma coluna só minha na Revista New Republic, onde eu poderia malhar todas as políticas do mundo, mas fazendo uma analise positiva e detalha da distribuição de lindinhas em cada país...
Acho melhor ir dormir, porque está tudo parecendo bom demais para se tornar verdade...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 27, 2004/
domingo, outubro 24, 2004
SUNDOWN, SHOWDOWN
A eleição está na esquina, e parece que os americanos decidiram (assim como todos os políticos ao redor do mundo), reduzir a eleição a dualidades infantis entre dois candidatos. Por exemplo, uma pesquisa recente da Gallup, definiu Bush como sendo o candidato mais decisivo e Kerry como sendo o mais inteligente. Em outra, o primeiro aparece como o mais corajoso e o segundo como melhor administrador. E assim por diante.
Não sei porque, mas os colunistas conservadores dos jornais norte-americanos adoram esta conversa de criança. Suas colunas sobre a eleição, como a do David Brooks (NYT), propagam estes antagonismos imensuráveis para definir a eleição. Como David Brooks colocou, se trata de uma eleição entre um governante que governa do coração (governs from the heart), e outro que governa da cabeça (governs from the head)...
Eu sei exatamente a razão para este fenômeno estar especificamente concentrado nos colunistas conservadores dos grandes jornais. A maior parte dos leitores para quem eles escrevem, se encontram no meio-oeste, e por lá também se concentram os indecisos inclinados a votar em Jesus Cristo. Como a religião cristã aqui explora sempre estes antagonismos, como forma de prática social para melhorar o seu caráter, fica muito mais fácil endereçar qualquer disputa, qualquer idéia nestes termos.
Infelizmente, o que pode funcionar num julgamento de atos simples da vida da pessoa, como infidelidade no casamento ou mentir para os filhos, não se ajusta muito bem para uma campanha política. Quem acredita que um exército foi devastar um país, porque seu presidente é cristão e bonzinho, é tão ignorante quanto aquele que imagina um presidente cercado de fatos, fazendo análises profundas e tomando a decisão sozinho de ir para a guerra.
A verdade é que a política é uma máquina de interesses. A ética tem passado ao largo desta arena em tempos recentes. Ou alguém aqui gostaria de ser pobre no governo Bush? Ou alguém aqui gostaria de ser um advogado contra o Clinton? Sabemos muito bem que com o poder não se mexe, e a devissidão que assola a política está igualmente espalhada pelos quatro cantos do planeta.
Mas, como os americanos imaginam a sua presidência como uma liderança importante e idônea, honesta, a eleição é demonstrada assim. Os americanos ainda não sentiram o impacto da política deficitária deste presidente. São seus filhos que irão sentir, ao irem para a faculdade. Mas até lá, como sabemos este presidente estará sendo coroado como mais um dos grandes da história deste país. Afinal, nem mesmo Nixon, depois de ser enxotado da Casa Branca, parece ter perdido a aura de um grandioso herói.
A razão para isso? Repito aqui, a necessidade do ser humano de ter heróis de carne e osso. Mas heróis como do cinema, cheios de poder e decisão. Como admitir que votamos num salafrário? Impossível, afinal além da queda do herói, acontece também o questionamento da nossa capacidade de decisão. E se tem uma coisa que todo povo anglo-saxão odeia, até hoje, é admitir que estão errados. Podem até fazer ajustes, mas admitir jamais...
Afinal, errar não é para anglo-cristãos... Jesus além de absolver todos os pecados, garante a perfeição da tomada de decisão... Enquanto isso, os párias da sociedade irão continuar onde estão, pois afinal alguém tem dúvida de que os iraquianos irão comer o pão que o diabo do diabo amassou? Mas como nada é completamente imperfeito, a sociedade americana está passando por uma revolução silenciosa... Desta, escrevo mais tarde.
nóia do Ram em domingo, outubro 24, 2004/
DISCURSOS (REVISED)
Reparei que os links abaixo não funcionam por uma jogada do site onde estão hospedados. Por isso sigam aqui as instruções se quiserem ouvir:
Cliquem neste link e escolham yajurvediiya ghanapaaTha ou veda paaTha. E curtam.
nóia do Ram em domingo, outubro 24, 2004/
sábado, outubro 23, 2004
DERROTA DOS YANKEES
Quem disse que americano não tem obsessão por esporte? A derrota espetacular dos Yankees criou em Nova Iorque uma situação parecida com a derrota do Brasil em 82, um silêncio sepulcral. Antes do 4 jogo, todos já contavam com a presença dos infatigáveis e insuportáveis NY Yankees na final da liga.
Ou outro momento que me lembro agora, foi o Fla-Flu, em 95, com Flu campeão e o gol de barriga. E esta sensação parece ter perdurado até a noite de sexta-feira, quando os nova iorquinos resumiram suas funções normais e já começaram a correr por aí.
nóia do Ram em sábado, outubro 23, 2004/
DISCURSOS NO ORIENTE
Alguns exemplos de como são os discursos clássicos indianos:
Em inglês, do Budhismo.
Em sânscrito, do Vedanta.
Em sânscrito, do Vedanta também.
(caso não saibam hindi, pulem os primeiros 2 minutos que descrevem o que está sendo recitado)
Este é um dos meus preferidos.
Na cultura de lá, os discursos tinham duas finalidades: defender e esclarecer uma idéia ou ponto de vista (como estamos acostumados), e o outro levar o ouvinte a uma nova experiência. É ai que entram os discursos cantados das tradições orientais, onde o som transmite tanto quanto as palavras. Ouvindo estes cantos, intuitivamente você pode absorver o conceito que eles tentam passar. Façam o experimento... Eu costumo me imaginar perto do mar, com cheiro de câmfora e o calor de uma fogueira a noite, e ouvir o discurso. E depois de um tempo, repetindo esta experiência, de repente parece clara a mensagem do som.
nóia do Ram em sábado, outubro 23, 2004/
quarta-feira, outubro 20, 2004
FINGIR QUE NADA ACONTECE
Eu odeio ser do contra, mas também raramente consigo fingir que nada está acontecendo, como na onda de ceticismo cínica que parece se proliferar entre os jovens brasileiros que não gostam da utopia dos esquerdinhas.
Os esquerdistas brasileiros conseguiram a proeza de transformar problemas reais em fantasias políticas para exibirem em carnaval. Com isso, problemas que existem, e são problemas mesmo, e são problemas da estrutura econômica e social da nossa sociedade, são vistos como meras invenções do imaginário.
Mas não acredito que nenhum destes novos jovens consigam desfilar suas idéias e suas defesas apaixonadas do sistema econômico atual num gueto aqui de Nova Iorque ou numa favela carioca. Eu duvido que qualquer pessoa que tenha esperado por algumas horas, ou por alguns dias - como já esperei -, por antendimento em hospital público e conversado com a clientela consiga imaginar que está tudo bem com a sociedade.
Infelizmente, mesmo que esquerdistas desonestos tenham transformado problemas humanos em atributos políticos, os problemas existem. E são dolorosos. E mesmo que queiramos acreditar que algum sistema irá resolver o problema, eu lhes garanto que não irá. Quem define o que é "capitalismo" ou mesmo "socialismo chinês"? Qual a diferença, real, hoje?
A mesma asqueirosa demagogia esquerdista parece ter tomado conta de jovens de vinte e trinta da sociedade brasileira. Sempre que tento ler qualquer blog, em geral, claramente se destaca uma posição política e social, condenando os 'intelectuais do outro lado'. Mas nenhum dos lados apresenta medida prática, ou mesmo uma reflexão razoável da situação atual.
Conviver aqui nos Estados Unidos abriu muitos horizontes para mim. Especialmente em conhecer pessoas das mais distintas culturas. Isto também trouxe lições sobre o que realmente é pobreza, miséria, falta de oportunidade, tristeza, dor, e tantos outros sentimentos que se restringiam antes a reflexões intelectuais. Certas coisas que você ouve, é impossível acreditar, ainda mais cercado dos confortos e especialmente do conhecimento, que tenho oportunidade de ter nesta vida.
Só que depois que você partcipa de situações assim, seja indo a um destes países, ou seja esperando na fila dos sem-seguro em hospital de Nova Iorque (porque descobri que meu plano de saúde da California não é válido aqui), o mundo parece ser diferente. Alguns gostam de acusar este sentimento como o sentimento de culpa da burguesia, a dor- por eles dita sem sentido - por ter e outros não terem... Mas no meu caso não se trata de sentimento de culpa, porque a minha responsabilidade "sistêmica" é pagar impostos e ser bom cidadão, o que faço rotineiramente.
Só que existe um componente, que me motiva a viver: humanidade. E não consigo imaginar qualquer pessoa, seja um milionário, seja um negro americano na fila do hospital, como sendo uma pessoa menor, uma ficha do sistema. Cada pessoa, cada vida, me parece, como a minha, uma grande oportunidade, uma fonte de inesgotável conhecimento, alegria e verdades. Sempre aprendi, isso mesmo, sempre, com todas as pessoas que conheci. Até mesmo com mendigos, você pode descobrir quais restaurantes ou que estação do ano é melhor para saúde... E sempre, no momento em que estou ouvindo, aprendendo, algo especial acontece - aquele homem desconhecido a minha frente se torna um grande iluminado, a mesma fonte de idéias que encontro nos meus livros, professores, amigos e parentes.
Os olhos das pessoas brilham quando elas podem compartilhar o que elas são. E o brilho é o mesmo. Portanto, é um pouco entristecedor pensar que os jovens brasileiros que preferem evitar demagogias, prefiram seguir a idéia do caminho contrário e se atracar com idéias tão antigas e demagógicas quanto a que eles se opõem. Se querem a paixão de um Cristo, porque não agem como Jesus? Se querem a verdade capitalista, porque não produzem como os Rockafeller, e contribuem financeiramente - doando - para sociedade como eles? Ao invés disto, sinto que estamos enveredando pelos mesmos caminhos das palavras... A mesma sordidez da esquerda nacional, montada em meras palavras e princípios vazios, se encontra nas palavras resbuscadas e princípios de papel defendidas por vários destes jovens...
Me entristece um pouco, porque acho que as vezes precisamos colaborar para crescermos a sociedade. É um pouco revoltante imaginar que talvez a nossa liberdade de opções seja menor por sermos uma "geração condenada", mas por outro lado, é muito melhor ser parte de uma geração que claramente sabe onde estão os problemas. A existência de dificuldades, e de deficências na sociedade podem se transformar em grandes metas e ideais.
Repetir como um papagaio o que se leu, mesmo que tenha se lido uma biblioteca inteira, não transforma um homem. Ele permanece onde sempre esteve. Somente através de ações, ele pode encontrar um caminho para a transformação. Mais além, um homem que se transforma, seja escrevendo um livro, ou apresentando uma idéia pode se transformar em muitos graus diferentes. Mas, sem dúvida, o maior deles é quando reconhece sua própria humanidade. Quantos Dostoievskis são necessários no Brasil, quando nem mesmo aquele um que já existe não é lido por nem 10% da população? É porque os brasileiros são ignorantes? Então, o que fazer? Acusar? Defender ou atacar o "sistema"?
A resposta é mais simples que a pergunta (?!)... Se você acredita de verdade em suas próprias palavras, faça algo. Construa algo. Ensine Dostoievski aos jovens brasileiros... Ou melhor, seja criativo. Mostre como saber Dostoievski pode lhe ajudar a viver melhor, a ter uma perspectiva mais ampla da vida, e nos momentos de incerteza e dor, estas idéias e pensamentos podem lhe trazer segurança, força e alegria. Seja um indivíduo pleno, feliz, esperançoso, idealista, amante do próximo, capaz de se jogar aos pés de qualquer homem ou mulher, incapaz de proferir palavras vazias. Esta é uma verdadeira e grande contribuição para a sociedade, para o capitalismo, para qualquer ismo... E , se por um lado não vai deixar você famoso ou rodeado de fãs e amigos-admiradores, por outro, você estará na companhia de quase 6 bilhões de pessoas, e entre elas milhões de gênios e criadores do planeta.
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 20, 2004/
domingo, outubro 17, 2004
EDITORIAL DO WSJ
Por sugestão do Daniel (veja barrinha ao lado), fui lá ler o editorial do WSJ sobre Derridá.
Ali, li o parágrafo:
"There is a lot to be said for the old adage de mortuis nil nisi bonum. Jacques Derrida is dead. Let us not speak ill of him. But his ideas are still very much alive. They deserve unstinting criticism from anyone who cares about the moral fabric of intellectual life."
O que me sucitou uma dúvida... Mr. Kimball pode me explicar qual é o "moral fabric of intellectual life"? Morais em idéias? É impossível... Vai ver que é por isso que as pessoas aqui tem dificuldade em aceitar por completo idéias Budhistas, onde coexiste a idéia de um mestre espiritual que guia a sua moral, e ao mesmo tempo a independência completa devido a ausência de uma moral do ego... Mas tudo bem, acho que Mr. Kimball pode estar se referindo a coleção moral cristã (ou judaico-cristã) desenvolvida por milênios de civilização e catequese... Afinal, Jesus mesmo não disse metade do que nós praticamos... Mas daí a ir atacar uma idéia por atitudes morais? Qualquer ataque tem que partir de fundações em outras idéias, não tomar como noção elementar que há uma moral comum a todos cidadãos do planeta. Esta e' uma premissa falsa...
nóia do Ram em domingo, outubro 17, 2004/
BURRICE EDITORIAL
O Globo parece que não tem noção de como funciona o editorial político norte-americano. Fez um estardalhaço de capa, porque o New York Times decidiu - obviamente por ser um jornal liberal - apoiar John Kerry.
Pois bem, ao contrário do Brasil, onde os editoriais tentam projetar uma imagem falsa de imparcialidade, os editoriais norte-americanos quando a eleição está próxima, escolhem e endorsam um determinado candidato. Talvez não seja o ideal, mas esta é a função do editorial e dos colunistas: expressar opiniões.
Assim todos colunistas, e editores do NYT, e de todos outros jornais vão deixando bem claro quem é seu candidato favorito. Ao menos assim quem lê as opiniões sabe para que lado vai haver um enviesamento. O New York Times, ao menos tem colunistas que defedendem ambas posições, e ainda volta e meia publica opiniões de outros escritores sobre seus editoriais.
Já o jornalismo brasileiro, é completamente diferente. Todos tentam aparentar uma falsa neutralidade, mas abertamente defendem este ou aquele candidato. Em geral, baseados em quem está no poder, e não aquele cujos editores, repórteres ou colunistas colocam sua própria vontade. Essa aparência de isenção se carrega para o distorcido noticiário, onde sem saber que o jornal tem uma posição, o pobre leitor pode acabar mesmo achando que um candidato é mais honesto, limpo e eficiente que outro...
O jornalismo brasileiro deveria amadurecer um pouco... OU pelo menos evitar fazer estardalhaços como "Kerry é apoiado pelo NYT"... Porque não listar os jornais que apoiam ambos candidatos? Na verdade quase 70% das emissoras de tevê estão apoiando a candidatura Bush. Só que como todos sabemos, os esquerdinhas de jornal brasileiro, por algum motivo que me foge a compreensão, se identificam com o Kerry.... Como se ele por acaso fosse mais um comunista em potencial! (?!)
PS: Ainda estou para encontrar um jornalista jovem brasileiro que reúna as três qualidades para escrever bem: ser informado, sucinto e com uma análise original dos fatos... Até agora, o que vejo nos jornais são papagaios desta ou aquela opinião (a esquerda infantil ou a direita dos católicos antes-de-Cristo), que já sei muito bem o que querem dizer... Cadê as novidades? Ou pensamento e opinião no Brasil se reduziu a isto? Parece que as pessoas estão levando a sério demais a idéia da gelatina - abra o pacotinho, ponha na água quente, deixe gelar, e pronto! Já podemos consumir...
nóia do Ram em domingo, outubro 17, 2004/
sábado, outubro 16, 2004
RIR NA CARA DA MORTE
Eu rio na cara da morte o tempo todo. Porque sei que desperdiço o meu tempo, dividindo ele em vários pedacinhos que não se relacionam a objetivo algum. Por outro lado, faço isso porque decidi realmente não ligar. Me é indiferente hoje, se vou aqui ou ali, se conquisto isso ou aquilo ou nada. Eu gosto mesmo é de estar feliz, de rir, de cantar, de ler, resolver exercícios e trabalhar em projetos interessantes. Quaisquer que sejam.
Um dia ainda vou descobrir o propósito da minha vida. Hoje sei que tenho o meu propósito. Mas o propósito pessoal raramente é o propósito da nossa vida. Só no caso de alguns gênios que respiram o propósito pessoal... No meu caso, eu vou vivendo, até que um dia, na hora certa, no momento certo, as coisas irão se encaixando...
Viver em Nova Iorque desenvolve paciência e amor. Ou ódio e intolerância. Você escolhe.
nóia do Ram em sábado, outubro 16, 2004/
ANANDA
A minha palavra preferida em indiano é Ananda. Quer dizer, depois de Nilá (lua), agni (fogo), e Shiva (essência). Mas Ananda é uma palavra linda, que simplesmente se traduz como alegria, êxtase. Mas não é alegria, no sentido usual da palavra. Alegria é Sandocham, esta é a alegria que sentimos quando algo feliz acontece em nossa vida.
Ananda é uma alegria sem razão de ser. É loucura. Todos já experimentaram Ananda. Exemplos? Ananda é abraçar um montão de gente e dançar e cantar no Maracanã, porque seu time fez um gol. A alegria é desproporcional, e nada aconteceu para si. Ananda e rir, rolar no chão de rir, depois que um amigo faz uma piada certa na hora certa. Ananda é dançar loucamente, para uma música qualquer, até se esquecer de si prórprio. Ananda é aquela emoção que sai do fundo da barriga, onde fica o nosso pensamento emocional, quando se vê o mar no dia certo, na hora certa...
Pois é. Ananda é sem razão, é louco, e Sandocham é resultado, alegria por causa e consequência. Por isso acho Ananda bonito. É por ter tanta vontade de repetir esta experiência que faço as minhas loucuras. Como ter ido umas semanas atrás, às 12 da noite, sozinho no Central Park, só acompanhado do meu walkman. E quando tocou a música certa, na hora certa, sob a lua mais linda, não havia nada a fazer a não ser rir, e dançar de Ananda. Até as pessoas passeando desapareceram... No fim, exausto de dançar e cantar, eu notei que algumas pessoas estavam rindo também. Não de mim, mas porque queriam saber qual a música que causou tal comoção... Quando mostrei, não é que ficaram felizes da vida? Neste caso foi só sandocham... Afinal, quem dançou fui eu.
Por isso que uma de minhas palavras preferidas é Ananda. E uma das minhas atividades preferidas é rir do fundo do coração. Sem maldade, sem inteligência. Eu rio por qualquer coisa, por quase qualquer piada. E sorrio quase metade do tempo... Na outra metade do tempo choro. Mas aí ninguém é de ferro né... Um dia quem sabe, não vou rir nem chorar, só curtir.
nóia do Ram em sábado, outubro 16, 2004/
CHORADINHA
Bom, como ninguém é de ferro, vou colocar aqui uma reclamação. Todo dia leio por aí, no quesito literatura, que esta é a melhor novidade, que esta é uma nova revolução, uma grande revelação, e todos devemos seguir esta ou aquela receita de bolo.
É uma pena que leio isso por aí. Porque a minha experiência é que tem muitas coisas muito bem escritas que não tem oportunidade de aparecer. Eu ganhei um texto de um amigo, e quando tiver um tempinho traduzo e coloco aqui (o mesmo do telefone). Tranquilamente poderia fazer parte de qualquer um destes novos sites de literatura que surgem.
Infelizmente, ele não tem paciência para bajular, adular ou se agrupar com pessoas que organizam estas coisas, apesar da minha persistente sugestão para que enviasse seu material. Até chegou a fazer, mas desistiu depois do primeiro contato. Sinceramente, acho que as pessoas no mundo de hoje querem sanções. Você tem que ser sacionado. O que escreve tem que ser sanção de alguma coisa...
O que quero dizer? Você é sancionado quando está no círculo certo, quando se deixa envolver por um grupo, e reproduz tudo o que o grupo diz, e aqui e ali acrescenta o que pensa. O grupo te sanciona, você é incluído e pronto. Agora pode escrever aqui e a li, desde que não fira completamente a suceptibilidade do grupo. Até aí nada demais, porque ninguém é obrigado a fazer parte de grupo algum.
Pior é quando o que você escreve tem que ser sancionado. Quando o que se busca é algo familiar ou que se refira a algo familiar. Sempre queremos encontrar o Schopenhauer ou o Blahblahbauer no texto de alguém. Quem escreve tem que transpirar idéias familiares, que já estamos confortáveis. Quando algo é verdadeiramente novo, em geral é enviado para ser incinerado. Não é a toa que muitos cientistas e filósofos se suicidam ou desaparecem, porque é muito difícil viver num mundo quando você é completamente rejeitado.
Mas é uma pena que mesmo na dita sociedade moderna, nos acostumamos a viver sob credenciais. O que credencia um texto, uma idéia são suas referências, e não as suas possibilidades. As suas verdades. Ao menos, na web, existe a oportunidade de fazer uma publicação própria, mas a verdade nua e crua é que raramente um indivíduo tem o tempo e a energia para construir e manter um site, e promover o que escreve. Porque para se viver de escrever, tem que haver promoção. Senão não dá... Seria quase como eu propor vários projetos de engenharia ,sem ganhar um centavo para isso... Uma hora, cansa.
Digo isso tudo, porque acho que é a obrigação de um jovem ter a cabeça aberta. E jovem é todo mundo com menos de 80. É obrigação de todo jovem apoiar todos outros jovens em suas jornadas. De compreender o lugar relativo das coisas, e de promover idéias novas. Quando vivermos num mundo assim, verdadeiramente aberto a novas idéias, novos ideais, novos conceitos, teremos finalmente amadurecidos como sociedade. Espero que um dia, alguém como o M. consiga escrever e se sentir feliz por ter seus textos lidos por um grupo de pessoas maior e mais relevantes do que o autor do Cataplum...
nóia do Ram em sábado, outubro 16, 2004/
DIFICULDADES
As vezes eu fico pensando em como é difícil seguir o que você acredita ser verdade. Pode acabar se tornando um fardo, ainda mais quando tais crenças exigem demais de uma pessoa. É engraçado, mas fazer o que se acredita é mais fácil quanto menos se pensa em consequência, em realidade, em o que é válido...
Por outro lado, não sei porque a variedade de pessoas. Conheço pessoas muito talentosas que não aparecem no mundo, sob o peso de suas verdades, e de suas crenças. Por um lado, me parecem bem satisfeitos, por outro lado, me dizem aqui e ali que seguir a verdade dói. Porque é verdade, dói mesmo. Isso é de experiência própria.
Não existe uma verdade. Mas existe uma coleção de reflexões que nos guiam na vida. Para as pessoas que refletem muito, e veêm a consequência de seus atos, uma espécie de mania de perfeição acaba se desenvolvendo... Tem seu lado bom e o lado ruim. O lado bom é que a tal mania de perfeição o leva a algumas experiências incríveis, muito diferentes, novas e verdadeiras.
O lado ruim, é que em geral, quando vivemos fielmente pelo que acreditamos, em geral a jornada é solitária, muitas vezes cercada de dúvidas e incertezas. Como disse um amigo meu, que agora mora em Dallas, quantas vezes já não pensou em se vender completamente. Se vender, em sua terminologia, é terminar suas crenças e ir de encontro a crença de algum grupo, de alguma parte da sociedade...
Em seguida, pelo telefone, ele me disse que no fim ele sabe que não conseguiria mentir para si mesmo. Que existe uma dose de orgulho, de respeito por si mesmo, que o impede de abandonar suas crenças. Eu acredito que a verdade é mesmo que muitas pessoas passam enormes dificuldades para descobrir o que fazer na vida.
E na sociedade de hoje, tudo requer soluções instantâneas. Tudo requer medida de sucesso, de satisfação. Se não você ou se mantém fora, ou pode se tornar completamente medíocre, virando uma pedra de gelo sem propósito, sem emoções, sem alegria. Acho que a maioria das pessoas leva tempo para encontrar sua ginga, sua dança pessoal. E até lá? Até lá, o perigo mesmo é se perder dançando para os outros, ao invés de para si mesmo...
O perigo é seguir coreografias pré-fabricadas, pré-existentes. Mas este amigo também me sucitou uma dúvida, que respondo agora: "mas será que procurar a dança pessoal vale o preço? Mesmo que a minha vida acabe sendo destituída de acomplishments?". Como exemplo, ele é uma pessoa muito inteligente que escreve muito bem, e poderia ganhar a vida escrevendo sobre as centenas de livros de filosofia que leu... Só que me disse uma vez, "eu não consigo, porque não é o que eu acredito...".
Eu pensei, pensei, e pensei. Hoje, depois de experimentar um doce delicioso no café Mozart, aqui em Manhattan, cheguei a uma conclusão... Acho que a vida é um experimento. Cada um tem sua fórmula, seu propósito. Algumas formulações levam anos ou vidas para se ativarem. Outras ativam rápidas mas são inodoras como água. Outras borbulham, borbulha, mas no fim não sobra nem a fumaça. Outras se tornam importantissimas, fundamentais... Mas 1,000,000 fórmulas existem. E como distinguir as importantes? Só podem ser fundamentais se as não fundamentais existirem.
No fundo, acho que a única regra válida na vida é jogar. É experimentar. É tentar a sua fórmula. Não existe fórmula certa. Em geral, por muitos anos podemos nos enganar vivendo as fórmulas dos outros. Só que num momento silencioso, a verdade de cada vem a tona. Ou não. Talvez seja mesmo vantajoso viver a fórmula de outros, talvez isso seja original... Mas a fórmula que cada um vive, tem um componente original, uma inovação, si próprio... Portanto ninguém pode, não deve, esperar que seja a fórmula certa, que tudo dá certo imediatamente...
Acho que num futuro não muito distante, aprenderemos a ser mais tolerantes com as diferentes fórmulas, e com amor e apoio, a sociedade inteira pode crescer. Todas fórmulas dão certo no longo prazo... Respeitar o prazo é que é importante! Espero que meu amigo não desista de seguir sua própria fórmula, e também de adaptá-la quando for preciso. Por outro lado, espero mais ainda que a sociedade não reduza a fórmula, não o force num canto obscuro... Porque a verdade é essa: a sociedade é um animal feroz e selvagem, que destroí a maioria de seus partcipantes. Os poucos sobreviventes, em geral, são muito felizes.
PS: Nem sei se fez muito sentido, mas é isso aí...
nóia do Ram em sábado, outubro 16, 2004/
EULOGY
Quando o filminho sair por aí, vale uma ida ao cinema. Enterro de pai de uma família desfuncional, que se encontra e vive uma série de situações cômicas. Dentre as cenas mais engraçadas do filme, está o enterro que acontece num lago, onde o caixão está sendo alvejado com flechas de fogo, pois assim era o desejo do tal pai de família... Acho que o estilo do filme é um pouco de Peixe Chamado Wanda, com a onda não-PC que está passando por aqui. Mas foi uma surpresa razoável...
nóia do Ram em sábado, outubro 16, 2004/
quinta-feira, outubro 14, 2004
VOTO BRAZILEIRO?
O ódio do brasileiro em relação ao sr. Arbusto não faz o menor sentido... No site www.betavote.com, você pode ver que 95% dos brasileiros votariam em John Kerry. Isto apesar desta grande maioria nem saber de quem se trata o cidadão. Isto apesar do brasileiro não se dar conta que assim que Kerry entrar no poder, nossa produção de alumínio, aço, algodão e laranja que se cuidem, afinal Kerry está se alinhando a várias ações a favor de protecionismo para o operário norte-americano e para os agricultores, especialmente médios...
O Bush, com todas suas deficiências, e sua terrivel administração norte-americana, reacendeu a relação comercial entre Brasil e EUA. Apesar das usuais patetadas aqui e ali, inclusive na OMC, e estabelecendo algumas barreiras para produtos como camarão, Bush ainda é mais ou menos chegado aos empresários norte-americanos... Ou seja, se imposto sobre importação diminuir o lucro destas empresas de seus amigos, ele cedo ou tarde remove...
Mas obviamente, a opinião dos brasileiros, que condenam o autoritarismo e a prepotência do Bush, não parece se aplicar à política interna do país. O Lula demonstra em suas ações prepotência igual ou maior que o presidente americano. A maior diferença é que desprovido de recursos financeiros e militares, e pelo Brasil ser um país de esquina na geopolítica mundial, suas atitudes impensadas não passam de pequenas piadas no noticíario mundial. Ou será que alguém esqueçe da ação de compra de votos do PT no congresso para aprovar reformas? De estabelecer censura e expulsar repórteres do país? De comprar aviões franceses no dia de Natal? De comentários deprimentes em visitas oficiais? De surrar a posição presidencial apoiando descaradamente este e aquele prefeito? De fazer alianças com o que o Lula já chamou de "inaliançável"? De até abertamente apoiar o partido dos bispos da vida? Etc, etc...
Mas, como na verdade a sociedade parou de pensar já há alguns anos, 70% dos brasileiros gostam do Lula, mas 95% odeiam a versão 1o Mundo do Lula... Basta colocar o rótulo "extrema direita" ... Enquanto os militares do Bush invadem o Iraque, os guerrilheiros colombianos com o aval do Lula se esbaldam na Colômbia. Enquanto Bush se empolga e cria confusões diplomáticas no Irã e em Israel, Lula faz a apologia de Cuba, e do MST...
Ainda bem que o brasileiro não pensa em inconsistência... Senão não iria nem escrever uma linha de samba...
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 14, 2004/
HÁBITOS
Velhos hábitos não desaparecem tão cedo.
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 14, 2004/
SÓ GOSTO DO IMPOSSÍVEL
Empresas de material esportivo parecem destinadas a ser o veículo da nova filosofia. Quem achava que Derridá tava dentro se engana. Deve ser por isso que a Adidas inventou (?) isso:
"Impossível é só uma palavra grande dita por homens pequenos, que acham mais fácil viver num mundo que lhes foi dado do que explorar o poder que tem para mudá-lo. Impossível não é um fato, é uma opinião. Impossível não é uma declaração. É um desafio. Impossível é potencial. Impossível é temporário. IMPOSSÍVEL É NADA. "
Experimente o que "Impossível é Nada" significa as pessoas ao redor do mundo.
Isso está pintando em 5 andares de um paredão de um prédio da rua comercial mais movimentada do Harlem. A Nikelosofia diz:
"Test your faith Daily", "There is no finish line", "Play"...
Coincidência ou não, Nike e Adidas são nomes com memórias na Grécia... Mas é um alento que tais companhias sejam os novos bastiões da filosofia ocidental. Afinal, já era hora da filosfia chegar as massas, porque qual a utilidade de centenas de páginas e anos de honorários pagos a livros que ninguém entende? Obviamente existem alguns que fingem entender, e publicam mais livros e recebem mais honorários por razões que ninguém entende... Mas aposto que até eles usam Adidas, ou Nike, ou... Azaléia?
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 14, 2004/
PENSAMENTOS VAGOS
Estou aqui de camiseta e short, em pleno inverno, e suando as bicas no meu sauna-quarto em pleno inverno. Nessas horas sempre me deparo com pensamentos vagos... Alguns deles valem registro, por se tratarem de pergunas profundas:
- Porque o tomate seco é bem mais gostoso que o tomate cru? Afinal, o sol não tem gosto, ou tem?
- Será que alguém se sente bem depois de ouvir " Você é uma daquelas pessoas que sabe viver sozinha, coisa rara, nasceu para isso"?
-Porque a vontade de comer pizza é inversamente proporcional a temperatura da estação?
-Chocolate e dieta se atraem. Dieta e espinafre cru se repelem. Portanto Chocolate repele espinafre? Então porque gosto de chocolate e espinafre?
Coisas de uma mente vazia e cansada depois de um dia inteiro trabalhando, lendo, etc, etc. Até daqui a pouco.
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 14, 2004/
FUÇANDO
Fuçando os livros do meu roommate, expostos na sala, e apresentados como : "pode ler qualquer coisa aí", descobri muitas e muitas pérolas. É como se o mundo houvesse conspirado para eu ter este quartinho aqui, pequenino, infernalmente quente no inverno, com uma cama gigante, e a luz convenientemente posicionada para leitura, tudo isso num apartamento com uma coleção de livros muito, mas muito legal. Fora os livros de matemática que leio por ética profissional...
Mas é engraçado descobrir que metade da coleção, este roommate comprou quando estava viciado em drogas, e em depressão profunda. Ele é músico, mas trabalhava num emprego de "gente grande" para viver. Disse que estava até indo drogado ao emprego, que passava o dia inteiro sem fazer nada, mas seu chefe havia dito várias vezes que estava fazendo um ótimo trabalho... A música era coisa da noite e de fim de semana, apesar de ter aprendido o baixo enquanto estudou música e filosofia em Yale. Outro presidenciável?
Pois é, depois que saiu do trabalho e se meteu na música de cabeça, descobriu uma outra vida. Primeiro adrenalina. Depois, muitas ofertas, muitos projetos, muitas músicas. Depois uma viagem em drogas, bebidas e filosofia, e agora recuperado há sete meses, esta tocando mas me disse que está lutando para descobrir o que é interessante. Música é muito bom, mas ele diz que tudo tende a se tornar repetitivo... Apesar de ele ser parte de 3 bandas, e uma parece ter deslanchado. Como é a vida não? Em junho havia me perguntado como seria a vida de um músico...
Mas voltando as suas estantes de livro, fora os livros para recuperação, a sua coleção tem muitos clássicos da filosofia, de Schopenhauer a Platão. Depois tem vários clássicos da filosofia oriental, como o Tao Te Chi, livros do Krishnamurti, vários tratados budhistas. Como ele queria encontrar uma religião, adquiriu também livros sobre shamanismo, Alstair Crowe (falsificação do satanismo), etc. Análises do Cristianismo, livros de freis que não conheço, o Livro dos Mormons, o Corão, vários livros com análise sobre islamismo, está tudo lá... Acho que única coisa que não vi totalmente representada mesmo foi o Judaísmo, apesar de um "Perspectives on the Torah"... Mas também, como disse outro dia um rabino aqui perto de casa, você só nasce Judeu, nunca se transforma...
Bom, pois é, como se não fosse suficiente, amalgamado a esta coleção de livros, está uma coleção de quadrinhos que iria deixar um amigo meu de joelhos, fazendo preces a todos os Deuses mencionados anteriormente... Tem tudo e qualquer coisa que eu já ouvi falar remotamente, e não é mainstream, ou é mainstream (Watchman, Frank Miller,...), até caixas e caixas de quadrinhos feitos por amadores, e vendidos a 1 dólar. Coisa para posteridade... Posteridade americana, aquela que aqui e ali aparece numa feira de garagem (Garage Sales).
Então, todo dia posso ficar louco com filosofia ou quadrinhos. E quando estou sem saco, posso ler um dos romances na estante. Infelizmente boa parte de sua coleção já foi lida, dos romances, mas sempre tem uma coisa ou outra que não conheço... Hoje, descobri, fuçando na estante, um dvd (!) chamado "Power of Myth". Um que já havia mencionado, e é sensacional... O universo parece ouvir nossos chamados...
Então tá... Regrinha para alugar apartamento com roommate: certos apartamentos são bem mais edificantes que outros... Edificantes, sacaram? 'Sacaram? Isso que dá ler estes livros aí...
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 14, 2004/
DEPOIS
Já é o terceiro texto, este sobre o Harlem, que some do Blog. Depois não digam que foi por causa de uma semana hiper-atarefada tentando apresentar um milhão de resultados para vários fabricantes automotivos, que aqui se aquietou....
Como certos textos não são para ser escritos, o Word deu um crash, e sumiu com o meu primeiro parágrafo do novo post, este seguindo a sugestão do Daniel. A única coisa que anda funcionando é o meu aquecedor a gás, que antes não estava. Antes, o quarto estava um gelo, um pouco amenizado por sonhos de verão no Rio, agora se tornou uma sucursal do inferno. Tudo porque, eu descobri o termostato está quebrado.
Não é engraçado acordar de manhã, sabendo que está menos de 15 graus lá fora, suando as bicas? Primeiro instinto? Estou com malária, tifo, febre amarela, sei lá o que. Isso num dia realista. Segundo instinto? Será que o prédio está pegando fogo? Terceira e última hipótese, a caminho do banho: o termostato está quebrado.
Ao menos, eu descobri que existe uma maneira de sair da cama num dia frio, quando as cobertas lhe fornecem a temperatura perfeita... Aumente a temperatura! Não é a toa que dizem por aí, que o amor faz a cama, e tira da cama né...
nóia do Ram em quinta-feira, outubro 14, 2004/
domingo, outubro 10, 2004
REPORTER TAMBÉM É GENTE...
Leiam aqui a carta pessoal que vazou do correspondente no Iraque para o Wall Street Journal. Tirei daqui. Para complementar, leiam aqui as consequências do vazamento da tal carta pessoal.
Traduzo algumas partes da carta, que traduzem a "reality on the ground" (verdade em solo) no Iraque... A jornalista Farnaz Fassihi escreve para um dos diários que mais apoia a administração de Bush...
"Apesar das análises cor-de-rosa do Presidente Bush, o Iraque permanece um desastre. Se sob Saddam era um perigo em potencial, sob os americanos foi transformado em um perigo ativo e iminitente, uma falha de política externa destinada a perseguir os EUA por várias próximas décadas.
Os iraquianos gostam de chamar esta confusão de "a situação". Quando perguntados : "Como estão as coisas?", respondem "A situação está muito ruim".
O que eles querem dizer por situação é o seguinte: o governo do Iraque não controla a maioria das cidades iraquianas, muitos carros bombas estão sendo detonados diariamente matando e ferindo grandes números de pessoas inocentes, as rodovias do país estão se tornando impassáveis e poluídas por centenas de minas terrestres e dispostivos explosivos com o objetivo de matar soldados americanos, estão acontecendo assassinatos, decapitações e sequestros. A situação, basicamente, uma violenta e bárbara guerrilha. Em quatro dias, 110 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas só em Baghdad. Os números são tão chocantes que o Ministério da Saúde - que estava tentando exercer transparência pública ao publicar os números - parou de publica-los.
Os rebeledes atacam Americanos 87 vezes por dia.
...
A última esperança americana para uma saída rápida? A polícia iraquiana e as unidades da Guarda Nacional em quem estamos gastando bilhões para treinar. Os policiais estão sendo assassinados às dezenas todo dia, 700 até hoje -- e os insurgentes estão entrando na organização. O problema é tão sério que os EUA alocaram 56 milhões de dólares para oferecer como cala-boca (buy out) a 30,000 policiais que haviam acabado de treinar, para poderem se livrar deles em silêncio.
...
Iraquianos agradecem a América por terem ganho liberdade em troca de insegurança. Adivinhe o que? Eles aceitariam segurança em troca de liberdade qualquer dia, mesmo que isso implique em ter um ditador governando. Eu ouvi hoje de um iraquiano educado que se fosse permitido a Saddam Hussein concorrer nas eleições, ele ganharia a maioria dos votos. Isso é tristemente verdadeiro.
...
Eu perguntei a um engenheiro de 28 anos de idade se ele e sua família iriam partcipar nas eleições do Iraque porque era a primeira vez que os iraquianos - em algum grau - iriam eleger uma liderança. Sua resposta resumiu tudo: "Ir votar e arriscar ser explodido em pedaços ou seguido por insurgentes e assassinado por cooperar com americanos? Para que? Para praticar democracia? Você está fazendo piada?"
"
nóia do Ram em domingo, outubro 10, 2004/
DISSE-ME-DISSE
Jornal americano agora virou mesinha para disse-me-disse com enviesamento ideológico. Como a maioria da mídia apoia o Bush descaradamente, sobra partes do Washington Post e New York Times para ler o outro lado das estórias... Infelizmente tanto o Post quanto o NYT tentam se fazer de moderados, e ficam aguando o disse-me-disse. O problema dos democratas é que eles são safados como os Republicanos, mas não querem falar grosso, nem parecer fundamentalistas como seus comparsas...
Mas, como ia dizendo, tudo por aqui é disse-me-disse. O líder da câmara de deputados se favoreceu de propina. Uns acusam, com provas. Aí aparece coordenador de campanha do tal líder dizendo que não foi nada disso, que seu líder faz o que todos fazem (mas propina?), etc... A comissão de ética não suspende ninguém, e sem julgamento, usando as provas e as testemunhas, tudo termina no disse-me-disse. Ao menos a tal comissão de ética 50-50 entre republicanos e democratas, implorou ao indivíduo pela 4a vez a não cometer atos ilícitos ... Engraçado né? Política é sujeira, e perda de tempo. Cada dia que passa menos vontade tenho de tomar "parte no processo democrático"... Para aturar pessoas assim?
E o melhor, o disse-me-disse dos prisoneiros "de guerra do Iraque"? A maioria foi liberada por falta de provas, ou provas fortes comprovando a inocência. Inclusive, o Ashcroft, sempre pronto com a sua tábula dos dez mandamentos republicanos, nem aparece mais no jornal. Nem ele, nem o Rumsfeld - que semana passada disse que as coisas não estão tão estáveis no Iraque, e as tropas parecem cansadas -, nem a Condoleeza Rice e seu tio Colin Powell que só tem credibilidade nos EUA porque o americano gosta de fingir que não sabe nada... Assim não precisa aceitar o caráter duvidoso de várias pessoas que ocupam a Casa Branca, ou já ocuparam - ou alguém vai se esquecer de Kissinger, Nixon, e tantas outras figuraças?
Uma lição disso tudo é que o presidente é somente um acessório. Ou os brasileiros de classe média se organizam e mudam o país, ou tudo irá continuar na mesma. Veja, o Lula é a versão pintada de vermelho do Bush. Virou darling da Europa, por isso todo mundo no Brasil tem que gostar... Mas os europeus querem é antagonizar o Bush, mas não tem coragem de fazer isso diretamente, pois imaginem só se por uma vaidade de um francês, as tarifas contra o queijo rocquefort aumentarem? Então, diante de sua histórica covardia, os europeus gostam de ver um Lula - que acha que tem nada a perder - torpedear o tal presidente dos EUA... Eu gosto mesmo é quando o governo do PT reclama do subsídio ilegal contra o algodão, quando EUA e UE se juntam para dizer.... Não, nada disso... É livre mercado... Brasil também dá subsidios... Exatamente, comparem seus países ricos, e enriquecidos pelo ouro/dívidas de miseráveis, ao Brasil... Somos quase iguais não?
O mundo é uma vergonha sem fim, só não vê quem não quer. E quem lê muita filosofia, idéias e nunca põe nada em prática, porque gosta do conforto, gosta de se sentir parte de algo maior do que sua própria realidade, está desperdiçando sua vida... Se
nóia do Ram em domingo, outubro 10, 2004/
COORDENADORES DE CAMPANHA
Kerry havia contratado coordenadores de campanha que eram contra as famosas "smearing tactics", que se reduzem a acusar o oponente de forma infundada, utilizando retórica negativa e repetitiva. Quando se apercebeu que se fosse assim não iria ter nem 40% dos votos, pois este país é igual a Salvador no Carnaval - só gosta mesmo é de uma fofoca e confusão -, resolveu atacar de Bill Clinton. Clinton sugeriu a tática pai de todos para irritar o Bush... Funciona né.
Enquanto isso, Bush parece que contratou o Ministro da Informação do Iraque para coordenar sua campanha. Quando o próprio relatório, de custo US$ 1 bilhão (isso aí), diz que o Iraque não possuia nem capacidade, nem dinheiro para fazer armas de destruição em massa, e muito menos ligações com a Al Qaeda, o presidente responde reinforçando as suas mensagens contrárias... Mais engraçado foi ler nos jornais ontem que o atual "terrorista no. 1" do Iraque também parece não ter vínculos com Osama, mas é sim seu competidor ... E os dados são diretos da CIA...
Nem ao menos uma dúvidazinha, Sr. Presidente?
Pensei que só o Lula fosse assim. Mas acho que o Bush aprendeu algumas coisas naqueles encontros com tradutor...
nóia do Ram em domingo, outubro 10, 2004/
PT-USA
Leiam aqui o que anda acontecendo em termos de liberdade de imprensa nos Estados Unidos. Déficits monstruosos, favorecimento de amigos, um presidente que gosta de bajulação e mentiras (ou espichar a verdade, como os politcamente corretos gostam de dizer), apoio a idéias fundamentalistas, e políticas econômicas que favorecem aos mais ricos... Opa, será que se trata do Lula?
Os EUA são a prova de que organização basta para você ter o mínimo de desenvolvimento. Nem mesmo com um presidente brasileiro eles conseguiram desarrumar o país exageradamente... Mas certamente é preocupante quando o governo americano começa com campanhas terroristas justamente em cima de repórteres que tentam noticiar verdades sobre o governo.
nóia do Ram em domingo, outubro 10, 2004/
quarta-feira, outubro 06, 2004
DE DENTRO
Para quem duvidou que as sanções deram resultado, um analista da CIA enviado pelo próprio governo americano escreveu este relatório... Ou seja, Bush meteu os pés pelas mãos, e os franceses cafajestes que negociavam com Saddam a despeito do embargo, vão poder trompetear a marseilhese... Não é fácil ficar satisfeito neste mundo... Mas Bush, União Européia e todos estes outros se merecem.
PS: Cataplum é isento! Viva! Enquanto isso, a blogsfera se espicha...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 06, 2004/
CERTOS TONS
É de arrepiar a espinha, ouvir a puxada de um samba da mocidade (que nem gosto tanto), "Minha estrela guia, brilha lá no céu, é a verde e branco de Padre Miguel", numa noite fria de outono, com a meia lua iluminando o parque aqui em frente a minha casa. Não sei se é o contraste de tudo, se é porque eu me lembro bem daquele carnaval, ou se porque ouvir samba em noite fria é substituto para aquecedor. Mas, que certas músicas valem por alguns segundos que elas trazem, isso lá é verdade...
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 06, 2004/
CUIDADOS
Tudo bem que o que o Sr. Serra diz hoje, o pai FHC fez ontem, mas o comentário é válido:
"Em São Paulo, mais cedo, Serra disse ser inusitado o presidente usar o gabinete para questões partidárias: - É inusitado você usar o gabinete de trabalho para gastar horas do seu tempo com questões partidárias. Isso não se faz. Isso se faz nas horas vagas, nos fins de semana, à noite, e não no horário de trabalho como se estivesse confundindo governo e partido. Há uma confusão no Brasil que está associada ao PT. Dentro de uma perspectiva republicana, governo é para servir as pessoas e não ao partido - disse Serra, após rápido corpo-a-corpo na Avenida Paulista, na região central da cidade. "
(O Globo Online)
nóia do Ram em quarta-feira, outubro 06, 2004/
domingo, outubro 03, 2004
I HEART HUCKABEES
Ou seria melhor ler como, "I love Huckabees". O filme vai ser uma coisa para cada um que for assistí-lo... Mas para mim foi ótimo! É um conto sobre a busca pela verdade, e como se chega a ela. Sobre como as pessoas podem flutuar na superfície das coisas. Como a própria tal busca pode se tornar algo cômico, algo superficial.
Mas o filme, ao menos para mim, não teve nada a ver com a crítica do NYT que propôs que ele se trata de uma crítica aos liberais. Muito pelo contrário... Não existem liberais, conservadores, nada disso na estória. No fim todos encontram a verdade, e o que sobre é o sorriso do Budha.
Óbvio que vai incomodar espiritualistas (especialmente os superficiais), ativistas, e porque não os "gazzguzlers" ou conservadores também. Mas quem não entendeu a piada, é porque a piada é justamente esta... A verdade está em todos os lugares. Quem a perde, perde tudo. Quem a tem, não tem nada, ou tem tudo. Sei lá. Só sei de uma coisa, depois de muito tempo, um filme que faz você pensar além de superficialidades... Especialmente se você procurar se colocar no contexto do filme, ao invés de procurar descobrir a quem aquelas piadas se aplicam.
Recomendo!
nóia do Ram em domingo, outubro 03, 2004/
sexta-feira, outubro 01, 2004
A MERCÊ DA NOTORIEDADE
Você pode ser notório concordando ou discordando com qualquer coisa. Como antigamente você se tornava darling por apoiar os comunas, hoje você pode se tornar darling por rejeita-los. Pena que no processo de ficar sendo a favor disso, contra aquilo, aos poucos se perca a humanidade.
Ainda hoje li em algum lugar da internet, aquela crítica babaca de que "responsabilidade social" é uma cortina de fumaça contra "empresas", bla bla bla. Pois bem, quer viver do lucro, seja bem vindo. Todos queremos. Mas ao invés de ressoar trombetas, que funde uma empresa. Gostaria de entender porque criticar algo que as próprias empresas criaram, "Responsabilidade Social", dentro e fora do empreendimento. Elas doam o dinheiro para um museu ou para alguma caridade, e esperam que você não roube ou maltrate os seus companheiros de trabalho. Ou seja, a tal palavra é só algo que está em voga no mais puro capitalismo.
Por outro lado, aqueles que viven buzinado os benefícios do capitalismo puro e simples, costumam ser justamente indivíduos incapazes de criar qualquer coisa que dê lucro sob este sistema. Enquanto que os grandes capitalistas de nosso século parecem ter se tornado os socialistas mais inveterados: Bill Gates, Rockefeller, Soros, ... Acho que quem faz e constrói sabe da importância de uma oportunidade. E a oportunidade só chega num ambiente adequado, com todas condições básicas de saúde, educação, etc. etc. Que até hoje nenhum sistema capialista puro e simples gerou num país.
Não me tomem como partidário disso ou daquilo. Mas é triste ver que o debate no Brasil se tornou coisa de torcida. Talvez porque já passou a hora do debate... Ainda bem que todo torcedor tem seus times a altura. O PT e essa gente se merecem!
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 01, 2004/
PRONUNCIAMENTO DO PM DA GRANDE GOMES
A seguir, carta completa do Lorde Primeiro Ministro da Grande Gomes, que após 1 ano se pronuncia sobre as mudanças no cenário geo-político da comunidade.
Queridos amigos Gomenses e do Município do Rio de Janeiro, neste curto pronunciamento gostaria de abertamente congratular a população de nossa província por estarem ativamente envolvidos com o desenvolvimento da Grande Gomes. Como todos sabemos, os passivamente envolvidos se encontram próximos a praça Gal. Osório.
Devido ao esforço e colaboração de todos Gomenses, evitamos a calamidade pública que seriam os showmícios do Sr. Crivella no nosso país-província. Além disso, aumentamos a concentração de beleza per capita na nossa querida região, com a adição de mais cursos na piscina da Body Tech da Grande Gomes. Em mais uma mostra do esplendor econômico da Grande Gomes, o país-província tem agora uma sede em Nova Iorque, bem próximo as Nações Unidas. Além disso, o restaurante Milano DOC tem se mostrado um sucesso, atraindo amigos de todas cidades e regiões vizinhas.
Estamos cientes das mazelas de nossa perfeita sociedade. Já começamos o programa "É bom Pra Cachorro", para educar pitboys e pitgirls a comerem com garfo e faca, e falarem com elegância. Além disso estamos continuando o programa "PMentrando", para manter a ordem da querida polícia que patrulha nossa região. Finalmente, estamos assinado um acordo com o grande e leal Sr. César Maia para que seus factóides sejam exibidos na Casa de Cultura Laura Alvim, na exposição "A Arte da Política". Um último programa a ser iniciado é o "Arrastão Com Bossa", para educar os envolvidos em arrastões a continuarem a sua prática de forma mais educada e sob música mais agradável, dando a todos turistas que estão constantemente na região uma experiência inesquecível.
Espero que todos estejam se preparando para o concurso "Lindinhas de Verdade Sem Ambiguidade" em dezembro, para eleger as 365 homenageadas no calendário diário de fotos a ser produzido pelo governo. Para terminar o curto pronunciamento, gostaria de desejar a todos um bom voto no Domingo. E não se esquecem, aproveitem!
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 01, 2004/
BLOG DO PRESIDENTE
Todo presidente deveria ser forçado a escrever um blog, e deixar os arquivos de tudo que escreveu a disposição do público. Assim poderíamos facilmente descobrir suas promessas cumpridas e idéias, sem poluição da mídia. Mas peraí, iríamos facilmente descobrir inconsistências, mentiras deslavadas, mudanças instantâneas de opinião e toda outra sorte de sacanagens usadas por aqueles que precisam se manter no poder...
Todo presidente deveria mesmo ter um blog.
nóia do Ram em sexta-feira, outubro 01, 2004/
ARBUSTO DE DEUS
"Will George W. Bush be allowed to finish the battle against the forces of evil that threaten our very existence?" - GWB: Faith in the White House
Leiam aqui uma resenha muito engraçada sobre o filme-resposta "George W. Bush: Faith in the White House" a ser lançando no mês de novembro. O filme-resposta foi feito por, para e com ajuda da ala evangélica que apoia o presidente. Inclusive, vai ser distribuído gratuitamente em várias igrejas norte-americanas (300,000 cópias!), as mesmas que deram ao partido Republicano listas com nomes e endereços de frequentadores. Coincidência ou não, esta listas estavan sendo usadas pelo partido para recrutar votos (através do regristro nas eleições), enviar panfletos atacando Kerry, e com sugestões para "benefícios".
Hoje em dia, eu ouço muita gente que critica o sistema de gurus indianos, porque estes se proclamam enviados diretos dos Deuses, e coisas do gênero. Ao menos, eles não são presidentes dos EUA, dizendo coisas como "Deus quer que eu seja presidente" e "Leading us in the crusade against evil". Um dos roteiristas do filme admite que Bush não ouve vozes divinas o instruindo para tomada de medidas, mas certamente ele aje em função de alertas divinos que lhe ocorrem repentinamente. Segundo o mesmo roteirista, ele atacou o Iraque porque "Bush concluiu que Saddam Houssein era malvado". Mais engraçado é um popular palestrante que apresenta as empreitadas do governo Bush, como a luta "do exército de Deus contra Satan, especialmente no Iraque". Radicais existem em todos os lugares. Mas é chato quando um presidente faz as vontades dos radicais por (1) egolatria (2) 17% de base garantida e (3) ignorância.
Acho que Michael Moore e sua trupe tem nestes radicais o par perfeito... Ambos se merecem!
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